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Fórmula 1, não posso parar de te amar!!!

Grande trabalho, galera. Vocês fizeram um grande campeonato!!!

Não há outras palavras para descrever o GP Brasil. Uma das corridas mais sensacionais de todos os tempos. Um final digno da temporada que foi uma das melhores da história. Algo que Hollywood não poderia escrever melhor. É a despedida do certame sensacional. A chuva foi a aliada, caindo na medida certa e na hora certa das emoções. Se acham que exagero, perguntem a Nelson Piquet, o mestre de cerimônias no pódio de hoje.

O vencedor foi o simpático Jenson Button. A vitória veio meio que na sorte, mas o britânico teve a competência para se manter com slick no aperto do começo da prova e contou com o enrosco entre Lewis Hamilton e o surpreendente Nico Hulkenberg. Para Lewis, o fim da corrida foi o fim da sua era em Woking, sendo bem aplaudido nos boxes. mas a vitória deu um alento para a McLaren, que teve o carro mais rápido em muitos momentos, mas os acasos não a deixaram nem com o vice-campeonato.

A Ferrari conseguiu o vice nos construtores e nos pilotos. Fernando Alonso se aguentou o quanto pode e andou no ritmo que a Ferrari lhe permitia. Mas o segundo lugar não lhe foi o suficiente para fazer o caneco. É de fato muito injusto ele ficar sem a taça pelo nível de seu talento e nunca desistiu, lutou até o fim. Caiu em pé! Mas como só um pode ganhar, a dama do destino não quis assim. Fica para 2013.

Felipe Massa fechou bem a temporada. O brasileiro fez uma super largada, chegando a ficar em segundo, depois sofreu com os pneus, teve que fazer duas paradas quase que seguidas, mas se recuperou bem e andou num bom ritmo. Só não subiu mais, pois tinha de ajudar Alonso. Mas o terceiro lugar, um pódio em casa, é mais um grande resultado, simbolizando o bom final de campeonato que fez. Chorou no pódio e bateu no peito, como em 2008. Saiu de bem com todo mundo no autódromo.

Mark Webber ficou em quarto lugar, numa corrida sem brilho, com rodada e alguns problemas. Com isso fechou o ano em sexto lugar, bem longe de fazer qualquer ameaça na briga pelo título, como chegou a se pensar na metade do ano.

Já o Hulk fez uma bela corrida. Assumiu a terceira posição a partir da segunda volta e ficou no ritmo das McLaren. Passou Button por fora no S do Senna, assumindo a liderança e dominou a maior parte da prova. Com o retorno da chuva, o alemão deu uma escapada e perdeu a ponta para Hamilton, tentou recuperar enquanto o inglês estava enrolado com os retardatários e na tentativa, o piloto de Force India escorregou e tirou o campeão de 2008 da disputa. Tomou uma punição mas ainda somou pontos consistentes para a equipe.

Não é qualquer um para montar no Touro Vermelho

E chegamos ao principal personagem da corrida. Sebastian Vettel viveu uma epopeia. Levou um toque de Bruno Senna e rodou. Voltou em último, foi galgando posições e em poucas voltas voltou a zona de pontuação. Tomou alguns sustos, como a perda de parte da asa na metade da corrida, decorrência do toque, além de disputas ferrenhas com Kamui Kobayashi. Segurou a sexta posição. O safety-car causado por Paul di Resta na penúltima volta, depois de bater no Café, foi o alívio definitivo e o começo da festa da turma dos energéticos.

Vettel é o mais jovem tricampeão da história. Agora ele faz parte de um clube, com Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Podem falar que é o carro com treta e tudo, é o Adrian Newey (tudo bem que o cara é gênio nas pranchetas), mas o fato é que o alemão corresponde na pista. Bem-vindo ao clube dos gênios, Sebastian!

Em sétimo, a posição que remete a quantidade de títulos na carreira, ele: Michael Schumacher. E ele até fez uma corrida de despedida interessante. Teve os velhos problemas de pneus, levou algumas ultrapassagens, mas fechou pontuando e sem cometer excessos. Foi uma despedida boa, se levar em conta a segunda passagem, E a título de curiosidade, o pódio da primeira despedida, em 2006 foi exatamente com Button, Alonso e Massa (não nessa ordem, já que a corrida daquele ano foi vencida pelo Felipe).

O oitavo lugar foi de Jean-Eric Vergne, somando mais pontinhos para a Toro Rosso e sendo mais eficaz que seu companheiro Ricciardo, apesar do australiano ser mais constante. Os dois ainda quase se enroscaram no começo da prova, mas no fim o francês teve uma melhor tática de pneus e terminou entre os dez primeiros.

O nono posto foi pouco para a corrida do mito Kamui Kobayashi. O japa andou de igual para igual até mesmo com os postulantes ao título trocando ultrapassagens com Alonso e Vettel. No final, tentou passar Schumacher e levou a pior. Somou dois pontos nesta que pode ser sua última corrida na Fórmula 1. tomara que os deuses do automobilismo permitam que haja verba suficiente de patrocinadores para colocá-lo no grid em 2013, de preferência na Force India, que é o melhor lugar disponível.

O último pontuável foi Kimi Raikkonen, que teve uma corrida muito estranha. Rodou e escapou algumas vezes. Uma muito comédia, inventando um novo caminho usando o velho traçado. Ainda somou um ponto, fechando a temporada num excelente terceiro lugar e terminando todas as corridas. Uma ótima marca no seu retorno.

Fora dos pontuáveis, batalha tensa e o 11º lugar de Vitaly Petrov garante além do melhor resultado da história da Caterham, garante a décima posição nos construtores para a equipe de Tony Fernandes, ficando à frente de Charles Pic por muito pouco. Pic, que estará na equipe verde a partir de 2013, enquanto a segunda vaga ainda está disputada por 237 pilotos diferentes.

Da turma que abandonou, além de Hamilton, ficou o Primeiro-Sobrinho, que quase arrancou Vettel da prova e deu o caneco para Alonso, junto com Sergio Perez, colhido na encrenca e terminando a temporada zerando em todas as provas depois que assinou na McLaren. Pastor Maldonado também se achou na primeira volta, embora a TV não tenha notado e Romain Grosjean achou os pneus na Junção, para confirmar a fama dos dois.

Bom é isso. Foi-se mais um ano e mais um campeonato. Que irá entrar para a história da Fórmula 1 como um dos melhores de todos os tempos. E a corrida final foi a representação desse ano. Espero que todos tenham curtido a nossa cobertura e em 2013 vem mais. Parabéns a todos que estão aqui e até 17 de março de 2013, com o GP da Austrália!

(P.S. Mas não deixem de frequentar o blog, pessoal, tem muito mais coisa a se falar durante a Silly Season e teremos muita coisa para falar, além da premiação do FUFA Awards 2012!!!)

Beijos e abraços!

1 – Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes): 1h45m22s656 (71 voltas)
2 – Fernando Alonso (ESP/Ferrari): a 2s754 (71)
3 – Felipe Massa (BRA/Ferrari): a 3s615 (71)
4 – Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault): a 4s936 (71)
5 – Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes): a 5s708 (71)
6 – Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault): a 9s453 (71)
7 – Michael Schumacher (ALE/Mercedes): a 11s907 (71)
8 – Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari): a 28s653 (71)
9 – Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari): a 31s250 (71)
10 – Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault): a 1 volta (70)
11 – Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault): a 1 volta (70)
12 – Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth): a 1 volta (70)
13 – Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari): a 1 volta (70)
14 – Heikki Kovalainen(FIN/Caterham-Renault): a 1 volta (70)
15 – Nico Rosberg (ALE/Mercedes): a 1 volta (70)
16 – Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth): a 1 volta (70)
17 – Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth): a 2 voltas (69)
18 – Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth): a 2 voltas (69)
19 – Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes): a 3 voltas (68)

Não completaram:
20 – Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes): 54 voltas
21 – Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault): 5 voltas
22 – Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault): 1 volta
23 – Bruno Senna (BRA/Williams-Renault): 0
24 – Sergio Perez (MEX/Sauber-Ferrari): 0

Volta mais rápida: Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) 1:18.069 (38)

Campeonato de pilotos (final)

1. Sebastian Vettel 281
2. Fernando Alonso 278
3. Kimi Raikkonen 207
4. Lewis Hamilton 190
5. Jenson Button 188
6. Mark Webber 179
7. Felipe Massa 122
8. Romain Grosjean 96
9. Nico Rosberg 93
10. Sergio Perez 66
11. Nico Hulkenberg 63
12. Kamui Kobayashi 60
13. Michael Schumacher 49
14. Paul di Resta 46
15. Pastor Maldonado 45
16. Bruno Senna 31
17. Jean-Eric Vergne 16
18. Daniel Ricciardo 10
19. Vitaly Petrov 0
20. Timo Glock 0
21. Charles Pic 0
22. Heikki Kovalainen 0
23. Jerome D’Ambrosio 0
24. Narain Karthikeyan 0
25. Pedro de la Rosa 0

Campeonato de construtores (final)

1. Red Bull-Renault 460
2. Ferrari 400
3. McLaren-Mercedes 378
4. Lotus-Renault 303
5. Mercedes 142
6. Sauber-Ferrari 126
7. Force India-Mercedes 109
8. Williams-Renault 76
9. Toro Rosso-Ferrari 26
10. Caterham-Renault 0
11. Marussia-Cosworth 0
12. HRT-Cosworth 0

Disputas em corrida (final)

Disputas em Corrida

Vettel 13 X 7 Webber
Button 9 X 11 Hamilton
Alonso 18 X 2 Massa
Schumacher 11 X 9 Rosberg
Raikkonen 17 X 2 Grosjean
Raikkonen 1 X 0 D’Ambrosio
Di Resta 9 X 11 Hulkenberg
Kobayashi 10 X 10 Perez
Ricciardo 11 X 9 Vergne
Maldonado 9 X 11 Senna
Kovaleinen 10 X 10 Petrov
De la Rosa 15 X 4 Karthikeyan
Glock 13 X 7 Pic

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Vá em paz, Lola!

Lola da Rebbellion-Lotus na LMP1, durante as 6 Horas de São Paulo. A última vez no Brasil

Uma notícia muito triste aconteceu hoje no mundo do automobilismo: a Lola fechará as portas. A marca que esteve envolvida com muitas categorias do automobilismo mundial e fez bólidos históricos não sobreviveu a uma dívida de 58 milhões de reais e terá toda a sua estrutura desmanchada e vendida em partes, já que não teve um comprador interessado em comprar as intalações.

Uma escuderia, fundada em 1958 por Eric Broadley, que obteve histórias marcantes na Indy e em categorias de base, com vários títulos, teve participações muito significativas no endurance, mas sentiu a lacuna de não ter sucesso na F1, a área que eu mais conheço historicamente e que falarei mais. E tentativas não faltaram.

Carro de John Surtees em 1962

E olha que no começo as coisas andaram bem. Na primeira corrida, na Holanda conseguiu uma pole, com John Surtees, mas o inglês se envolveu em um acidente. Essa seria a única vez que um carro produzido faria esse feito. E durante os anos 60 foram muitas chances, parceria com a equipe de Reg Parnell, onde talvez tenha pego todo o azar do Chris Amon, que sentou no cockpit algumas corridas, parceria com BMW, até ter uma vitória em 1967 no GP da Itália, em Monza, com Surtees, que era da equipe Honda. Um “Hondola” como chamaram.

Nos anos 70, a equipe fez uma parceria com a recém-criada Embassy-Hill, cujo dono era o Mr. Graham, pai do Damon, o primeiro rei de Mônaco, mas a equipe do dono da tríplice coroa resolveu botar a mão na massa e criar o carro do zero.

Tentativa com patrocínio da Beatrice em 1986

Chegaram os anos 80 e a marca era uma das principais da Indy, além de possuir um belo aparato nas categorias de base. Carl Haas, sócio do ator Paul Newmann na tradicional equipe dos States decidiu colocar em prática um novo projeto na F1. Com o apoio da empresa alimentícia Beatrice, saiu o carro rubro-azul, com motor Ford e a experiente dupla Alan Jones e Patrick Tambay. Fez algumas corridas para amaciar no final de 1985 e partiu para a temporada completa em 1986. Resultado: seis míseros pontos e o arrependimento dos ianques.

Nestes anos 80, a fábrica se manteve por mais tempo, graças a uma parceria com Gerrard Larrousse, E esse era um carro que não durava muito pois passou nas mãos de alguns bondes como Phillippe Alliot, Yannick Dalmas e Pierre-Henry Raphanel, além de um desacreditado Michele Alboreto, longe de sua melhor forma. Eric Bernard e Aguri Suzuki foram mais regulares, com o japonês chegando ao pódio no GP da sua casa, em 1990, algo que foi repetido nesta semana com Kamui Kobayashi na Sauber.

Alboeto, longe dos melhores dias, guiou pela equipe em 1993

A parceria com a Larrousse acabou em 1991, dois anos depois foi a vez de assumir a bronca deixada pela Dallara e servir carros para a bonita (na minha opinião) carroça da Scuderia Italia, contando novamente com Alboreto e com Luca Badoer, que trouxe os motores Ferrari, mas nem assim, a equipe engrenou. Esse foi o último ano.

Porém, o sonho de brilhar na categoria máxima estava traçado. O planejamento era estrear em 1998, com um projeto inovador, e com muita pompa. E conseguiu alguns apoios como a Pennzoil e, principalmente a Mastercard.

Aí é que a porca torceu o rabo. A operadora de cartões pediu para colocar o carro na pista já em 1997 para fazer o investimento. Broadley cedeu e pegaram alguns projetos usados na Indy, um motor de 1995 da Ford, juntaram as tralhas, chamaram o italiano Vicenzo Sospiri e o brasileiro Ricardo Rosset e partiram para a Austrália, na abertura do mundial.

E reclamam ainda da Hispania…

Resultado: tempos de volta de ONZE a TREZE segundos mais lento que dos ponteiros. Com a regra de 107% em vigor, obviamente não deixaram as duas banheiras entrarem no grid. Para a Mastercard era uma humilhação que dinheiro nenhum compraria uma reparação, então mandou adeus para a Lola e cortou os investimentos. Chegando a Interlagos, sem eira, nem beira, a equipe pediu falência e nunca mais ousou disputar uma corrida de Fórmula 1

Mas o desejo ainda não tinha acabado. Em 2009 tentou uma vaguinha na seletiva da FIA e foi preterida pelas equipes que hoje são as nanicas do grid: Lotus (hoje Caterham), Manor (depois Virgin e depois Marussia), Campos (hoje Hispania, HRT, HPV, depende do gosto do freguês) e até dos fanfarrões da USF1 que nem saiu do papel. Tentou também fornecer o chassi para a Indy de novo, concorrendo com o Delta Wing e com a Dallara, e apesar de ter um projeto parecido com atual DW12, foi preterido.

Havia também um desejo de entrar na F1 de novo em 2014, com as novas regras que virão. A escuderia fornecia chassis para o WEC, que correu em Interlagos. Agora, será mais uma construtora que ficará nas lembranças dos fanáticos por automobilismo. Adeus Lola!

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