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Momentos Históricos – Grande Prêmio da Alemanha de 2000

Fala, pessoal! Estou aqui a relembrar mais uma corrida histórica. No dia 30 de julho de 2000, um piloto que era motivo apenas de piadas na sua terra natal calou a boca de muita gente e adquiriu o respeito do circo da Fórmula 1.

rubinho

O choro da vitória

A história começa a se desenhar no dia anterior. Na classificação, os rumos mudaram completamente. Rubens Barrichello foi um piloto que se deu muito mal. No início da sessão, a sua Ferrari #4 acabou parando com problemas de câmbio e Michael Schumacher havia batido seu carro na sexta-feira, o alemão já estava com o carro reserva.

Barrichello teve que esperar a equipe arrumar o bólido que seria do alemão para tentar uma volta. E para piorar, a chuva começou a cair na região do circuito de Hockenheim, justo quando quase todos já tinham marcado seu tempo em pista seca (Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, teve sua volta impugnada por ter vazado uma das chincanes do antigo traçado da floresta).

Correndo o risco de sequer se classificar, por não ter o tempo mínimo dentro dos 107%, o brasileiro foi para a pista quase no fim da sessão e conseguiu o 18º tempo, exatamente atrás de Frentzen. Não era muito, mas dava para pensar numa boa estratégia para chegar nos pontos (vale lembrar que naquele ano, apenas os seis primeiros pontuavam). Parecia ser mais um fim de semana de “Pé-de-Chinelo” para o finalista.

Porém o domingo reservou grandes surpresas. Quando acordei para assistir a corrida, já estávamos na segunda volta e as posições do grid já tinham mudado totalmente. Os dois primeiros do grid, David Coulthard, da McLaren, e Schumacher largaram mal. Mika Hakkinen, também da equipe de Woking, era o líder.

O alemão, aliás, já nem estava na corrida. Logo na primeira curva, trancou o caminho da Benetton de Giancarlo Fisichella e ambos saíram da pista em direção aos pneus. Tudo por conta de uma sina que incomodava Schumi. Já contei esta história por aqui.

As duas McLaren já disparavam na frente, enquanto algumas equipes apareciam para surpreender, como a Jordan de Jarno Trulli e a Arrows, com Pedro de la Rosa, que vinham na sequência.

Barrichello, o único com um carro capaz de bater as flechas de prata, já tinha ganho dez posições nas duas primeiras voltas. E o brasileiro partia para o tudo ou nada, mesmo tendo de parar uma vez a mais nos boxes que os demais.

Logo, foi engolindo os adversários a sua frente um a um: as Arrows de Jos Verstappen e de De La Rosa, as Jaguar de Eddie Irvine e Johnny Herbert e a Jordan de Trulli, já atingindo terceiro posto antes da primeira torca de pneus e reabastecimento.

O máximo que dava para chegar era um pódio, pois não dava para alcançar os carros prata com potentes motores Mercedes, que estavam muito longe, cerca de 20 segundos e não daria tempo para tirar esta desvantagem, com uma parada a mais.

Mas o Sobrenatural de Almeida estava presente em Hockenheim naquele dia. Além dele, um sujeito chamado Robert Sehli estava em Hockenheimring esperando uma chance de aparecer ao mundo. A explicação: Sehli fora demitido pela Mercedes poucos dias antes e ele queria protestar contra a montadora da Estugarda.

maluco

TIRA ESSE MALUCO DAÍ!!!! (ou não?)

Na volta 25, o sujeito invade a primeira grande reta do circuito alemão mesmo com carros passando a mais de 300 quilômetros por hora. Enquanto todo mundo está atônito vendo àquela cena, a direção de prova chama o Safety Car. Sehli não teve muito tempo mais para aparecer, pois fora detido pelos fiscais de pista.

Nesta altura, muitos pilotos aproveitam para entrar nos boxes e completar o tanque a fim de terminar a corrida. Como as diferenças entre os pilotos desapareceram, a roda da fortuna começou a girar.

O Safety Car saiu, mas logo voltou. A Prost-Peugeot de Jean Alesi encontrou a Sauber do herdeiro do Grupo Pão de Açúcar e do atual pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz para bater forte e rodopiar lançando as rodas pelo caminho. Só o susto ficou para ambos.

Com essas confusões, um novo drama começou a atingir os pilotos. A chuva que esteve no fim de semana inteiro finalmente deu o ar da graça. Ela só caía na parte do Estádio do longo circuito alemão, enquanto a parte da Floresta Negra ainda tinha pista seca.

Alguns rodaram, (Alexander Wurz, da Benetton, e Jacques Villeneuve, da BAR) outros foram para os boxes colocar pneu de chuva, liderados por Hakkinen. Barrichello, Coulthard, Frentzen e Ricardo Zonta (da BAR) ficaram na pista e foram para o arrisca-tudo.

O escocês desistiu ao sentir que não dava mais, o alemão abandonou com problemas de câmbio e o brasileiro da BAR acabou batendo. Apenas Barrichello manteve-se naquela loucura.

Mas Barrichello levava vantagem em uma coisa que Hakkinen: o talento na chuva. O brasileiro conseguia neutralizar qualquer vantagem que o finlandês pudesse ter nessas condições.

Aos poucos, o mundo do automobilismo mobilizou-se por aquele que estava para ser um momento memorável. Um brasileiro que entrou na F1 e logo quis assumir uma função de “messias” após a morte de Ayrton Senna, que sofreu sete anos da carreira em equipes médias e que finalmente tinha um carro de ponta nas mãos.

Até aquele dia, Rubens Gonçalves Barrichello era apenas um motivo de piada no paddock. Ninguém o levava a sério, pelo menos aqui no Brasil. Eu sempre fui um dos que mais zoava aquele piloto. Nunca fui fã dele, digo conscientemente.

barrica

Ele chegou lá!

Mas digo conscientemente também que dei o braço a torcer naquele dia. Torci como nunca para ele quebrasse um tabu de sete anos sem vitórias de pilotos da Pindorama. Emocionei-me, como muitos ao ver o ferrarista perto de alcançar o olimpo na categoria máxima do automobilismo.

Pode parecer ofensivo os últimos parágrafos, mas este era um pensamento de quem não tinha o acesso de todas as informações sobre a carreira de Barrichello, que não conhecia as suas lutas e os seus sacrifícios.

Quinze anos depois, ainda rio das piadas sobre o piloto e não nego que as faço, mas não esquecerei que ele foi grandioso em sua passagem na Fórmula 1, a que durou mais entre todos os pilotos que passaram pelo grid em todos os tempos. Por onze vezes, Barrichello alcançou o Olimpo. Sendo a primeira bastante especial.

Todo o circo da Fórmula 1 sentiu a importância daquele feito e não houve ninguém que estivesse emocionado, ou ao menos sensibilizado com o ocorrido. A narração de Galvão Bueno é perfeita com o cenário desta vitória.

Esta vitória eternizou Rubens Barrichello como um grande nome da história da Fórmula 1. E assim, este dia entrou para a história do automobilismo mundial. Um momento histórico!

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Rubens Barrichello crava melhor tempo em etapa da Stock Car

Agora vai!!! Ou...

Olha a dedada aqui tambem, meu

Rubens Barrichello deu um passo importante na busca pela sua primeira vitória na Stock Car. Neste sábado, o piloto da Medley/Full Time cravou o melhor tempo do treino classificatório na etapa de Cascavel PR, com 1m01s857.Vice-líder do campeonato, Ricardo Maurício, que soma 123 pontos, sairá em segundo 1m01s919 no grid, enquanto o primeiro colocado Cacá Bueno 124 aparece em terceiro 1m02s160. No domingo, a largada da oitava etapa do ano será às 11h30, com transmissão do Sportv.Esta foi a primeira vez que Rubinho liderou os treinos na categoria. Suas melhores colocações até então haviam sido o quartos lugares em Salvador BA e Ribeirão Preto SP. Ele já soma 11 corridas na Stock e seu melhor resultado foi o segundo lugar na Bahia, nesta temporada.O ex-Fórmula 1 já vinha dominando a classificação liderando desde os dois treinos livres. Com a volta do reabastecimento de combustível, ausente na etapa de Ribeirão Preto por ser corrida de rua, ele pretende entrar nos boxes logo na primeira janela de abastecimento, para evitar interferências externas.– Se o carro estiver bem, a tendência é que entremos logo no início da janela, para não correr o risco de sermos prejudicados com uma entrada do safety car – disse

via Rubens Barrichello crava melhor tempo em etapa da Stock Car.

Aposentar, jamais!!!

Bom dia, cabras!

Apesar da pedra estar cantada há algum tempo, a notícia “oficial” veiculada ontem espantou até o mais voraz crítico do decano da F1.

Título esse, inclusive, que ele pode perder para seu maior desafeto, caso reste confirmado sua saída da categoria.

No entanto, a saída deste que um dia suportou “todo peso do mundo em suas costas”, como cantou os Titãs em seu clássico “Marvin”, pode ser o início de uma nova era do automobilismo no Brasil.

Vejamos: existem “n” categorias do automobilismo mundo afora. Por que todos insistem em estar, quase que desesperadamente, na F1?!

A F1 já não é mais a categoria mais rápida; não temos tanta certeza de que seja a mais atualizada tecnologicamente; e seguramente já não é há um bom tempo (salvo os campeonatos de Raikkonen, Hamilton e o primeiro de Vettel) tão competitiva assim.

O simpático e, em geral, desacreditado piloto merece estar em um lugar onde o talento valha mais que a política.

Aqui achamos o “x” da questão!

A comoção causada com seu suposto final de carreira na F1 pode dar início a uma nova onda de idolatria em outra categoria, onde ele poderia mostrar, sem medo de ser esmagado por interesses alheios ao esporte, todo seu talento e vontade de vencer.

Imaginem a notícia: “Após ser rejeitado naquela que um dia foi a categoria máxima do automobilismo, piloto dá a volta por cima e ganha campeonato mundial de automobilismo.”

Imaginem a enxurrada de novos fãs! Imaginem a enxurrada de críticos (onde me incluo), que teriam que calar a boca e exaltar o talento daquele que sempre mostrou paixão pelo que faz!

A F1 perdeu a graça há muito tempo, Barrichello!

As pessoas mentem para vencer. As equipes são individualistas. Esquecem que o espetáculo se faz em conjunto.

Que bonito seria ver que um piloto, após mais de duas décadas de carreira, torna-se uma bela referência para os jovens. Já pensou que sensacional Barrichello campeão em outra categoria? Já pensou no efeito multiplicador que um fato como esses poderia causar ao automobilismo brasileiro? Já pensou a quantidade de pilotos daqui deixariam essa mentalidade pequena de estar na F1 para se dedicar a outro esporte a motor onde a esportividade fosse, de fato, o fim?!

Poucos foram aqueles que perceberam isso. Os que perceberam, no final, colheram bons frutos. Estão aí Gil de Ferran e Tony Kanaã que não me deixam mentir.

O grande problema é que foram poucos os que resolveram não cair na tentação destruidora de correr num F1.

Se os novos (e velhos) talentos retirarem as “viseiras de burro”, terão uma visão mais ampla do que acontece no mundo. Verão, como dizem os de língua inglesa, “the big picture”.

Espero um dia poder viver em uma época onde o mercado deixe de ditar as regras e os competidores lutem em condições de igualdade.

Barrichello, recomece sua carreira! Não se deixe seduzir, mais uma vez, por um amor que nunca lhe correspondeu.

por Torcedor.

Talvez essa cena seja vista com mais frequência em outras freguesias!

Se Barrichello se aposentar hoje, que o faça de cabeça erguida

Por Franklin  Gonçalves Jr.

Blog: http://franklingjr.wordpress.com/

O Barrica que queremos ver

Tenho lido no noticiário que neste momento Rubens Barrichello – recordista de participações na F-1 – está sem contrato para 2012, a Williams ainda não se manifestou a respeito da renovação, e não há notícias de conversas do brasileiro com outras equipes. Rumores de que Barrichello está prestes a deixar a F-1 não são novidade, mas não lembro de outra temporada em que essa possibilidade parece ser tão iminente quanto agora.

Não pretendo aqui, comparar os números e as estatísticas de Barrichello com os de outros pilotos – não gosto disso, pois essas comparações muitas vezes contêm pitadas de ponto de vista de torcedor e por isso tendem a favorecer um em detrimento de outro, com enorme risco de truncar contextos e portanto com potencial de provocar brigas entre fãs de um e de outro sem que nunca se chegue a um consenso. Assim, creio eu que a maioria dos argentinos considera seu conterrâneo Juan Manuel Fangio o maior piloto de F-1 de todos os tempos; aqui no Brasil, desnecessário mencionar Ayrton Senna; na Alemanha, provavelmente só dá Michael Schumacher. Quem acompanha os debates sobre automobilismo na Internet sabe como tendem a ser intermináveis e repletas de xingamentos as discussões que pretendem comparar Senna e Schumacher. E, mantendo essa linha de raciocínio, algum fã de Barrichello poderia facilmente “provar” que ele é melhor que Senna: marcou mais pontos (658 a 614). Por isso quero, tanto quanto possível, passar longe de comparações.

Susto na Jordan

O que quero dizer aqui é que, em meu ponto de vista, Barrichello pode ignorar as risadas de seus detratores e deixar a F-1 de cabeça erguida. Faço aqui um histórico que pretende fundamentar minha opinião. Em suas mais de 300 participações na categoria máxima do automobilismo, e mesmo tendo passado a maior parte da carreira em equipes cujos carros não lhe deram condições de disputar o título, o brasileiro conquistou pódios, pole positions e outros ótimos resultados em equipes como Jordan (equipe pela qual conquistou sua primeira pole, no GP belga de 1994) e Stewart. Os comentários em torno da “melhor primeira volta de todos os tempos” de Ayrton Senna, no chuvoso GP de Donnington Park em 1993, geralmente ignoram o fato de que Barrichello largou em 12º lugar no mesmo GP e, ao final da primeira volta, já estava em 4º lugar, pilotando uma Jordan, com a qual chegou a andar em segundo ao longo da corrida. Em 1994, Barrichello estava em segundo lugar no campeonato, com um 3º lugar (Aida, Japão) e um 4º lugar (Interlagos) quando sofreu o acidente em Ímola e que quase o matou. No GP do Canadá de 1995, Barrichello fez companhia em segundo lugar a Jean Alesi, por ocasião da única vitória do francês. O brasileiro terminou em segundo lugar o chuvoso GP de Mônaco de 1997 em uma Stewart que ainda estava em sua quinta participação na categoria. No GP francês de 1999, no qual marcou a pole position, liderava quando fez uma bela ultrapassagem sobre Michael Schumacher e terminou em terceiro.

Portanto, Barrichello se tornou piloto da Ferrari graças em grande parte a bons resultados em equipes modestas, sendo que o brasileiro ainda conseguiu ótimos resultados pela equipe italiana mesmo em meio a uma equipe que em várias ocasiões favoreceu claramente seu companheiro Michael Schumacher, o que inviabilizou uma disputa em condições de igualdade entre ambos, além de tirar do brasileiro as chances de tentar o título em todas as temporadas em que ambos foram companheiros de equipe.

Evidência desse tratamento desigual é o fato de que, em mais de um início de temporada, a Ferrari concedeu o novo carro apenas a Schumacher, deixando Barrichello com o carro antigo até mesmo quando o brasileiro disputava diante da torcida brasileira no autódromo de Interlagos. Na equipe, a palavra de ordem era dizer ao público que “ambos os pilotos têm tratamento igual” e mesmo Barrichello chegou a afirmar que era o piloto “1B” na equipe – afirmação que logo se provou tristemente cômica e por isso jamais devia ter sido feita.

Se já no primeiro GP o brasileiro foi chamado de “cordeiro de sacrifício” por Ron Dennis, da McLaren, devido à estratégia usada pela Ferrari e que deixou o brasileiro em 2º lugar atrás do vencedor Schumacher no GP da Austrália de 2000 (o primeiro GP de Schumacher e Barrichello juntos na Ferrari), ao longo dos demais GPs a “teoria da conspiração” de que havia um tratamento desigual deu lugar às crescentes evidências de que isso era um fato. E o fato de que na F-1 sempre houve tratamento desigual chegou, naqueles dias na Ferrari, ao que Galvão Bueno poderia chamar de “limite extremo”.

Choro acompanhado por muitos

Muitos se emocionaram com a primeira vitória de Barrichello no GP alemão de 2000, em que o brasileiro largou da 18ª posição e tomou a tão arriscada quanto corajosa decisão de continuar a correr com pneus para pista seca quando chovia forte. O GP traz à tona várias imagens incríveis, como a de um francês (cuja identidade não foi revelada pela polícia alemã) que invadiu a pista para protestar contra a Mercedes por sua demissão, o toque entre os companheiros Ricardo Zonta e Jacques Villeneuve, os mecânicos da McLaren que a certa altura foram surpreendidos pela presença de David Coulthard nos boxes, e Barrichello chorando longamente no pódio, com uma bandeira brasileira na mão.

(Lembro até hoje de um fórum de discussão sobre F-1 na Internet onde no sábado alguns participantes riam da posição de largada de Barrichello: “vai pro cantinho e chora!”. O fórum tinha média diária de umas 30 mensagens. Nos dias seguintes após o GP, não dei conta de ler as mensagens que comentavam sua vitória, pois passavam de 2 mil.)

Seu primeiro vice-campeonato, em 2002, foi conquistado em meio a circunstâncias difíceis. Naquele ano, o brasileiro abandonou os três primeiros GPs e sequer largou em outros dois; até que, num dos episódios mais lamentáveis da história da F-1, Barrichello foi obrigado a dar passagem a Michael Schumacher no GP da Áustria. Reconhecendo que o brasileiro teve sua vitória roubada pela própria equipe, a torcida austríaca gritou seu nome e vaiou Schumacher que, de tão envergonhado, sequer quis ocupar o lugar mais alto do pódio. Nenhum dos três pilotos respondeu a última pergunta feita por um jornalista na coletiva de imprensa após o GP, que queria saber: se esta é uma disputa entre equipes, por quê temos um campeonato de pilotos? Até porque, naquelas circunstâncias, a pergunta era mesmo irrespondível.

Falar o quê?

Além das piadas e das charges que começaram a circular na mesma manhã da corrida, Barrichello foi muito criticado pelo episódio no Brasil, e uma matéria da revista Exame chegou a citar a existência de uma tal “Síndrome de Barrichello”. No entanto, foi no exterior que circularam as maiores críticas à reprovável atitude da Ferrari. No GP seguinte – Mônaco – membros da Ferrari como Schumacher, Ross Brawn e Jean Todt foram estrondosamente vaiados. Parte do público chegou a devolver os ingressos que havia comprado porque não queria assistir um resultado manipulado por uma decisão tomada no conforto de um escritório. O brasileiro foi o único poupado das vaias.

O recorde de 5 títulos do mítico piloto argentino Juan Manuel Fangio foi igualado por Michael Schumacher com enorme antecipação, no GP da França daquele ano, não sem que Barrichello passasse por outra situação lamentável – àquela altura do campeonato, por coincidência ele era o único em condições de disputar o título com o alemão. Em uma situação esdrúxula no grid de largada, pouco antes da volta de aquecimento de pneus, a Ferrari estranhamente esqueceu um cavalete debaixo de seu carro (terceira foto da direita pra esquerda, no topo da página); com o carro empurrado aos boxes, o motor apagou, e o brasileiro desistiu de correr. Já estava prestes a ir embora quando soube que Schumacher havia conquistado o título e, ainda que furioso pelo episódio, teve a civilizada atitude de voltar para parabenizá-lo. Estranhamente, e num padrão que se repetiu em outras temporadas, Barrichello conquistava mais vitórias e seu carro tinha menos problemas depois que Schumacher já havia vencido o campeonato.

No GP dos EUA do mesmo ano, Schumacher conseguiu estragar os aplausos a Barrichello pelo vice-campeonato conquistado naquela etapa: sob o pretexto de que queria provocar um implausível “empate” entre dois veículos continuamente filmados e fotografados a 300 quilômetros por hora, o alemão freou seu carro a poucos metros da reta de chegada, provocando a involuntária ultrapassagem do brasileiro, o recorde de menor diferença de tempo entre vencedor e segundo colocado (0.011 segundos), e um pódio tão embaraçoso quanto o da Áustria.

O circo da estaberria

Às vésperas do GP de San Marino de 2003, Barrichello e Schumacher estavam empatados no campeonato com 8 pontos, embora o brasileiro tivesse vantagem no critério de desempate por ter obtido seus pontos em um 2º lugar no GP da Malásia (que marcava 8 pontos naquela temporada). Foi a única vez que Barrichello ficou à frente de Schumacher em um campeonato. Naquele GP, Barrichello fez uma brilhante ultrapassagem sobre Ralf Schumacher. O GP foi vencido por Michael Schumacher, no fim de semana da morte de sua mãe.

Mesmo em meio às críticas, cobranças e episódios desagradáveis, Barrichello continuou impressionando positivamente com ótimas aparições, como no GP da Inglaterra de 2003. Gracejos de Schumacher – flagrado ao rir de um erro do brasileiro durante os treinos da sexta-feira, e que ainda teve a deselegância de questionar quando foi que Barrichello o ajudou –, as duas entradas do safety car, a invasão de pista cometida pelo padre irlandês Cornelius “Neil” Horan que carregava cartazes com mensagens religiosas: nada disso impediu o brasileiro de conquistar com garra e brilhantismo uma memorável vitória, com pole, volta mais rápida e lindas ultrapassagens sobre pilotos como Ralf Schumacher e Kimi Räikkönen, que viu a asa traseira da Ferrari de Barrichello em duas belas situações. A Ferrari nada conseguiu fazer para deixá-lo atrás de Schumacher em momento algum, pois o brasileiro estava impossível. Nem mesmo o narrador James Allen da ITV britânica se conteve e chegou a gritar de tanta empolgação. Um ótimo compacto de pouco menos de 4 minutos está aqui. O único detalhe chato é que o troféu de Barrichello quebrou no aeroporto de Londres devido a alguém que esbarrou nele.

O grande momento

(“What on Earth are you doing?”, ou “que raios você está fazendo?”, questionou o comentarista e ex-piloto de F-1 Martin Brundle ao ver a cena da invasão de pista. Brundle, que foi companheiro de Barrichello na Jordan em 1996, certamente não tinha como adivinhar que numa cena bizarra, que ocorreria no ano seguinte, o mesmo sujeito invadiria a maratona de Atenas e derrubaria o brasileiro Vanderlei de Lima.)

Ao final do mesmo ano, a brilhante vitória no Japão, além de ajudar a Ferrari a conquistar o título de construtores, ajudou um totalmente atrapalhado Michael Schumacher (bateu o bico do carro na traseira de Takuma Sato, rodou na pista com o irmão Ralf, e terminou a corrida em um fraco 8º lugar) a conquistar seu sexto título. Essa foi a resposta de Barrichello a uma pergunta que Schumacher nunca devia ter feito.

Uma sequência de segundos lugares, ótimas ultrapassagens como a que fez sobre Jarno Trulli no GP da França de 2004 rumo ao 3º lugar, além das belas vitórias na Itália e na China no mesmo ano: tudo isso o ajudou a conquistar o segundo vice-campeonato.

Mas, a partir de 2005, sua carreira parecia ter entrado em queda livre. Barrichello terminou a temporada na 8ª posição e, numa reação ao tratamento que recebia da Ferrari, optou por deixar a equipe rumo à Honda. Mas, em se tratando de resultados na pista, a decisão não o beneficiou. A performance em três temporadas pela nova equipe foi fraca, situação que atingiu seu auge em 2007, quando pela primeira vez o brasileiro terminou uma temporada sem ter marcado ponto algum. O terceiro lugar no GP inglês de 2008 foi muito festejado tanto por ele quanto pela equipe, mas parecia ser um ponto fora da curva numa carreira que parecia decadente, prestes a chegar ao fim.

O renascimento

Mas, quando parecia prestes a fazer uma mera despedida de luxo da F-1 por uma equipe novata, Barrichello ressurgiu em 2009 graças ao ótimo carro da Brawn GP/Mercedes, que lhe propiciou momentos históricos como a 100ª vitória do Brasil, conquistada no GP de Valência, além da bela vitória no GP da Itália. Em minha opinião, essa temporada foi a única onde ele realmente teve chances de disputar o título.

Diante de tudo isso, hoje é uma pena ver que, após o início da temporada 2010, seu sonho de pilotar pela Williams tenha se transformado em resultados frustrantes. Um quarto lugar no GP da Europa de 2010 foi o melhor que conseguiu até agora. Mas essa frustração não deixou de proporcionar episódios memoráveis, como sua valente ultrapassagem sobre Michael Schumacher no GP da Hungria de 2010.

Último show?

Mesmo que a temporada 2011 seja sua última, com apenas 4 pontos, e apesar de não ter liderado nenhuma das temporadas que disputou em momento algum, em minha opinião Barrichello não tem o que lamentar. Um dos melhores pilotos que jamais conquistou o título, recordista absoluto de temporadas e de participações em GPs (creio eu que um piloto realmente ruim não teria durado tanto), Barrichello faz parte de um invejável clube que reúne outros grandes pilotos cuja maior conquista foi o vice-campeonato. Basta dizer que a mesma lista em que se encontra o nome de Rubens Barrichello também apresenta nomes de gigantes da F-1 como Ronnie Peterson (vice em 1971 e 1978), Gilles Villeneuve (1979), Wolfgang von Trips (1961), Michele Alboreto (1985) e o mítico Stirling Moss, tetra-vice entre 1955 e 1958. Ao ver o nome de Barrichello em meio a esses nomes, eu pergunto: qual o problema em ser vice-campeão?

As cobranças para que Barrichello se tornasse um “substituto” de Ayrton Senna logo após a morte deste são, portanto, descabidas. Barrichello construiu seu próprio caminho. É um dos grandes nomes do automobilismo mundial, sem precisar imitar ou “substituir” quem quer que seja.

Números pouco dizem, pois não mostram as circunstâncias em que foram obtidos e formam apenas uma estatística. É por isso que dois vice-campeonatos, se observados apenas pelo fato de serem números, parecem apenas dizer que seu dono não foi campeão.

Mas Barrichello, dono desses dois vice-campeonatos, não tem do que se envergonhar.

Creio eu que os motivos estão bem claros.

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Quer escrever para o F1 Social Club? Só mandar a sua sugestão alí ao lado que a gente analisa e manda bala! Beleza? Abraço! Eduardo Casola Filho

Felipe Massa é o melhor piloto do mundo…no momento.

'Ainda pego esse remador...'

Se chovesse todos os dias, e ao invés de corridas, tivessemos apenas treinos livres na melhor categoria do automobilismo mundial, o título do post seria vero, mas…

Apenas uma brincadeirinha, hehe…

Choveu pra caralha em Silverstone. O melhor tempo, na verdade, foi de Ray Pennybody, um remador local, que atravessou o circuito com seu bote à motor em 1min47s999, quando soube que havia uma foto de Pippa Middleton do outro lado do circuito. Claro, ele cortou todas as chicanes e zebras para conseguir tal feito. Aliàs, ele foi em linha reta, tal o aguaceiro que se instalou na terra da rainha.

Abaixo segue os tempos da segunda sessão livre de treinos para o GP da Inglaterra.

1.  Felipe Massa Al Dente — Ferrari – 1min49s967 (9 voltas)
2.  Nico Queima-Rosca— Mercedes — a 0s777 (16)
3.  Kamui Koba-san— Sauber — a 1s428 (16)
4.  Cirilo— McLaren — a 1s471 (6)
5.  Jenson Button — McLaren — a 1s551 (6)
6.  Adrian Nada Sutil – Force India — a 1s771 (18)
7.  Paul di Resta – Force India — a 1s814 (7)
8.  Rubens Barrivelho — Williams — a 2s025 (13)
9.  Sergio Perez Hilton — Sauber — a 2s202 (12)
10.  Sebastien Malemi- Toro Rosso — a 2s222 (21)
11.  Vitaly Petrov – Lotus Renault — a 2s231 (9)
12.  Queixudo— Mercedes — a 2s358 (12)
13.  Heikki Kovalento – Lotus-Renault — a 2s611 (16)
14.  Mark Webber – Red Bull — a 2s620 (6)
15.  Fernando Malonso — Ferrari — a 2s902 (8)
16.  Nick Ruimdfeld — Lotus Renault — a 4s056 (8)
17.  Jaime Alguersuari – Toro Rosso — a 4s307 (16)
18.  Sebastian Vettel – Red Bull — a 4s578 (4)
19.  Jerome D’Ambrosio — Virgin — a 4s747 (13)
20.  Padre Maldonado — Williams — a 5s188 (8)
21.  Jarno Trulli — Lotus — a 5s188 (12)
22.  Timo Glock — Virgin — a 5s582 (10)
23.  Vitantonio Lentiuzzi — Hispania — a 6s070 (6)

por Escritor Misterioso.

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