Papo-Cabeça

O Brasil que os brasileiros não conseguem enxergar

(Parte 1)

Capa de 'O Segundo Mundo'

Desde que me tornei pai incluí, entre as muitas preocupações que sempre me assombraram, uma pontual com o futuro da nossa civilização. Pode soar arrogante externar algo assim, porém, os caminhos que a humanidade tem escolhido na última década me deixaram apreensivo sobre o tipo de vida que minha filha vai ter de enfrentar num futuro imediato.

E não me refiro unicamente à indústria da catástrofe que a mídia insiste em vender sem bula ou recomendação médica, embora seja assustador o modo como a Terra tem reagido às agressões do homem. Também me preocupa encontrar meios adequados de ensinar aos nossos pequenos terráqueos como lidar com o excesso de informação e tecnologia que já os atropela impiedosamente desde os primeiros meses de vida.

Acompanhando o Mike e lendo vocês pude ampliar, nesses quase três anos de convivência, um pouco do que pensava de maneira intuitiva sobre a alma do brasileiro e em especial sobre esse doentio complexo de vira lata que permeia por sobre cada mitologia que semana após semana  se cria, convenientemente, sobre este fantástico país.

Tenham certeza, brasileiros e brasileiras, que as pessoas minimamente inteligentes deste planeta admiram profundamente o Brasil.

Confesso que há tempos venho pensando que de nada adianta acumular informações sem compartilhá-las e como não sou professor nem trabalho numa área que me dê prazer ou mesmo goste, alivio minha frustração com leitura, sendo justamente um capítulo especial de um excelente livro que me motivou a escrever e transcrever este artigo.

Antes de postar o texto, que tenho que dividir em partes para lançar em dias diferentes por ser um pouco extenso, devo descrever um pouco do conteúdo dessa obra e da biografia do seu jovem autor, o indiano naturalizado norteamericano Parag Khanna.

“O Segundo Mundo” é um livro que fora lançado recentemente (2008) e se trata de uma investigação, segundo o jornal ‘The Washington Post’, “(…) notável, fundamentalmente por sua análise (…) de uns cem países transicionais como o Brasil, a Ucrânia e o Irã, que não se qualificam nem como ricos e avançados Estados industriais, nem como nações menos desenvolvidas.”

Ainda segundo outra análise, o ‘The New York Times Book Review cita que “Khanna atravessa o mundo com uma tese poderosa: na era pós-colonial, pós-Guerra Fria, três superpotências emergiram com um apetite super voraz por energia e recursos naturais. Incansavelmente, procuram parcerias entre as economias emergentes dessa segunda divisão na América Latina, no antigo bloco soviético, no Oriente Médio e na Ásia (…) Como um guia turístico da geopolítica, ele se movimenta pelos países do Segundo Mundo para avaliar as perspectivas, digamos, da Rússia ou da Malásia, e observar como as superpotências fazem seus rituais de aproximação.”

Definindo os impérios de uma suposta nova ordem global como Estados Unidos, União Européia e China, Khanna faz questão de frisar dois pontos fundamentais na sua pesquisa – que além de longas visitas ‘in loco’ ainda se valeu de uma bibliografia com mais de mil títulos, entre obras de sociólogos, cientistas políticos e filósofos – que serão redefinidos exaustivamente por todo o livro: a importância da ‘geopolítica’ e da ‘globalização’ para a Sociologia moderna a partir do momento em que esclarece a globalização como principal campo de batalha da geopolítica, sendo esta última a relação entre poder e espaço no âmbito das nações e partindo do princípio de que ‘globalizar’ é ampliar e o aprofundar as ligações entre os povos do mundo por meio de todas as formas de troca.

Vejamos então, como o Brasil é analisado de dentro pra fora e de fora pra dentro por este que é pesquisador sênior e diretor de Iniciativa de Governança Global do Programa Estratégico Americano da New American Foundation, nascido na Índia, criado nos Emirados Árabes Unidos, nos EUA e na Alemanha, trabalhou para o Foro Econômico Mundial em Genebra e para o Conselho de Relações Exteriores, além de ser consultor de política externa de Barack Obama e colaborador de publicações como The New York Times e Financial Times.

“O Segundo Mundo” (The Second World), de Parag Khanna

Tradução de Clóvis Marques e publicado pela Editora Intrínseca

Capítulo 18

Brasil: o pólo sul

Impressionado com um mapa mostrado durante sua visita a Brasília em 2005, o presidente George W. Bush deixou escapar: “Uau! Como o Brasil é grande!” Achar que o Brasil é apenas mais um país sulamericano, deixando de reconhecer que é ele o incontornável fato geográfico do continente, é um erro americano frequente.

O Brasil é o equivalente dos Estados Unidos na América do Sul. Só pelo seu tamanho, é ele – e não a Venezuela – o líder natural do continente. Ocupando cerca da metade do continente, tem fronteiras com todos os demais países, exceto com o Chile e o Equador. “Nossa auto-imagem é, nem mais nem menos, a de um princípio organizador do continente – não para substituir os Estados Unidos, como gostaria a Venezuela, mas para atuar ao lado deles”, explicou um ex-diplomata que vive em São Paulo. O Brasil é o ímã da América do Sul, atraindo mão-de-obra e investimento de todos os lados. Sem pretensões de se tornar uma potência militar competitiva, o Brasil tem um papel global fundamentado exclusivamente em seus recursos ambientais e no enorme tamanho de sua economia, e, por sua vez, as ambições geopolíticas da America Latina dependem quase inteiramente dele. Mas essas aspirações só se tornarão realidade se o Brasil for capaz de transpor abismos tão profundos quanto são diversificadas sua paisagem e sua população.

O clima abençoado das luxuriantes regiões central e sul do Brasil faz do país o maior exportador mundial de carne, laranja, açúcar, café, aves, suínos e soja. Mas, apesar de exportações que se aproximam dos 100 bilhões de dólares anuais, a agricultura, na verdade, representa apenas 10% da economia do país, uma das dez maiores do mundo. Mais de 80% das quinhentas maiores empresas do continente são brasileiras. Depois de Toulouse (sede da Airbus) e Seattle (sede da Boeing), São Paulo é o mais importante centro mundial de concepção e fabricação de aviões – além de ser a segunda cidade global da América Latina (ao lado de Miami). A descoberta de enormes lençóis de petróleo e gás no litoral atlântico também elevou o status do Brasil no comércio energético global.

É Brasil, seu Fidel...

Foram necessárias três revoluções para que o Brasil se tornasse a grande potencia da América Latina. A derrubada da monarquia no fim do século XIX abriu caminho para o domínio de clãs provinciais sobre produtos essenciais como o açúcar e o café, mas a queda vertiginosa dos preços resultou numa maior centralização em 1930. Viriam em seguida o boom dos investimentos estrangeiros na década de 1950 e o desenvolvimento dos setores siderúrgico e automobilístico. As rivalidades entre os aristocratas industriais e os proprietários de terras culminaram no golpe de 1964, dando início a 20 anos de autoritarismo burocrático. Como no Sudeste Asiático, um “milagroso” índice de crescimento de 10% pôde ser sustentado durante quase uma década por meio de políticas de substituição de importações, para superar a submissão aos produtos estrangeiros, mas a desigualdade de renda atingiu recordes mundiais. Na década de 1980, entraram em colapso tanto o boom econômico quanto o regime militar.

Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo de esquerda que fugira da ditadura exilando-se no Chile e na França, chegou à presidência com a tese de que, embora solape o poder do Estado, a globalização exige uma expansão do mandato do Estado além dos terrenos da ordem pública e da política externa, abrangendo os direitos humanos, a igualdade social e a proteção ambiental. E como a globalização enfraquece o domínio burguês, é necessária uma democracia mais forte para ser mediadora entre grupos de interesse cada vez mais poderosos, representando os capitalistas, os sindicatos e os pobres. Mas Cardoso herdou um país sem disciplina fiscal, carecendo até de um ministério do orçamento. Enquanto ele supervisionava a desregulamentação da economia brasileira, fomentando o comércio regional, os déficits crescentes e a desvalorização monetária sobrecarregavam o país com uma dívida maciça. Em todos os países do Segundo Mundo que se tornaram insolventes no pagamento de uma dívida insustentável, as conseqüências sociais foram traumáticas, e no Brasil não foi diferente. No fim da década de 1990, as favelas de São Paulo aumentavam enquanto o centro se congelava, paralisado pelo aumento da criminalidade, principalmente homicídios e sequestros.

Esperava-se que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, assinalasse uma virada para maior foco na igualdade social, mas o sistema governamental brasileiro ainda estava preso aos padrões excessivamente descentralizados do desequilibrado sistema de poder municipal do início do século XX. Como certas cidades-chave são geridas por um restrito grupo de capitães da indústria e empresas multinacionais, a autoridade do Estado continuava demasiado fraca para promover a redistribuição. A falta de legislação tributária viável perpetuava a evasão fiscal e outras artimanhas, equiparando o tamanho estimado da economia informal ao da economia oficial: mais de 800 bilhões de dólares. Sucessivos escândalos de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores de Lula resultaram na piada de que ele era tão corrupto que “Chávez aprendeu tudo com Lula!”. Em 2006, ninguém menos que o governador de São Paulo chegou a ameaçar a posição de Lula na disputa pela reeleição.

Pautando-se pelo mito nacional do status equivalente ao dos Estados Unidos, o Brasil sempre negociou em múltiplas direções, perseverando em seu empenho de se tornar a âncora da diplomacia latinoamericana (apesar da língua portuguesa). Seu serviço diplomático, altamente profissionalizado, o Itamaraty, é a principal burocracia (o autor se refere ao conceito de burocracia definido por Max Weber). Durante a Guerra Fria, o Brasil posicionou-se firmemente ao lado do “Gigante do Norte”, e desde a descolonização da década de 1960 vem desempenhando papel-chave nas questões ambientais e de desenvolvimento, tendo o Rio de Janeiro abrigado  em 1992 a famosa Eco-92, ou a II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Entretanto, assim como não foi capaz de conseguir um lugar no Conselho da Liga das Nações na década de 1920, sua recente candidatura a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas não recebeu muito apoio sequer entre os vizinhos latinoamericanos, que pensavam que o Brasil, apesar de sua retórica de “diplomacia da generosidade”, tentava na verdade deixá-los para atrás, em vez de levá-los junto. Com o crescimento de sua economia lançando pontes Sul-Sul em todo o mundo em desenvolvimento, contudo, o amadurecimento diplomático do Brasil acabou por se impor na arena crucial do comércio global.

O Brasil transformou o futebol numa arte, e não surpreende, assim, que saia tão bem em negociações às vezes comparadas a simultâneos jogos de futebol num mesmo campo, sem que ninguém saiba a quantas anda o placar e em meio a constantes mudanças de time, embora, com toda a exaustão, todos continuem jogando. Meio século depois de a indústria siderúrgica brasileira ter contribuído para o esforço de guerra americano na Segunda Guerra Mundial, os EUA bloqueiam de maneira oportunista as importações de aço brasileiro. Na reunão ministerial da OMC realizada em 2003 em Cancun, o Brasil assumiu a liderança na formação da coalizão do G-20, com a China, a África do Sul e a Índia. Apesar das tentativas dos EUA de convencer os países em desenvolvimento a se afastarem do bloco do G-20, a maioria continua fiel as suas propostas de reforma do comércio global (especialmente na denúncia dos subsídios agrícolas do Primeiro Mundo), o que finalmente permite o surgimento de uma contraposição coerente aos EUA e à União Européia. Nas negociações de livre comércio, as exigências brasileiras de compensação para a assimetria causada pelos subsídios constituem importante exemplo de um país do Segundo Mundo fazendo frente ao Primeiro Mundo, de uma forma que não está ao alcance do Terceiro Mundo. O Brasil chegou, inclusive, a impor reciprocidade na exigência de visto para a entrada de americanos (o único país latinoamericano a fazê-lo), enquanto os europeus entram sem problemas.

(fim da primeira parte)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

O Brasil que os brasileiros não conseguem enxergar

(Parte 2)

Um país além das favelas...

No prefácio de “O Segundo Mundo”, Parag Khanna cita como fonte de inspiração a mais extensa obra em língua inglesa já escrita (doze volumes), “Um estudo da história”, do inglês Arnold Toynbee, segundo Khanna a mais coerente abordagem das civilizações humanas de que se tem notícia. Junto com o diário de uma viagem de navio de dezessete meses que Toynbee realizou de Londres para a América do Sul e seguindo para a bacia do Pacífico, o sul da Ásia e o Oriente Próximo (“Do Oriente ao Ocidente: uma viagem ao redor do mundo”), Khanna encontrou nesses tratados dois guias seguros para organizar e estruturar “O Segundo Mundo” como uma de vanguarda para a Sociologia contemporânea. E porque a Sociologia se tornaria um instrumento cada vez mais fundamental para discernir sobre o complexo e antinatural ambiente no qual fomos jogados pelo impiedoso século XXI? Porque as demais ferramentas de que dispomos no âmbito das ciências humanas são unilaterais e insuficientes para nos dar uma idéia precisa da realidade global em que estamos inevitavelmente inseridos.

O trabalho do escritor indiano, precedido pelo do inglês, tanto na pesquisa quanto nas viagens, nos ajudam a compreender melhor as relações de poder que existiram, existem e sempre existirão no competitivo rol das ‘castas’ divisoras de nações, a saber, Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo. Como diferenciá-los?

Os países estáveis e prósperos do Primeiro Mundo basicamente se beneficiam da ordem  internacional que hoje prevalece. Por outro lado os países pobres e instáveis do Terceiro Mundo não foram capazes de superar sua posição de desvantagem  nessa ordem. Os países do Segundo Mundo ficam no meio. Em sua maioria apresentam os dois tipos de características, internamente divididos entre vencedores e perdedores, entre os que têm e os que não têm. Como irão reagir os países segundo-mundistas: rechaçando, dividindo-se ou fundindo-se numa mistura?

Em sua análise, Khanna procura fugir das teorias que vêem o mundo em função do que deveria ser, e não do que realmente é. Como a pauta da corrupção sempre salta aos olhos quando falamos do Brasil e eventualmente de similares como a Rússia, guardadas as devidas proporções e diferenças caso a caso, tal flagelo é praticamente invisível no Primeiro Mundo, desenfreado no Terceiro e sutil no Segundo, embora Brasil e Rússia tenham graves problemas nesse sentido, um, com sua evolução cerceada por uma longa e bovina ditadura militar, outro, pelos anos de isolamento e megalomania dos tempos da Cortina de Ferro.

Eu, enquanto homem curioso e declarado amante da Sociologia preciso de gente como Parag Khanna para saciar minha sede por conhecer os caminhos labirínticos das relações internacionais e já que não navego, somente vivo, é nas páginas de argonautas como Khanna que encontro uma quase plena satisfação, se é que isso existe.

“O Segundo Mundo” (The Second World), de Parag Khanna

Tradução de Clóvis Marques e publicado pela Editora Intrínseca

Capítulo 18

Brasil: o pólo sul (parte final)

A evolução interna e diplomática do Brasil corre paralela à da China: em seu movimento de saída do Terceiro Mundo, ambos são considerados seus líderes naturais. Quase metade das exportações brasileiras destina-se atualmente a países em desenvolvimento, e o Brasil promove importantes reuniões de cúpula para fomentar o comércio com a China e com os países árabes. A “aliança estratégica” que se desenvolve entre o Brasil e a China é uma demonstração de que os Estados Unidos já não contam com aliados automáticos no mercado geopolítico e de que os países do Segundo Mundo podem cooperar para se manterem equilibrados, mesmo competindo. Desde o início do frenesi importador chinês na década de 1990, as economias do “Gigante da Ásia” e do “Gigante da América do Sul” têm se revelado extraordinariamente complementares, com o Brasil exportando minério de ferro, madeira, zinco, carne, leite, cereais e soja, enquanto a China investe em represas hidrelétricas, usinas de aço e refinarias. O comércio bilateral prosperou enormemente, com significativo superávit brasileiro. Mas a ligação do Brasil  com o rolo compressor chinês acabou com suas indústrias de brinquedos e sapatos, e, como aconteceu no México, sua indústria de roupas também sofre com a “tsunami têxtil” chinesa. Comentário de um esperto empresário chinês em São Paulo, entre uma e outra tentativa de lidar com telefonemas em português: “Os termos do comércio logo poderão ser invertidos, mas o Brasil está recuando da tentativa de impor salvaguardas de importação, já que, se a China retaliar, é ele que terá mais a perder.” Os dois países tratam ativamente de acrescentar valor aos produtos do outro, por exemplo, facilitando a compra de fábricas têxteis chinesas por empresas brasileiras para compartilhar os lucros. Nesses dois atores fundamentais do Segundo Mundo, o intercâmbio técnico também floresce, à margem das exigências de direito de propriedade das corporações ocidentais e das preocupações políticas com a dupla utilização de tecnologias – o Brasil fornecendo, por exemplo, equipamentos de extração de gás natural para a Rússia. Se a Venezuela está construindo um eixo energético no Segundo Mundo, o Brasil é o capitão de um eixo comercial.

A cultura brasileira é o que acontece quando a mente e o corpo estão de bom humor. Ao contrário do que se vê em países do Terceiro Mundo onde os terrenos à beira-mar frequentemente são de propriedade privada, prevalece uma sagrada igualdade de acesso às praias em todo o litoral, e nelas os brasileiros se entregam a esportes naturais do corpo, como o futebol e o vôlei – ao contrário da preferência dos americanos por esportes do corpo recoberto por uma couraça, como o futebol americano e o NASCAR (Associação Nacional de Corridas de Stock Car). A liberdade precisa ser desfrutada, não protegida.

Com sua população de quase 200 milhões de habitantes, o Brasil preserva o caldeirão de raças do hemisfério sul. É, ao mesmo tempo, o maior país africano depois da Nigéria (concentrando-se os descendentes de africanos principalmente na Bahia, à beira do Atlântico), o maior país libanês, depois do Líbano; o maior país italiano, depois da Itália e o maior país japonês, depois do Japão. Qualquer que seja a ocasião – do carnaval à Oktoberfest – o Brasil sempre tem a mistura étnica ou religiosa certa para comemorar. Enquanto nos EUA os grupos étnicos são hifenizados – irlando-americanos, afro-americanos, índio-americanos, árabe-americanos -, os brasileiros se identificam simplesmente assim, compartilhando a crença num potencial ainda não realizado em seu país. Na superfície o Brasil parece tão carente de uma integração racial quanto os Estados Unidos há quarenta anos. E embora existam grandes disparidades econômicas entre os descendentes de europeus, os descendentes de africanos e os povos indígenas, estas têm mais a ver com a distribuição geográfica e a concentração do capital nas cidades do que com alguma forma estrutural de racismo. Setenta por cento da população é formada por uma mistura de africanos, europeus e indígenas; desse modo, a segregação é mais baseada em classe do que em raça.

A globalização agravou esses abismos de classe, transformando o Brasil no país onde mais flagrantemente coexistem o Primeiro e o Terceiro Mundo. A sociedade brasileira é como uma ampulheta, com uma grande população indígena e africana na base (tanto nas cidades como no vasto interior) e um estreito gargalo praticamente impedindo a mobilidade em direção à casta da elite lá em cima. A frágil classe média luta para permanecer simplesmente onde está, com uma renda oscilando em torno dos níveis de 1993. A expectativa média de vida no norte do Brasil é nada menos que dezessete anos inferior à do sul. Em meio a tanta disparidade econômica, o trafico de seres humanos floresce: mulheres do meio rural são exploradas como escravas sexuais nas cidades e homens no meio urbano trabalham em condições de servidão nas minas de ouro do Amazonas. A maioria das escolas não tem telefone, muito menos conexão com a Internet.

Num país com três quartos da população vivendo em ambiente urbano, São Paulo cresceu tanto a ponto de se tornar mais até que uma megacidade: é praticamente uma cidade infinita, com uma população que não pode ser contida nem medida. Seus incontáveis prédios de apartamentos com portões de aço são, na verdade, favelas verticais para quem pode pagar por moradia própria. A rua Oscar Freire é considerada um dos maiores centros de consumo de luxo de todo o mundo, e os paulistanos ricos se orgulham do maior índice mundial de utilização de helicópteros particulares, mas nos restaurantes chiques as mulheres precisam se certificar de que suas bolsas estão bem presas às cadeiras. Ao contrário, o maravilhoso e desesperado Rio de Janeiro – estendendo-se por tantos quilômetros do litoral que em suas ruas uma maratona não precisaria sofrer interrupções – é uma metrópole à beira-mar conhecida ao mesmo tempo pelas favelas e pelos restaurantes da moda. Como em Istambul, no entanto, existe um ritmo subjacente, e até certo aconchego, no inevitável caos de uma cidade tão grande que às vezes é difícil dizer se é o Rio que está invadindo a natureza ou a natureza é que está invadindo o Rio, um se sobrepondo à outro e vice-versa.

Mas o medo psicológico de si mesmo é que é mais preocupante no Brasil. Em sociedades tão divididas em sua capacidade de atender às necessidades básicas, os valores, na melhor das hipóteses, são compartilhados de maneira bastante tênue. Muitos brasileiros consideram que as favelas do país são perigosas demais – e, portanto, fazem o possível para ignorar completamente sua existência, ao mesmo tempo advertindo os turistas para que não as visitem. Em 2003, o Brasil ostentava o mais alto índice de mortes a bala em todo o mundo, que chegava a 40 mil, voltando às ruas do país as pistolas brasileiras antes vendidas para as Farc colombianas. Como comentava o ex-presidente Itamar Franco, “a única coisa distribuída igualmente é o medo”. Apesar do emprego de tecnologias de mapeamento da criminalidade importadas da Colômbia, o Brasil ainda é um país onde os bandos armados enfrentam a polícia quando querem e fazem rebeliões maciças nas prisões.

Como dizia Nelson Rodrigues...

A areia está escorrendo na ampulheta brasileira. Será que vai acabar ou o Brasil vai virar a ampulheta? Em outras palavras, o Brasil será capaz de promover as suas massas? O Brasil vem promovendo uma transformação de suas vastas zonas de Terceiro Mundo de uma forma que outros países latinoamericanos não se têm mostrado capazes. Gastando mais com a redução da pobreza do que todos os outros reunidos, o Brasil, por meio dos seus programas Bolsa-Família, Fome Zero e Luz para Todos fornece alimentos, quantias em dinheiro, créditos educativos e geradores de energia a mais de 40 milhões de pessoas. No Rio surgiu o turismo nas favelas, gerando alguma renda em troca do contato com culturas e estruturas sociais alternativas. E o governo Lula lançou uma verdadeira esquadra de barcos pelo rio Amazonas e seus afluentes, para fornecer assistência médica e social flutuante a populações indígenas que vivem até nos mais remotos recantos da Amazônia.

Como um país que é quase sinônimo da expressão “meio ambiente”, o Brasil vem complementando sua estratégia de desenvolvimento com uma inovadora estratégia energética –  e ambas estão funcionando. Os investimentos em modernas tecnologias de extração elevam a produção de petróleo da Petrobras a um nível quase equiparável ao do peso pesado venezuelano. Apesar da auto-suficiência energética, o país também está enriquecendo urânio para alimentar usinas nucleares. E o mais impressionante é que transforma uma quantidade de cana-de-açúcar no combustível não-poluente etanol para se tornar seu maior produtor e exportador. Os carros flex que utilizam esse combustível aparecem em toda parte. Mas a produção de etanol está nas mãos de famílias ricas e de conglomerados, enquanto os agricultores pobres continuam cortando a cana-de-açúcar com facão. Cidades como Curitiba e Porto Alegre se transformaram em exemplo para o mundo todo – tanto o Primeiro, quanto o Segundo ou Terceiro – em matéria de gestão ambiental, com seus ousados e eficientes projetos de trânsito e de reciclagem, sendo comparadas a modelos de planejamento urbano como a Noruega.

Esse tipo de inovação é crucial para preservar o maior ecossistema do planeta, que está localizado (essencialmente) em um só país: a floresta tropical amazônica. Se o mundo é um organismo, a Amazônia é o seu pulmão. Mas o desmatamento já custou à Amazônia cerca de 20% de sua superfície; o planeta está perdendo a capacidade de respirar. A conscientização da opinião pública, os projetos de certificação e as enormes áreas de proteção contribuem para reduzir a velocidade de um desmatamento desenfreado, que chegou a devastar 25 mil quilômetros quadrados em 2004, uma escala de destruição que faz do Brasil o maior emissor de dióxido de carbono do mundo em desenvolvimento, depois da China e da Índia. As operações de resgate ocorridas durante a seca na Amazônia em 2005 foram as maiores jamais empreendidas pelo exército e a defesa civil brasileiros, mostrando que são as questões de segurança ambiental e social – e não militar – que constituem a principal ameaça no continente. As experiências do Brasil em todas essas frentes são as mais reveladoras e carregadas de consequências, pois assim como vai o Brasil, também irá a América do Sul.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

  1. Amigo,

    Pode até falar que é complexo de vira-lata, mas penso que o mundo perde muito trocando a liderança de potências como EUA, Japão e Alemanha pelas emergentes Brasil e Rússia (com suas injustiças socias, crime organizado/máfia e corrupções endêmicas) e China (com seu dumping, concorrência desleal, exploração de trabalharadores e perseguições politicas)…
    Se esses países serão o espelho de outras nações e demonstrarão políticas a serem seguidas… Tenho certeza que o mundo será bem pior !!!!

    Abraços,

  2. Guilherme Diniz

    Achei uma merda esse cara…..ele não sabe se elogia o país ou desce a ripa no lombo!
    Valeu por me fazer notar que uma palava com 3 letras e duas vogais, pode ter dois acentos diferentes: ímã!

  3. Acontece que o ~ não é acento, portanto é possível que isso aconteça.

    Assim como em órfão, por exemplo.

  4. Eduardo Casola Filho

    Legal o espaço e o texto é contundente, apesar de muito longo. Parabens!

  5. Há de se tomar cuidado com análises vindas do exterior, principalmente de um pesquisador radicado nos Estados Unidos da América. Ainda essa semana surgiu uma crítica ao Direito trabalhista brasileiro, acusando-o de ser demasiado protecionista impossibilitando, portanto, maior abertura de negociação entre patrão e empregado.
    Particularmente sou a favor dessa legislação trabalhista rígida e pró trabalhador, que é a parte hipossuficiente.
    Obviamente que é interessante para países como os Estados Unidos da América que essa legislação seja flexibilizada dado o alto grau de investimentos em empresas e indústrias aqui no Brasil. Porém essa flexibilização pode levar a situações de exploração, como ocorre há muito nos países asiáticos por parte dos países desenvolvidos.

  6. Obrigado pelo interesse, amigos. O trabalho de Khanna, na verdade, analisa os países emergentes ou Segundo Mundo, dentre os quais o Brasil é um dos destaques, além de estudar as estratégias de aproximação das três superpotências para atrair esses países e tranformá-los em aliados numa luta que vai muito além de ideologias políticas: a luta por energia, o grande calcanhar de Aquiles deste planeta pretensamente avançado em matéria de tecnologia.
    E não se enganem, sem energia não existe civilização, voltamos a ser índios. Por essas e outras que, mesmo com metade do mundo odiando os russos, eles são os maiores produtores de petróleo e gás natural (Gazprom), fato que obriga tanto EUA quanto União Européia a se desfazer em estratégias e artimanhas para mantê-los por perto, como aliados.

  7. Euclides Palhafato (Perro de Cofap)

    Gaucho, acabo de citar o brasileirismo num coment. na Home, e disse la que repudiava o separatismo desta tua seção. Mas vejo que tens razão. O tema proposto acaba saindo da F1. Mas eu não vejo como sair, então, repito aqui o que disse lá, ora pois:

    O Hulkenberg era bom, mas o lado bom da saída dele da Williams é que o barrichello pode novamente usar seu capacete original, carmim da gana e azul-real da concentração – naquele simpático desenho contornando e ampliando a viseira; aquela aura branca envolvendo a mira do querido Rubinho. Ele que por tanto tempo vem imprimindo no gride aquela emoção da superação, do improviso, da paciência, da surpresa, é o fujão e nefasto brasileirismo nas pistas, de tantas glórias imprevistas e de toda aquela alegria coletiva de cada triunfo Barrichelliano.

    Desde já repudio a seção separatista do blog. Coisa de gaucho mesmo…. bah!

  8. Hahahahahaha! Não fui eu que separei não. Reclame com a diretoria que achou meu post muito longo. É a velha preguiça do brasileiro de ler…kkkkkkkkk!

  9. No entanto, creio que a idéia de abas para alguns assuntos mais complexos é uma boa, principalmente quando os textos são longos e exigem mais concentração na leitura. Não se trata de separatismo, como o amigo Euclides Palhafato citou (a saber, meu caro Perro de Cofap, o movimento separatista gaúcho é hoje bem menor que o de São Paulo) e sim de uma maneira de poder incluir artigos ‘impopulares’ no boteco, daqueles que ‘espantam’ a freguesia que, no futuro, vai ser alvo do alemão.

  10. Muito bom o assunto e as argumentações, mas ainda sim achei muito tendenciosa. O Brasil está com um caminho traçado, mas no qual precisamos tomar certas medidas para que tudo descambe para uma derrocada.

  11. Bidart,

    Legal a análise desse cara, ele na verdade organiza aquilo que todos nós algum dia já estudamos, ou ouvimos falar em algum lugar.

    Eu tenho alguns adendos à fazer:

    1- Ainda a maioria do povo é pobre, e não é tão instruído a ponto de enxergar ou sequer entender o que foi exposto neste texto. E é de interesse de uma classe de elite política e social que isso permaneça assim, pra que essa elite continuem do jeito que estão: ricos e com poder;

    2- A esmagadora maioria daqueles que enxergam e entendem onde o Brasil se encontra no cenário atual, normalmente não fazem nada pra melhorar as cagadas do país, mas tão somente ficam reclamando justamente desta elite política que os reprime, e põe neles a culpa de sua própria frustração. Exemplos de o povo unido em busca de melhorar suas condições, é mais forte do que qualquer coisa, estamos vendo atualmente nos países do norte da África e Oriente Médio que estão derrubando ditaduras fortes e históricas, e tivemos esse mesmo exemplo aqui no Brasil com o fim da nossa ditadura militar;

    3- Não se iludam com o crescimento do Brasil gerado pelos presidentes FH ou Lula Molusco. As reformas econômicas de FH, foi benéficas sim ao país, mas foram feitas com o propósito de beneficiar os endinheirados do país que assim como o povo, também se estrepavam com a inflação e outros problemas econômicos graves da época. Além disso, o crescimento do país na era Lula, veio de um momento global em que as commodities tiveram seus preços, durante os oito anos do governo do molusco, com os índices mais altos da história, fazendo o comércio exterior do país tão rentável a ponto de passarmos de devedores para credores do mundo. Temos recursos ambientais necessários ao mundo em abundância, mas ainda não temos o mesmo nível de preparo técnico de profissionais para desenvolvermos nossa indústria e tecnologias por nossas próprias pernas. Se mantermos nossa vocação de “varejão do mundo”, e de provedores de matérias-primas para as idéias inovadoras de outros, vamos continuar tão dependente do consumo de commodities desses países para crescer, como eles são de nós para comer.

    4- Não acho que trocar a liderança mundial de EUA e/ou União Européia para China, Russia e Brasil, muda essencialmente muita coisa. Historicamente, nenhuma nação que foi líder no mundo, foi boazinha com os outros países: Olhemos pois os grande líderes mundiais através da história: Egito antigo, Roma, O império Persa, Inglaterra na era da revolução industrial, França de Napoleão, e atualmente EUA. Nenhum desses povos/países, foram bonzinhos quando líderes mundiais, e nenhum novo líder o será. Só há alianças quando os interesses são comuns, não há alianças para verdadeiramente ajudar à países em dificuldades a crescer, até porque os próprios países em dificuldades um dia podem querer passar por cima de quem o ajudar, para ser ele o líder.

    Por fim, acredito que não há bonzinhos, e apesar de gostar de morar aqui, são as pessoas e minhas raízes que me fazem permanecer no Brasil e não o “orgulho de ser brasileiro”. O mundo só vai ser um lugar justo, o dia que não tivermos mais fronteiras a aprendermos a admirar o que os outros também tem de bom, parando de achar que somos melhores, afinal é isso que faz os EUA um país tão detestado em vários cantos do mundo, tornando-o vítima de sua própria soberba, através dos terroristas. Que não caiamos no mesmo erro de se achar melhores ou piores.

    • Bruno, não sei se você já leu a 2ª parte do texto, mas quero acrescentar algumas coisas para você:
      1 – Mesmo não sendo tão democrática como gostaríamos que fosse, a Internet está criando uma ponte (de madeira, é verdade) sobre um abismo de ignorância. Resta saber quanto tempo vai demorar para que as pessoas descubram que esta é uma ferramente de troca bilateral e não somente unilateral;
      2 – Meio de trás pra frente, o fim da ditadura no Brasil se deu mais por cansaço dos militares do que pela pressão do povo brasileiro, infelizmente constituído por ‘ovelhas’; um dos maiores problemas do Brasil não é a condição de meras observadoras das pessoas comuns e sim a falta de qualidade e quantidade dos formadores de opinião, talvez os mais egoístas e sem senso crítico (e auto-crítica) da América Latina – lembremos do que disse Martin Luther King Jr.: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, o que me preocupa é o silencio dos bons”;
      3 – FHC criou condições para o Brasil crescer, mas com 30 anos de atraso, embora não por culpa dele e sim pela longa ditadura e pelas más escolhas do povo brasileiro na hora de votar – coisas do amadurecimento tardio da democracia; o governo Lula foi um ‘mal necessário’ para o Brasil pelo simples fato de que resgatou a autoestima justamente da parcela da população que insistia em ser enganada por candidatos oligarcas, tal qual o próprio FHC era, mesmo sendo um estadista com um nível de entendimento bem mais amplo que os Serras e Alckmins da vida. Lula, apesar de populista, não é golpista como seus similares latinoamericanos e surpreendeu pela capacidade de rodear-se de técnicos competente e arrojados na condução dos rumos do país e, apesar da dor que isso causa na maioria dos acadêmicos de orelha de livro que abundam neste país, Lula é uma das maiores inteligências (principalmente no âmbito emocional) de que se tem notícia, principalmente pela peculiaridade…analyze this;
      4 – Líderes não são bons, líderes são necessários. O modelo de condução de rumos continentais mais moderno e justo é o da União Européia, mas é heterogêneo demais e com membros-chave indisciplinados como Ucrânia, Turquia e Azerbaijão; o modelo que deverá prevalecer será o chinês pela homogeneidade, disciplina e por estar ‘arrebatando’ a Rússia e o Brasil para as suas fileiras. Os EUA vão declinar em 20 ou 30 anos. Nesse ínterim, o Brasil deverá amadurecer e a Rússia será engolida pela China em suas frágeis fronteiras. Nesse cenário, o Brasil, como celeiro e bebedouro do planeta terá a água, a soja e o etanol melhorado (ou algo similar) como trunfo para chegar ao Primeiro Mundo. Quer ‘commodities’ melhores que essas?
      Concluindo, a fila anda, a roda gira e as águas passam. Caberá as novas gerações de brasileiros decidir que rumos tomar e que papel querem ocupar na nova ordem mundial. Mas é fundamental começar a analisar o Brasil real, de maneira fria e objetiva, sem paixões. Por isso que confio mais no olhar estrangeiro de um estudioso que se vale da observação e da comparação. Não somos uma ilha, mas também não somos um continente.

  12. Cavaleiro que diz NI!

    O cara não deixa de ter razão. O que ele disse de Sampa é verdade, doa a quem doer. Vamos deixar de ser bairristas, pois um jornalista brasileiro disse que Tóquio é uma favela Hi-Tech, e é verdade. Eu deixei de ir para UK há uns vinte anos atrás, com meus chefes ingleses por acreditar no Brasil. E quebrei a cara com o empresariado brasileiro.

    Sobre energia: a verdade é que a energia solar já poderia ser amplamente usada com produção barata. O problema é que os grandes empresarios do mundo e governos não queriam investir e/ou perder todo o investimento no petróleo, que ainda é barato, por enquanto. Só que estão começando a perceber que o barato pode sair caro. E aí, amigo, já pode ser tarde demais. Por exemplo, aqui em Salvador está fazendo um calor insuportável como nunca senti antes nesta época. Vide uma pesquisa que afirma que os lugares mais quente são os mais pobres do planeta. Se for neste ritmo de aumento do calor a população negra aqui aumentará, mas não de afro-brasileiros e sim de torrados pelo sol.

    • “Se for neste ritmo de aumento do calor a população negra aqui aumentará, mas não de afro-brasileiros e sim de torrados pelo sol.”

      Cavaleiro que diz NI, 31 de março de 2011 (aforismo-cabeça)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: