Arquivos do Blog

A metamorfose “brasileira” de Fernando Alonso

A quinta-feira começou com uma bomba no mundo da F1. O espanhol Fernando Alonso foi vetado pela equipe médica da FIA e terá de assistir o GP do Bahrein do lado de fora.

Austrália 16 7

É pau, é pedra, é o fim do caminho…

A notícia simboliza aquele que talvez seja o fundo do poço da carreira do asturiano, ou mais uma fase da sua metamorfose em que passou por estágios semelhantes da carreira dos principais nomes do automobilismo brasileiro.

A carreira do espanhol começou de forma meteórica e com grandes feitos. Alonso foi o primeiro dos seus patrícios a fazer uma pole-position, a vencer um grande prêmio e a tornar-se campeão mundial.

Começo avassalador

A sua primeira conquista veio justamente quebrando a marca de Emerson Fittipaldi e tornando-se, até então, o mais jovem campeão da F1. Neste aspecto, o espanhol podia estar na sua “fase Fittipaldi”.

Para os dois próximos “estágios evolutivos” de Alonso, resgato um artigo que escrevi em 2012 para este blog, sobre a relação dos esportistas com a mídia e o torcedor:

Um caso bem peculiar que ocorreu neste dilema é o de Fernando Alonso. O espanhol dedicou o primeiro de seus títulos a umas três ou quatro pessoas, pois considerava o automobilismo apenas como individual e mandou quem não gostou das suas declarações assistir tourada. Com o tempo, passou a crer mais no apoio da torcida, principalmente depois de sua ida à Ferrari, a prova foi a demonstração de patriotismo após a vitória em Valência este ano, lembrando as comemorações de Senna nas duas vezes que vencera em Interlagos.

Alonso tinha uma intuição de relações públicas meio “piquetzista”, mas sofreu uma “sennificação”. Muitos atletas em diversos esportes estão nestes dois lados. E as olimpíadas apenas acentuam estes limites.

A comparação com os pilotos tupiniquins não ficam só entre os campeões do mundo. Podemos dizer que nas escolhas das equipes ao longo da carreira, o espanhol se assemelha a Rubens Barrichello.

Muito se falou nos dois últimos anos nas escolhas erradas na carreira. Alonso tornou-se um refém das decisões que atrapalharam a sua carreira. Algo que prejudicou bastante o brasileiro em sua empreitada na F1.

2016320102574_GettyImages-516640442_II

Fim melancólico?

Por fim, a fase de Alonso na McLaren lembra a de Felipe Massa nos momentos pós-molada. O espanhol parece meio abalado desde o estranho acidente nos testes de Barcelona em 2015.

Desde então, uma sucessão de problemas bizarros o afetam, como ocorrera com seu ex-companheiro de equipe, especialmente na fase “faster than you”.

O estranho acidente na abertura do campeonato, em Melbourne, coroa a decadência do bicampeão mundial, algo que todos passam na vida (inclusive os brasileiros citados), mas o fato é que o espanhol teve um pouco de todos ao longo de sua jornada na categoria. E este parece ser o fim do caminho.

Anúncios

Momentos Históricos: GP da Bélgica de 1998 – a corrida do caos

O GP da Bélgica de Fórmula 1 sempre é um dos mais esperados do ano pelos fãs da velocidade. Com a prova na mítica pista de Spa-Francorchamps, a expectativa é que a primeira corrida após a pausa do verão europeu seja sempre épica. A expectativa não foi só atingida, como foi obliterada no ano de 1998.

Imagem: Site Damon Hill (não-oficial)

Pelo pódio, já dá para ver que não foi um dia normal

A história mostrava um campeonato polarizado entre a engenharia de um super-carro e um talento acima da média. Mika Hakkinen tinha em mãos o MP4/13, carro da McLaren projetado por Adrian Newey e com o potente motor Mercedes V10 e dominou o campeonato desde o início, mas tinha a concorrência da Ferrari, que, apesar de um instável F300, tinha Michael Schumacher para carregar a equipe nas costas e disputar o certame ponto a ponto.

Em Spa, Hakkinen chegava com a vantagem de 7 pontos para o alemão e fez a pole, tendo o companheiro David Coulthard a completar a primeira fila. Schumacher largava em quarto, ao lado da Jordan de Damon Hill.

Mas as chances do ferrarista surgiam com a chuva que caía na região das Ardenas naquele 30 de agosto, já que em pista molhada, o talento que sobrava a Schumi, faltava ao finlandês.

Os carros alinharam para a largada em pista molhada. Após o apagar do sinal, Foi Hakkinen quem largou bem e fez a La Source na frente. O spray de água que saíam dos carros não permitiam que se visse muita coisa do pelotão, mesmo com as câmeras mais modernas de televisão. Com essa dificuldade, o mundo chocou-se mais ainda com a imagem que vem a seguir.

(a partir dos 4 minutos)

É chover no molhado falar que este é um dos acidentes mais impressionantes dos 65 anos da história do campeonato mundial de F1. Um acidente múltiplo como pouco se viu. Um big one para fã da Nascar nenhum botar defeito.

Ao todo, os envolvidos foram David Coulthard (McLaren), Eddie Irvine (Ferrari), Alexander Wurz (Benetton), Rubens Barrichello (Stewart), Jos Verstappen (Stewart), Johnny Herbert (Sauber), Olivier Panis (Prost), Jarno Trulli (Prost), Mika Salo (Arrows), Pedro Paulo Diniz (Arrows), Toranosuke Takagi (Tyrrell), Ricardo Rosset (Tyrrell) e Shinji Nakano (Minardi).

Apesar da cena plástica, todos os pilotos envolvidos saíram ilesos. O único que reclamou de um hematoma na mão foi Rubens Barrichello, mas nada que preocupasse para uma nova largada, já que com a bandeira vermelha, a prova reiniciava do zero.

Imagem: Velocidad Pura

Prejuízo grande, mas só material

E, sim, naquele tempo, mesmo as equipes pobres de marré dispunham de um carro reserva para uma eventualidade deste tipo. O problema é que algumas escuderias tiveram danos demais com os dois carros e precisavam escolher um dos seus dois empregados para disputar a corrida.

As equipes que tiveram apenas um piloto envolvido não tiveram problemas com a reposição, já com Stewart, Prost, Arrows e Tyrrell, o negócio era limar um dos dois da disputa naquele momento.

Na equipe de Sir Jackie, Barrichello podia ser considerado o primeiro piloto, mas devido ao machucado e ao fato do carro reserva estar preparado ao holandês, o bólido substituto ficou para o pai do Max (que naquela época tinha exatos 11 meses de vida)

No time do francês tetracampeão mundial de F1, a preferência foi para o errático Trulli em detrimento de Panis. Na Arrows, o falastrão Salo teve que ver o herdeiro do grupo Pão de Açúcar e hoje pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz pilotar o belo bólido preto.

Por fim, a já moribunda Tyrrell escolheu obviamente o japonês favorito da equipe, Tora Takagi ao invés do patinho feio da equipe, o brasileiro Ricardo Rosset, que era tratado na escuderia como a mosca do cocô do cavalo do bandido. Pobre Rosset…

Enfim, após uma hora de espera,  corrida começava para valer. E o rumo dela mudara totalmente.

O segundo início foi bem diferente do primeiro. Hakkinen patinou mal e viu Damon Hill mergulhar na frente. O finlandês dividiu a curva com Schumacher e levou a pior. Para piorar, Johnny Herbert não conseguiu evitar o choque com a McLaren eliminando os dois pilotos.

Para aumentar a desgraça da turma de Woking, Coulthard envolveu-se em outro entrevero, batendo com a Benetton de Wurz. O escocês conseguiu voltar, ainda que uma semana depois do resto do pelotão.

Após a intervenção do Safety-Car, a prova recomeçou com Hill pressionado por Schumacher. O alemão não demorou muito e disparou na frente. Irvine tentou fazer a mesma coisa e danificou o bico, perdendo muito tempo.

Schumi abriu boa frente e partia tranquilo para uma vitória importante, que o colocaria na liderança do campeonato.

Enquanto isso, a chuva apertava e os pilotos tinham dificuldade em ficar na pista. Para piorar, o motor Ford do carro de Verstappen explodiu lançando óleo sobre a pista, já encharcada. Takagi e Jacques Villeneuve, o então atual campeão mundial, foram vítimas do estado traiçoeiro da pista.

Enquanto segurar o carro no asfalto parecia uma missão impossível, Schumacher passeava sobre às águas que caíam na região das Ardenas e nada parecia detê-lo.

Então, apareceu a McLaren de David Coulthard. O escocês estava a ponto de levar uma volta da Ferrari e havia uma preocupação enorme com a atitude do escocês.

Coulthard tirou o pé para deixar Schumacher passar, mas com a condição crítica de chuva e de visão da pista, o alemão não pôde perceber e abalroou a McLaren. Schumi seguiu para os boxes sem uma roda e Coulthard sem a asa dianteira.

Nos pits, outra cena digna de Nascar: Schumacher encosta o carro destruído na garagem, deixa o bólido e caminha furiosamente em direção da garagem da McLaren, tira o capacete e, com  uma expressão furiosa, tenta cobrir de porrada aquele bastardo escocês. A sorte de Coulthard foi que a turma do “deixa disto” estava dos dois lados.

Nota da redação: Coulthard admitiu anos depois que teve a intenção de ferrar aquele queixudo em prol da sua equipe, mas, depois do incidente, os dois tiveram uma longa conversa ficou tudo na paz ao longo dos anos.

Assim, a liderança novamente caía no colo de Hill. Enquanto isso, o caos continuava. Irvine rodava e acabava com as chances da Ferrari, logo depois, Giancarlo Fisichella acertou em cheio a Minardi de Shinji Nakano e causou o último Safety-Car da prova.

Naquele momento do campeonato, apenas seis carros estavam na pista: as Jordan de Hill e Ralf Schumacher, a Sauber de Jean Alesi, a Williams de Heinz-Harald Frentzen, a Arrows de Diniz e a Prost de Trulli (que estava duas voltas atrasado). Coulthard e Nakano, incrivelmente, voltaram depois, cinco voltas atrás dos ponteiros.

Galeria: Gran Premio de Belgica en Imagenes (Taringa.net)

Quase todos os carros que concluiíam a prova em uma imagem

Tudo tranquilo a partir de agora, certo? Não exatamente. O Schumacher mais novo veio com volúpia para buscar a vitória. Coube a Eddie Jordan botar a ordem na casa e mandar via rádio o novato a manter as posições para não colocar em risco a histórica vitória.

Mesmo assim, nada estragou a alegria amarela em Spa. Damon Hill fazia às pazes com a vitória após o título mundial de 1996 e dava para a simpática equipe Jordan a sua primeira vitória na categoria.

Lembrando que a Jordan tem muita história na pista belga. Foi lá em que a equipe permitiu a estreia de Michael Schumacher, em 1991, foi lá que Rubens Barrichello obteve a primeira pole dele e da escuderia. Foi lá que Tiago Vagaroso Monteiro somou o último ponto do time irlandês em 2005.

Imagem: Total Race

Festeja, Hill

A primeira vitória da Jordan Grand Prix só poderia ser lá mesmo. Em meio ao caos, um momento histórico!

Momentos Históricos – Grande Prêmio da Alemanha de 2000

Fala, pessoal! Estou aqui a relembrar mais uma corrida histórica. No dia 30 de julho de 2000, um piloto que era motivo apenas de piadas na sua terra natal calou a boca de muita gente e adquiriu o respeito do circo da Fórmula 1.

rubinho

O choro da vitória

A história começa a se desenhar no dia anterior. Na classificação, os rumos mudaram completamente. Rubens Barrichello foi um piloto que se deu muito mal. No início da sessão, a sua Ferrari #4 acabou parando com problemas de câmbio e Michael Schumacher havia batido seu carro na sexta-feira, o alemão já estava com o carro reserva.

Barrichello teve que esperar a equipe arrumar o bólido que seria do alemão para tentar uma volta. E para piorar, a chuva começou a cair na região do circuito de Hockenheim, justo quando quase todos já tinham marcado seu tempo em pista seca (Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, teve sua volta impugnada por ter vazado uma das chincanes do antigo traçado da floresta).

Correndo o risco de sequer se classificar, por não ter o tempo mínimo dentro dos 107%, o brasileiro foi para a pista quase no fim da sessão e conseguiu o 18º tempo, exatamente atrás de Frentzen. Não era muito, mas dava para pensar numa boa estratégia para chegar nos pontos (vale lembrar que naquele ano, apenas os seis primeiros pontuavam). Parecia ser mais um fim de semana de “Pé-de-Chinelo” para o finalista.

Porém o domingo reservou grandes surpresas. Quando acordei para assistir a corrida, já estávamos na segunda volta e as posições do grid já tinham mudado totalmente. Os dois primeiros do grid, David Coulthard, da McLaren, e Schumacher largaram mal. Mika Hakkinen, também da equipe de Woking, era o líder.

O alemão, aliás, já nem estava na corrida. Logo na primeira curva, trancou o caminho da Benetton de Giancarlo Fisichella e ambos saíram da pista em direção aos pneus. Tudo por conta de uma sina que incomodava Schumi. Já contei esta história por aqui.

As duas McLaren já disparavam na frente, enquanto algumas equipes apareciam para surpreender, como a Jordan de Jarno Trulli e a Arrows, com Pedro de la Rosa, que vinham na sequência.

Barrichello, o único com um carro capaz de bater as flechas de prata, já tinha ganho dez posições nas duas primeiras voltas. E o brasileiro partia para o tudo ou nada, mesmo tendo de parar uma vez a mais nos boxes que os demais.

Logo, foi engolindo os adversários a sua frente um a um: as Arrows de Jos Verstappen e de De La Rosa, as Jaguar de Eddie Irvine e Johnny Herbert e a Jordan de Trulli, já atingindo terceiro posto antes da primeira torca de pneus e reabastecimento.

O máximo que dava para chegar era um pódio, pois não dava para alcançar os carros prata com potentes motores Mercedes, que estavam muito longe, cerca de 20 segundos e não daria tempo para tirar esta desvantagem, com uma parada a mais.

Mas o Sobrenatural de Almeida estava presente em Hockenheim naquele dia. Além dele, um sujeito chamado Robert Sehli estava em Hockenheimring esperando uma chance de aparecer ao mundo. A explicação: Sehli fora demitido pela Mercedes poucos dias antes e ele queria protestar contra a montadora da Estugarda.

maluco

TIRA ESSE MALUCO DAÍ!!!! (ou não?)

Na volta 25, o sujeito invade a primeira grande reta do circuito alemão mesmo com carros passando a mais de 300 quilômetros por hora. Enquanto todo mundo está atônito vendo àquela cena, a direção de prova chama o Safety Car. Sehli não teve muito tempo mais para aparecer, pois fora detido pelos fiscais de pista.

Nesta altura, muitos pilotos aproveitam para entrar nos boxes e completar o tanque a fim de terminar a corrida. Como as diferenças entre os pilotos desapareceram, a roda da fortuna começou a girar.

O Safety Car saiu, mas logo voltou. A Prost-Peugeot de Jean Alesi encontrou a Sauber do herdeiro do Grupo Pão de Açúcar e do atual pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz para bater forte e rodopiar lançando as rodas pelo caminho. Só o susto ficou para ambos.

Com essas confusões, um novo drama começou a atingir os pilotos. A chuva que esteve no fim de semana inteiro finalmente deu o ar da graça. Ela só caía na parte do Estádio do longo circuito alemão, enquanto a parte da Floresta Negra ainda tinha pista seca.

Alguns rodaram, (Alexander Wurz, da Benetton, e Jacques Villeneuve, da BAR) outros foram para os boxes colocar pneu de chuva, liderados por Hakkinen. Barrichello, Coulthard, Frentzen e Ricardo Zonta (da BAR) ficaram na pista e foram para o arrisca-tudo.

O escocês desistiu ao sentir que não dava mais, o alemão abandonou com problemas de câmbio e o brasileiro da BAR acabou batendo. Apenas Barrichello manteve-se naquela loucura.

Mas Barrichello levava vantagem em uma coisa que Hakkinen: o talento na chuva. O brasileiro conseguia neutralizar qualquer vantagem que o finlandês pudesse ter nessas condições.

Aos poucos, o mundo do automobilismo mobilizou-se por aquele que estava para ser um momento memorável. Um brasileiro que entrou na F1 e logo quis assumir uma função de “messias” após a morte de Ayrton Senna, que sofreu sete anos da carreira em equipes médias e que finalmente tinha um carro de ponta nas mãos.

Até aquele dia, Rubens Gonçalves Barrichello era apenas um motivo de piada no paddock. Ninguém o levava a sério, pelo menos aqui no Brasil. Eu sempre fui um dos que mais zoava aquele piloto. Nunca fui fã dele, digo conscientemente.

barrica

Ele chegou lá!

Mas digo conscientemente também que dei o braço a torcer naquele dia. Torci como nunca para ele quebrasse um tabu de sete anos sem vitórias de pilotos da Pindorama. Emocionei-me, como muitos ao ver o ferrarista perto de alcançar o olimpo na categoria máxima do automobilismo.

Pode parecer ofensivo os últimos parágrafos, mas este era um pensamento de quem não tinha o acesso de todas as informações sobre a carreira de Barrichello, que não conhecia as suas lutas e os seus sacrifícios.

Quinze anos depois, ainda rio das piadas sobre o piloto e não nego que as faço, mas não esquecerei que ele foi grandioso em sua passagem na Fórmula 1, a que durou mais entre todos os pilotos que passaram pelo grid em todos os tempos. Por onze vezes, Barrichello alcançou o Olimpo. Sendo a primeira bastante especial.

Todo o circo da Fórmula 1 sentiu a importância daquele feito e não houve ninguém que estivesse emocionado, ou ao menos sensibilizado com o ocorrido. A narração de Galvão Bueno é perfeita com o cenário desta vitória.

Esta vitória eternizou Rubens Barrichello como um grande nome da história da Fórmula 1. E assim, este dia entrou para a história do automobilismo mundial. Um momento histórico!

Um tabu duro de se quebrar

Olá pessoal. O post de hoje será mais uma sessão retrô, contando a história do campeonato de 2000, mais especificamente de uma espécie de “maldição” vivida por Michael Schumacher naquele ano que quase arruinou seu campeonato, um tabu que tinha a relação com um certo brasileiro tricampeão mundial que era o segundo maior vencedor de Grandes Prêmios até então.

Este era o 21º ano da Ferrari sem um título de pilotos e a Estaberria de Maranello estava disposta a encerrar este jejum. Como na temporada anterior, teve que colocar os seus esforços no limitado Eddie Irvine para brigar pelo título, no fim, a equipe amargou outro revés, embora tenha levado o campeonato de construtores.

Para este ano, a escuderia teria Michael Schumacher 100% recuperado após a quebra da perna em Silverstone e a estreia de Rubens Barrichello, além do staff já entrosado com Jean Todt, Ross Brawn, Rory Byrne e companhia. Mas a parada era dura, pois a McLaren vinha muito forte com os projetos de Adrian Newey e a boa fase de Mika Hakkinen, então bicampeão da categoria.

O começo do ano mostrava que a Ferrari era a equipe a ser batida. Schumacher iniciou a temporada com três vitórias (Austrália, Brasil e San Marino), abrindo boa vantagem no campeonato, enquanto Hakkinen e David Coulthard tinham problemas mecânicos.

Schumacher começou dominador naquele ano

Ao chegar quase na metade do campeonato (oito de 17 corridas), o alemão tinha cinco vitórias na temporada (venceu também em Nurburgring e Montreal), abrindo 22 pontos para Coulthard, 24 para Hakkinen e 28 para Barrichello. Além disso, Schumacher atingia 40 vitórias na categoria, ficando a uma de Ayrton Senna, o segundo no ranking de vitórias até aquele momento.

Mas aí a porca começou a torcer o rabo para o alemão, no que talvez fosse obra de uma mandinga de um torcedor pacheco que não queria ver o sósia do Dick Vigarista igualar a marca do falecido piloto tupiniquim.

A urucubaca do alemão começou no GP da França, em Magny-Cours, quando o motor Ferrari 049 V10 abriu o bico e deixou o alemão a pé.

Na sequência, duas corridas que terminaram na primeira curva para a Ferrari F1 2000 número 3: Em Spielberg, na Áustria, o alemão foi obliterado pelo brasileiro Ricardo Zonta, da BAR.

Depois, correndo em casa, no GP da Alemanha, em Hockenheim, foi a vez de se enroscar com Giancarlo Fisichella, então na Benetton. A sorte dele foi que a histórica vitória de Rubens Barrichello permitiu a Schumacher manter a liderança do mundial de F1, com dois míseros pontos de vantagem para a dupla da McLaren.

Só que a liderança foi parar nas mãos de Hakkinen após a vitória do finlandês na Hungria. Schumacher quebrou a sequência de abandonos, chegando em segundo, mas pela primeira vez no ano, estava atrás de alguém no campeonato.

Em Spa-Francorchamps, veio uma nova oportunidade de igualar Senna. A corrida começou com chuva, mas o tempo melhorou e a pista foi secando. Schumacher tentou segurar-se na pista com pneus de chuva, mas não teve como segurar o ímpeto de Hakkinen, levando uma das mais belas ultrapassagens da história da F1, com Zonta no papel de coadjuvante no meio da batalha pela vitória.

Após cinco corridas seguidas vendo a vitória escapar, a chance viria na terra da Ferrari, no Grande Prêmio da Itália, em Monza. O alemão fez a pole e vinha confiante em fazer a festa dos tifosi no domingo.

A corrida começou com muita confusão na primeira volta. Na Variante Della Roggia, As Jordan de Jarno Trulli e Heinz-Harald Frentzen, mais a McLaren de Coulthard e a Ferrari de Barrichello se enroscaram e ficaram pelo caminho. Mais atrás, Pedro de la Rosa não conseguiu frear a tempo a sua Arrows e acertou a traseira da Jaguar de Irvine. O carro laranja e preto levantou voo e caiu em cima da Ferrari do Barrica. No meio da confusão a roda do carro de Trulli voou e atingiu o fiscal de pista Paolo Ghislimberti, que veio a falecer no hospital, devidos aos ferimentos.

O safety car entrou na corrida para arrumar a bagunça e depois o restante da prova foi monótono, com Hakkinen tentando um ataque no fim da prova, mas em vão. Schumacher finalmente chegava a sua vitória 41 e igualava a marca de Senna.

Para quem achava que isso não significava muito ao alemão, a surpresa veio na entrevista após a prova. Quando perguntado na coletiva sobre a sensação de ter igualado a marca do brasileiro, Schumacher se desmanchou em lágrimas e não teve mais condições de responder às perguntas dos jornalistas, mostrando o seu lado mais humano e emotivo.

Após o fim do tabu, o alemão simplesmente correu bem mais leve e não deu chances a ninguém na reta final do campeonato, vencendo as três provas seguintes, em Indianápolis, Suzuka e Sepang, garantindo o terceiro título mundial dele e o fim do jejum ferrarista.

Superado o período mais difícil da década na Ferrari, até então, Schumacher iniciou a sequência demolidora que o transformou no maior vencedor da história da F1, tanto em vitórias (91), quanto em títulos (sete).

Após o tabu, o início do domínio

Agora Lewis Hamilton e Sebastian Vettel estão próximos de chegar a marca de 41 vitórias também. Vettel tem 39, mas desde o ano passado, não se mostrou com condições de chegar a vitória. Hamilton está com 34 e com a máquina que possui, pode chegar nela ainda este ano, mas será que o poder místico pode desestabilizá-lo psicologicamente, uma vez que isso não é tão difícil de acontecer com ele? A conferir. Como disse Miguel de Cervantes: “Yo non creo en brujas, pero que las hay, las hay”

É isso. Algum pitaco sobre este texto pitoresco? Esteja aí. Abraço!

Rubens Barrichello crava melhor tempo em etapa da Stock Car

Agora vai!!! Ou...

Olha a dedada aqui tambem, meu

Rubens Barrichello deu um passo importante na busca pela sua primeira vitória na Stock Car. Neste sábado, o piloto da Medley/Full Time cravou o melhor tempo do treino classificatório na etapa de Cascavel PR, com 1m01s857.Vice-líder do campeonato, Ricardo Maurício, que soma 123 pontos, sairá em segundo 1m01s919 no grid, enquanto o primeiro colocado Cacá Bueno 124 aparece em terceiro 1m02s160. No domingo, a largada da oitava etapa do ano será às 11h30, com transmissão do Sportv.Esta foi a primeira vez que Rubinho liderou os treinos na categoria. Suas melhores colocações até então haviam sido o quartos lugares em Salvador BA e Ribeirão Preto SP. Ele já soma 11 corridas na Stock e seu melhor resultado foi o segundo lugar na Bahia, nesta temporada.O ex-Fórmula 1 já vinha dominando a classificação liderando desde os dois treinos livres. Com a volta do reabastecimento de combustível, ausente na etapa de Ribeirão Preto por ser corrida de rua, ele pretende entrar nos boxes logo na primeira janela de abastecimento, para evitar interferências externas.– Se o carro estiver bem, a tendência é que entremos logo no início da janela, para não correr o risco de sermos prejudicados com uma entrada do safety car – disse

via Rubens Barrichello crava melhor tempo em etapa da Stock Car.

%d blogueiros gostam disto: