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Momentos Históricos – Grande Prêmio da Alemanha de 2000

Fala, pessoal! Estou aqui a relembrar mais uma corrida histórica. No dia 30 de julho de 2000, um piloto que era motivo apenas de piadas na sua terra natal calou a boca de muita gente e adquiriu o respeito do circo da Fórmula 1.

rubinho

O choro da vitória

A história começa a se desenhar no dia anterior. Na classificação, os rumos mudaram completamente. Rubens Barrichello foi um piloto que se deu muito mal. No início da sessão, a sua Ferrari #4 acabou parando com problemas de câmbio e Michael Schumacher havia batido seu carro na sexta-feira, o alemão já estava com o carro reserva.

Barrichello teve que esperar a equipe arrumar o bólido que seria do alemão para tentar uma volta. E para piorar, a chuva começou a cair na região do circuito de Hockenheim, justo quando quase todos já tinham marcado seu tempo em pista seca (Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, teve sua volta impugnada por ter vazado uma das chincanes do antigo traçado da floresta).

Correndo o risco de sequer se classificar, por não ter o tempo mínimo dentro dos 107%, o brasileiro foi para a pista quase no fim da sessão e conseguiu o 18º tempo, exatamente atrás de Frentzen. Não era muito, mas dava para pensar numa boa estratégia para chegar nos pontos (vale lembrar que naquele ano, apenas os seis primeiros pontuavam). Parecia ser mais um fim de semana de “Pé-de-Chinelo” para o finalista.

Porém o domingo reservou grandes surpresas. Quando acordei para assistir a corrida, já estávamos na segunda volta e as posições do grid já tinham mudado totalmente. Os dois primeiros do grid, David Coulthard, da McLaren, e Schumacher largaram mal. Mika Hakkinen, também da equipe de Woking, era o líder.

O alemão, aliás, já nem estava na corrida. Logo na primeira curva, trancou o caminho da Benetton de Giancarlo Fisichella e ambos saíram da pista em direção aos pneus. Tudo por conta de uma sina que incomodava Schumi. Já contei esta história por aqui.

As duas McLaren já disparavam na frente, enquanto algumas equipes apareciam para surpreender, como a Jordan de Jarno Trulli e a Arrows, com Pedro de la Rosa, que vinham na sequência.

Barrichello, o único com um carro capaz de bater as flechas de prata, já tinha ganho dez posições nas duas primeiras voltas. E o brasileiro partia para o tudo ou nada, mesmo tendo de parar uma vez a mais nos boxes que os demais.

Logo, foi engolindo os adversários a sua frente um a um: as Arrows de Jos Verstappen e de De La Rosa, as Jaguar de Eddie Irvine e Johnny Herbert e a Jordan de Trulli, já atingindo terceiro posto antes da primeira torca de pneus e reabastecimento.

O máximo que dava para chegar era um pódio, pois não dava para alcançar os carros prata com potentes motores Mercedes, que estavam muito longe, cerca de 20 segundos e não daria tempo para tirar esta desvantagem, com uma parada a mais.

Mas o Sobrenatural de Almeida estava presente em Hockenheim naquele dia. Além dele, um sujeito chamado Robert Sehli estava em Hockenheimring esperando uma chance de aparecer ao mundo. A explicação: Sehli fora demitido pela Mercedes poucos dias antes e ele queria protestar contra a montadora da Estugarda.

maluco

TIRA ESSE MALUCO DAÍ!!!! (ou não?)

Na volta 25, o sujeito invade a primeira grande reta do circuito alemão mesmo com carros passando a mais de 300 quilômetros por hora. Enquanto todo mundo está atônito vendo àquela cena, a direção de prova chama o Safety Car. Sehli não teve muito tempo mais para aparecer, pois fora detido pelos fiscais de pista.

Nesta altura, muitos pilotos aproveitam para entrar nos boxes e completar o tanque a fim de terminar a corrida. Como as diferenças entre os pilotos desapareceram, a roda da fortuna começou a girar.

O Safety Car saiu, mas logo voltou. A Prost-Peugeot de Jean Alesi encontrou a Sauber do herdeiro do Grupo Pão de Açúcar e do atual pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz para bater forte e rodopiar lançando as rodas pelo caminho. Só o susto ficou para ambos.

Com essas confusões, um novo drama começou a atingir os pilotos. A chuva que esteve no fim de semana inteiro finalmente deu o ar da graça. Ela só caía na parte do Estádio do longo circuito alemão, enquanto a parte da Floresta Negra ainda tinha pista seca.

Alguns rodaram, (Alexander Wurz, da Benetton, e Jacques Villeneuve, da BAR) outros foram para os boxes colocar pneu de chuva, liderados por Hakkinen. Barrichello, Coulthard, Frentzen e Ricardo Zonta (da BAR) ficaram na pista e foram para o arrisca-tudo.

O escocês desistiu ao sentir que não dava mais, o alemão abandonou com problemas de câmbio e o brasileiro da BAR acabou batendo. Apenas Barrichello manteve-se naquela loucura.

Mas Barrichello levava vantagem em uma coisa que Hakkinen: o talento na chuva. O brasileiro conseguia neutralizar qualquer vantagem que o finlandês pudesse ter nessas condições.

Aos poucos, o mundo do automobilismo mobilizou-se por aquele que estava para ser um momento memorável. Um brasileiro que entrou na F1 e logo quis assumir uma função de “messias” após a morte de Ayrton Senna, que sofreu sete anos da carreira em equipes médias e que finalmente tinha um carro de ponta nas mãos.

Até aquele dia, Rubens Gonçalves Barrichello era apenas um motivo de piada no paddock. Ninguém o levava a sério, pelo menos aqui no Brasil. Eu sempre fui um dos que mais zoava aquele piloto. Nunca fui fã dele, digo conscientemente.

barrica

Ele chegou lá!

Mas digo conscientemente também que dei o braço a torcer naquele dia. Torci como nunca para ele quebrasse um tabu de sete anos sem vitórias de pilotos da Pindorama. Emocionei-me, como muitos ao ver o ferrarista perto de alcançar o olimpo na categoria máxima do automobilismo.

Pode parecer ofensivo os últimos parágrafos, mas este era um pensamento de quem não tinha o acesso de todas as informações sobre a carreira de Barrichello, que não conhecia as suas lutas e os seus sacrifícios.

Quinze anos depois, ainda rio das piadas sobre o piloto e não nego que as faço, mas não esquecerei que ele foi grandioso em sua passagem na Fórmula 1, a que durou mais entre todos os pilotos que passaram pelo grid em todos os tempos. Por onze vezes, Barrichello alcançou o Olimpo. Sendo a primeira bastante especial.

Todo o circo da Fórmula 1 sentiu a importância daquele feito e não houve ninguém que estivesse emocionado, ou ao menos sensibilizado com o ocorrido. A narração de Galvão Bueno é perfeita com o cenário desta vitória.

Esta vitória eternizou Rubens Barrichello como um grande nome da história da Fórmula 1. E assim, este dia entrou para a história do automobilismo mundial. Um momento histórico!

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Pintou o campeão!!!

Nada o atrapalha. nem a chuva de papel picado!

Tá certo que Juan Manuel Fangio disse “carreras son carreras”, que a o campeonato só acaba na última curva da última corrida, mas parece que nada vai tirar o título daquele que é o melhor piloto do grid na atualidade. Mesmo que o asturiano tenha os defeitos dele, não há como negar que o espanhol é mais rápido que qualquer um no grid. E um corredor que sabe perfeitamente o que precisa fazer para chegar bem. Enfim, só um grande azar lhe tira o tricampeonato.

A corrida de hoje ele conduziu tranquilamente. Até por isso a etapa alemã não foi lá muito emocionante. Parece que aas equipes já descobriram o mapa da mina em relação aos pneus e daqui para frente as corridas devem ser mais enfadonhas. Espero que não, mas não dá para esperar as mesmas empolgações de antes

O espanhol teve as ameaças de Sebastian Vettel e de Jenson Button (que fez a melhor corrida dele desde a vitória na Austrália) , mas soube administrar a vantagem mesmo quando estava na zona do DRS. O asturiano soube se desvencilhar dos retardatários enquanto o alemão mostrou o velho problema de combatividade, enquanto o britânico detonou a borracha em uma freada e ficou sem pneus para brigar.

Alonso ficou seguro até a vitória e abre 34 pontos de vantagem para Mark Webber, o segundo colocado. Só perde o caneco se algo de extraordinário acontecer. Mesmo o carro já mostra que é bem melhor do que no começo do ano e que solucionou o problema de velocidade em reta. Por todos os detalhes, é nítido que o equilíbrio entre os carros deve de manter e o asturiano é regular. Esta foi a 22ª corrida seguida dele nos pontos, está a duas de igualar o recorde de Michael Schumacher entre 2001 e 2003.

Na briga pelo resto, há polêmica. Vettel passou Button à duas voltas do fim, passando por fora no hairpin, usando a área de escape. Button chiou e a manobra foi considerada ilegal pelo s comissários. Vettel foi punido em 20 segundos e caiu para quinto. Honestamente acho a manobra válida, afinal quantas vezes que vi pilotos passando em áreas de escape, por exemplo, aquela batalha Villeneuve-Arnoux, em 1979 , punição pra lá de exagerada!

Depois veio Kimi Raikkonen, no ritmo de sempre, recuperando o terreno perdido, vai somando seus pontinhos burocraticamente, mas vai se mantendo na classificação.

Em quarto lugar ficou Kamui Kobayashi. Grande corrida do mito japonês, brigou duramente com os carros da Force India, com Schumacher e com Sergio Perez. Um resultado que vem em ótima hora, após surgirem as especulações que sua vaga na Sauber estava em risco. Um desempenho digno da sua fama.

Perez também merece cumprimentos. Largou em décimo sétimo e veio atropelando quem estava na frente. Bom sexto lugar para o “Checo”. Atrás dele, veio Michael Schumacher, segurando o carro como podia e somando mais uns pontinhos, mas pouco para quem largava em terceiro.

Webber foi apenas o oitavo. Atuação discreta e o choque de realidade na atuação dele no campeonato, já que está 35 pontos atras e sem perspectivas de falhas do espanhol.

Fecharam os pontuáveis os dois Nicos. O Hulkenberg tentou segurar a quarta posição do grid, mas não conseguiu ir além do nono, já Nico Rosberg veio de 22º e aproveitou da estratégia para subir e ficar como o último pontuável.

Os brasileiros tiveram outra jornada sofrível. Felipe Massa tocou em Daniel Ricciardo na primeira e ficou sem a asa dianteira. Tentou a recuperação, porém não foi além do 12º. Bruno Senna se enroscou com Romain Grosjean na primeira volta e ambos acabaram atrás da Caterham de Vitaly Petrov. Para a Williams, a corrida foi um martírio. Pastor Maldonado caiu muito e foi só o 15º. E sem batida!

Groselha, por sua vez, tem mais motivos para esquecer, pois andou fora da pista mais do que dentro. Corrida desastrosa.

Outro a deletar este GP foi Lewis Hamilton. O inglês teve o pneu furado com os detritos que sobraram do toque do Felipe e acabou ficando para trás. Hamilton levou volta dos líderes e tentou recuperá-la. Fez uma ultrapassagem em Sebastian Vettel e tentou passar Alonso. Depois viu que não ia dar mais nada e foi o único a abandonar, ainda teve que aturar a reclamação do alemão.

Na turma do fundão, destaque positivo para Petrov, que foi o melhor das novatas e ainda ficou na frente de uma Williams e de uma Lotus, e destaque negativo para Timo Glock, que ficou à frente apenas de Narain Karthikeyan.

Bom, é isso. na próxima semana é o carrossel de Hungaroring, onde nos últimos anos andou acontecendo boas disputas. Como estará o humor no paddock? A turma dos energéticos vai lamentar até lá essa punição e o asturiano virá cada vez mais tranquilo rumo ao tricampeonato e ao Olimpo.

Algum questionamento? É só falar! Abraço!

1 – Fernando Alonso (ESP/Ferrari) – 1h31m5s862
2 – Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) – a 6s949
3 -Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault) – a 16s409
4 – Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) – a 21s925
5 – Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault) – a 23s732 *
6 – Sergio Perez (MEX/Sauber-Ferrari) – a 27s896
7 – Michael Schumacher (ALE/Mercedes) – a 28s960
8 – Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault) – a 46s900
9 – Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) – a 48s100
10 – Nico Rosberg (ALE/Mercedes) – a 48s800
11 – Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes) – a 59s200
12 – Felipe Massa (BRA/Ferrari) – a 1m11s400
13 – Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari) – a 1m16s800
14 – Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari) – a 1m16s900
15 – Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault) – a 1 volta
16 – Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault) – a 1 volta
17 – Bruno Senna (BRA/Williams-Renault) – a 1 volta
18 – Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) – a 1 volta
19 – Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault) – a 2 voltas
20 – Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth) – a 2 voltas
21 – Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth) – a 3 voltas
22 – Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth) – a 3 voltas
23 – Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth) – a 3 voltas

Não completou
24 – Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) – abandono na volta 58

Volta mais rápida: Michael Schumacher (ALE/Mercedes) – 1:18.725 (57)

* – punido em 20 segundos.

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