Momentos históricos – GP de Mônaco de 1996 – o dia em que quase ninguém chegou


Sim! Temos mais um post nesta semana! Hoje mais um post de um momento histórico. O DeLorean volta ao dia 19 de maio de 1996, nas ruas de Monte Carlo, com mais uma grande corrida.

Até aquele dia, a temporada era completamente dominada pela Williams/Renault, com Damon Hill e Jacques Villeneuve dominando a temporada, com vantagem para o primeiro. O então bicampeão Michael Schumacher iniciava na Ferrari seu trabalho de desenvolvimento em Maranello e o carro daquele ano ainda não era capaz de grandes feitos. Ainda assim, o alemão conseguiu a pole, importante para o circuito de rua.

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Spoiler: o último dessa foto foi o vencedor!

O fim de semana em Mônaco foi bem chuvoso, mas a previsão era que não chovesse na corrida, mas como caiu o mundo entre o warm-up e a prova, a pisa estava molhada e muita gente ficou na dúvida entre escolher o tipo ideal de acerto do carro.

As consequências dessas dúvidas seriam fundamentais para a corrida. Dos 22 carros que disputavam a temporada normalmente, já houve um forfait antes da largada: Andrea Montermini, da claudicante Forti Corsi bateu no warm-up e já teve de assistir a corrida de fora. E que corrida ele viu!

A primeira volta já eliminou cinco carros da disputa: a dupla da Minardi, Giancarlo Fisichella e Pedro Lamy; a Footwork de Jos Verstappen (o pai do Max, que não era nascido ainda!😮 ); a Jordan de Rubens Barrichello (batida na Rascasse, jogando fora uma chance valiosa de vitória); e a Ferrari de Schumi. O alemão havia perdido a ponta para Hill na largada e bateu antes da entrada do túnel.

Até a nona volta, mais quatro pilotos se juntaram aos que já abandonaram. Os malogrados Ukyo Katayama (Tyrrell) e Ricardo Rosset (Footwork) rodaram, Pedro Paulo Diniz (Ligier) teve problemas de transmissão e parou na Saint-Devote, e Gerhard Berger (Benetton) teve problemas de câmbio. Só sobravam 12…

Damon Hill liderava com folga, Jean Alesi, da Benetton, seguia sólido na segunda posição e Eddie Irvine literalmente trancava a rua com sua Ferrari em terceiro. Heinz-Harald Frentzen tentou passar o irlandês de todas as formas, mas só conseguiu danificar a asa dianteira de sua Sauber.

Enquanto Irvine segurava o pelotão, quem subia a olhos vistos é Olivier Panis, tendo uma Ligier bem acertada nas condições de pista. Após a primeira sequência de paradas nos boxes, o francês colocou-se atrás do irlandês e também tentou passar na famosa Curva do Grande Hotel (Curva da Loews). O ferrarista tentou de forma atabalhoada fechar a porta e ficou parado na pista, voltndo para os boxes e perdendo várias voltas. (Só não perdeu mais do que a lentíssima Forti Corsi de Luca Badoer)

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Olivier Panis: um dos poucos no trilho certo

Mas quem reiniciou a sequência de abandonos foi Martin Brundle, com a outra Jordan após uma rodada na volta 31. No giro 40, era a vez de Hill, o líder tranquilo, abandonar com o motor Renault estourado. Acabava ali a hegemonia da Williams naquele ano.

Alesi assumia a ponta e caminhava para a segunda vitória da carreira, pois havia vencido um ano antes no Canadá, mas o gaulês não era muito sortudo e a suspensão da sua Benetton arriou de vez na volta 60, dando adeus à prova. sobravam 9…

Na volta 66, Badoer carregava a sua carroça com seis voltas de desvantagem e até podia sonhar com pontos, mas deu uma fechada sem sentido em Villeneuve (que tinha sido pouco competitivo naquele fim de semana) e eliminou ambos da disputa.

Irvine, também bem atrasado, ainda arrumou tempo para fazer uma última besteira. Na volta 70, o irlandês rodou na mesma curva aonde Schumacher batera. O ferrarista achou que seria uma boa ideia dar um cavalo-de-pau para voltar à pista. Mas naquele momento passavam a Tyrrell de Mika Salo e a McLaren de Mika Hakkinen, que ficaram enganchados na Ferrari de forma cômica. Assim Irvine se eliminava da prova, junto com os dois Mikas..

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A última marselhesa

Com 75 voltas, o limite de tempo estourava de vez e a prova estava encerrada. Panis, o mais hábil nas condições de pista e nas confusões escapou de tudo e logrou uma vitória histórica: a única de sua carreira, a última da tradicional Ligier e a última de um piloto francês na Fórmula 1 até hoje.

Depois veio David Coulthard, de McLaren e com o capacete de Michael Schumacher (o alemão emprestou um de seus cascos ao escocês, pois Coulthard tinha a viseira da sua proteção totalmente embaçada e não tinha um reserva); completou o pódio Johnny Herbert, da Sauber.

Como Frentzen resolveu estacionar seu carro nos boxes antes da última volta, apenas três pilotos viram a bandeirada final dentro da pista. A menor marca da história da F1. Nem corridas doidas, como a do mesmo principado, em 1982, teve tão poucos carros concluindo a disputa.

Vídeo com os melhores momentos da disputa

Outra versão, com comentários da turma do Boteco F1

E assim se encerrava um dos capítulos mais curiosos da história da F1, há 20 anos, provando que a F1 podia ainda trazer histórias fascinantes. E há gente que diz que a F1 acabou depois que o Senna morreu! Tolinhos…

Abraço!

Publicado em maio 19, 2016, em Automobilismo, F1, Momentos Históricos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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