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Entrevista com Piquet e Mansell

Entervista do programa Linha De Chegada do SporTV:

Pilotos Célebres – Jim Clark

Jim Clark

Para aqueles que nasceram depois de 1964 e não viram Jim Clark pilotar, leiam com atenção.

Ontem, dia 7 de Abril, fizeram 44 anos da morte de um piloto fenomenal, Jim Clark era o melhor piloto da época. Ponto. Todo mundo, inclusive os outros pilotos admitiam isso. Era uma espécie de Ayrton Senna da época. Unanimidade entre todos. Aquele cara que, tirando os pachequistas (de qualquer nacionalidade), é unanimidade entre todos; como por exemplo o Alonso o é agora (engraçado que o Schumacher, mesmo depois de ter ganho 1, 2 ou 3 títulos, nunca foi unanimidade…).

Pois Jim Clark era.

E o pior é que eles estavam certos. Jim tinha a velocidade nas veias como ninguém poderia ter. Venceu todas as corridas que pôde vencer. Tirava do carro tudo que ele pudesse dar. Mas, diferente de Nuvolari, sabia quando tirar o pé e poupar pneus ou combustivel, desde que isso lhe desse a vitória. Sabia guiar, mas também sabia ganhar.

“Me amarro num kilt”

Jim Clark era escocês, nasceu no dia 4 de Março de 1936. Jim era o caçula de 5 filhos e o único garoto (os outros 4 filhos eram meninas…que inferno, hehe). Talvez seja por isso que Jim sempre foi um cara quieto.

Mesmo contra a vontade da familia (como todos…), Jim começou a correr de carros em 1956. Categorias pequenas, como “hill-climbing”, onde a corrida começa lá em baixo e termina morro acima (haja tração).

Em 1958, Jim correu contra o cara que, um dia, iria lança-lo ao estrelato: Colin Chapman. Colin ganhou a corrida, com Jim em segundo, guiando um Lotus-Elite.

No dia 6 de Junho de 1960, Jim Clark fez sua estréia na F1 no GP da Holanda (já no meio da temporada) substituindo John Surtees, que foi correr de motos (só dava maluco naquela época). Clark abandonou na volta 49 com problemas mecânicos. Na sua segunda corrida na F1, em Spa, Jim sentiu o que era a F1 naquela época: um acidente matou Chris Bristow e Alan Stacey. Mesmo terminando em quinto lugar e marcando os seus primeiros pontos na F1 (isso logo na sua segunda corrida), Jim declarou que “eu dirigi tenso como  nunca“.

No ano seguinte, Jim Clark foi um dos personagens envolvidos no pior acidente da F1 até hoje: O famoso acidente de Wolfgang von Trips em Monza, que matou 15 espectadores. O video abaixo, mesmo em alemão, mostra bem o que foi (adiante até 1:03 min)

Clark não teve culpa no acidente, diga-se de passagem. Von Trips vinha à frente de Clark. Jim vinha numa trajetória um pouco mais por dentro, claro (já pensando em beliscar), quando Wolfgang mudou o traçado e foi mais por dentro. A roda traseira de Wolfgang tocou a roda dianteira de Clark, fazendo o carro do alemão literalmente voar em direção à arquibancada….Até hoje, esse é considerado o pior acidente da F1.

Nota: Wolfgang von Trips era um excelente piloto mas no estilo “arrojado”, tipo Gilles, Montoya, Mansell, etc…Naquela corrida, bastava um terceiro lugar para ele se tornar o primeiro alemão a ganhar um título de F1…Morreu e não levou…que ironia…

Em 1963, Jim Clark conquistou o seu primeiro título na F1 ao ganhar 7 das 10 corridas guiando a Lotus 25 (é, eram só 10 corridas naquela época, mas variava de ano pra ano) e tb dando a Lotus o primeiro título de construtores de sua história. A vitoria em Spa foi HISTÓRICA. Chovia pícaros, e Jim, largando em oitavo, passou todo mundo. Chegou a meter 1 volta em todos os pilotos, menos Bruce McLaren, o segundo colocado, mas mesmo assim, chegou 5 MINUTOS à frente de Bruce McLaren. Naquele mesmo ano, Jim correu as 500 Milhas de Indianápolis (que não fazia parte da F1) e só terminou em segundo pq o carro do primeiro colocado, Parnelli Jones, soltava óleo na pista adoidado, fazendo a corrida de Clark um verdadeiro “Hollyday-On-Ice” de tanto escorregadia que estava a pista.

champion

Em 1965, Clark ganhou não só o título da F1 mas tb chegou em primeiro nas 500 Milhas de Indianápolis, se tornando o primeiro piloto a conquistar tal feito no mesmo ano, dirigindo uma Lotus 38. Teve que abrir mão de correr na prova de Mônaco para correr em Indianapolis…Mas valeu a pena.

Em 1966, a FIA homologou o motor de 3 litros, o que tornou os carros da Lotus (2 litros) não tão competitivos. Jim suou e não conseguiu acompanhar o resto da galera. Eventualmente, a Lotus lançou o Lotus 43 que tinha o famoso (e sensível) motor BRM H16. Jim ganhou o GP dos EUA e chegou em segundo na famosa Indianápolis 500, atrás de Graham Hill.

No ano seguinte, a Lotus tentava se encontrar. Fizeram algumas corridas com o Lotus 43 mas não vingou. Chegaram a usar o Lotus 33, modelo mais antigo mas mais desenvolvido, sem sucesso. Fizeram, então, um acordo com a Ford-Cosworth que deu no famoso Lotus 49, um carro HISTÓRICO! O motor Ford-Cosworth DFV viria a se tornar o motor com mais sucesso da F1. Clark venceu o GP da Holanda, da Inglaterra, dos EUA, do Mexico e da Africa do Sul. Mas já era tarde.

Jim Clark e “flecha”

Era comum, na época, os pilotos correrem em outras categorias. Jim Clark uma vez falou que a categoria que ele mais se divertia, era correndo de Mini-Cooper. Pois, em 1968, Clark estava escalado (contrato) para correr em Hockenheimring numa prova de F2. Mesmo sendo uma corrida considerada “inferior”, o grid tinha feras como Beltoise e Pescarolo, e tb um certo Max Mosley que subiu da categoria Clubman.

Colin e Jim

O evento foi executado em duas baterias.  Na quinta volta da primeira bateria, o Lotus 48 de Clark saiu da pista e colidiu com as árvores. Ele quebrou o pescoço e fraturou o crânio, morrendo antes de chegar ao hospital. A causa do acidente nunca foi definitivamente identificada, mas investigadores concluíram que era provavelmente devido a um pneu traseiro esvaziando.  A morte de Clark afetou a comunidade do automobilismo terrivelmente, com colegas de Formula 1 e amigos próximos como Graham Hill, Jackie Stewart, Dan Gurney, John Surtees, Chris Amon e Jack Brabham, todos sendo pessoalmente afetados pela tragédia. Pessoas vieram de todo o mundo para o funeral de Clark. Colin Chapman ficou devastado e declarou publicamente que tinha perdido seu melhor amigo. Como sinal de respeito, Chapman ordenou qu o emblema tradicional verde e amarelo encontrado no nariz de todos os carros de rua da Lotus fosse substituído por um distintivo preto por um mês após a morte de Clark. O campeonato de 1968 de F1 foi posteriormente ganho por seu companheiro de equipe Lotus, Graham Hill, que mais tarde dedicaria a Clark.

flying…

Jim Clark inspirou todos os pilotos que correram com ele. Quando ele morreu, Chris Amon disse: “Se aconteceu com ele, quais são as nossas chances?”

Um piloto CÉLEBRE!!!!

Preparem a pipoca, sentem no sofá e assistam ao video abaixo, com os comprimentos trapizombescos.

Pilotos Celebres??? Ou não??? Andrea de Cesaris!!!

Por Ed!!!

Andrea De Cesaris: Um mito ou um desastre?

Salve Galera!!!

Este post tem o intuito de contar a historia de um dos pilotos mais conhecidos da F1, não pelos títulos ou vitórias, mas pela forma atrapalhada, pela longa carreira, pela sorte de não morrer e pelo azar de nunca ter ganhado em mais de 200 grandes premios, vamos falar dele o “meu idolo”… Andrea de Cesaris!!!

Nascido em Roma em 31 de Maio de 1959, filho de um comerciante rico e que pode bancá-lo por vários anos, pois acabou se tornando representante da toda poderosa Marlboro, num tempo em que a industria tabagista reinava absoluta patrocinando a F1, esse cara teve mais chances que qualquer outro piloto na história, não que seu curriculum nas categorias de acesso fosse ruim, ao contrario… Foi vice-campeão da F3 perdendo para Chico Serra, pilotou na F2 onde correu para Ron Dennis e teve muito sucesso correndo em Karts!!!

Cena corriqueira na McLaren

Mas, seus primeiros anos na F1 foram tristes. No primeiro ano, correu duas corridas pela Alfa Romeo no Canadá e nos EUA, onde não terminou ambas e no ano seguinte, Ron Dennis cometeu aquele que, na minha modesta opinião, foi seu maior erro, deu uma temporada completa para o homem, que conseguiu a proeza de destruir… 22 CHASSIS, e numa época em que pilotar carros de F1 era quase uma sentença de morte, conseguiu sobreviver a tudo isso graças a fibra de carbono que já era utilizada pela McLaren na época, e acabou sendo demitido!!!

Voltou para a Alfa Romeo onde conseguiu uma improvável , mas sensacional e filha única, Pole Position em Long Beach, pódios e até mesmo chances de ganhar mas, o azar dele mostrou sua face algumas vezes, principalmente em Spa Francorchamps onde ele ia ganhar mesmo, mas a casa caiu ou melhor dizendo, o motor foi pro devido saco!!!

Mesmo destino na Ligier

Foi pra Ligier em 1984 onde conseguiu ser demitido de novo, em 1986 foi para a Minardi e não fez nada pois o carro era uma bomba, pilotou também para uma cambaleante Brabham, participou do projeto Rial em 1988, no ano seguinte uma de suas maiores trapalhadas acontece em Monaco , onde na tentativa de ultrapassar o “ retardatário” Nelson Piquet, eles acabam se enroscando e ficam no meio da pista discutindo como se estivessem no transito engarafado de São Paulo, uma cena hilaria e histórica!!!

Foi bem em sua passagem pela Jordan em seu ano de estreia no longínquo ano de 1991, onde quase ganhou em Spa, onde perseguia Ayrton Senna e tinha grandes chances de apanhar o até então Bi-Campeão, mas como eu já disse, o azar desse homem é pior que o do Rubinho e do Massa juntos e o motor foi pro saco de novo!!!

Andou também na Tyrrell, e no fatídico ano de 1994, pilotou pela Sauber onde conseguiu usar sua longa experiência e garantiu mais alguns pontos, no final daquele ano, pendurou o capacete!!!

Mesmo assim, chegou a 200 corridas

Foram 208 GPs, 15 temporadas, uma pole, 5 pódios, uma volta mais rápida, 59 pontos e nenhuma misera vitória, esse aí foi azarado e bota azarado nisso…mas mesmo assim teve uma longa carreira, acho que nunca mais vamos ter um piloto assim, que consegue ficar tanto tempo pilotando por tantas equipes, com resultados modestos, apenas com a grana, pois é quem disse que o dinheiro não consegue fazer verdadeiros milagres???

Viva De Cesaris!!!

Quem matou Odete… Digo, Carlos Roitman?

Carols Roitman ,não, Reutemann

Olá, Fufa. Este é meu primeiro post e é sobre algo inusitado para o brasileiro comum, ou um não membro da F1SC: escrever sobre um piloto que nunca foi campeão ou não seja brasileiro. Não, não que eu tenha alguma coisa contra argentinos, pelo contrário. Também não tenho tudo a favor, pois “a pulga atrás da orelha” da Copa de 78 ainda está “mordendo”, apesar de não morrer de amor pela CBF. Mas deixa pra lá, aquela copa do mundo de futebol foi mesmo do “Peru”, os que têm mais de 40 anos estão me entendendo. Odeio polêmica, ou não.

Não são parentes

Ah, sim, vou “falar” sobre o Hermano, Carlos Reutemann, que deu muitas alegrias a mim como adversário do Piquet (pronuncia-se Roitman, mas não tem nada a ver com a Odete, personagem da antiga novela Vale Tudo). Como todos nós conhecemos Nelson Piquet Souto Maior, ex-automobilista brasileiro, tricampeão do mundo de Fórmula 1, em 1981, 1983 e1987, etc, etc, não escreverei sobre ele e sim sobre o Hermano.

Consultando somente as minhas lembranças tudo que posso dizer do Carlitos, com sua Williams-Ford Cosworth, é que ele perdeu, com um ponto a menos, de forma emocionante, para o nosso Nelson e sua fantástica Brabham. O bom piloto argentino nos dava nos nervos. No segundo GP, Brasil, Carlitos ganhou. Mas em compensação, na corrida seguinte, GP da Argentina, nosso Nelsão “fez cabelo, barba, bigodão do Nietzsch e bigodinho de Hitler”: pole, volta mais rápida e vitória. Pirem aí: no final do campeonato Piquet estava com 50 pontos, Reuteman 49, Alan Jones 46, Laffite 44, Prost 43. Apenas 7 pontos entre o primeiro e o quinto. Eram 17 equipes e “apenas” 12 com a outrora “super-máquina” Ford-Cosworth. Quem te viu quem te vê…

Era uma grande época para os latino-americanos

Era a Temporada de Fórmula 1 de 1981, a 32ª realizada pela FeInhA, entre 15 de março à 17 de outubro de 1981, com quinze corridas. Além do Carlos, havia mais dois argentinos: Ricardo Zunino e Miguel (Cansado de) Guerra. Hoje não tem mais argentino na F1 e começo a ficar preocupado com a atual safra dos brazucas. Também havia o colombiano Ricardo Bridge, Hector Alonso do México e nosso Chico Serra. E o chileno Eliseu Salazar, mais famoso por ter colidido na traseira da Brabham do Nelsão. Havia também a Fittipaldi-Copersucar, mas não vou pagar mico agora. A F1 era muito mais latina, tinha muito molejo. E norte-americana também: o velho piloto da Cart Eddie Cheever e Kevin Kogan, e dois GPs: a famosa Long “Bitch” e Las Vegas. Hoje a F1 está insuportavelmente Oriental. Negócios da China? Com certeza, mas um dia pode virar “presente de Grego”.

Nesse Brasil x Argentina saímos ganhando. Nós, “apenas” campeões “morais” da Copa do Mundo da Argentina segundo o técnico Claudio Coutinho, em 78; “lavamos a alma” três anos depois na F1. Na época, nos anos 80, o então chamado Nelsinho, era perfeitamente nosso ídolo brasileiro, menos para a imprensa verde-amarela, que acabou dando o troféu “Limão” para o agora chamado Nelsão. Só porque o cara não era puxa-saco e dizia o que “dava-na-telha” para os jornalistas. Nem todos agüentam uma personalidade forte, certo?

Imaginem se o Carlos Reutemann fosse tricampeão de F1 e morresse aos 33 anos justamente no auge da carreira, num GP, dentro do melhor carro, numa curva assassina. Aí teriamos aquelas eternas considerações sobre o melhor do mundo ter sido Airton Senna ou Carlitos, tipo Pelé x Dieguito.

Mudando de pau para cacete: eu que não perco nem perderia meu tempo: Maradona não é flor que se “cheire”, entende? (perceberam todo o veneno?). O Pelé também não é essa Coca-cola toda, aliás, o Pelé não: o Edson Arantes. A Xuxa dizia que o Pelé (o Pelé não, o Edson) tinha o pé feio (cuspiu no prato em que foi comida). Pensando bem, o Pelé é o rei da bola, cidadão do mundo, atleta do século. O Edson não, entende? Nem eu: “Falar de si mesmo na 3ª pessoa é uma arte!”, como diria Felipe Lima, sobre os posts trapizombescos. E o Pelé é o rei da terceira pessoa.

Ele foi da Estaberria

O quê? Ah! Poxa… esqueci de passar todos os dados biográficos do Carlos Reutemann, mas tenho que fazer coisas mais “agradáveis” agora: jogar o lixo fora, lavar os pratos, levar os cachorros para passear, ir à casa da sogra e pedir perdão a ela. Então, “deixa para a próxima”. Quem sabe um dia…

…E aí, alguém já tem informações sobre a F1 2012? Será que o “Féeeestel” continuará fazendo a festa?

Por Cavaleiro que diz ní.

Pilotos Célebres – Tazio Nuvolari

Tazio Nuvolari - Il Loco...

Fala galera! Estamos de volta com mais um post PILOTOS CÉLEBRES!!!!

(música de ação)

Vocês já se perguntaram o porque daquele site do UOL se chamar TAZIO? Já me perguntaram “O que é Tazio?” e a resposta não é “o que é“, mas sim “quem é“, ou melhor “quem foi” Tazio.

Ainda jovem

Tazio Nuvolari, Il Montavano Volante, o Mantuano Voador, o popular Nivola. Esse cara sintetizou coragem e ousadia, e por 30 anos surpreendeu o mundo das corridas com seu arrojo e suas façanhas sobre duas e quatro rodas.

Tazio nasceu em 18 de novembro de 1892, em Castel D’Rio, perto de Mântua, filho de um fazendeiro. Seu tio Giuseppe era um comerciante de Bianchi e apresentou ao seu sobrinho o esporte à motor.  Após servir no exército italiano como piloto de motos de corrida, ele começou a sério com 28 anos. Seu toque foi notado pela equipe Bianch, da qual se tornou um membro e, eventualmente, campeão italiano.

A Lenda

os braços estão bem, já as pernas...

No Grand Prix de Monza para motocicletas, Tazio caiu feio durante os treinos livres. Isto resultou em duas (2) pernas quebradas!!! Depois dos médicos colocarem gesso em ambas as pernas, ele foi informado de que seriam pelo menos um mês antes que ele pudesse voltar a andar e muito menos pilotar motos de corrida. No dia seguinte ele pediu aos mecanicos que amarrarem ele na motocicleta. Os mecânicos tiveram que botar ele sentado na moto, amara-lo e ligar a moto no início da corrida. No final, tb foi carregado pra fora da moto…e como vencedor da corrida. A lenda de Tazio Nuvolari começou naquele dia…

o voador

Nuvolari começou a correr em carros de corrida em 1924 com a idade de 32 e ainda competindo em motocicletas. Em 1927 ele começou sua própria equipe, comprou um par de Bugatti 35Bs que compartilhou com seu parceiro Achille Varzi que também era um famoso piloto da motocicletas. Esta parceria viria a transformar-se em uma intensa rivalidade.

Nuvolari começou a ganhar corridas e Varzi ficou enciumado, deixando a equipe. Varzi, o filho de um rico comerciante, pode comprar equipamentos melhores, e comprou um Alfa P2. Com este carro ele tinha um melhor do que Nuvolari. E começou a ganhar tb.

Mas em 1929, o destino os uniu de novo. Tazio assinou com a Alfa Romeo e teria como companheiro de equipe seu rival, Varzi.

sem os faróis...

E mais uma vez, a lenda fez história. A Mille Miglia de 1930 entraria para a história quando Nuvolari, correndo em segundo (com Varzi em primeiro) usou de muita coragem (e maluquice tb). Já era noite e Varzi vinha controlando os carros atrás dele pelos faróis. Tazio simplesmente desligou os faróis de seu carro e correu às escuras! Faltavam apenas 3 km para a chegada quando Tazio passou Varzi, acendeu os faróis, deu tchauzinho e assumiu a ponta para não mais perdê-la. Um momento HISTÓRICO!!

Segura, peão...

Bem, para o Targa Floria de 1932, (um ano em que Nivola ganhou 7 das 16 corridas disputadas), uma corrida em que se levava um mecânico junto, Nuvolari pediu ao Enzo Ferrari um mecânico que pesasse tão pouco ou menos do que ele. Nuvolari chamou o mecânico, jovem e inexperiente que a Ferrari tinha dado a ele, e lhe disse que ele iria avisá-lo quando eles se aproximassem de uma curva particularmente difícil, para não assustar indevidamente o jovem. Quando eles se aproximaram de uma curva, Nuvolari gritava para o mecânico para ele se cobrir sob o painel. Após a corrida e mais uma vitória para Nuvolari, a Ferrari perguntou ao mecânico como ele tinha feito. “Nuvolari começou a gritar na primeira curva e terminou na última”, respondeu o garoto.“Eu estava deitado no fundo do carro o tempo todo.”.

 

Nuvolari, Caracciola e Ferrari

No dia 17 de Abril daquele ano (1932), Nivola venceu em Mônaco com a Alfa 8C 2300. Foi uma das muitas vitórias históricas do Mantovano. Tazio largou bem atrás e teve que fazer uma corrida de recuperação. Em poucas voltas passou de nono para terceiro. Os dois primeiros colocados, Louis Chiron e Czailkowski abandonaram e Nivola assumiu a liderança. O Alfa estava quase sem gasolina ao final, mas a vitória ficou com Tazio. A equipe da Alfa em 1932 era espetacular. Além de Nuvolari, a Alfa ainda tinha um tal de Rudolf Caracciola, simplesmente um monstro. Caracciola, apesar do sobrenome italiano, era alemão, e a grande promessa da raça ariana nas pistas. Mas no pré-guerra, com todas as fábricas sendo convertidas para armas, a Mercedes liberou Caracciola para correr na Alfa e fazer junto com Tazio, uma das melhores duplas de pilotos que o mundo já viu. Esta dupla não teve similar na história do esporte a motor. Talvez apenas duas vezes uma comparação possa ser feita. Quando Fangio e Moss pilotaram para a própria Mercedes nos anos 50, e quando Senna e Prost pilotaram pela Mclaren nos anos 80, ou Piquet e Moreno na Benetton em 1991.

Nuvolari e o P3

A estréia do P3 foi no GP da Itália, e Nivola venceu espetacularmente. Os Bugatti de Chiron e Varzi e o Maserati de Luigi Fagioli eram os adversários da Alfa. Aliás o Maserati tinha 16cilindros (utilizava 2 motores de 8 cilindros em linha!) com 330cv e 4.9 cc. Um monstro de carro de corrida. Durante a prova de Monza os Bugatti de Chiron e Varzi abandonaram com quebra de motor quando lideravam, e Borzachini foi atingido por uma pedra. O italiano entrou nos boxes e Caracciola o substituiu ao volante do Alfa Monza. Nuvolari e Campari correram com o P3 para maximizar as chances de uma vitória italiana em casa. Na briga entre Fagioli e Tazio, o Maserati era mais rápido que o P3, e a média do carro era de 182km/h! Mas graças a soberba pilotagem de Nivola, e a velocidade em curva maior do Alfa, além de um grande trabalho de boxe nos pits, comandado por Vitorio Jano, o Mantovano voador ganhou uma de suas principais e mais disputadas corridas. A consagração total como o maior ídolo da Itália na época foi o prêmio maior para Tazio. Nas ruas todos já usavam a expressão “a Nuvolari…” ou “como Nuvolari…” Viver como Nivola, ousar como ele e,  mais do que tudo, vencer e vencer. Até músicas eram compostas em homenagem a Tazio, como um dos maiores sucessos da época “Arriva Tazio”, que prestava homenagem ao grande nome e orgulho da raça italiana.

"Não sou muito chegado à freios..."

Em 1933 ele cravou ainda mais vitórias, 11 no total, mas se desentendeu com o gerente da equipe de Enzo Ferrari e partiu para sua própria “equipe” (não era bem assim na época, tinha-se 1 piloto, 1 carro e 1 mecânico). Durante a temporada Nuvolari comprou uma Maserati, modificada e adaptada pelo preparador preferido e mecânico pessoal de Tazio, Decimo Compagnoni. Na Irlanda do Norte, para a Corrida Troféu de Turismo, dirigiu um supercharged MG K3 Magnette. Depois de totalmente dominar a corrida, alguém lhe perguntou se ele tinha gostado dos freios do MG. Nuvolari respondeu “Não sei dizer, quase não os usei…”

Em 1934 Tazio teve vários acidentes (novidade…) mas o mais importante no ano de 1934 – e que afetaria Tazio no futuro – foi a entrada em cena das alemãs Mercedes-Benz e  Auto Union, que dominaram a temporada  com carros fantásticos e pilotos como Caracciola e Hans Stuck. Tazio não negava que gostaria de dirigir pela Auto Union, mesmo sendo ela apoiada pelos nazistas. Mas em 1932, ninguém fazia idéia das atrocidades de Hitler. Ademais, os caras queriam mesmo era acelerar aqueles monstros.

Hans Stuck veta Nivola

Hans Stuck, o piloto favorito de Hitler...

O caso é que Nuvolari não via problemas em pilotar um carro alemão, e em 1934 testou o Auto Union Tipo A de motor traseiro na Espanha, em San Sebastian, na Tchecoslováquia, e em Brno. Mas Hans Stuck não queria a contratação de Nuvolari. Como aconteceu muitas vezes na história do automobilismo esportivo, um piloto vetou a chegada de outro ás do volante por “receio”. O resultado é que Tazio voltou a correr para Enzo Ferrari e com as Alfa Romeo.

A melhor corrida da história do esporte à motor….

O fodão do bairro Peixoto...

Em 1935 depois de “induzido” a voltar à Alfa Romeo, a Auto Union então contratou o eterno rival do Nuvolari, seu ex-parceiro Achile Varzi. Nuvolari venceu logo na estréia em 1935, com a Alfa Tipo B P3, com aumento de potência e modificações a cargo da Scuderia Ferrari. Mas o maior feito da carreira de Tazio ainda estava por vir: O GP da Alemanha de 1935 em Nurburgring, dirigindo uma Alfa totalmente obsoleta, e contra o poderío da nação alemã e das Mercedes. Nesta corrida HISTÓRICA, Nuvolari dirigiu na borda irregular e às vezes sobre ela. E a busca incessante da Mercedes em alcançar Nuvolari, fez com que a equipe do Fuher abandonasse a prova com os pneus completamente queimados, e Tazio cruzou a linha de chegada em primeiro, diante de um monte de enfurecidos dirigentes do partido nazista, que se retiravam da tribuna, enquanto a galera alemã aplaudia de pé o desempenho do Mantovano Voador. Esta é considerada a melhor corrida da história do esporte à motor por muitos experts (que, obviamente, dará um post “Corridas Célebres”, por isso a falta de detalhes aqui, hehe…). Uma palinha no vídeo abaixo:

Ainda teve a Copa Vanderbilt nos EUA. A equipe tinha como pilotos Antonio Brivio, Nino Farian e Tazio Nuvolari. Tazio venceu até com facilidade, e o famoso troféu da Copa Vanderbilt era tão grande que o Mantovano Voador entrou dentro dele! O prêmio foi milionário: 85.000 dólares. Caso curioso é que nas apostas da máfia dos Estados Unidos, Nuvolari não era o favorito e os “chefões”, apesar de italianos ou descedentes, queriam que Nivola perdesse. Quem perdeu foram eles…Quando voltou para a Itália, Tazio foi aclamado definitavamente como herói nacional.

O troféu era maior que ele

Já em 1936, Nivola teve um grave acidente durante os treinos para o GP de Tripoli, mas como piloto célebre que foi, fugiu do hospital e tomou um táxi para a corrida, alinhou e terminou em sétimo, dirigindo um carro B (reserva)!!! Lenda é sempre lenda, e tem que agir como tal.

Em 1937, Tazio na Alfa 12C 36 passou por muitas dificuldades. Mas o mais triste para o Mantovano foi o que aconteceu fora das pistas. Seu filho primogenito, Giorgio, faleceu após grave doença em 27 de junho. Nuvolari soube da noticia a bordo do navio Normandia, rumo aos EUA para disputar a Copa Vanderbilt daquele ano…

1938: Finalmente Tazio guia pela Auto Union

DKW, finalmente

Após a morte de Bernd Rosemeyer, em 1938 (que morreu na tentativa de bater o recorde de velocidade na estrada Frankfurt/Darmstadt), a Auto Union estava desesperada por um piloto que pudesse dominar o seu carro de corrida com motor central, bicho indomável segundo alguns pilotos. Por insistência do Dr. Ferdinand Porsche que optou pelo italiano, Nuvolari ganhou o Grande Prêmio da Inglaterra em Donington. Em 1939, Tazio continou na Auto Union. Venceu então o Mantovano a ultima corrida antes da segunda guerra mundial: O GP de Belgrado, no dia 3 de setembro, dias antes do início do conflito. Uma corrida histórica, óbvio.

Apenas a II Guerra Mundial poderia parar Nuvolari, mas depois que a luta parou, Nivola voltou a correr, com a idade de 53 aninhos. Era 1946, e Nivola reaparece em cena, com aspecto abatido e envelhecido. Além disso uma nova tragédia pessoal o atingiu. O filho mais novo, Alberto, faleceu no dia 11 de abril com apenas 18 anos. Tazio continuou a vencer com frequência, mas a idade e a sua asma aguda, resultado de anos de inalar os gases do escapamemnto, teriam finalmente cobrado o seu preço. A ultima vitória absoluta de Nuvolari aconteceu no dia 13 de julho de 1947, no circuito de Parma, pilotando a Ferrari 125 SC. Portanto Nuvolari foi um piloto que venceu com a Scuderia Ferrari já desligada da Alfa Romeo. Foi ainda, e com toda a certeza,  um momento histórico sem dúvida nenhuma.

O piloto mais arrojado que já existiu...

Sua última Mille Miglia, em 1948, foi um momento histórico na sua ilustre carreira. Dirigindo como se estivesse possuído, seu carro levando uma surra terrível, acelerando ao longo, o capô de alguma forma se soltou do carro, e uma rajada de vento soprou sobre a cabeça de Nuvolari. “Assim é melhor”, gritou Tazio para seu mecânico aterrorizado, “O motor irá esfriar mais facilmente.” Com seu carro literalmente caindo aos pedaços sob seu esforço super-humano, a equipe o aconselhou a abandonar a competição, era loucura continuar sob tais circunstâncias, e se alguém, Nuvolari não tinha nada a provar. Nuvolari respondeu com o famoso gesto e acelerou ao longo da Via Emilia. Em Modena Enzo Ferrari tentou implorar ao velho amigo para se aposentar com dignidade quando percebeu que os restos do carro não iriam aguentar. Um acidente e, finalmente atingido na próxima perna, todos os três carros da frente estavam fora da corrida, incluindo Nuvolari, que danificou a suspensão traseira em Livorno, quando seus freios falharam. Parando em Villa Ospizio Nuvolari foi levado para uma igreja próxima, em que ele pediu ao padre local se ele poderia descansar enquanto seu mecânico telefonava para todos para dizer que o grande Nuvolari tinha se aposentado e ordenou um carro de turismo para levá-lo para casa. Após a aposentadoria, Enzo Ferrari escreveu para consolar seu piloto. “Eu disse a ele para se animar, sua corrida será seu próximo ano“. Ele respondeu: “Comendatore, na nossa idade, não há mais muitos dias como este, lembre-se e tente aproveitá-lo ao máximo que você puder“.

Talvez o maior de todos...

Tazio Nuvolari sempre disse que queria morrer no esporte que ele tanto amava, mas este seu desejo lhe foi negado. No dia 11 de agosto de 1953, uma quarta feira as 6 da manhã, nove meses depois de sofrer um derrame, o grande Tazio Nuvolari estava morto. Como era seu desejo, ele foi enterrado em seu uniforme que sempre usou para correr – a camisa amarela e calça azul.

Mais de 50.000 pessoas compareceram ao seu funeral. Enzo Ferrari, chegando em Mantua, parou na loja de um encanador para pedir direções. Enzo disse que estava lá para o enterro de Nuvolari. O homem, desconhecendo a identidade do motorista, murmurou: “Obrigado por terem vindo. Um homem assim não vai nascer de novo.”

Tazio Nuvolari, um piloto CÉLEBRE!

por Trapizomba, Il Grasseto Audace.

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