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Pintando o sete: pagando bem, que mal tem?

O grande assunto para a F1 no começo de fevereiro foi a mudança da dupla de pilotos da Renault. A fábrica gaulesa manteria os acordos de Pastor Maldonado e Jolyon Palmer com a Lotus para esta temporada, mas devido a crise na Venezuela, o piloto latino foi trocado por Kevin Magnussen.

Isso você deve ter visto pela web e também a reação crítica a Maldonado, principalmente por conta do fato de ser um pay-driver, um piloto que paga para correr, por assim. dizer.

A história da categoria mostra que muitos pilotos que passaram por lá só atingiram o êxito trazendo alguns cobres para ajudar no orçamento das mais diversas equipes, sejam mais estruturadas, sejam as paupérrimas nanicas.

Embora, nos últimos anos, a história mostre que o nível de alguns pilotos com esta fama acabe sendo de pilotos que estão lá mais pelo dinheiro que pelo talento, a realidade mostra que muita gente boa começou sua jornada precisando pagar pelo assento (e assim, mesmo em casos mais consagrados, que são muitíssimos). Vejamos sete situações:

Fernando Alonso

Dos pilotos atuais do grid, Fernando Alonso é considerado um dos três mais talentosos. No entanto, ele teve um começo de carreira diferente de seus rivais. Enquanto Lewis Hamilton e Sebastian Vettel sempre estiveram em programas de desenvolvimentos de pilotos, o espanhol teve que ralar um pouco mais para achar seu lugar ao sol.

Fernando Alonso e Tarso Marques em 2001

Tudo bem que ele também já tinha um vínculo com a categoria máxima, já que era empresariado por Flavio Bratore, mas para chegar à Fórmula 1, era necessário alguns cobres.

Uma vaga se abriu na Minardi, tudo bem, não era a mais querida das equipes, mas o patrocínio da Telefonica ajudou a colocar o asturiano na escuderia italiana, já que a empresa de telefonia já estampava a sua marca no simpático time entre 1999 e 2000.

Apesar do auxílio, a equipe não precisou estampar nenhum logo predominante do espanhol após a aquisição do time por Paul Stoddart, mas com contrato assinado, Alonso ficou e fez uma temporada interessante em 2001.

Passagem da Minardi foi para aprender os macetes da categoria

Alonso já tinha o seu pé-de-meia arrumado para os anos seguintes, por conta do apoio de Briatore. O espanhol foi para a nova Renault, e após um ano de piloto de testes, assumiu o  assento e fez história. Detalhe: nos anos de ouro da Renault, a Telefonica estava lá estampando os carros vencedores.

Mas não foi só isso. A primeira passagem pela McLaren e a época dele na Ferrari também tiveram o apoio do banco Santander. Alonso sempre trouxe alguma grana para as equipes em que passou, mas certamente ninguém pode esquecer que o retorno não foi positivo só financeiramente.

Damon Hill

O filho da lenda Graham Hill nunca foi exatamente o piloto mais conceituado do grid, mas teve seus méritos na carreira e quando teve as condições certas, foi campeão do mundo. O que nem todo mundo se lembra é que o começo da sua jornada foi bem modesto.

Pelo menos dá para correr, né? #SQN

Como piloto de testes da Williams para 1992, o britânico fazia seu trabalho sem muita pressão, enquanto a equipe doutrinava no mundial. Para dar quilometragem ao rapaz, Frank Williams liberou o rapaz para correr na desesperada Brabham.

Além da mídia trazida por ser filho de quem é, Hill também trazia algum conhecimento técnico da Williams e com algum dinheiro, já que a italiana Giovanna Amati (a última mulher a tentar se classificar para uma corrida de F1), não conseguiu fazer.

A Brabham não era nem de longe a tradicional equipe fundada por Jack Brabham nos anos 1960, ou mesmo a escuderia chefiada por Bernie Ecclestone e que teve dias de glória com Nelson Piquet no começo dos anos 80.

O cantar do cisne da Brabham

O carro era uma jabiraca estranha pintado em dois tons de azul e em rosa choque movido pelo tétrico motor Judd. Uma das maiores aberrações na história da categoria, em termos estéticos e em velocidade também.

Hill ainda conseguiu classificar o carro duas vezes, nos GPs da Inglaterra e da Hungria, antes da tradicional Brabham decretar sua falência e encerrar sua história. O britânico voltou ao seu emprego de test-driver da Williams e ganhou uma senhora oportunidade no ano seguinte. Muito bem aproveitada, por sinal.

Mika Hakkinen

A trajetória aqui é um pouco diferente, mas não deixa de entrar no caso de pay-driver. O romissor finlandês Mika Pauli Hakkinen estreava na Fórmula 1 em 1991 pela tradicional e decadente Lotus, também precisando desembolsar uns cobres.

Em 1991, sobrevivência em meio a miséria

Hakkinen era um jovem bastante promissor. Venceu a Fórmula 3 inglesa em 1990 e teve no GP de Macau o primeiro embate da carreira com Michael Schumacher, com um final bem polêmico.

Apesar dos holofotes, um bom lugar no grid da F1 não era uma coisa tão simples, mesmo num grid com 34 carros. Afinal a maioria era composta de nanicas que mal sabiam se iam terminar o ano.

O finlandês achou uma vaga na Lotus, esta já combalida financeira e tecnicamente. Hakkinen trouxe alguns patrocínios para pequenos decalques dos carros da lendária escuderia, além do apoio da Marlboro, já que fazia parte de um programa de jovens pilotos mantido pela tabaqueira nos anos 90.

Em 1992, mais um pouco de grana, mais um pouco de resultados

Nos dois anos em que esteve por lá, Hakkinen teve percalços, mas conseguiu ter um bom desempenho, especialmente em 1992, quando terminou o ano em oitavo no campeonato de pilotos.

Após uma disputa longa pelo seu passe, acabou na McLaren como piloto de testes, assumiu a vaga de Michael Andretti e por lá construiu a parte mais importante de sua carreira.

Rubens Barrichello

Apesar de ser o único não-campeão dessa lista, Barrichello é um piloto de gabarito inquestionável. Não à toa, foi aquele que teve a carreira mais longeva da categoria máxima do automobilismo. Mas mesmo os primeiros passos precisou de apoio.

Jordan em 1994

Não é muito segredo que o Rubinho batalhou muito para disputar provas na Europa e mostrar seu talento. A sua família fez muita coisa até surgir uma empresa para o apoio oficial. No caso, a empresa alimentícia Arisco.

Com com o logo da Arisco que Barrichello fez sua carreira no exterior, ganhando o título da F3 inglesa  competindo na F3000 até chegar à F1 em 1993, pela Jordan.

Patrocínios tupiniquins no macacão do Barrica em 1994

Mesmo na empresa de Eddie Jordan, o brasileiro precisava trazer alguns cobres. Primeiro com a Arisco em 1994, depois teve os patrocínios pessoais em 1995 e 1996. O pagamento só parou depois que fora para a Stewart, num sistema diferente do que estava habituado.

Nelson Piquet

Outro piloto que sempre lutou muito para fazer a sua carreira foi Nelson Piquet. Após as suas aventuras no automobilismo brasileiro e nas categorias de base internacional, chega a chance de estrear na categoria máxima do automobilismo.

Os primeiros passos na McLaren da BS Fabrications

Em 1978, Piquet varria a concorrência na F3 inglesa (sempre ela) e já atraía os holofotes da categoria máxima do automobilismo. O brasileiro recebeu um convite para fazer uma corrida na Alemanha pela tétrica Ensign e cumpriu bem com o dever, com o carro que tinha.

Depois foram três corridas pela McLaren, mas não do jeito que você imagina. O carro era da equipe de Woking, mas era um M23 de 1974 usado pela BS Fabrications. Para correr, Piquet precisou levantar 30 mil dólares para isso (numa época bem mais acessível da F1 no passado)

No entanto, foi na sequência da carreira que Piquet teve mais trabalho para pagar seu assento, curiosamente em uma equipe estruturada. Sim, na Brabham, o Nelsão entrou de pay-driver.

Um dos dois empregos de Piquet em 1979

Para a temporada de 1979, Piquet tinha que vender espaços de patrocínio do macacão para custear a sua presença. E era com essa renda que Bernie Ecclestone custeava as viagens do brasileiro. Sem salário, o piloto teve que trabalhar com revenda de carros leiloados para se manter naqueles dias.

Pagamento na conta? Só depois de 1980, quando tornou-se o primeiro piloto da Brabham e mostrava que era o nome que levaria a escuderia ao título.

Ayrton Senna

Sim, os dois brasileiros tricampeões mundiais de Fórmula 1 foram pay-drivers ao longo da carreira. Embora ambos sejam situações bem distintas dos casos que costumamos ver. O caso de Senna é mais distinto ainda.

O primeiro ato também teve seus investimentos

Desde o começo da carreira, Senna teve sempre uma visão mais profunda de marketing no automobilismo. Assim, sempre foi bem incisivo nas negociações com todas as equipes sobre os contratos que precisava assinar.

Assim foi na Toleman, com a negociação dos espaços no macacão e nas inserções nas mídias em geral. Para o primeiro ano, vieram os patrocínio da Banerj e dos jeans Pool.

Logo do Nacional sempre lá

A partir da ida para a Lotus e por toda a carreira, a eterna parceria com o banco Nacional estava lá e assim seguiu-se com McLaren e Williams. A icônica marca no macacão de Senna não estava lá apenas de decoração, não é?

Michael Schumacher

Até o piloto mais bem-sucedido da história da categoria precisou de um empurrãozinho financeiro para o seu debute. A situação de Schumi também tem as suas peculiaridades.

Uma estreia que chamou, e muito, a atenção

Já contamos essa história aqui neste blog e provavelmente você já leu em vários lugares: tudo começou quando Bertrand Gachot foi preso em agosto de 1991 por atirar spray de pimenta em um taxista em Londres.

Enquanto o belga passava poucas e boas em um presídio bem perigoso, a Jordan corria atrás de um segundo piloto urgente. Alguns pilotos mandaram seus currículos com algumas ofertas (até Keke Rosberg cogitou um retorno aos monopostos), mas no fim a vaga ficou a um jovem e promissor alemão do programa de pilotos da Mercedes.

Michael Schumacher chegou logo e mostrou serviço na nova equipe. Flavio Briatore resolveu agir rapidamente e numa canetada, mandou Roberto Moreno para a equipe irlandesa e trouxe o pupilo para a Benetton. O resto é história…

Niki Lauda

Já vimos casos bem variados de pilotos pagantes, mas o mais clássico e de ocorrência mais comum já foi retratado até nos cinemas.

Andreas Nikolaus Lauda nunca teve muitas mordomias no meio automobilístico. Sem o apoio familiar, lá foi ele sair da Áustria com 30 mil libras emprestadas dos bancos de seu país para fazer a carreira.

Empréstimo convertido em jabiraca

Lauda fez algumas corridas entre 1971 e 1972 com o fraco carro da March, sem obter resultados relevantes. Para avançar na carreira, outro empréstimo bancário para achar um lugar na BRM.

A British Racing Motors era uma tradicional escuderia, que surgiu no fim dos anos 1950 e teve muita força nos anos 60, especialmente quando foi campeã de pilotos (com Graham Hill) e construtores em 1962. Mas a década seguinte estava sendo cruel com a equipe.

Mesmo o polpudo patrocínio da Marlboro não era o suficiente para o orçamento da temporada e a grana trazida por Lauda ajudava e muito.

Era uma jabiraca, mas sem Lauda, podia ser bem pior

 

O austríaco fez um trabalho eficiente na equipe, apesar de passar longe das vitórias. O suíço Clay Regazzoni viu que o rapaz tinha potencial e o indicou para Enzo Ferrari quando decidiu retornar a Maranello.

Lauda veio e, enfim, o esforço feito, inclusive com os empréstimos, foram recompensados.

Fontes de pesquisa: A Mil por Hora (Rodrigo Mattar), Bandeira Verde, GPTotal.

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Evidentemente, há muitos casos e causos que se enquadram nesta lista. Se lembrar mais alguns interessantes, deixe aqui o seu registro!

P.S. Aproveite e participe do nosso especial. O primeiro episódio da nova temporada do Barman da Velocidade estreia em breve!

 

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Falar sobre Ayrton Senna (bem ou mal) não te torna especialista em automobilismo, diz estudo

Um estudo divulgado nesta manhã nos Estados Unidos analisou o comportamento de fãs de automobilismo no Brasil pelas redes sociais durante os últimos seis meses. A pesquisa descobriu que a atitude de 99% dos adeptos sofre uma drástica mudança com a simples menção ao nome do tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, tornando-os mais agressivos.

O levantamento realizado pelo Instituto Lake Speed, da Universidade de Ohio que o parta, sob encomenda de um blog brasileiro, chegou a conclusão que os fãs perdem totalmente a razão em discussões bestas sobre os momentos da carreira do ex-piloto, independente do lado que se defenda, conforme indicou o chefe da pesquisa, o Dr. Jack Miller.

O pesquisador foi enfático ao analisar os resultados: “Independente de qual seja a opinião sobre Ayrton Senna, o que se nota é que muitos ‘entendidos’ de automobilismo acreditam que é só exaltar a imagem do piloto falecido, ou então depreciá-lo, para tornar-se respeitado na web”. O especialista salienta que ter acesso a internet não garante ao internauta sabedoria suprema para avaliar uma corrida de velocípede, quanto mais sobre a história da Fórmula 1.

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P.S. Caso não tenham notado, este post foi apenas uma anedota, digna de sites como Sensacionalista e Olé do Brasil, apenas para avisar que não fiquem de picuinha neste primeiro de maio. Há coisas mais importantes para se discutir neste país. Um abraço e bom feriado a todos! 😉

Mike sobre Senna no FUK com comentários da época (2008)

Bem, amigos do F1 Social Club: este que vos fala andou muito tempo afastado, tanto das corridas, quanto deste querido blog sobre corridas – e até mesmo da “arte” de escrever. Vicissitudes da vida cotidiana. Como não está rolando uma quantidade muito grande de textos, decidi postar aqui uma espécie de homenagem aos debates que travávamos em tempos idos, neste caso, no antigo “Blog do Mike” do Lancenet! em meados de 2008 quando, em resposta aos pedidos do pessoal, o escriba nascido no Planeta Terra decidiu se manifestar sobre o maior piloto que já existiu (segundo as palavras de Niki Lauda antes de ser picado pela mosca do chucrute).

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Homem brasitânico

O que se segue é o texto original do Mike, porém com um título inventado por mim, já que não salvei na época. As datas são as corretas e os comentários estão por ordem cronológica com as respectivas datas e horários, bem como os nomes dos autores. Fiz pequenos ajustes e correções em erros de digitação para efeitos de facilitar a leitura, mas sem modificar nada no conteúdo das postagens, mantendo seu teor e impulsividade.

 

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Homem baianiguaio

Trata-se de um conjunto de pequenos textos que, somados, tornam-se quase um tratado, contudo, pela fragmentação e continuidade do tema, tenho certeza que não será cansativo de ler, incluso num só fôlego, até para acompanhar as respostas e contra-ataques que um e outro comentarista acabam trocando entre si. Muitos freqüentadores, tanto do Formula UK quanto do F1 Social Club vão esbarrar em suas opiniões de seis anos atrás, assim como com sua imagem entre as que pude catar na net para “costurar” no pequeno “mural” improvisado que podem ver abaixo. Espero que gostem.

 

Sobre Senna

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“Formula UK: quase uma rede social”

 

Quando disse aqui, uma vez, que não falaria sobre Ayrton Senna até que o dia certo chegasse, pensei que este dia nunca chegaria. Não que eu não fosse fã dele, ou que fosse fã demais da conta, mas é que falar sobre Senna é mexer em vespeiro, e a última coisa que eu queria era criar polêmica em cima de um assunto “fácil” como esse. Afinal, o blog sempre prezou pela inteligência, pelo menos eu me esforcei, e de alguma forma invocar Senna seria quase que uma apelação, na minha cabeça.

Mas já que eu prometi certa vez e hoje vi que alguns de vocês não esqueceram e querem saber o que acho de Senna, acredito que o momento chegou. Sem mais delongas, vamos lá.

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Um dos erros do Tio Frank foi não ter contratado um certo Ayrton em 1983…

 Eu não sou moleque, já tenho 29, mas comecei a assistir F-1 para valer mesmo a partir de 91. Ou seja, ano do último título do Ayrton, e ainda assim depois da metade da temporada. Desta forma, não compartilhei, acredito, da maioria de seus melhores momentos, mas me lembro bem de alguns marcantes, como Donington e Interlagos 93, sem falar em Imola 94.

Eu não sou um profundo conhecedor de Ayrton Senna, embora já tenha lido três livros sobre sua vida e carreira, uma vez que sou também um grande fã de biografias esportivas. De qualquer modo, a imagem de Senna que mais tenho na memória, infelizmente, é sua morte em Imola. E sobre esse episódio, tenho algumas coisas para falar.

Primeiro, eu não assisti à tragédia pela TV. Eu estava no mato, e pude apenas escutar a corrida pelo rádio. Então eu não tinha muita noção da gravidade da coisa, eu não vi sangue nem nada, eu só podia escutar e imaginar, em minha cabeça, como devia ter sido o acidente, como ele devia estar, essas coisas. Isto diminuiu de certa forma a dramaticidade da ocasião para mim.

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Piquet e sua obsessão por “chifrinhos”…

 De qualquer forma, nunca compartilhei da comoção popular que tomou conta até de criancinhas de um ano de idade por conta da morte do Ayrton. Para mim, tínhamos perdido um grande esportista, e ponto. Ele não era meu herói, se é assim que devo dizer.

 Porém tudo começou a mudar em 2004. Eu já estava em minha primeira passagem pelo LANCE!, e na época trabalhava na revista LANCEA+! Estávamos fazendo uma reportagem sobre os 10 anos da morte do Senna, e me lembro que era bem ampla e contava com a ajuda de diversos jornalistas. Eu tive a incumbência de conversar com especialistas sobre o caso. E foi aí que tudo mudou.

Em algum dia de abril de 2004, liguei para o Reginaldo Leme. Nunca havia falado com ele, e o cara era para mim uma entidade a ser respeitada, uma espécie de semideus da imprensa automobilística brasileira. E nunca vou esquecer os 40 minutos que ele passou no telefone comigo.

Pedi a ele que me falasse um pouco sobre o que o Ayrton representava para ele. Eu sabia que eles nem eram próximos, que houve uma briga alguns anos antes de sua morte, etc. Mas o que escutei no telefone foi um passo a passo de seu dia no primeiro de maio de 1994. Desde o momento em que acordou, a sucessão de fatos, a angústia que ele sentia na cabine nos primeiros momentos pós-acidente, na entrada esbaforida de Ecclestone na cabine para falar com Leonardo (Senna, irmão de Ayrton), no clima dentro do hospital de Bolonha, e até no olhar perdido na janela do quarto do hotel, à noite, quando Leme não conseguia dormir e, de fato, parou para desabar e entender tudo que tinha acabado de acontecer.

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Nunca se deram bem…será que Ayrton era tão marqueteiro assim?

Ao final do extenso depoimento – que nunca saiu na revista, diga-se, portanto não adianta vocês procurarem -, ele deu um suspiro e me confessou que nunca tinha dito sequer para si mesmo aquelas coisas, e que para ele era como se tivesse voltado no tempo e vivido aquilo de novo. Eu estava com lágrimas nos olhos, e acho que foi ali que comecei a sentir a grandiosidade do Senna.

Desse dia em diante, passei a procurar saber mais sobre o Ayrton, assisti à maioria dos seus grandes momentos, sejam poles, sejam vitórias, pela internet, e ouvi muita gente dar sua opinião sobre o Senna. Formulei meus próprios pensamentos sobre alguns momentos-chaves de sua carreira, como os acidentes com Prost, o desabafo na coletiva de Estoril em 92, ou no pós GP do Japão de 89, ou ainda em Interlagos 91.

Porém, de tudo que Senna conquistou e mostrou, tem uma coisa em especial que para mim mostra bem o quão grande ele foi: as pazes públicas com Prost, em 1994, pouco antes de morrer. O herói reconheceu ali que não tem sentido viver sem seu vilão, seu oponente, aquele que lhe dava as forças para ser quem era. E foi aí que passei também a admirar Prost, e percebi o quão tolos somos todos nós.

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A ditadura do “politicamente correto” acabou até com as boas rivalidades pessoais

  

Comentários dos leitores

  • (25/06/2008 12:54)

Comentário de Bettega (Hélio)

‘Salvo o engano…’o próprio Piquet, que segundo disseram aí embaixo inventou o reabastecimento (gostaria de saber a respeito), já escreveu, nos tempos fúnebres da era Schumac(cusp!)her em algum jornal, algo do tipo: “A F1 ainda é a categoria que mais se encaixa no conceito de corrida. Todo mundo parte junto e quem chegar primeiro vence.” (Por favor, eruditos e Ents sagrados do blog, se souberem exatamente qual foi a frase, me corrijam com a autoridade que lhes é peculiar. – Ele estava se referindo à escrotices como as imbecíís largadas em movimento de outras categorias – Esse ano tivemos uma. Aposto que foi uma “ideota” da Ferrari, a escuderia italiana com alma portuguesa) Mas onde quero chegar: A F1 se aproximaria ainda mais do conceito clássico de ‘corrida’, se cortassem o reabastecimento e também a troca de pneus. Se minha afirmação não tiver a clareza digna de uma pura cachaça de rolha, eu faço que nem o Doutor, e Dgivago: Sem reabastecimento largaria-se e chegaria-se ao final só trocando de posição pela perícia própria (ou superioridade do próprio equipamento) ou pelo erro alheio (ou falha do equipamento alheio). Ou seja: Não veríamos mais campeões de fezes, como Schumacher, que ganhou tudo pela precisão e eficiência em parar. Podemos dizer que foi um anti-campeão. Era bom em parar. Pelo talento pra correr, é provável que tivesse sido um tetra-vice, no máximo.

  • (25/06/2008 13:12)

Comentário de Torcedor (Patrick Lima) – 

Li uma entrevista com Reginaldo Leme recentemente (creio que no site do Terra) onde ele falou da sensação que teve ao saber da morte de Senna. Muito interessante. Se encontrar o link novamente, mando pra vocês.

  • (25/06/2008 13:20)

Comentário de Claudio Marques

Um belo comentário. Eu acompanho a F1 desde 1972 e por isso posso avaliar a grandiosidade de Senna. Reconhecer isso não é patriotada e muito menos desmerecimento ao talento de gênios como Prost e Schumacher. Por diversos fatores a F1 jamais atingiu, e dificilmente atingirá novamente, o status adquirido quando Senna, Prost, Mansell e Piquet brigavam pelas vitórias. Era show puro. Senna é o genuíno representante dessa geração genial.

  • (25/06/2008 13:21)

Comentário de Umberto de Campos  – 

Caro Mike. Boa história. E a vida da gente é feita de histórias. Uns contam, outros lêem, mas todos nós fazemos e somos parte da história. Sou bem mais velho que você e acompanhei o Senna desde que recebi os primeiros releases, no tempo em que ele corria de kart, depois da F-3 inglesa e, finalmente, na F-1. Era seu admirador, fui seu fã e estava assistindo a corrida pela TV, quando ele morreu. Quando o Galvão Bueno disse, “Senna bateu forte”, a TV – se não me falha a memória – demorou alguns segundos para mostrar a imagem (pelo menos na minha memória, coisa que sempre engana a gente quanto ao passado) e eu tive a certeza de que ele não escaparia. É claro, havia todo o clima psicológico da morte do Ratzemberger, no dia anterior. Recebemos as imagens do Senna triste, concentrado dentro do box agarrado ao aerofólio traseiro da Williams. Mas foi um golpe bastante duro, especialmente quando, mais tarde, alguém noticiou: “o Campeão morreu”. Eu já era piloto de avião e, não sei nem por que, naquele dia senti o medo que os pilotos de carro têm, depois de uma tragédia. Mas eles entram no carro e pensam em correr, em segurança, concentram-se na pista (jamais no muro) e a vida segue. Fui voar e lembro como me senti aliviado, depois que eu pousei. Mas Senna ainda é uma marca, um ser que deixou em seus ídolos um sentimento diferente. Era como se o Brasil fosse mais Brasil, porque ele não corria sem uma bandeira e porque o seu capacete era o símbolo de um país que – nele – estava sempre na frente. Quem viveu aqueles dias jamais vai esquecer os berros do campeão, mistura de desabafo, vibração e choro, quando ele conseguiu vencer pela primeira vez em Interlagos. Fico feliz, Mike, porque você teve a oportunidade de sentir o que a gente sentia naquele tempo. Outro dia a gente fala sobre a nossa frustração, quando descobrimos que era demais jogar a nossa esperança prá cima de um Rubinho e depois do Massa… por isso tem sido tão importante esperar que o Massinha venha a conquistar o respeito e a dedicação da Ferrari.

  • (25/06/2008 13:22)

Comentário de Marcio Fernandes

Sem dúvida era um gênio, como foram Prost, Fangio, Piquet (para mim o mais completo piloto brasileiro), Lauda e Schumacher (o melhor de todos). Senna é merecedor de todas as homenagens que pudermos prestar, e ter nossa eterna gratidão.

  • ( 25/06/2008 13:44)

Comentário de GML

Espetacular seu relato. Mas ainda não respondeste uma coisa: Senna pra você é o maior de todos? Apesar de ter 26 anos, acompanho F1 desde muito pequeno, a ponto de nem saber que eu era brasileiro, mas já gostar de F1. Com 4 anos já assistia algumas corridas e acabei virando um torcedor de Alain Prost (imaginem o que isso significava perante todos os amigos e familiares). E aprendi a conhecer seu maior rival. Em 1988 eu percebi que ele era gigante – tinha defeitos, é lógico (Senna não sabia como Prost ou Piquet guardar o carro – perdeu muitas provas por causa disso), mas nunca vi ninguém mais rápido do que ele. Não vi Clark (que dizem que era um Senna), mas da década de 80 para cá, não tenho dúvidas de quem foi o maior piloto. Schumacher tinha um defeito imperdoável: na hora do “vamo vê” ele fez de tudo para perder títulos, vide 1994, 1997 e 2003. Para mim, desde a década de 80, coloco: 1-Senna; 2- Prost; 3- Schumacher; 4 Piquet; 5- Alonso (menção para Lauda). 

  • (25/06/2008 13:48)

Comentário de Rafael –  

Mike, com todo respeito, achei que vc falou, falou e não disse nada. Ayrton Senna foi 100% talent free, atrás do volante, o seu problema era que não sabia acertar os carros. Nessa o Piquet dava um show no Senna. Piquet era o cara, malandro e mais esperto que todos; tem dezenas de historias magníficas sobre ele e suas invenções estão até hoje na F1. Meu pai, que acompanhou de perto a carreira dos dois diz que Piquet, no geral, foi melhor que o Senna. Ah, pra terminar, o Prost foi o maior mau caráter da F1. O próprio Piquet fala em alguma entrevista que ele era tão gentinha que ficava amigo dos caras pra roubar a mulher deles, cara falso … sorte que o Piquet não era o Senna…eheheh

  • (25/06/2008 13:51)

Comentário de Marcos Guedes

Boa tarde, Mike! É por esse tipo de post que eu raramente passo um dia sem visitar este blog. É bom ver profissionais do jornalismo tratando os assuntos com o equilíbrio necessário entre imparcialidade (sem parecer indiferente) e amor ao esporte (sem deixar preferências pessoais tomarem conta). Tenho 28 anos, comecei a acompanhar fórmula 1 mais ou menos na mesma época. A diferença é que desde pequeno eu me interessava por tudo o que se referia ao Ayrton, e o tenho como um ídolo, uma figura acima dos outros mortais. Fico feliz em ver que o Senna ganhou mais um admirador, ainda que de forma tardia. Ah, e antes que me esqueça, seu esforço pra manter esse blog “inteligente” não está sendo em vão. Grande abraço! 

  • (25/06/2008 14:05)

Comentário de Polaco

Que post hein Mike? Tá de parabéns, vc falou do jeito que eu espero que o resto da mídia um dia fale. Com respeito, ao brasileiro, e ao seu adversário, não importa quem for. Tenho apenas 21 anos, mas me lembro do dia que o Senna morreu, foi uma desgraça. Não tenho memória específica de momentos do piloto, mas sei que com 6/5/4 anos de idade, assistir as corridas era um deleite, um nirvana. Tanto que sempre fui viciado em carros e motos. Inúmeros fins de semana de alegria que ele me proporcionou. À época, nem dava ouvidos ao GB, não ligava se era o Brasil, se era um brasileiro ou o que fosse, nem tinha consciência disso tudo. E ainda sou assim, afinal, “o ufanismo é o refúgio do patife” não me lembro o autor da frase, qq hora eu retomo…

  • (25/06/2008 14:25)

Comentário de Mike Vlcek

Estou com a sensação que eu só precisava abrir o post, pq na verdade vocês q estavam loucos para soltar aqui tudo que queriam dizer sobre Senna, nestes tempos de Massa liderando o campeonato, etc. Estou curioso para ler todos os comentários que estão por vir, pois algo me diz que muita coisa interessante será escrita aqui ainda. E sobre o amigo que disse que eu falei, falei, e não disse nada, talvez ele tenha razão. Mas o que há para ser dito além disso?! 😉 

  • 25/06/2008 14:32

Comentário de Fred Abreu

Senna foi, sem dúvida, o maior ídolo do automobilismo brasileiro e um dos maiores do esporte nacional. Entretanto, ser o maior ídolo não faz dele o maior piloto. Claro que nunca haverá consenso a respeito disso, mas o maior piloto que vi foi o Piquet. Seja como for, entendo que a morte de Senna causou mais comoção do que se fosse a de qualquer outro piloto brasileiro no auge da carreira e isso só pode ser explicado pelo carisma que ele tinha e pelo modo como suas vitórias encantavam até quem não acompanhava o automobilismo. De qualquer jeito, Mike, ótimo comentário. Abraço.

  • (25/06/2008 16:16)

Comentário de Trapizomba

Beleza, Mike. Bonito post. Eu acompanho a F1 desde 1972, como nosso amigo Claudio Marques, e vi tudo isso. A época do Senna foi muito legal mesmo, ele era um grande piloto, nos deu enorme alegria. Sua morte foi realmente uma desgraça, inacreditável…Mas 10 anos antes, eu tb senti tudo isso, mas desta vez com Piquet. Vê-lo correr era incrível, o cara era o melhor numa época de muita igualdade entre os pilotos. Piquet tb me deu muitas alegrias, assim como o Emerson quando foi campeão em 72 (eu vi, fiquei grudado na TV por 2 horas depois da corrida). Todos eles nos deram imensa alegria e nos mostraram como se deve pilotar, cada um na sua “década”, digamos. Por isso, não devemos comparar uns aos outros, mesmo sendo muito divertido fazê-lo. Se vc quer saber, sou Piquet…muito porque ele era o cara quando eu era mais jovem. Quando Emo foi campeão em 72, eu tinha 8 anos, muito cedo. Na época do Senna, era muito difícil apagar tudo aquilo que eu vi o Piquet fazer e compará-lo ao Senna. Eles eram bem diferentes. Again, comparar não e legal, mas muito divertido. Abs. 

  • (25/06/2008 17:33)

Comentário de William

Mike, sou um grande fã do Senna, mais pelo que eu pesquisei depois de sua morte do que pelo que vi… tenho hoje 23 anos, sou de 85. Acompanhei a carreira dele como a criança que era, gostava, torcia, mas não entendia muito. Quando o Senna morreu eu chorei, mas acho que foi mais por ter visto o meu pai chorar pela primeira vez na minha vida e balbuciar, meio que em desespero: “O Senna morreu!!! não acredito!!! O Senna morreu” no momento em que seu corpo era retirado do autódromo, mesmo antes de sua morte ser confirmada… Depois percebi que essa comoção não caiu só em casa, mas sim na rua, depois no bairro, e depois na TV, no jogo entre Palmeiras e São Paulo. Foi aí que entendi o fenômeno Ayrton Senna. Concordo que a Rede Globo teve uma parcela de responsabilidade nessa paixão do povo brasileiro por Ayrton Senna, mas o fator mais importante, foi que ele mostrou um orgulho imenso de ser brasileiro, não tinha limites, queria sempre vencer, o segundo lugar pra ele não era o bastante. Era o herói que uma nação recém liberta de uma ditadura precisava ter. Nas pistas, foi sim um piloto excepcional. UM DOS melhores de sua época e talvez da história da F1, mas, ao meu ver, ele tornou-se este herói no Brasil, justamente por representar esse herói que o Brasil precisava. No exterior ele também é querido e idolatrado, mas não é esse Deus que se pinta no Brasil. Repito que sou um grande fã do piloto Senna, mas não o considero O MELHOR por dois motivos: 1 – não vi outros monstros como Fangio, Clark, Stewart, Gilles Villeneuve, entre outros; 2 – Outras gerações de pilotos pilotaram carros diferentes e com menos tecnologias. Muita gente diz que os pilotos de hoje não andariam tão bem com os carros da época do Senna, mas esquecem que o Senna também não andaria tão bem com o carro do Emerson, que não andaria tão bem com o carro o Fangio. Senna foi um dos maiores na sua geração, mas aí a elevá-lo a maior da história é um pouco de pretensão… 

  • (25/06/2008 17:45)

Comentário de Marco Reis

Achei muito bonito e de bom tom os seus pensamentos sobre o Senna. Acompanho a F1 desde as primeiras corridas na Globo com a Lotus preta e dourada do Emerson, e um pouco antes disso pelo programa Gran Prix (ou era Gram-pri-nao lembro mais) nas defuntas Rede Tupi e na TV Rio ou Continental, se não me engano (estou ficando velho). Senna era bom de acompanhar desde os tempos do “The Silvastone”, na F3. Foi um grande piloto, e depois descoberto, um grande ser humano. Sempre tive dificuldades de entender o porque da dificuldade de se aceitarem ambos, Senna e Piquet. Já naquela época, quem fosse Senna não seria Piquet, e vice-versa. Desculpem, já que comecei, vou postar como esta, mas por alguma razão, deu branco total. Seja como for, parabéns pelo post, e por favor, aprendam a respeitar ambos os pilotos, Senna e Piquet, pois só fizeram mostrar nossa bandeira no lugar mais alto do podium (com troféu limão e tudo). Antes que me esqueça, por favor, deixem o Nelsinho ter seu espaço, e parem de jogar contra. Não e por não gostarem do pai (Senna VS Piquet de novo), que deva ser tratado como vem sendo pela torcida Brasileira.

  • (25/06/2008 18:20)

Comentário de Cross

Puxa, chorei aqui no trabalho lendo o post e os comentários, lembrando como era bom quando meu pai me acordava de manhã pra ver as corridas, ele (Senna) era um gênio (como Piquet, eles faziam de tudo pra tentar ganhar, inventavam o que podiam, se superavam), como era bom escutar a vinheta do Brasil-sil-sil, como era bom xingar o Prost também e rir das mer-das que o Mansell fazia, aquilo era F1 amigo era show, O que seria de um campeão sem os perdedores (o que seria de Schumacher sem Rubinho??? Uma das perguntas que me faço sempre), Começo da década de 90 foi fantástico, Senna, Prost, Mansell, Piquet, Hakkinen, Schumacher, Rubinho, Alesi! Só tínhamos bons pilotos na f1 era incrível, sempre tinha surpresa e quando chovia??? Era show certo. Mas o que mais engrandeceu Senna, foi a sua época de Lotus, ali você via como ele andava mais que o carro, como ele era ousado como ele tirava o algo a mais, como dizia o Galvão Bueno, Senna deixava pra pisar no freio pra lá do Deus me livre! Mais é muito bom saber que estamos presentes na historia da F1 seja com Senna, Piquet, Emerson, Rubinho (Porque não???) e agora com o Massa!

  • (25/06/2008 18:40)

Comentário de Enrique Leitte

Concordo com o último post, mas com uma ressalva: a frase Rubinho (por que não?) e agora com o Massa. É como se disséssemos: o Massa com certeza já desfila entre os monstros sagrados do automobilismo nacional (sem ter ganho um título desde que debutou na Sauber, no início dos anos 2000), ao passo que Rubinho não é digno de tanto crédito assim…

  • (25/06/2008 18:58)

Comentário de Eduardo

Há 27 anos sei todos os pilotos, motores e equipes de formula 1. Sou capaz de incluir boa parte dos patrocinadores, fornecedores de pneus e combustíveis. Não acompanho F-1, estudo. Diferente da grande massa dos brasileiros meu esporte sempre foi F-1. Fico feliz em ver que pela 1a vez um brasileiro escreve um texto realista sobre Senna. Senna foi um mito, um herói, foi GRANDE. Isso não o faz o melhor piloto. Ele foi um mito, um herói, foi GRANDE. Nenhum outro piloto Brasileiro foi tão mito, herói ou Grande. Vi dois pilotos brasileiros morrerem naquela curva. No primeiro acidente a pessoa que estava dentro do carro ficou viva. Mas o melhor piloto brasileiro de todos os tempos morreu. Não foi tão mito, heroi ou grande. Mas foi mais piloto. São coisas distintas. 

  • (25/06/2008 19:21)

Comentário de Marco Alexander Bidart –

Ayrton do Mundo – Bastava uma pequena tigela de plástico, bolinhas de gude coloridas e um pouco de imaginação para que, naqueles primórdios de anos oitenta, a corrida começasse. Volta a volta, eu procurava reviver a emoção da prova que findara há pouco. Meio enrolada, a narração passeava pelos nomes de pilotos oriundos de tantos países diferentes; de inúmeras nações que eu sequer conhecia. E no pequeno circuito do meu universo de moleque, hoje sei, hiperativo, a maior de todas – a azul – sempre representava o herói da vez. No início, voltava a torcida para o azedo Nelson, entre os tantos heróis da contenda que rodopiava em meu tolo imaginário. Curiosamente, Fito Paez surgia para o mundo cantando ‘Giros’, meio que choramingando entre o chiado do rádio do ‘três em um’ de minha pequena casa de classe média ‘baixíssima’, uma entre muitas lembranças de daquele velho Uruguai tão meu quanto dos meus pais e avôs, com odor a eucalipto, pão novo e sombra ‘tempraneira’ de estio. Tão pequeno é esse ‘paisito’ nativo que nunca teve – nem nunca terá – um piloto para a fórmula dos mágicos, dos ases do solo, dos mestres do impossível. Fazer o quê? Girar a bacia e escolher a velha bolinha azul para o campeão ou para o vencedor do ‘pega’ mais empolgante. Lembro de Alan, Giles, Keke, Alain, Niki e muitos outros, mas não sei exatamente em que momento os coadjuvantes, sempre relegados ao segundo plano, tornaram-se importantes. Eu, que mal pronunciava Brabham, me identificara com aquela estranha Toleman, de nome mais pronunciável para os nascidos sob a ditadura da falta de ‘esses’ do idioma de Cervantes. E bem mais cativante também era aquele estreante, com jeito altivo, sorriso enigmático e pinta de playboy, um certo Ayrton, logo de início rival declarado do meu campeão mais próximo, porém, com uma aura intrigante e difícil de explicar agora, quando já perdi o coração de criança. Quem sabe ele já personificava o Senninha dos dias atuais, embora não saiba o que isso tem a ver com este relato subjetivo. E eu nem mesmo sou brasileiro! Qual era sentido de tomar partido pelo piloto veloz do país rival que jamais relegava ao segundo plano o fato de ser brasileiro? Aliás, ele fazia questão de frisar essa parte. Meus amigos torciam por Prost, Giles, Piquet, Lauda, Mansell; bons sobrenomes repatriados. Na verdade, o futebol era sempre mais importante para a molecada e além do mais, convenhamos, em matéria de futebol Brasil e Uruguai não se bicam; só que essa é outra história, até porque não eram as desventuras da bola que motivavam meus domingos. E os domingos, quando se é criança, brilham mais; duram mais; representam mais. Sendo assim, vieram os domingos na companhia de Ayrton. Muitos domingos. Naturalmente o tempo passou e, também naturalmente, ressurgem e se renovam as lembranças. Lembranças luminosas das jornadas em que o neto dileto fechava as asas na casa da avó, que o mimava ao ponto de sempre acordá-lo munida do seu sanduíche favorito, de pão italiano e salame caseiro acompanhado do tradicional (e delicioso) copo de Toddy gelado, mesmo sendo pleno inverno de fronteira sul – um frio de doer. E acordava na hora da corrida – que assistia deitado; aquecido; sozinho. Bons tempos. Eu vibrava; chorava; chamava meu pai para comentar tudo no final do show. Ele era fã incondicional de Alain, aquele pequeno e narigudo francês, genial e maquiavélico. Contudo, havia outro francesinho que meu velho também gostava muito – pelo menos se pensava que era francês até então. Chamava-se Carlos Gardel e cantava como um anjo. Nos anos noventa, uma gravação e uma certidão de nascimento confirmaram o que os mais antigos da ‘Banda Oriental’ já sabiam: Gardel era uruguaio, nascido a cem quilômetros da minha cidade natal. Um conterrâneo. Os argentinos, doídos na medula com essa notícia, negam-na até hoje, embora devessem ter orgulho do seu Gardel uruguaio que sempre teve um coração argentino acima de tudo. Eu, que não sou argentino nem francês, não me senti mais feliz ao saber que um filho da minha pátria mãe jamais deixara claro onde nascera. No meu coração de guri e na pedra no peito que todos os adultos carregamos, não tive como não invejar vocês, brasileiros, do fundo da memória daqueles dias em que assisti – portando uma bandeira bicolor – as traquinagens de um brasileiro rico que corria como um demônio; vendo-o ostentar orgulhoso aquele pano surrado qual fosse espada, pronto para defender sua origem e a bordo de um bólido envenenado. Tive inveja do choro convulsivo do astro mundial que havia ganhado tudo, mas ficara em êxtase por saber que não morreria sem haver cruzado a linha de chegada em primeiro dentro do seu querido País. Tive inveja e ainda tenho por compreender o que significou e o que significa Ayrton Senna da maneira mais ampla: dos que observam de fora, dos estrangeiros. Só quem não é brasileiro pode entender isso. Sobretudo, sabendo que não surgirá uma gravação ou certidão de nascimento que comprove que Ayrton Senna era uruguaio. E mesmo que surgisse, o vínculo existente entre Ayrton Senna e os brasileiros era semelhante ao laço que unia Carlos Gardel com os argentinos: indissolúvel; inquebrantável; indestrutível. Não existe um sem o outro. Do alto do meu ciúme declarado, observo bucólico o amor piegas entre um povo e seu ídolo maior; personagem que mesmo se houvesse nascido em outro planeta, ainda assim seria um brasileiro; nem mais nem menos que um brasileiro. Não importa que a memória póstuma – aquela que endeusa, mascara, mente e idolatra – o transforme em super-herói, num homem-aranha ou num batman qualquer da vida. Ayrton do Mundo é e sempre será um brasileiro. Muito além das suas conquistas, o que ele despertou e desperta ainda em nós, estrangeiros, é a vontade inútil de haver sido compatriota de alguém – tão talentoso; prestigiado e bem sucedido ao ponto de não precisar vincular-se a pátrias ou origens – que represente nossas ilusões de vitórias com tanto ardor, orgulho e paixão como ele pôde fazer em vida. Piegas ou não, alemães, franceses, argentinos, uruguaios, italianos, ingleses, japoneses, norte-americanos, finlandeses, canadenses, austríacos, colombianos e outros tantos gostariam de haver tido esse vínculo único; gostariam que Ayrton Senna – do Brasil – tivesse nascido em seu país. Não obstante, no fundo isso pouco importa. Cada um de nós que ama a velocidade, ama Ayrton do Mundo, nascido no Brasil, enrolado na sua bandeira e sempre representando-nos. Mesmo assim, por favor, não me impeçam de invejá-los, porque essa inveja é tudo que me resta.

  • (25/06/2008 19:51)

Comentário de Mike Vlcek – Belíssimo post do Marco. De muita sensibilidade, e tocando no sempre delicado ponto da paixão pela origem, mas de forma pouco usual. Parabéns, Marco, de verdade. E que os blogueiros tão presentes na hora de brigas entre tropas e grupos se manifestem também agora.

  • (25/06/2008 19:57)

Comentário de Pedro Fuscaldo – Ainda morava no Rio de Janeiro quando o Senna morreu. Meu pai não gostava dele porque minha mãe era fã e eu acompanhava as corridas. Lembro de poucas, entretanto lembro perfeitamente do dia da corrida da morte de Senna. ——– Eu, por infortúnio do destino, acordara bem no momento que Senna abria a volta fatídica e falara “bom dia, mamãe”, de costas para a TV um segundo antes de GB falar “Senna bateu forte”. ——– Minha mãe que segurava o rodo que passava na sala com um sorriso, soltou no exato momento e se sentou, olhando incrédula para a TV. Eu, de 6 anos de idade, olhava pra mesma tela colorida que já não fazia tanto sentido. ————– Foi luto durante muito tempo em casa e, pouco tempo depois, mudamos para Votuporanga onde o futebol imperava e eu era o único na escola fã de automobilismo, escrevendo redações e redações sobre Ayrton e tudo aquilo que ele representa pra mim. Senna incorporou algo em um esporte que eu tenho quase certeza ser única: sua espada era o volante e o bólido seu alazão. Como as novelas de cavalaria que encantavam as crianças na Idade Média, minha mãe me contava histórias protagonizadas por esse cavaleiro que foi um dos poucos a carregar o nome do Brasil tão fielmente quanto ele foi. ————– Todos precisamos de heróis, e o meu é Ayrton Senna.

  • (25/06/2008 20:01)

Comentário de Pedro Fuscaldo – Só um adendo ao meu post emocionado: Prost, nas histórias, nunca foi o vilão, pelo menos não pra mamãe. Ele era o cavaleiro rival do feudo vizinho. O vilão era Piquet que, segundo ela, invejava a grandiosidade do cavaleiro errante. E, depois de um tempo, aprendi que Piquet é como um herói romântico (da escola literária): um anti-herói. Ele representava o Brasil, sim, entretanto deixava transparecer que ele fazia isso mais por ele do que pelo país em que nascera. Em termos de heroísmo, entretanto, ele é meu segundo favorito.

  • (25/06/2008 20:47)

Comentário de Os 3 Patetas (Galvão-Regi-Burti) (Vodka Finlandia) – Caro Mike : excelente artigo, e faço minha as suas palavras. E que emoção deve ter sido conversar com Reginaldo Leme por quase uma hora! Não, não estou sendo irônico agora. O Reginaldo Leme NÃO é um pateta, muito pelo contrário, é o único jornalista “com mais de 30 e poucos anos de F-1” com bagagem e sensibilidade suficientes para ter autoridade em qualquer tipo de comentário que faça durante uma narração de Grande Prêmio. Bem como sua inteligência. Já o Burti é uma vítima, a bola da vez do Galvão. Na realidade, o título “3 Patetas” é apenas um mote, uma alusão, tanto ao antigo humorístico norte-americano como à quantidade dos que estão na equipe de narração da Rede Globo. Parabéns por este excelente artigo, Mike, que nos fez voltar ao tempo. Agora, só não me peça para dizer algo de bom do Galvão, aí também já é forçar demais a amizade…hehehehehe 🙂

  • (25/06/2008 20:59)

Comentário de Carolina Zigler – Aproveitando as festas aqui na Alemanha, passei correndo aqui no blog. É Mike, a gente reclamou, reclamou, e você atendeu esse pedido, muito obrigada. Olha, Senna é um assunto complicado. Ele é meu ídolo na F1, sem dúvida. Meu pai é um grande fã da F1, e eu me tornei uma também, assim como a minha mãe. Sou nova ainda, tenho 19anos, mas, mesmo nova quando o Ayrton morreu, eu me lembro do dia e do que eu tava fazendo. Eu estava em casa, vendo a corrida, com meu pai, minha mãe, avó, avô e tia (família reunida no domingão, feriado, etc). Quando o carro bateu, todos pararam de respirar, e meu avô soltou a frase que ficou “classica” na família: “Falei que ele era um piloto de m…” (meu avô era Piquet). Todos da casa olharam feio pra ele. O resto da história eu me lembro bem: gente chorando, enterro na Globo, coisas assim. Bem, apesar de não ter muita idade para lembrar das façanhas de Ayrton “ao vivo”, eu baixei vídeos da Net, leio depoimentos, reportagens da época, coisas assim, e acho que posso afirmar, que o acho o maior e melhor piloto da F1. Só que também respeito Prost, Piquet, Emerson, Keke, etc. Bjs a todos. PS: Clima de festa, Alemanha na final da EURO!

  •  (25/06/2008 21:17)

Comentário de Tiago – Mike vc hj chegou no ponto que realmente separa as situações para mim… Senna foi um piloto fantástico, carismático que fazia uma nação inteira acordar sedo para ve-lo correr… Sem entrar no mérito de sua imagem ter sido produzida ou não, acho que tudo que ele representava e representa foi e é inteiramente merecido… Senna foi, mais do que Pelé ou qualquer outro, O Herói mor desse povo brasileiro… Povo esse que por ser tão sofrido, viver trabalhando e ao entrar no supermercado não sabia se o preço do feijão havia duplicado ou triplicado da manhã para a tarde, fazia de um ser humano, um Mito e um deus para eles inalcançável… Talvez por isso seja tão difícil analisar friamente cada um… Porque como poderia um alemão franzino, arrogante e sem emoções ser melhor que Senna??? Não discuto o que Senna era para todos os brasileiros porque tbm chorei sua morte…. O que eu digo é que ali na técnica, sentado no carro e acelerando, sem levar povo nem história, o odiado Schumacher foi mais rápido que o imortal Senna… Pode não ter sido mais importante, mais amado ou ovacionado, mais na técnica de se dirigir um f1, para mim, Michael Schumacher foi o piloto mais rápido da história!!!

  • (25/06/2008 21:38)

Comentário de Tiago Silva – Mike, eu ia comentar sobre esse assunto tbm, mas apos meus amigos comentarem eu não vou fazer mais isso,eles já disseram tudo,o que me emociona e que apesar das eternas discórdias desses comentaristas sobre assuntos como Massa e Kimi,etc!! ninguém discorda de ninguém quando o assunto é sobre o ídolo maior da f1,belo post esse seu tbm,cada dia tenho mais orgulho de poder comentar nesse blog!!

  • (25/06/2008 21:40)

Comentário de Marlon Geraldo – “… O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho…” “… Faça tudo com muita fé, muito amor, muita dedicação e muita fé em Deus, que um dia você chega lá, de alguma maneira você chega lá..” Tenho apenas 20 anos, e mal vi o Senna correr, as únicas corridas que me lembro são o GP Brasil e o fatídico GP de San Marino de 94, mas o que ele representa para mim e eu tenho certeza que para muitos outros brasileiros é algo que não se explica, um sentimento que somente um heroi pode causar em nós. Tomo as frases acima, ditas por ele, como lema de vida, e são nelas que busco força quando encontro algum obstaculo… Não falo de Senna como um piloto, e sim como um homem que tentou mudar o destino de uma nação… Saudades eternas Ayrton!! … Herois servem para nos inspirar a sermos melhor do que somos, sem eles viveríamos num mundo sombrio e enigmático, como a alma do ser humano…

  • (26/06/2008 02:57)

Comentário de Guilherme – Marco Alexander Bidart, que maravilha de post o seu! Fiquei emocionado com suas palavras, seus sentimentos infantis em uma época, como você bem escreveu, mal sabia pronunciar os nomes dos pilotos. A imprensa ralé fala de rivalidade sulamericana, mas que rivalidade? Povo irmão, gente hospitaleira oriunda de um continente sofrido, marginalizado pelas nações mais ricas. Sonho com uma América do Sul forte, economicamente falando, com nações prósperas e uma moeda única. A imprensa mesquinha faz questão de separar as nações sulamericanas, quer que haja rivalidade entre elas, mas nós, cientes de nossas origens, não cairemos nesta armadilha, pois a América do Sul é UMA SÓ NAÇÃO.

  • (26/06/2008 07:05)

Comentário de Carlos Augusto – Muito bem, depois de ler os comentários dos nossos amigos e ficar muito emocionado com as palavras de muitos…me resta pouca coisa a dizer, mas vamos ver se ainda consigo descrever alguma coisa sobre o Ayrton….. tb estava assistindo aquela corrida fatídica que no sábado já tinha ocasionado a morte de um piloto e tb feito o Barrichello voar na barreira de pneus, e quando o Galvão gritou que o Senna havia batido forte..no 1 momento me irritei e disse: “não acredito nisso” e logo vi que não era uma simples batida forte e sim uma batida gravíssima e fiquei muito tenso, pasmo, atento a todas as informações e quando veio a noticia final confesso que senti uma forte dor no coração e pra mim a F1 acabava ali…Não acompanhei mais o campeonato de 94 e outros anos tb, só voltei a assistir F1 qd soube que o Barrichello ia correr pela Ferrari, e confesso que me decepcionei com as atitudes tomadas por ele e que não foi só eu que ficou assim… Acredito que o Barrichello ficou traumatizado desde aquela corrida de Imola com todos acontecimentos com ele e com as fatalidades daquele Gp…pode ser ate isso que o fez tomar certas decisões que tomou e deixou milhões de brasileiros frustados….Agora com o Massa querendo ou não muitos de nós estamos voltando a sentir o prazer de ver corridas com garra e arrojo, logico que ta longe de equiparar Massa x Senna, mas tem tudo pra trilhar os mesmos passos do Ayrton e torço por isso…Senna pra mim não foi só o melhor piloto de F1, Ele se tornou ídolo não só pelo que fez no circo do automobilismo…e sim pelo carater que ele tinha, pela humildade, simplicidade, dedicação e amor ao que ele fazia….e o que me deixa mais feliz era o orgulho que ele tinha em carregar a nossa bandeira e mostrar ao mundo que ele é do BRASIL

  • (26/06/2008 07:24)

Comentário de João Francisco – Brilhante artigo do Mike, que nos fez voltar ao tempo de nosso piloto querido. Apesar de não acreditar naquelas baboseiras de que Senna teve premonições, que achava que algo já estava marcado para dar errado, era mais stress do final de semana, mesmo. Se temos uma hora marcada, pra que usar cinto de segurança? Ou como as estatísticas de morte abaixam quando a utilização do cinto de segurança passa a ser implantada? É tudo basófia… Senna, que já era mais reservado que outros pilotos, estava muito aborrecido por que sua Williams não alcançava a “Benetton Vigarista” (com controles eletrônicos ilegais) nas mãos do “Dick Vigarista”. Isto o próprio Senna confessou ao Prost naquele final de semana, que tava difícil de acompanhar essa Benetton “turbinada” nas pistas. Desculpe, Carol, mas fiquei louco de raiva que a Alemanha tirou Portugal da Eurocopa. RUSSIA RUMO AO TÍTULO 2008 !!!hehehe 🙂

  • (26/06/2008 07:37)

Comentário de Enrique Leitte – Marco Bidart, uruguaio e gaúcho da gema; recomendo-lhe ouvir as canções do Belchior (já que você nasceu em 72, vai se lembrar perfeitamente) Somos todos hermanos da América Latina, como já foi postado aqui. Perceba isso nas canções de Belchior, Milton Nascimento e da Argentina Mercedes Sosa. Mas não posso me furtar ao fato de ter de rechaçar otra vez a idéia de que o brasileiro é um povo sofrido. Sofrido são os esfomeados Africanos, Indianos e outros países miseráveis do Oriente muçulmano. Este é um blog de pessoas mais cultas e privilegiadas que os do futebol. Não perceberam ainda, principalmente em estados mais ricos, como em São Paulo, onde moro (e tenho de dar a mão a palmatória aos cariocas, quando dizem que paulistas são arrogantes, e são mesmo) que reclamamos de tudo, mas ao mesmo tempo colocamos nossa Pajero na fila do Drive-Thru do McDonalds para levar o fast-food ao nosso Condomínio Fechado e lanchar em frente a TV de LCD 42″? É triste constatar que, a medida que a situação do país foi melhorando, as pessoas estão se tornando mais individualistas e egocêntricas. Aquela história do brasileiro caloroso ficou para trás, na década de 70. Mas o Marco Bidart ainda se lembra disso, somos contemporâneos à essa época. Mas reconheço que no Sul (minha esposa é de lá) ainda sobrou um pouco que calor humano numa roda de chimarrão com os vizinhos. Daí minha frustração toda vez que alguém usa a expressão do “brasileiro sofrido” na primeira oportunidade que aparecer. Até o Nordeste agora recebe o Bolsa Família… Mas dou um desconto: a tendência humana é sempre olhar para quem está em situação melhor, nunca o contrário… E não fugindo do assunto Ayrton Senna, tema deste blog, lembro-me de como era o Senna na época de F-3, triturando o Martin Brundle, que corria com um carro mais potente que o dele, e na época era assinante da revista Quatro Rodas, e sempre acompanhava as façanhas do Ayrton e… ele vingou! Não foi alguém que só venceu até chegar à F-1. Por isso foi tri-campeão. Por isso seria mais que tri, e o Schumacher terias que se contentar com apenas 3 títulos (que já tá de bom tamanho pra ele, mesmo) se Ayrton não tivesse morrido. Viva a América Latina, por produzir toda uma safra de campeões (não se esqueçam do Fangio, por favor, e ele não era brasileiro)…

  • (26/06/2008 09:23)

Comentário de Diogo Marques – Concordo que Senna é uma unanimidade nesse blog, um divisor de águas, mas que une todos os blogueiros do Blog do Mike, sejam da Tropa ou da Gak… Olha só que comentário interessante e sério dos “3 Patetas” discorrendo acerca do artigo do Mike. E não vi nenhuma acidez no comentário dele, só perspicácia. Senna une todos do blog e para minha tristeza, já não posso dizer muita coisa, todos já falaram tudo sobre o Ayrton… (Se eu tivesse acessado o blog antes, hehehe…) Grande artigo 🙂

  • (26/06/2008 09:33)

Comentário de Max Camargo – Lembro-me da primeira vez que assisti uma corrida de f1 e ainda não tinha nem quatro anos, impressionante que possa lembrar, minha primeira imagem era Senna. Como uma criança insistente pedia pro meu pai todo dia pra ver corrida e ele dizia não dá filho hj não passa espera que quando tiver uma eu coloco pra você assistir. E assim eram meus dias de espera até eu ver de novo. Enfim tornou-se uma paixão dai por diante, acordava todo mundo qdo era de madrugada e também de manhã, tudo por causa de um carro amarelo ou preto ou branco e vermelho!!!nossa acho que não pelo carro mas pelo piloto…Quem era mesmo????? AYRTON SENNA..O gênio e o esportista mais brasileiro que já vi em toda minha vida. E confesso…Eu chorei sim e muito quando ele morreu…. Ah quase que o conheci pessoalmente mas….. Avante BRASIL…Vai lá massa!!!!!!!

  • (26/06/2008 10:18)

Comentário de Max Camargo – Completando. Nelson Piquet, Prost não foram vilões, foram aqueles pelo qual conseguimos perceber quão grande Senna era e sua lembrança será sempre para nós que o vimos e para aqueles que ouvirão falar dele. Destaco aqui outros que me chamaram a atenção: Michael Schumacher, Mansell. Um Inteligentíssimo e outro muito chato hehe. abç a todos.

  • (26/06/2008 11:15)

Comentário de Marco Alexander Bidart – Obrigado, Mike. Obrigado a todos deste blog fora de série pelas emoções que me fizeram sentir ao ler seus comentários e captar suas emoções sobre o brilhante texto do nosso mediador. Também me sinto orgulhoso de poder escrever neste espaço, ao lado de tantas pessoas inteligentes e sensíveis ao mesmo tempo. Senna forever!

  • (26/06/2008 12:56)

Comentário de Carolina Zigler – João, todos podemos torcer por quem quisermos, temos o livre arbítrio. Eu, por exemplo, sempre torci pra Alemanha, e sempre torci contra Portugal. Bjs.

  • (26/06/2008 18:41)

Comentário de Marcus Muniz – Mike, só me restaram duas dúvidas: 1- Porque o dia certo chegou? 2- Vc deixou sua imagem sobre o homem, e sobre o piloto? qual é? Minhas poucas lembranças pessoais daquela época são: 1- O carro vermelho e branco. À tarde, quando começavam as corridas da Indy q meu pai também acompanhava, tinha um carro parecido (era da Penske, se não me engano) que eu ficava perguntando p meu velho se era a Mclaren da Indy, se era o mesmo dono, enfim, essas besteiras de criança 2 – Do álbum de figurinhas da f1 q eu nunca consegui completar. Lembro que em um deles ficou faltando apenas um, a do Pupo Moreno q nunca saía. Que ódio eu tinha dele por isso.. hehe Bem, naquela época eu realmente só acompanhava sempre a f1 por causa dele. Naquele dia, minha primeira reação antes de saber a gravidade do acidente foi ficar injuriado com ele. Afinal, vinha de uma série de resultados ruins e a primeira impressão q tive foi de q tinha cometido algum erro. Mas assim q soube que ele viera a falecer, toda essa raiva passou e ficou só a tristeza por quem era. Não vivi toda essa passionalidade de sofrer, ficar chorando, mas analisando hoje friamente, acho que a tristeza era por ver que a razão de eu ver as corridas tinha acabado. Admirava muito, porém não o tinha como o deus que muitos têm. Credito a idolatria exarcebada que existe (ao meu ver muito maior que a por Piquet) ao fato de ter perdido a vida de forma tão trágica. Comparo, tomando as devidas proporções, ao que a banda mamonas assassinas significa p uma geração pelo mesmo motivo. Depois veio Schumacher e eu só acompanhava os momentos decisivos, como qdo ele jogou o carro em cima p ser campeão e deu certo, depois quando não deu. Na época eu tinha muita raiva dele, comparável até a que eu tinha do Prost. Fiquei muito feliz quando ele perdeu aquele título. Da época anterior, a do Piquet, eu não tenho nenhuma lembrança, era muito novo. Pelas histórias contadas sobre ele sempre me diverti muito com seu jeito fanfarrão, não sei se chega a ser admiração, mas me faz vê-lo como dono de uma personalidade interessante. Porém, como piloto, passei a admirá-lo há pouco tempo quando vi a ultrapassagem dele sobre Senna com o carro totalmente “de lado”. Isso e seus 3 títulos são as únicas coisas que sei sobre ele, logo fica impossível dizer q, para mim, foi um piloto acima do Senna. Aliás, mexendo em vespeiro, eu não consigo formar essa opinião sobre quem foi o melhor. Não conheço f1 pré-Ayrton. Só sei que Schumacher fez a f1 ficar chata (não sei se por não ter tido adversários à altura ou se por ter acabado com todos eles). O que sei é que a briga dessa molecada q tá aí hj em dia tentando entrar p hall dos grandes voltou a me fazer curtir a f1 de verdade, afinal antes de 2005 fica difícil relembrar temporadas tão disputadas. E fica aqui a torcida p q seja o massa a ser relembrado daqui a alguns anos qdo outra geração chegar.

  • (26/06/2008 19:30)

Comentário de Bettega – Mike, como você disse que não compartilhou da comoção popular que tomou conta da nação e do mundo, eu me permito lembrar da piada que causou, sim, apesar da tragédia e do sentimento geral de que não teríamos nunca mais no esporte um ídolo dessa grandeza, muitos risos na minha sala, logo na primeira aula póstuma. Pra contemporizar, eu tenho 26. Nesse tempo eu não tinha acesso a internet, pois diferente dos muitos boys-pomada que pintam por aqui, eu sou um brasileiro comum, médio. Assim sendo, a piada foi contada na sala de primeira-mão, acho que para quase todo mundo: – “Poxa, todos os pilotos choraram pela morte do Senna, … só teve um que não chorou, vocês viram? – O Damon Hill” Eu ri também, é claro, mas sabia que a Fórmula 1 tinha perdido o maior de todos, e sabia também que a culpa tinha sido daquele recém-nascido prognata sorridente e feio como a Besta, o Schumacher. Schumy estava andando bem mais do que o Senna até então, e o desespero tomou conta da Williams, que fez às pressas um monte de gambiarra no carro do Senna. O fato é que alí naquela temporada, antes mesmo do 1º de maio, a Formula1 tinha mudado completamente. Já estava uma coisa de carros, somente de carros, e não de pilotos. Podia ser qualquer um, podia ser o Schumacher, o Hill, qualquer um seria campeão com o carro certo, o que antes não acontecia. Já não tinha mais aqueles carros que deixavam até o ombro do piloto pra fora, já havia um monte de aparatos tecnológicos que “igualavam” a corrida dos Feras e dos Podelas. A coisa já estava triste! Antes da tragédia! E não era porque o Senna não ganhava….. era porque porcarias de pilotos como o Schumacher ganhavam corridas por causa de super-pitstops, por causa de suspensões-ativas, por causa de uma inovação de última hora, menos pelo talento. Schumy só foi mostrar algum talento, um tempo depois, às custas da falta de competição interna na Ferrari, ao lado do Irvine. Até então, seus trunfos eram trapaças, puramente. Mesmo depois, esse talento que o Alemão mostrou, era o de não errar, só isso. Talento de dar 3 voltas rápidas na corrida para garantir somente uma ultrapassagem virtual, nos boxes, e levar o troféu. Não pelo talento de correr por sí só o que o carro não dava conta, de passar o cara que não dava pra passar, de se tornar o carro. De pilotar por uma torcida verdadeira, torcida de esporte e não por uma torcida de carros. Brasileiros fanáticos que torciam pelo piloto, e não ferraristas playboys com pomada no cabelo que torcem pelo carro. Depois de Schumacher, tivemos outro vigarista, mas esse eu to sabendo que ta encerrando a carreira. O Fernando. Muito bem piloto ele, mas já foi o tempo da mamata. Aliás, devo dizer: Alonso é um Ás…. um Ás… No Volante, entenderam? um Asno! Igual Senna, tá difícil… hoje em dia, o mais próximo é o Louis, rápido e faz o impossível. Gosto muito dele. E do Barric, é claro, que se fosse mais inteligente nas escolhas, pelo seu talento nato, já havia sido Tri ou tetra. Devo dizer ainda que o Alexander é mesmo The Great.

  • (26/06/2008 20:05)

Comentário de Fernando Lopes – Em relação ao post do colega Marco Alexander Bidart não o que se acrescentar. Sugiro apenas abrir o winamp e ouvir uma bela canção ao ler o que esse rapaz escreveu. Há algumas semanas atrás, logo em um dos seus primeiros post, me impressionou a habilidade e a delicadeza que possui para com as palavras. Fantástico. Ayrton Senna da Silva, na minha humilde opinião, não só foi o maior piloto de F1- como o Mike diz- mas também o melhor que já existiu na face da terra. Senna sempre se traduziu num assunto complicado para uma abordagem racional, devido aos fatores passionais que envolvem sua carreira e suas conquistas. Mas e daí? E daí que a carreira de Senna foi em sua totalidade movida por paixão, força de vontade, dedicação e amor pelo que fazia. Não acho as opiniões sobre ele floridas como insinuam muitos críticos, e se são, de fato, temperadas com pitadas de saudosismo e orgulho, sinceramente não vejo demérito algum, pois para um piloto que desde o seu primeiro ponto na F1 fez tudo de forma tão diferente do que eu já tinha visto e e vejo até hoje (não sei se um dia verei de novo, acho muito difícil). África 1984, um calor escaldante, uma TOLEMAN com um bico voando logo na largada e o rapaz magrinho desmaiando ao cruzar a linha de chegada. Pra quem acha sensacionalismo da minha parte e/ou pra quem não reconhece os feitos realizados por Ayrton de forma natural, apresento meu cardápio, ou melhor, o de Ayrton. Contudo, antes de algumas pessoas desinformadas comentarem sobre o que não sabem, manchando assim a memória do mestre, reitero que logo em sua segunda corrida na F1 o spoiller ter voado logo no começo da corrida e Ayrton ter levado o carro naquele calorão sem a asa dianteira, o que deve ter aumentando o sofrimento físico dele…vejamos as mágicas: • Mônaco 84 , 92 (das 6 vitórias no principado, as 2 + magníficas a meu gosto) • Japão 88, 89 e ainda 91 (a melhor estratégia de equipe que já vi, só que o postulante a Campeão Mundial foi quem deu a cara pra bater. Ao contrário de alguns campeões mundiais que se esconderam atrás de seus digníssimos companheiros (2º piloto) • Espanha 86 (uma bandeira quadriculada; um leão indomável e ao mesmo tempo inconsolável) • Brasil 91, 93 (me recuso a comentar) • Donington 93 (me recuso a comentar – e para os jovens que se prendem a largada, assistam a corrida inteira) • Podia citar diversas corridas magistrais de Senna. Tanto as que venceu como as que perdeu. Um breve exemplo: a pole de Jerez 90, Alemanha 89, Silverstone 93 (FANTÁSTICA), Canadá 93 (que ultrapassagem sobre a Ferrari de Alesi e se chovesse provavelmente seria considerada “Donington part 2”), Bulgária 86 (Piquet perfeito)…etc, etc, etc… Senna ultrapassou os limites de exigência a que um piloto de F1 é submetido, na parte técnica, física e mental. Isso é fato. Nunca vi um piloto tão completo como ele, – Incrivelmente rápido nas qualificações; – Amicíssimo das gotas d’água; as quais a maioria dos pilotos treme só de pensar em vê-las diante de seus pneus numa disputa; – Personalidade, concentração e força mental descomunal nos momentos de decisões dos campeonatos; sabia decidir, não tremia. – Sabia atacar e se defender – e, por último, EXCELENTE ACERTADOR DE CARROS sim!!! Quem fala o contrário, não sabe tamanha bobagem que está dizendo. Porém, era muito melhor no acerto do motor do que do chassi. COLEGA MARCO, “Tive inveja e ainda tenho por compreender o que significa Ayrton Senna da maneira mais ampla: da dos que observam de fora, dos estrangeiros. Só quem não é brasileiro pode entender isso.” O único momento da minha vida, em que não quero ser brasileiro (meu país que eu amo muito, do fundo do coração e da alma que me cobre), é justamente na hora de discutir e divergir acerca de SENNA, pois ainda sou obrigado a escutar coisas como “viúva e fanático” de garotos que possuem 17,18 anos de idade e viram uma F1 inigualável de 2000 – 2004 (pelo lado competitivo, é claro. Não estou questionando as habilidades de Michael), e se acham no direito de falar sobre o que se quer viram – a F1 de verdade. Ironia, mas os críticos mais ferrenhos de Senna são os próprios jornalistas e ‘não fãs/admiradores’ de F1 brasileiros. O motivo? É o mesmo pelo qual eles criticam quem elogia o mito: A PAIXÃO. E eles nem sabem disso. Queria eu, ser sueco, alemão, finlandês ou uruguaio como você nas horas de citar as qualidades de Senna ou ser denunciado como uma cria da Rede Globo e de Galvão Bueno (a barriga dói muito quando ouço isso são muitas risadas). A liberdade para tal deve ser ótima. O único defeito de Senna, foi nos fazer acreditar que ele era imortal, ainda que involuntariamente. Espero ter contribuído.

  • (26/06/2008 20:14)

Comentário de Fernando Lopes – Bettega permita-me a uma discordância do seu comentário caro colega. “…Shummy estava andando bem mais do que o Senna até então, e o desespero tomou conta da Williams…” Naquele ano, houve muitas suspeitas sobre a Benetton de Michael. A Jordan formalizou um protesto legal, porém não ouvido, e o próprio Senna tinha suas desconfianças. Alain Prost chegou a mencionar o fato em uma reportagem ao Esporte Espetacular (na ocasião disse que Senna falou de suas suspeitas por telefone). Pois bem, tais suspeitas não eram infundadas. Quem conhece um pouco de F1 e acompanhou o ano de 1994 sabe do que eu estou falando. Muito dinheiro e encontros regados a jantares impagáveis por nós, às escuras. E dá-lhe Tio Bernie, e tome Briatore (que criticou Dennis ano passado como se nada fosse nada). Controle de tração (TC), controle de largada (LC) e a retirada da válvula de combustível. Esses são os nomes das peças que possuía o brinquedinho de Schummy. Vejam o que um LC faz: Michael nunca foi um bom largador, na opinião de muitos especialistas, já David Coulthard (por incrível que pareça) era tido como um, e no GP da França de 94 reparem na largada “muito boa” do alemão. Vejam como Senna perdeu a vantagem da pole em Aida…depois atribuam tal largada ao LC… Porém, o TC era a “pecinha” fundamental de toda a gambiarra., pois ele corrige o carro ao entrar numa curva, colocando o mesmo com rotações ideais. Somente um homem com a técnica tão refinada e apurada como Senna (pasmem, mas ele conseguia dar 6 toques no acelerador por segundo – toques suaves) podia equiparar se ao concorrente e obter 3 poles. A propósito, Prost e Berger tentaram de todas as formas de aprender esta técnica, mas nunca conseguiram fazer com a excelência e perfeição de Senna – os próprios pilotos, engenheiros e mecânicos confirmaram a história. Se quiserem a comprovação do que Senna era capaz de fazer com o acelerador, assistam a corrida de Silverstone 1993. Prestem atenção do que esse homem foi capaz de fazer ao se defender de Prost e seu todo poderoso FW15 C. Por fim, em Ímola, Senna largou com 86 litros para 2 paradas e o Schumacher fez 3, ou seja, tinha um carro mais leve, além das trapaças (TC, LC e retirada de válvula de reabastecimento). MESMO ASSIM TOMOU 0.677 segundos do SENNA! É incrível. Se alguém se prestar a perda de míseros minutos e procurar o vídeo da pole em Ainda, verão uma das cenas mais curiosas da F1. Schummy fazendo de tudo para conseguir a pole e Senna toda hora batendo seus números. Não dava nem tempo de Michael tirar o capacete ao retornar ao Box. Briatore incrédulo. E o narrador americano se rendeu as gargalhadas por presenciar tais cenas. Em Interlagos, mais uma pole. Depois entrou a válvula de gasolina em ação. Senna tirava mais de 1 seg por volta quando errou e abandonou…

  • (26/06/2008 22:05)

Comentário de Milton César Paiva – Galera.. acho que o Bettega tá precisando de terapia… ou ele é meio disléxico mesmo…? O assunto aqui é Senna, amigo corinthiano. Pô, além de torcedor frustrado no futebol, vc vai passar a vida inteira na frustração por seu Rubinho nunca ter ganho nada na vida e o alemão e o espanhol terem faturado 9 títulos juntos??? Se liga… Presta atenção no título da conversa…rs. Abraço Bettega. Aliás… Vai torcer pra Alemanha de Shumi, ou Espanha de Alonso na final da Euro domingo??? Seu time não joga aos domingos mesmo… Escolhe uma seleção…rs.

  • (26/06/2008 22:10)

Comentário de Bettega – Miltinho, Miltinho… sabe que eu até torço pelo seu flusinho… será que vai? Aliás, sobre o Senna eu esqueci de dizer que além de tudo, ele era Corintiano. Usava o manto em algumas corridas, senão em todas, por baixo do macacão. Talvez por isso o mito do Rubinho campeão ainda perdure. Eu ainda acredito em Rubinho campeão. O post é sobre Senna, sobretudo sobre sua morte. E foi sobre ele, e sobre ela que falei. No pós-Sena perfilaram os engodos. Alcagüetes, calhordas, costas-quentes, etc, etc. Fernando Lopes, você disse tudo “Queria eu, ser sueco, alemão, finlandês ou uruguaio como você nas horas de citar as qualidades de Senna ou ser denunciado como uma cria da Rede Globo e de Galvão Bueno (a barriga dói muito quando ouço isso são muitas risadas). A liberdade para tal deve ser ótima. O único defeito de Senna, foi nos fazer acreditar que ele era imortal, ainda que involuntariamente. Espero ter contribuído.” Pois é Fernando, bom que você postou isso logo, antes que o Ylambe-lambe aparecesse ( com outros nomes – vide ‘covardia do Ylan’) pra chamar a galera de Cria do gavião bueno. Gavião eu sou, mas de outro naipe. Você, Fernando discordou sobre o que eu disse, do Shumma andar mais que o Senna, nos seus últimos GPs, mas eu exatamente concordo com você. Quis dizer somente que andava mais, mas é claro que devido às inúmeras trapassas que sempre fazia com maestria. Há inclusive, Lopes uma foto, que eu lamento não ter mais, que mostra o Bernie sentado numa mureta com alguns pilotos, e com a mão apalpando os bagos do Alemão Prognata. Ylambe, e seus chupetinhas podem desmentir, mas alguém já deve ter visto essa. Salve o Corinthians!

  • (26/06/2008 23:03)

Comentário de Bettega – E Milton, disléxica é a nona – Entre Espanha e Alemanha, no futebol, já que perguntou, torço para a Alemanha, pois admiro a precisão do futebol alemão, e desprezo a correria burra da Fúria Espanha, bem a cara do Alonso.

  • (26/06/2008 23:32)

Comentário de Bettega – Trapassa, com c-cedilha, perdoem o erro. Mas até vale como um trocadalho do carilho. Melhor esse: Enquanto os bons ultrapassam, o Shumma ultrapaça. 

  • (26/06/2008 23:34)

Comentário de Mário Giacomelli – Já comentei em outro artigo mais antigo, mas gosto de lembrar novamente as trapaças da “Benetton Vigarista” do “Dick Schummy Vigarista” e todo o aparato eletrônico que aquela Benetton carregava… Schumacher foi penalizado com proibição de 3 ou 4 corridas ainda em 1994 por atitude anti-desportiva (novidade, em se tratando de Schumacher). Qaundo isso ocorreu, e me lembro do comentário do Reginaldo Leme como se fosse hoje: “a Benetton vai manter o chassi do schumacher guardadinho, enquanto Michael estiver suspenso, para só ele usar depois de volta…” Coincidência? Não creio, a Benetton do holandês Jos Verstapen não tinha a “parafernália vigarista”. E como o chassi do carro No. 5 havia sido guardado, também não chegou a ter acesso durante toda aquela temporada. Nítida a diferença das 2 Benettons, a Genérica e a de Griffe naquela temporada. E o mais irônico é que quiseram responsabilizar o staff da Williams pela morte do Senna. Queriam até prender o Frank Williams ( com cadeira de rodas, mesmo) e o Patrick Head. Mas a gambiarra não foi da Williams na barra de direção, foi da Benetton, por trapaça esportiva, que fez a Williams atender aos pedidos de um desesperado Ayrton em desigualdade de condições… e deu no qeu deu!!! Deveriam ter ido atrás é do Flávio Briatore e do Dick Vigarista. Esses 2 sim, foram os responsáveis (ainda que indiretos) mas foram, por todos nós estarmos neste post hoje e debatendo essa triste morte do Ayrton.

  •  (27/06/2008 17:14)

Comentário de Fernando Lopes – hauihauihauahuahuha bettega, bettega…não existes rapaz.

  • (07/06/2008 17:43)

Comentário de Sydnei Alves – “Porém, de tudo que Senna conquistou e mostrou, tem uma coisa em especial que para mim mostra bem o quão grande ele foi: as pazes públicas com Prost, em 1994, pouco antes de morrer. O herói reconheceu ali que não tem sentido viver sem seu vilão, seu oponente, aquele que lhe dava as forças para ser quem era. E foi aí que passei também a admirar Prost, e percebi o quão tolos somos todos nós.”(Mike Vlcek) …………. Ylan Marcel, quão tolos somos nós, tanto mais tolos quanto mais agressivos. Bom fim de semana e desculpe as pancadas passadas.

Imagem

Pequena homenagem aos “personagens” do Formula UK e do F1 Social Club, com fotos e imagens que consegui catar aqui e ali…

 

Pilotos Célebres – Ayrton Senna da Silva

No dia de ontem, 22 de março, Ayrton Senna da Silva faria 52 anos, e nós não poderíamos deixar de prestar nossa homenagem a um dos maiores pilotos de todos os tempos.

Começou no kart como bom menino...

Ayrton nasceu em 1960, em São Paulo, vindo de uma família humilde, e sem tradição no automobilismo, porém com um pai entusiasta, Ayrton ganhou aos 4 anos de idade, um kart feito com motor de cortador de grama, feito pelo Sr. Milton, o pequeno piloto já demonstrou habilidade com o brinquedo, impressionando a familia.

Aos 13 ele começou a competir no kart de forma séria, e 3 anos depois se tornara campeão sul-americano e brasileiro da categoria, repetindo o feito no  ano seguinte, e novamente em 1980, sagrando-se tricampeão nas duas categorias. Em 1981 Senna se muda para o automobilismo, indo morar na Europa e competindo no campeonato inglês de Fórmula Ford 1600, sagrando-se campeão no ano de estréia, mudando para a Fórmula Ford 2000, sendo campeão britânico e europeu daquele ano, foi também em 1982 que ele trocou o nome Silva, para Senna, sobrenome de solteira da Mãe, repetindo o feito de Piquet, que usou o sobrenome da mãe mas por outro motivo.

Campeão da F3 inglesa...

Em 1983 outra mudança, desta vez para a Fórmula 3 inglesa, onde travou ferranhas batalhas com Martin Brundle, que também viria a ascender a F1. Neste ano Senna mais uma vez sagrou-se campeão da categoria, obtendo várias vitórias no circuito de Siverstone, que a imprensa inglesa passou a chamar de “Silvastone”, em homenagem as vitorias do piloto.

Finalmente em 1984, depois de uma negociação com 4 equipes, sendo elas a Mclaren, Williams, Brabham e Toleman, e uma indisposição inicial com Nelson Piquet, graças ao fato do então bicampeão não ter ajudado, e nem atrapalhado a ida de Senna para a Brabham, ele acabou fechando com a pequena equipe Toleman, para disputar a temporada daquele ano. Lembrando que seu teste com a Williams impressionou a todos, menos a ele próprio, que sabia que podia fazer  mais.

De inicio Senna não conseguiu fazer muita coisa na corrida de estréia no Brasil, o qual abandonou com problemas no turbo do seu motor, mas no GP da África do Sul conseguiu seus primeiros pontos na categoria, repetindo o bom feito em Spa duas semanas depois, porém no fim de semana seguinte ele não conseguiu se classificar para correr em San Marino, caindo na regra dos 107%, além dele o italiano Piercarlo Ghinzani também não conseguiu se classificar. No GP da França ele também abandonou com problemas no turbo.

Ultrapassagem histórica

Eis que então temos o famoso GP de Mônaco de 1984, onde caiu uma forte chuva obrigando  a prova a começar com mais de 45 minutos de atraso, e que fez os pilotos obrigarem a organização a molhar o túnel, a fim de evitar o desgaste dos pneus. No incio da prova o pole position Alan Prost saltou na frente com sua Mclaren, e seguiu na ponta até a nona volta, quando foi superado por Nigel Mansell, o piloto inglês só ficou 5 voltas na liderança, quando passou em cima de uma faixa de pista branca, perdendo aderência e rodando pra fora da pista, eis que Prost retoma a ponta. Lá de trás vinham Ayrton Senna e Stefan Bellof, ambos novatos e desconhecidos, mas com uma pilotagem ousada na pista molhada e estreita do principado, sendo que Senna estreava em circuitos de rua pela categoria, e depois de uma ultrapassagem histórica em Niki Lauda, campeão daquele ano, Senna assumia a segunda posição, Prost tentava mas não conseguia impedir a aproximação do novato que vinha tirando uma média de 3 segundos por volta. Foi quando o líder pediu a direção e prova para encerrar a corrida alegando falta de condições, e na cola dele estavam Senna e Bellof, os dois em plenas condições de passá-lo, porém a corrida acabou com a vitória do francês, foi o primeiro pódio de Senna e da Toleman, Bellof ficou em terceiro, o jovem piloto alemão estava ainda melhor que Senna na corrida e se a mesma tivesse prosseguido, poderíamos ter tido um belo duelo pela vitória, já que Bellof tinha condições de passar a Toleman de Senna, porém os carros da Tyrrel foram desclassificados de todas as corridas do ano por violação no peso dos monopostos.

Ainda viriam mais dois pódios em 1984, na Inglaterra e em Portugal, ultimo GP do ano e também palco de sua primeira vitória no ano seguinte com a Lotus, aliás o fato dele ter assinado com a Lotus para a temporada de 1985 fez com que a Toleman o impedisse de correr o GP da Itália, anti-penúltimo daquele ano.

Em 1985 ele foi para a Lotus, uma equipe com mais estrutura e competitividade que a Toleman, após repetir o azar no GP de abertura no Brasil, ele conseguiu mostrar muito mais do seu talento para pilotar, conseguindo a pole e vencendo o GP seguinte em Portugal, sob uma forte chuva que era inclusive mais forte do que a de Mônaco no ano anterior, e que mesmo assim não foi paralisada, relatos de quem esteve no circuito era de que parecia que os comissários e o diretor de provas ficaram pasmos ao ver a habilidade do jovem pilotando um F1 naquele temporal, foi também o primeiro Hat Trick  (pole, vitória e melhor volta no mesmo GP).   Senna conseguiu mais 6 poles naquele ano, mais uma vitória no GP da Bélgica em Spa, ficando em 4 colocado no campeonato de pilotos.

No ano de 1986, finalmente ele consegue completar o GP do Brasil, marcando a pole, a volta mais rápida, mas perdendo a corrida para Nelson Piquet, fazendo a primeira dobradinha entre os dois, fato que se repetiu nos GP’s da Alemanha, e da Hungria, este último também famoso pela ferrenha batalha travada entre os dois pilotos brasileiros, e que culminou com a mais ousada e brilhante ultrapassagem de todos os tempos (na minha humilde opinião), de Piquet em cima de Senna no final da reta dos boxes, sendo que Nelson entrou praticamente de lado na curva com sua Williams, numa manobra praticamente impossível, o video fala por sí.

http://www.youtube.com/watch?v=8pFWcvcD9D0

Senna venceu ainda o GP do Leste dos EUA em 1986, com Piquet em segundo. No campeonato de pilotos ele ficou em 4 colocado.

Em 1987 Senna ainda conquistou mais 2 vitórias e 6 pódios com a Lotus, sendo este seu último ano com a equipe, ele ficou em terceiro no mundial de pilotos, sendo Nelson Piquet o campeão, e Nigel Mansell o vice.  O ano foi marcado pela disputa entre Piquet e Mansell, ambos da Williams, foi também o ultimo título do Nelsão na categoria.

No ano de 1988, sedento pelo título mundial e precisando de um carro de ponta, Senna chega na Mclaren, do então bi-campeão Alan Prost, e foi o ano em que o brasileiro deslanchou de vez e fez 13 poles das 16 corridas do ano, e vencendo 8 provas contra 7 de prost, contando com sistema de descartes ele conseguiu seu primeiro título mundial. O ano foi marcado pela disputa entre os dois, com a Mclaren vencendo 15 das 16 corridas do ano, sendo que só não venceu na Itália por que Senna foi tirado da corrida por um retardatário, quando era líder e abria a penúltima volta.

Nos anos seguintes Senna continuou a vencer e provar seu talento, angariando recordes e ganhando mais dois títulos, sempre se engalfinhando com Prost, como nos casos de 89 e 90, quando os dois bateram no GP’s de encerramento da temporada no Japão, ficando cada um com um título,  esta rivalidade foi uma das maiores, senão a maior de todas da categoria, e foi bem explorada no documentário que leva o nome do piloto. Anos depois do incidente de 89, segundo fontes não oficiais, o então presidente da FiA Jean Marie Balestre teria admitido que desclassificou Senna intencionalmente, dando o título a Prost.

Literalmente exausto.

Em 1991 ele conquista seu tri-campeonato, com um título indiscutível, e uma vantagem de 24 pontos do vice, Nigel Mansell, naquele ano tivemos a ultima vitória de Piquet na F1. Foi também a primeira vitória de Senna no GP do Brasil, numa corrida dramática em que ele teve problemas no câmbio e teve que pilotar segurando a alavanca de troca de marchas, sendo que no final ele só tinha a sexta marcha, causando um desgaste físico anormal e levando o piloto a exaustão, no final ele mal conseguia sair do carro e teve que ser amparado. No pódio mal conseguiu erguer o troféu.

Em 92 Senna não teve um carro vencedor, e não conseguiu passar do quarto lugar, vencendo 3 provas e conquistando mais 4 pódios, marcando apenas uma pole no Canadá.

Sua última temporada completa foi a de 1993, quando literalmente arrancava leite de pedra com o carro da Mclaren, e seu motor aproximadamente 60 cavalos mais fraco do que as potentes Williams e Benneton, mas ainda mostrando serviço e dando trabalho aos seus adversários, ele venceu mais 5 provas naquela temporada sendo uma delas o GP do Brasil, na histórica comemoração com ele sendo tirado do carro pelo povo que invadiu a pista e o levou para o pódio. Na corrida seguinte, o GP da Europa disputado em Donnington Park, Senna fez a sua mais brilhante obra, largando de quarto colocado numa corrida chuvosa, e disputando a primeira curva com um ainda novato Michael Schumacher, ele foi passando um por um os adversários a frente, com muita perícia e astúcia, após fazer uma linda ultrapassem em Prost ele assumiu a ponta pra não mais perder. Neste GP ele ainda se deu o luxo de passar pelos boxes, quando a equipe não estava pronta para recebê-lo, sem perder a liderança da corrida.

http://www.youtube.com/watch?v=cA3Hy0pTjNk

Naquele ano ele venceu seu último GP, na Austrália e acabou como vice campeão, atrás apenas de Prost.

Em 1994 veio a transferência para a Williams, os problemas com o carro e o fatídico acidente de Ímola, que vitimou o piloto tido por muitos como o melhor de todos os tempos.

Senna foi o último piloto a morrer dentro de um F1, após a sua morte a FiA reformulou completamente os carros, criando a célula de sobrevivência e também alterando a segurança dos circuitos, como barreiras, áreas de escape, curvas de alta, medidas de segurança e socorro nos autódromos também foram revistas.

Sobre a sua morte, deixo o trecho retirado da Wikipédia:

Senna tinha 34 anos quando morreu. Sua morte aconteceu primariamente por um impacto inesperado da roda com o muro, que fez o pneu estourar e, a uma velocidade incrível, o pneu estourado com a roda voou a cerca de 208 km/h, atingindo o capacete verde e amarelo na frente, acima do olho direito. O impacto foi tão forte que a roda voou quase 60 metros e o carro de Senna ainda voltou para a pista. Feitos os cálculos da quantidade de movimento de uma roda de 17 kg e a força proveniente do impacto, concluiu-se que ela seria insuportável e o resultado esperado seria que o cérebro tivesse danos extensos e parte dele vindo praticamente se “liquefazer”, mas o capacete suportou boa parte do impacto. O capacete de Senna mostrou uma quebra com grande afundamento acima da viseira, o que assustou todos com a violência do impacto, obviamente insuportável para qualquer ser vivo. Na análise dos médicos na pista, no hospital e na autópsia, depois de constatada a morte cerebral, foram percebidos três graves traumas, um grande choque que provocou fraturas na têmpora e rompeu a artéria temporal, uma fratura na base do crânio devido à potência do impacto, e além do mais um pedaço de fibra de carbono da carenagem penetrou o visor do capacete e adentrou a órbita acima do olho direito, danificando irreversívelmente o lobo frontal. Qualquer um dos três ferimentos seria suficiente para lhe tirar a vida.

Frank Williams, Patrick Head, Adrian Newey, Federico Bondinelli (um dos responsáveis pela empresa que administrava o autódromo de Ímola), Giorgio Poggi (o responsável pela pista), Roland Bruinseraed (o director da prova), e o mecânico que soldou a coluna de direção do Williams foram indiciados por homicídio culposo, por negligência e imprudência. Porém, em dezembro de 1997, o juiz Antonio Constanzo absolveu os acusados“.

Em seu legado como um ícone, Senna deixou milhões de fãs em todo o mundo, e um país sem ídolo, já que depois dele o Brasil não conquistou nenhum título na categoria. Como profissional e atleta, ele elevou alguns padrões do esporte, sendo o primeiro piloto que tinha um preparador físico para ajudá-lo a manter a forma e resistir bem ao esforço feito nas corridas, além de ter ajudado significativamente na reforma do circuito de Interlagos, propondo o design do “S”, na curva que ligava a reta dos boxes a curva do sol, que veio a ter o nome de “S” do Senna, graças a ajuda do piloto, e não como homenagem.

Se estivesse vivo hoje, estaria dando conselhos a seu jovem sobrinho que segue carreira na F1.

Finalizo este post com uma frase de Frank Williams:

Senna “era um homem ainda maior fora do carro que ele estava nele.”

Os números do campeão

Em busca do recomeço

If Olnly (E se) obra de Olek Konn 1995

Apesar da lamentação da saída de Rubens Barrichello, é hora de falar um pouco sobre o piloto que o sucederá e o desafio de retomar uma trajetória interrompida em 1994. A confirmação de Bruno Senna na Williams tem muito simbolismo para a família, praticamente um deja vu.

Sua apresentação não teve a mesma pompa do tio, 18 anos atrás, também a equipe de Grove está bem longe daquela que o tricampeão iria para tentar manter a hegemonia. Se em 1994, o sobrenome Senna vinha para assegurar a escuderia no topo, hoje vem com dinheiro suficiente para manter a tradicional marca na categoria máxima do automobilismo mundial.

A marca eterna no bico dos bólidos

Se Bruno está longe de ser um piloto top, a chance de renascer na boca da mídia e da torcida existe tanto para ele, como para o time de Tio Frank, que voltará a ter os motores Renault, como há 18 anos. Será crucial andar na frente de Pastor Maldonado, o que não chega a ser um desafio do outro mundo, mas, principalmente, vem a missão de reconduzir o carro aos dias de glória, o que deve ser impossível em 2012.

Desde a declaração de Eike Batista, parecia que o desfecho estava perto, foi mais de uma semana de especulações, para evitar surpresas, afinal a chance de correr na Lotus acabara surpreendentemente pois a equipe preferiu Romain Grosjean, que fez sua parte na pista e no contrato e, apesar do apoio da Total, também mostrou que só grana não garante a vaga. Bruno tem que provar que não depende apenas do vil metal e da árvore genealógica para estar no grid.

A situação da escuderia é preocupante. Pelas mudanças tão significativas, a tendência é de que seja outro ano sofrido, a não ser que alguma engenhoca possa mudar o rumo das coisas. Pelo andar da carruagem, até a Caterham pode passá-la em desempenho neste ano. Para não acontecer, a aposta é num bom conjunto, que formado no passado, visa uma mudança significativa na forma da equipe.

É a hora do recomeço

E Bruno precisa mostrar que sabe correr para merecer este posto e dar um final feliz a saga Senna na Williams, coisa que não ocorreu 18 anos antes, quando se esperava uma era de ouro. Que a partir de então, a sorte traga bons ventos à Grove e Bruno finalmente escreva o nome na história.

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