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Pintando o sete: pagando bem, que mal tem?

O grande assunto para a F1 no começo de fevereiro foi a mudança da dupla de pilotos da Renault. A fábrica gaulesa manteria os acordos de Pastor Maldonado e Jolyon Palmer com a Lotus para esta temporada, mas devido a crise na Venezuela, o piloto latino foi trocado por Kevin Magnussen.

Isso você deve ter visto pela web e também a reação crítica a Maldonado, principalmente por conta do fato de ser um pay-driver, um piloto que paga para correr, por assim. dizer.

A história da categoria mostra que muitos pilotos que passaram por lá só atingiram o êxito trazendo alguns cobres para ajudar no orçamento das mais diversas equipes, sejam mais estruturadas, sejam as paupérrimas nanicas.

Embora, nos últimos anos, a história mostre que o nível de alguns pilotos com esta fama acabe sendo de pilotos que estão lá mais pelo dinheiro que pelo talento, a realidade mostra que muita gente boa começou sua jornada precisando pagar pelo assento (e assim, mesmo em casos mais consagrados, que são muitíssimos). Vejamos sete situações:

Fernando Alonso

Dos pilotos atuais do grid, Fernando Alonso é considerado um dos três mais talentosos. No entanto, ele teve um começo de carreira diferente de seus rivais. Enquanto Lewis Hamilton e Sebastian Vettel sempre estiveram em programas de desenvolvimentos de pilotos, o espanhol teve que ralar um pouco mais para achar seu lugar ao sol.

Fernando Alonso e Tarso Marques em 2001

Tudo bem que ele também já tinha um vínculo com a categoria máxima, já que era empresariado por Flavio Bratore, mas para chegar à Fórmula 1, era necessário alguns cobres.

Uma vaga se abriu na Minardi, tudo bem, não era a mais querida das equipes, mas o patrocínio da Telefonica ajudou a colocar o asturiano na escuderia italiana, já que a empresa de telefonia já estampava a sua marca no simpático time entre 1999 e 2000.

Apesar do auxílio, a equipe não precisou estampar nenhum logo predominante do espanhol após a aquisição do time por Paul Stoddart, mas com contrato assinado, Alonso ficou e fez uma temporada interessante em 2001.

Passagem da Minardi foi para aprender os macetes da categoria

Alonso já tinha o seu pé-de-meia arrumado para os anos seguintes, por conta do apoio de Briatore. O espanhol foi para a nova Renault, e após um ano de piloto de testes, assumiu o  assento e fez história. Detalhe: nos anos de ouro da Renault, a Telefonica estava lá estampando os carros vencedores.

Mas não foi só isso. A primeira passagem pela McLaren e a época dele na Ferrari também tiveram o apoio do banco Santander. Alonso sempre trouxe alguma grana para as equipes em que passou, mas certamente ninguém pode esquecer que o retorno não foi positivo só financeiramente.

Damon Hill

O filho da lenda Graham Hill nunca foi exatamente o piloto mais conceituado do grid, mas teve seus méritos na carreira e quando teve as condições certas, foi campeão do mundo. O que nem todo mundo se lembra é que o começo da sua jornada foi bem modesto.

Pelo menos dá para correr, né? #SQN

Como piloto de testes da Williams para 1992, o britânico fazia seu trabalho sem muita pressão, enquanto a equipe doutrinava no mundial. Para dar quilometragem ao rapaz, Frank Williams liberou o rapaz para correr na desesperada Brabham.

Além da mídia trazida por ser filho de quem é, Hill também trazia algum conhecimento técnico da Williams e com algum dinheiro, já que a italiana Giovanna Amati (a última mulher a tentar se classificar para uma corrida de F1), não conseguiu fazer.

A Brabham não era nem de longe a tradicional equipe fundada por Jack Brabham nos anos 1960, ou mesmo a escuderia chefiada por Bernie Ecclestone e que teve dias de glória com Nelson Piquet no começo dos anos 80.

O cantar do cisne da Brabham

O carro era uma jabiraca estranha pintado em dois tons de azul e em rosa choque movido pelo tétrico motor Judd. Uma das maiores aberrações na história da categoria, em termos estéticos e em velocidade também.

Hill ainda conseguiu classificar o carro duas vezes, nos GPs da Inglaterra e da Hungria, antes da tradicional Brabham decretar sua falência e encerrar sua história. O britânico voltou ao seu emprego de test-driver da Williams e ganhou uma senhora oportunidade no ano seguinte. Muito bem aproveitada, por sinal.

Mika Hakkinen

A trajetória aqui é um pouco diferente, mas não deixa de entrar no caso de pay-driver. O romissor finlandês Mika Pauli Hakkinen estreava na Fórmula 1 em 1991 pela tradicional e decadente Lotus, também precisando desembolsar uns cobres.

Em 1991, sobrevivência em meio a miséria

Hakkinen era um jovem bastante promissor. Venceu a Fórmula 3 inglesa em 1990 e teve no GP de Macau o primeiro embate da carreira com Michael Schumacher, com um final bem polêmico.

Apesar dos holofotes, um bom lugar no grid da F1 não era uma coisa tão simples, mesmo num grid com 34 carros. Afinal a maioria era composta de nanicas que mal sabiam se iam terminar o ano.

O finlandês achou uma vaga na Lotus, esta já combalida financeira e tecnicamente. Hakkinen trouxe alguns patrocínios para pequenos decalques dos carros da lendária escuderia, além do apoio da Marlboro, já que fazia parte de um programa de jovens pilotos mantido pela tabaqueira nos anos 90.

Em 1992, mais um pouco de grana, mais um pouco de resultados

Nos dois anos em que esteve por lá, Hakkinen teve percalços, mas conseguiu ter um bom desempenho, especialmente em 1992, quando terminou o ano em oitavo no campeonato de pilotos.

Após uma disputa longa pelo seu passe, acabou na McLaren como piloto de testes, assumiu a vaga de Michael Andretti e por lá construiu a parte mais importante de sua carreira.

Rubens Barrichello

Apesar de ser o único não-campeão dessa lista, Barrichello é um piloto de gabarito inquestionável. Não à toa, foi aquele que teve a carreira mais longeva da categoria máxima do automobilismo. Mas mesmo os primeiros passos precisou de apoio.

Jordan em 1994

Não é muito segredo que o Rubinho batalhou muito para disputar provas na Europa e mostrar seu talento. A sua família fez muita coisa até surgir uma empresa para o apoio oficial. No caso, a empresa alimentícia Arisco.

Com com o logo da Arisco que Barrichello fez sua carreira no exterior, ganhando o título da F3 inglesa  competindo na F3000 até chegar à F1 em 1993, pela Jordan.

Patrocínios tupiniquins no macacão do Barrica em 1994

Mesmo na empresa de Eddie Jordan, o brasileiro precisava trazer alguns cobres. Primeiro com a Arisco em 1994, depois teve os patrocínios pessoais em 1995 e 1996. O pagamento só parou depois que fora para a Stewart, num sistema diferente do que estava habituado.

Nelson Piquet

Outro piloto que sempre lutou muito para fazer a sua carreira foi Nelson Piquet. Após as suas aventuras no automobilismo brasileiro e nas categorias de base internacional, chega a chance de estrear na categoria máxima do automobilismo.

Os primeiros passos na McLaren da BS Fabrications

Em 1978, Piquet varria a concorrência na F3 inglesa (sempre ela) e já atraía os holofotes da categoria máxima do automobilismo. O brasileiro recebeu um convite para fazer uma corrida na Alemanha pela tétrica Ensign e cumpriu bem com o dever, com o carro que tinha.

Depois foram três corridas pela McLaren, mas não do jeito que você imagina. O carro era da equipe de Woking, mas era um M23 de 1974 usado pela BS Fabrications. Para correr, Piquet precisou levantar 30 mil dólares para isso (numa época bem mais acessível da F1 no passado)

No entanto, foi na sequência da carreira que Piquet teve mais trabalho para pagar seu assento, curiosamente em uma equipe estruturada. Sim, na Brabham, o Nelsão entrou de pay-driver.

Um dos dois empregos de Piquet em 1979

Para a temporada de 1979, Piquet tinha que vender espaços de patrocínio do macacão para custear a sua presença. E era com essa renda que Bernie Ecclestone custeava as viagens do brasileiro. Sem salário, o piloto teve que trabalhar com revenda de carros leiloados para se manter naqueles dias.

Pagamento na conta? Só depois de 1980, quando tornou-se o primeiro piloto da Brabham e mostrava que era o nome que levaria a escuderia ao título.

Ayrton Senna

Sim, os dois brasileiros tricampeões mundiais de Fórmula 1 foram pay-drivers ao longo da carreira. Embora ambos sejam situações bem distintas dos casos que costumamos ver. O caso de Senna é mais distinto ainda.

O primeiro ato também teve seus investimentos

Desde o começo da carreira, Senna teve sempre uma visão mais profunda de marketing no automobilismo. Assim, sempre foi bem incisivo nas negociações com todas as equipes sobre os contratos que precisava assinar.

Assim foi na Toleman, com a negociação dos espaços no macacão e nas inserções nas mídias em geral. Para o primeiro ano, vieram os patrocínio da Banerj e dos jeans Pool.

Logo do Nacional sempre lá

A partir da ida para a Lotus e por toda a carreira, a eterna parceria com o banco Nacional estava lá e assim seguiu-se com McLaren e Williams. A icônica marca no macacão de Senna não estava lá apenas de decoração, não é?

Michael Schumacher

Até o piloto mais bem-sucedido da história da categoria precisou de um empurrãozinho financeiro para o seu debute. A situação de Schumi também tem as suas peculiaridades.

Uma estreia que chamou, e muito, a atenção

Já contamos essa história aqui neste blog e provavelmente você já leu em vários lugares: tudo começou quando Bertrand Gachot foi preso em agosto de 1991 por atirar spray de pimenta em um taxista em Londres.

Enquanto o belga passava poucas e boas em um presídio bem perigoso, a Jordan corria atrás de um segundo piloto urgente. Alguns pilotos mandaram seus currículos com algumas ofertas (até Keke Rosberg cogitou um retorno aos monopostos), mas no fim a vaga ficou a um jovem e promissor alemão do programa de pilotos da Mercedes.

Michael Schumacher chegou logo e mostrou serviço na nova equipe. Flavio Briatore resolveu agir rapidamente e numa canetada, mandou Roberto Moreno para a equipe irlandesa e trouxe o pupilo para a Benetton. O resto é história…

Niki Lauda

Já vimos casos bem variados de pilotos pagantes, mas o mais clássico e de ocorrência mais comum já foi retratado até nos cinemas.

Andreas Nikolaus Lauda nunca teve muitas mordomias no meio automobilístico. Sem o apoio familiar, lá foi ele sair da Áustria com 30 mil libras emprestadas dos bancos de seu país para fazer a carreira.

Empréstimo convertido em jabiraca

Lauda fez algumas corridas entre 1971 e 1972 com o fraco carro da March, sem obter resultados relevantes. Para avançar na carreira, outro empréstimo bancário para achar um lugar na BRM.

A British Racing Motors era uma tradicional escuderia, que surgiu no fim dos anos 1950 e teve muita força nos anos 60, especialmente quando foi campeã de pilotos (com Graham Hill) e construtores em 1962. Mas a década seguinte estava sendo cruel com a equipe.

Mesmo o polpudo patrocínio da Marlboro não era o suficiente para o orçamento da temporada e a grana trazida por Lauda ajudava e muito.

Era uma jabiraca, mas sem Lauda, podia ser bem pior

 

O austríaco fez um trabalho eficiente na equipe, apesar de passar longe das vitórias. O suíço Clay Regazzoni viu que o rapaz tinha potencial e o indicou para Enzo Ferrari quando decidiu retornar a Maranello.

Lauda veio e, enfim, o esforço feito, inclusive com os empréstimos, foram recompensados.

Fontes de pesquisa: A Mil por Hora (Rodrigo Mattar), Bandeira Verde, GPTotal.

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Evidentemente, há muitos casos e causos que se enquadram nesta lista. Se lembrar mais alguns interessantes, deixe aqui o seu registro!

P.S. Aproveite e participe do nosso especial. O primeiro episódio da nova temporada do Barman da Velocidade estreia em breve!

 

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N’O Peraltado desta semana…

Em minha coluna para o Blog Curva a Curva, publico hoje a continuação da história da estreia de Michael Schumacher na Fórmula 1. O capítulo descreve não só a participação do piloto alemão, como também os eventos que marcaram aquela corrida.

[…]Naturalmente, o circo da Fórmula 1 já ficou agitado por conta da presença desse jovem germânico. E as expectativas para a corrida eram boas.

No entanto, a típica avareza de Eddie Jordan acabou com as esperanças de Schumacher. O alemão reclamou que a embreagem já estava falhando durante o warm-up e que precisava ser trocada. O irlandês acreditou que uma embreagem nova seria um luxo desnecessário para aquele pivete queixudo e recusou-se a abrir a carteira.

Resultado: após a largada, Schumacher segurou-se bem na subida da Eau Rouge, mas ao chegar à reta Kemmel, o Jordan 191 #32 acabou enguiçando e a estreia de Schumi foi mais curta que a luta da Ronda Rousey contra a Bethe Correia.[…]

Veja o artigo completo aqui!

Abraço!

Momentos Históricos: GP da Bélgica de 1998 – a corrida do caos

O GP da Bélgica de Fórmula 1 sempre é um dos mais esperados do ano pelos fãs da velocidade. Com a prova na mítica pista de Spa-Francorchamps, a expectativa é que a primeira corrida após a pausa do verão europeu seja sempre épica. A expectativa não foi só atingida, como foi obliterada no ano de 1998.

Imagem: Site Damon Hill (não-oficial)

Pelo pódio, já dá para ver que não foi um dia normal

A história mostrava um campeonato polarizado entre a engenharia de um super-carro e um talento acima da média. Mika Hakkinen tinha em mãos o MP4/13, carro da McLaren projetado por Adrian Newey e com o potente motor Mercedes V10 e dominou o campeonato desde o início, mas tinha a concorrência da Ferrari, que, apesar de um instável F300, tinha Michael Schumacher para carregar a equipe nas costas e disputar o certame ponto a ponto.

Em Spa, Hakkinen chegava com a vantagem de 7 pontos para o alemão e fez a pole, tendo o companheiro David Coulthard a completar a primeira fila. Schumacher largava em quarto, ao lado da Jordan de Damon Hill.

Mas as chances do ferrarista surgiam com a chuva que caía na região das Ardenas naquele 30 de agosto, já que em pista molhada, o talento que sobrava a Schumi, faltava ao finlandês.

Os carros alinharam para a largada em pista molhada. Após o apagar do sinal, Foi Hakkinen quem largou bem e fez a La Source na frente. O spray de água que saíam dos carros não permitiam que se visse muita coisa do pelotão, mesmo com as câmeras mais modernas de televisão. Com essa dificuldade, o mundo chocou-se mais ainda com a imagem que vem a seguir.

(a partir dos 4 minutos)

É chover no molhado falar que este é um dos acidentes mais impressionantes dos 65 anos da história do campeonato mundial de F1. Um acidente múltiplo como pouco se viu. Um big one para fã da Nascar nenhum botar defeito.

Ao todo, os envolvidos foram David Coulthard (McLaren), Eddie Irvine (Ferrari), Alexander Wurz (Benetton), Rubens Barrichello (Stewart), Jos Verstappen (Stewart), Johnny Herbert (Sauber), Olivier Panis (Prost), Jarno Trulli (Prost), Mika Salo (Arrows), Pedro Paulo Diniz (Arrows), Toranosuke Takagi (Tyrrell), Ricardo Rosset (Tyrrell) e Shinji Nakano (Minardi).

Apesar da cena plástica, todos os pilotos envolvidos saíram ilesos. O único que reclamou de um hematoma na mão foi Rubens Barrichello, mas nada que preocupasse para uma nova largada, já que com a bandeira vermelha, a prova reiniciava do zero.

Imagem: Velocidad Pura

Prejuízo grande, mas só material

E, sim, naquele tempo, mesmo as equipes pobres de marré dispunham de um carro reserva para uma eventualidade deste tipo. O problema é que algumas escuderias tiveram danos demais com os dois carros e precisavam escolher um dos seus dois empregados para disputar a corrida.

As equipes que tiveram apenas um piloto envolvido não tiveram problemas com a reposição, já com Stewart, Prost, Arrows e Tyrrell, o negócio era limar um dos dois da disputa naquele momento.

Na equipe de Sir Jackie, Barrichello podia ser considerado o primeiro piloto, mas devido ao machucado e ao fato do carro reserva estar preparado ao holandês, o bólido substituto ficou para o pai do Max (que naquela época tinha exatos 11 meses de vida)

No time do francês tetracampeão mundial de F1, a preferência foi para o errático Trulli em detrimento de Panis. Na Arrows, o falastrão Salo teve que ver o herdeiro do grupo Pão de Açúcar e hoje pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz pilotar o belo bólido preto.

Por fim, a já moribunda Tyrrell escolheu obviamente o japonês favorito da equipe, Tora Takagi ao invés do patinho feio da equipe, o brasileiro Ricardo Rosset, que era tratado na escuderia como a mosca do cocô do cavalo do bandido. Pobre Rosset…

Enfim, após uma hora de espera,  corrida começava para valer. E o rumo dela mudara totalmente.

O segundo início foi bem diferente do primeiro. Hakkinen patinou mal e viu Damon Hill mergulhar na frente. O finlandês dividiu a curva com Schumacher e levou a pior. Para piorar, Johnny Herbert não conseguiu evitar o choque com a McLaren eliminando os dois pilotos.

Para aumentar a desgraça da turma de Woking, Coulthard envolveu-se em outro entrevero, batendo com a Benetton de Wurz. O escocês conseguiu voltar, ainda que uma semana depois do resto do pelotão.

Após a intervenção do Safety-Car, a prova recomeçou com Hill pressionado por Schumacher. O alemão não demorou muito e disparou na frente. Irvine tentou fazer a mesma coisa e danificou o bico, perdendo muito tempo.

Schumi abriu boa frente e partia tranquilo para uma vitória importante, que o colocaria na liderança do campeonato.

Enquanto isso, a chuva apertava e os pilotos tinham dificuldade em ficar na pista. Para piorar, o motor Ford do carro de Verstappen explodiu lançando óleo sobre a pista, já encharcada. Takagi e Jacques Villeneuve, o então atual campeão mundial, foram vítimas do estado traiçoeiro da pista.

Enquanto segurar o carro no asfalto parecia uma missão impossível, Schumacher passeava sobre às águas que caíam na região das Ardenas e nada parecia detê-lo.

Então, apareceu a McLaren de David Coulthard. O escocês estava a ponto de levar uma volta da Ferrari e havia uma preocupação enorme com a atitude do escocês.

Coulthard tirou o pé para deixar Schumacher passar, mas com a condição crítica de chuva e de visão da pista, o alemão não pôde perceber e abalroou a McLaren. Schumi seguiu para os boxes sem uma roda e Coulthard sem a asa dianteira.

Nos pits, outra cena digna de Nascar: Schumacher encosta o carro destruído na garagem, deixa o bólido e caminha furiosamente em direção da garagem da McLaren, tira o capacete e, com  uma expressão furiosa, tenta cobrir de porrada aquele bastardo escocês. A sorte de Coulthard foi que a turma do “deixa disto” estava dos dois lados.

Nota da redação: Coulthard admitiu anos depois que teve a intenção de ferrar aquele queixudo em prol da sua equipe, mas, depois do incidente, os dois tiveram uma longa conversa ficou tudo na paz ao longo dos anos.

Assim, a liderança novamente caía no colo de Hill. Enquanto isso, o caos continuava. Irvine rodava e acabava com as chances da Ferrari, logo depois, Giancarlo Fisichella acertou em cheio a Minardi de Shinji Nakano e causou o último Safety-Car da prova.

Naquele momento do campeonato, apenas seis carros estavam na pista: as Jordan de Hill e Ralf Schumacher, a Sauber de Jean Alesi, a Williams de Heinz-Harald Frentzen, a Arrows de Diniz e a Prost de Trulli (que estava duas voltas atrasado). Coulthard e Nakano, incrivelmente, voltaram depois, cinco voltas atrás dos ponteiros.

Galeria: Gran Premio de Belgica en Imagenes (Taringa.net)

Quase todos os carros que concluiíam a prova em uma imagem

Tudo tranquilo a partir de agora, certo? Não exatamente. O Schumacher mais novo veio com volúpia para buscar a vitória. Coube a Eddie Jordan botar a ordem na casa e mandar via rádio o novato a manter as posições para não colocar em risco a histórica vitória.

Mesmo assim, nada estragou a alegria amarela em Spa. Damon Hill fazia às pazes com a vitória após o título mundial de 1996 e dava para a simpática equipe Jordan a sua primeira vitória na categoria.

Lembrando que a Jordan tem muita história na pista belga. Foi lá em que a equipe permitiu a estreia de Michael Schumacher, em 1991, foi lá que Rubens Barrichello obteve a primeira pole dele e da escuderia. Foi lá que Tiago Vagaroso Monteiro somou o último ponto do time irlandês em 2005.

Imagem: Total Race

Festeja, Hill

A primeira vitória da Jordan Grand Prix só poderia ser lá mesmo. Em meio ao caos, um momento histórico!

N’O Peraltado desta semana…

Salve galera! Estou aqui para falar de uma novidade: escrevo também para o blog Curva a Curva, com a coluna O Peraltado.

Na coluna de hoje, destaco os detalhes envolvidos com a estreia de Michael Schumacher na Fórmula 1, com destaque para a prisão de Bertrand Gachot.

Com o belo Jordan 191 motor Ford HB4 V8, o piloto nascido em Luxemburgo, mas com a nacionalidade belga fazia um trabalho bom em uma equipe novata, ao somar quatro pontos e fazer a volta mais rápida do GP da Hungria de 1991.

Mas a sorte de Gachot começou  mudar em agosto de 1991. Em processo movido pelo taxista inglês, o piloto acabou condenado a um ano e meio de prisão pela justiça britânica e foi levado à prisão de segurança máxima de Brixton, onde teve que dividir a cela com os piores criminosos da terra da rainha.

Mais sobre esta história, acompanhe AQUI!

Abraço!

Momentos Históricos – Grande Prêmio da Alemanha de 2000

Fala, pessoal! Estou aqui a relembrar mais uma corrida histórica. No dia 30 de julho de 2000, um piloto que era motivo apenas de piadas na sua terra natal calou a boca de muita gente e adquiriu o respeito do circo da Fórmula 1.

rubinho

O choro da vitória

A história começa a se desenhar no dia anterior. Na classificação, os rumos mudaram completamente. Rubens Barrichello foi um piloto que se deu muito mal. No início da sessão, a sua Ferrari #4 acabou parando com problemas de câmbio e Michael Schumacher havia batido seu carro na sexta-feira, o alemão já estava com o carro reserva.

Barrichello teve que esperar a equipe arrumar o bólido que seria do alemão para tentar uma volta. E para piorar, a chuva começou a cair na região do circuito de Hockenheim, justo quando quase todos já tinham marcado seu tempo em pista seca (Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, teve sua volta impugnada por ter vazado uma das chincanes do antigo traçado da floresta).

Correndo o risco de sequer se classificar, por não ter o tempo mínimo dentro dos 107%, o brasileiro foi para a pista quase no fim da sessão e conseguiu o 18º tempo, exatamente atrás de Frentzen. Não era muito, mas dava para pensar numa boa estratégia para chegar nos pontos (vale lembrar que naquele ano, apenas os seis primeiros pontuavam). Parecia ser mais um fim de semana de “Pé-de-Chinelo” para o finalista.

Porém o domingo reservou grandes surpresas. Quando acordei para assistir a corrida, já estávamos na segunda volta e as posições do grid já tinham mudado totalmente. Os dois primeiros do grid, David Coulthard, da McLaren, e Schumacher largaram mal. Mika Hakkinen, também da equipe de Woking, era o líder.

O alemão, aliás, já nem estava na corrida. Logo na primeira curva, trancou o caminho da Benetton de Giancarlo Fisichella e ambos saíram da pista em direção aos pneus. Tudo por conta de uma sina que incomodava Schumi. Já contei esta história por aqui.

As duas McLaren já disparavam na frente, enquanto algumas equipes apareciam para surpreender, como a Jordan de Jarno Trulli e a Arrows, com Pedro de la Rosa, que vinham na sequência.

Barrichello, o único com um carro capaz de bater as flechas de prata, já tinha ganho dez posições nas duas primeiras voltas. E o brasileiro partia para o tudo ou nada, mesmo tendo de parar uma vez a mais nos boxes que os demais.

Logo, foi engolindo os adversários a sua frente um a um: as Arrows de Jos Verstappen e de De La Rosa, as Jaguar de Eddie Irvine e Johnny Herbert e a Jordan de Trulli, já atingindo terceiro posto antes da primeira torca de pneus e reabastecimento.

O máximo que dava para chegar era um pódio, pois não dava para alcançar os carros prata com potentes motores Mercedes, que estavam muito longe, cerca de 20 segundos e não daria tempo para tirar esta desvantagem, com uma parada a mais.

Mas o Sobrenatural de Almeida estava presente em Hockenheim naquele dia. Além dele, um sujeito chamado Robert Sehli estava em Hockenheimring esperando uma chance de aparecer ao mundo. A explicação: Sehli fora demitido pela Mercedes poucos dias antes e ele queria protestar contra a montadora da Estugarda.

maluco

TIRA ESSE MALUCO DAÍ!!!! (ou não?)

Na volta 25, o sujeito invade a primeira grande reta do circuito alemão mesmo com carros passando a mais de 300 quilômetros por hora. Enquanto todo mundo está atônito vendo àquela cena, a direção de prova chama o Safety Car. Sehli não teve muito tempo mais para aparecer, pois fora detido pelos fiscais de pista.

Nesta altura, muitos pilotos aproveitam para entrar nos boxes e completar o tanque a fim de terminar a corrida. Como as diferenças entre os pilotos desapareceram, a roda da fortuna começou a girar.

O Safety Car saiu, mas logo voltou. A Prost-Peugeot de Jean Alesi encontrou a Sauber do herdeiro do Grupo Pão de Açúcar e do atual pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz para bater forte e rodopiar lançando as rodas pelo caminho. Só o susto ficou para ambos.

Com essas confusões, um novo drama começou a atingir os pilotos. A chuva que esteve no fim de semana inteiro finalmente deu o ar da graça. Ela só caía na parte do Estádio do longo circuito alemão, enquanto a parte da Floresta Negra ainda tinha pista seca.

Alguns rodaram, (Alexander Wurz, da Benetton, e Jacques Villeneuve, da BAR) outros foram para os boxes colocar pneu de chuva, liderados por Hakkinen. Barrichello, Coulthard, Frentzen e Ricardo Zonta (da BAR) ficaram na pista e foram para o arrisca-tudo.

O escocês desistiu ao sentir que não dava mais, o alemão abandonou com problemas de câmbio e o brasileiro da BAR acabou batendo. Apenas Barrichello manteve-se naquela loucura.

Mas Barrichello levava vantagem em uma coisa que Hakkinen: o talento na chuva. O brasileiro conseguia neutralizar qualquer vantagem que o finlandês pudesse ter nessas condições.

Aos poucos, o mundo do automobilismo mobilizou-se por aquele que estava para ser um momento memorável. Um brasileiro que entrou na F1 e logo quis assumir uma função de “messias” após a morte de Ayrton Senna, que sofreu sete anos da carreira em equipes médias e que finalmente tinha um carro de ponta nas mãos.

Até aquele dia, Rubens Gonçalves Barrichello era apenas um motivo de piada no paddock. Ninguém o levava a sério, pelo menos aqui no Brasil. Eu sempre fui um dos que mais zoava aquele piloto. Nunca fui fã dele, digo conscientemente.

barrica

Ele chegou lá!

Mas digo conscientemente também que dei o braço a torcer naquele dia. Torci como nunca para ele quebrasse um tabu de sete anos sem vitórias de pilotos da Pindorama. Emocionei-me, como muitos ao ver o ferrarista perto de alcançar o olimpo na categoria máxima do automobilismo.

Pode parecer ofensivo os últimos parágrafos, mas este era um pensamento de quem não tinha o acesso de todas as informações sobre a carreira de Barrichello, que não conhecia as suas lutas e os seus sacrifícios.

Quinze anos depois, ainda rio das piadas sobre o piloto e não nego que as faço, mas não esquecerei que ele foi grandioso em sua passagem na Fórmula 1, a que durou mais entre todos os pilotos que passaram pelo grid em todos os tempos. Por onze vezes, Barrichello alcançou o Olimpo. Sendo a primeira bastante especial.

Todo o circo da Fórmula 1 sentiu a importância daquele feito e não houve ninguém que estivesse emocionado, ou ao menos sensibilizado com o ocorrido. A narração de Galvão Bueno é perfeita com o cenário desta vitória.

Esta vitória eternizou Rubens Barrichello como um grande nome da história da Fórmula 1. E assim, este dia entrou para a história do automobilismo mundial. Um momento histórico!

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