Pintando o sete: Corridas legais que não são tão lembradas


Olá pessoal! Inicio hoje uma nova coluna aqui neste humilde blog. O nome, como puderam perceber, chama-se Pintando o sete. Nesta coluna irei relembrar sete situações que possuem efemérides semelhantes no mundo do automobilismo. Este era um velho projeto que tinha em mente. Quase adotei em outro espaço, mas vejo que é interessante coloca-lo por aqui.

O artigo de hoje tratará sobre corridas muito boas da história da F1, mas que acabaram bem esquecidas pelo tempo. Mesmo blogs e sites que tratam do lado mais “underground” da F1 pouco espaço deram para estas provas. A ordem das corridas está pelo ano e não pela minha classificação pessoal. Caso ache que haja mais alguma interessante que poderia ter sido mencionada, deixe nos comentários no final deste texto bíblico.

Portanto peguem carona no Delorean e relembrem essas etapas interessantes. Vamos lá!

1 – Canadá 1992

Um fim de semana diferente no Canadá

Montreal sempre pode proporcionar grandes provas e esta foi bem peculiar, com várias efemérides, coisa típica do Circuito Gilles Villeneuve.

A zebra começou a rodar solta na classificação. Foi a única vez na temporada que os imbatíveis FW14B foram superados em uma formação de grid de largada. Cortesia de Ayrton Senna, que marcara naquele GP a sua única pole no ano.

Na corrida, Senna pulou na frente e segurou ambas as Williams. O Leão pressionava o brasileiro em busca da ponta, mas o inglês teve outro momento de piripaque cerebral e rodou na última curva do circuito canadense, abandonando pela primeira vez no ano.

O tricampeão mundial tinha a missão de segurar Riccardo Patrese, mas a sua McLaren-Honda enguiçou com problemas elétricos. Seis voltas mais tarde, foi a vez do italiano abandonar com problemas no câmbio semiautomático. Era a primeira vez no ano que o carro do outro mundo não chegava ao fim em 1992.

Alegria para a McLaren (pelo menos para Berger)

Com isso, a vitória caiu no colo de Gerhard Berger, com a outra McLaren seguir em frente e levar a vitória, bastante surpreendente também. Michael Schumacher bem que tentou, mas não teve como brigar com o austríaco, terminando em segundo. Jean Alesi, com a sua problemática Ferrari F92A, completou o pódio.

Completaram os pontos, Karl Wendlinger com a March (os últimos pontos da história da equipe), o mítico Andrea de Cesaris, com a Tyrrell e Erik Comas, levando a Ligier a pontuar depois de quase três anos.

Melhores momentos da corrida:

2 – Japão 1994

Uma prova marcada pela chuva torrencial em cima do circuito de Suzuka e por homenagens póstumas a Senna, a prova foi repleta de confusões e de uma importante vitória que embolou o campeonato daquele ano.

Dava para enxergar bem, né?

A corrida começou com uma forte tormenta e a aquaplanagem fez muitas vítimas no começo da corrida: Johnny Herbert (Benetton), Pierluigi Martini e Michelle Alboreto (Minardi), Ukyo Katayama (Tyrrell), Franck Lagorce (Ligier), Hideki Noda (Larrousse) e o lendário Taki Inoue (Simtek), ficaram pelo meio do caminho.

Na volta 13, Gianni Morbidelli, da Footwork, se perdeu nos esses e bateu. Enquanto seu carro era resgatado, a McLaren de Martin Brundle escapou no mesmo ponto batendo forte nos pneus, em um acidente semelhante ao ocorrido com Jules Bianchi 20 anos depois (na mesma curva, inclusive). Um fiscal quebrou uma das pernas por conta desse choque, o que causou uma bandeira vermelha.

A corrida recomeçou depois que as condições do tempo melhoraram. Até aquele momento, Schumacher liderava com 6.8 segundos de frente para Damon Hill, que precisava da vitória para ter chances reais de título. O piloto da Williams voltou com tudo na segunda largada e disparou na frente, abrindo dez segundos para o alemão e conseguindo o triunfo, mesmo diante de um adversário expert em chuva. Esta foi, sem dúvidas, uma das melhores corridas da carreira do piloto britânico.

Pelo terceiro lugar, Jean Alesi e Nigel Mansell (de volta a Williams para as provas finais de 1994) fizeram um duelo intenso, com trocas de ultrapassagens de parte a parte, com ambos dando um show de técnica. O Leão cruzou a meta final na frente, mas como tinha uma desvantagem no tempo acumulado em relação ao francês, acabou ficando atrás do ferrarista.

Reportagem do Fantástico sobre a corrida:

3 – Luxemburgo 1997

Antes que pergunte, a corrida não tem nada a ver com o Pofexô, técnico de futebol. A etapa foi realizada em Nurburgring e recebeu essa nomenclatura porque o GP da Europa era em Jerez, enquanto o GP da Alemanha era em Hockenheim.

Presepada na primeira curva

Bom, dito isso, a antepenúltima etapa da F1 em 1997 teve Mika Hakkinen conseguindo a sua primeira pole na carreira, desbancando Jacques Villeneuve, da Williams.

Na largada, a McLaren se deu melhor e o finlandês manteve a ponta, seguido pelo companheiro David Coulthard. Logo atrás Ralf Schumacher aprontou das suas e provocou um acidente alijando da corrida seu companheiro de Jordan, Giancarlo Fisichella, e o seu irmão Michael Schumacher. O piloto da Ferrari tentou seguir por duas voltas, mas o problema da suspensão não tinha como ser resolvido.

Na frente, as duas McLaren eram comboiadas por Villeneuve e por Rubens Barrichello, com sua Stewart. Os quatro primeiros andaram muito próximos e disputaram posições até a primeira parada nos boxes, quando Hakkinen conseguiu abrir uma vantagem de 12 segundos para o escocês.

Mas a sorte de Villeneuve não estava só na largada, com o abandono do seu principal oponente ao título. Na volta 42, o motor Mercedes de Hakkinen explodiu, acabando com a chance da sua primeira vitória. Um giro depois, foi a vez de Coulthard sofrer do mesmo problema. Barrichello também ficava no mesmo momento com problemas de câmbio.

Sem nenhum oponente para atrapalhar, o canadense seguiu firme para vencer pela última vez na F1. Jean Alesi, da Benetton, foi o segundo, seguido por Heinz-Harald Frentzen (Williams) e Gerhard Berger (Benetton).

Pedro Paulo Diniz conseguiu uma incrível exibição e terminou em quinto com a Arrows. O último pontuável foi Olivier Panis, da Prost, no seu retorno às pistas após ficar sete corridas fora depois de ter quebrado a perna em um acidente no Canadá.

Melhores momentos da corrida (acho que em finlandês):

4 – Austrália 1999

A temporada de 1999 é profícua em corridas interessantes e de muitas efemérides. Algumas delas são facilmente lembradas, como os GPs do Canadá, da França e da Europa, outras possuem corridas interessantes mas sem tanto destaque, como os GPs da Alemanha e da Itália, entre outras. Como estou escolhendo uma por temporada, a que escolhi foi a abertura daquele certame, em Albert Park, na Austrália.

Nomes diferentes na frente

A classificação foi normal, com as duas McLaren-Mercedes fechando a primeira fila, com Hakkinen e Coulthard. Schumacher era o terceiro, mas tinha ao seu lado a primeira surpresa do ano: Rubens Barrichello, com a Stewart.

Ao partirem para a volta de apresentação, um susto na equipe de Jackie Stewart. Os seus dois carros tiveram problemas de motor e um princípio de incêndio no grid. Como o brasileiro estava mais bem colocado, Johnny Herbert teve que assistir a corrida dos boxes.

Quando foram para a volta de apresentação da segunda vez, Hakkinen e Schumacher ficaram estacionados no grid, mas o finlandês conseguiu largar antes de todo o pelotão passar e pôde se manter na frente, enquanto Schumi teve que largar do fundão.

A dupla da McLaren seguia bem na ponta, até que Coulthard foi para os boxes antes do esperado, na volta 13 para guardar o carro na garagem, com problemas de transmissão. Na sequência, Villeneuve, da estreante BAR, rodou após perder a asa traseira, chamando o safety car.

Na relargada, a alegria de Hakkinen acabou de vez quando o seu acelerador enguiçou de vez. A sua McLaren foi ficando lenta pela pista e o finlandês abandonou na volta 21. Nesta relargada, Barrichello passou Schumacher antes da linha de chegada e foi punido com um stop-and-go (O alemão tinha subido após as paradas dos concorrentes no safety car).

Mas o alemão da Ferrari também não estava com sorte naquele dia, já que teve um furo de pneu e ainda danificou a asa dianteira na volta 28, perdendo muitíssimo tempo e dando adeus a qualquer possibilidade. De quebra passou pelos boxes sem parar no giro 38 e retornou na seguinte para trocar o volante. Schumi terminou em oitavo a uma volta do vencedor, sendo o último dos que concluíram a prova.

No fim, a sorte esteve concentrada na outra Ferrari, com Eddie Irvine controlando a vantagem para os demais adversários e conseguindo a sua primeira vitória na F1, dando uma dose de alegria aos tifosi.

Completaram o pódio Heinz-Harald Frentzen e Ralf Schumacher, os dois que trocaram de equipe de um ano para o outro e estreavam por Jordan e Williams respectivamente. Quanto ao Barrica, o brasileiro conseguiu remar e chegar em quinto, atrás de Giancarlo Fisichella (Benetton).

O último pontuável foi Pedro de la Rosa, que fazia o seu debute na categoria pela Arrows. Um excelente começo para o espanhol.

Melhores momentos da corrida (em russo):

5 – Mônaco 2000

Essa talvez seja a menos conhecida da lista. Foi uma etapa que pouca gente dava para garantir que seria interessante, dada a dificuldade de se ultrapassar nas ruas do principado, além do domínio avassalador de Michael Schumacher no começo do ano, mas algumas surpresas rolaram, já mesmo na classificação, com Jarno Trulli partindo de segundo.

Na primeira largada, uma confusão enorme aconteceu na curva do Grande Hotel, quando Jenson Button, estreante da Williams, e Pedro de la Rosa, da Arrows, se enroscaram e travaram todo o circuito. Para o espanhol, que já estava com o carro reserva, a corrida acabava ali. Já o jovem britânico não foi muito além da volta 16, com problemas no motor BMW.

Logo, a primeira curva do circuito de Monte Carlo, a Saint Devote, mostrou-se uma exterminadora de carros. Só nesta corrida, ficaram naquele ponto Alexander Wurz (Benetton), Gaston Mazzacane (Minardi), Pedro Paulo Diniz (Sauber), Ralf Schumacher (Williams), Ricardo Zonta (BAR) e Frentzen (Jordan).

Outros pilotos tiveram sofrimentos. Trulli, que vinha segurando firme a vice-liderança, abandonou com problemas de câmbio. Hakkinen teve um pit-stop extremamente longo porque os cabos do transmissor do rádio estavam impedindo o funcionamento do pedal de freio da sua McLaren! No fim o finlandês ainda salvou um pontinho com o sexto lugar.

Com isso, Schumacher caminhava tranquilo para mais uma vitória, mas um problema de suspensão acabou com seus planos. A vitória caía no colo da outra McLaren, de David Coulthard.

Rubens Barrichello vinha numa corrida irregular, mas com os abandonos abundantes, beliscou o segundo lugar. Fisichella completou o pódio com a Benetton. Eddie Irvine veio na sequência, com o quarto posto, garantindo os primeiros pontos da história da Jaguar na F1. Mika Salo (Sauber) foi o quinto colocado.

Melhores momentos da corrida:

6 – Europa 2003

Voltamos a Nurburgring. Agora a nomenclatura do GP é o da Europa. Uma corrida bem movimentada, com a mostra que a Ferrari não era o carro a ser batido e que no fim, outro Schumacher riu por último.

Duelo resumido aos motores germânicos na frente

Kimi Raikkonen partiu da pole com sua McLaren-Mercedes, após dominar todos os treinos, deixando claro que seria um passeio de sua parte. O finlandês tinha como grande adversário naquela prova Ralf Schumacher, com a Williams-BMW, num embate entre as montadoras alemãs.

No fim, os bávaros cantaram a vitória quando o motor da marca da Estugarda explodiu, deixando Kimi a pé. O irmão mais velho de Ralf vinha com dificuldades na sua Ferrari de manter a segunda posição de Juan Pablo Montoya, com a outra Williams.

Na volta 43, o colombiano foi para o tudo ou nada para passar por fora na primeira curva. Os dois se tocaram e o então pentacampeão levou a pior, rodando e ficando na caixa de brita. Com a ajuda dos fiscais Schumi pôde voltar à pista, mas apenas em sexto.

Faltando três voltas para o fim, o lance polêmico da prova ocorreu quando Fernando Alonso fez um brake-test muito antes do ponto de freada. David Coulthard, que vinha imediatamente atrás, teve que tirar a sua McLaren da pista para não obliterar a Renault do espanhol. O escocês abandonou e soltou cobras e lagartos contra o asturiano pela atitude. No entanto, Alonso escapou ileso de punições e terminou em quarto, à frente de Michael Schumacher.

Enquanto isso, a Williams celebrava a dobradinha com Ralf na frente de Montoya. Rubens Barrichello escapou de todas as confusões e completou o pódio. Quem também festejou os pontos conquistados foram Mark Webber (Jaguar) em sexto, Jenson Button (BAR) em sétimo, e Nick Heidfeld (Sauber) em oitavo, após largar de último.

Corrida na íntegra:

Parte 1:

Parte 2:

7 – Mônaco 2004

Outra pista que repito neste ranking é o de Mônaco. Esta corrida mostrou uma série de surpresas na classificação e na corrida, a queda do império germânico do futuro heptacampeão mundial e certo deja vu na briga pela vitória.

A pole ficou surpreendentemente com a Renault de Jarno Trulli, que largou bem e manteve a ponta, seguido pela BAR de Jenson Button. O japonês Takuma Sato largou muitíssimo bem e ocupava a quarta posição. Mas o seu motor Honda explodiu de modo espetacular, atrapalhando a visão de quem vinha atrás. Giancarlo Fisichella, da Sauber, não viu nada e obliterou a McLaren de Coulthard. Três carros a menos na prova.

Após a relargada, Fernando Alonso deixou Button para trás e foi à caça do companheiro de equipe pela liderança. A corrida seguiu estável mesmo após a primeira parada nos boxes, mas na volta 41, Alonso tentou colocar uma volta em cima de Ralf Schumacher passando por fora no túnel. O piloto da Renault perdeu o controle e se espatifou com força.

Com o safety car na pista, a maioria dos pilotos foram para os boxes, exceto Michael Schumacher e o retardatário Juan Pablo Montoya. E aí a lambança aconteceu.

Schumacher vinha rápido demais atrás do carro de segurança e freou bruscamente dentro do túnel. O colombiano tentou desviar, mas a Ferrari acabou tocando em sua Williams e Schumi acabou no muro, dando adeus a uma impecável sequência de cinco vitórias seguidas.

Com isso, a disputa acabou resumida a Trulli e Button. O inglês até tinha mais carro, mas o italiano se defendeu como pôde dos ataques. Um duelo que até lembrou a famosa contenda Senna-Mansell em 1992, inclusive com o fato de termos as mesmas montadoras envolvidas no duelo. No final, ficou a revanche da Renault em cima da Honda, com a única vitória de Trulli em sua longínqua carreira.

A corrida foi muito positiva para os pilotos brasileiros, com Rubens Barrichello subindo ao pódio, enquanto Cristiano da Matta (Toyota) e Felipe Massa (Sauber) terminaram em quinto e sexto respectivamente.

Publicado em abril 28, 2015, em Automobilismo, F1, Pintando o sete e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. F1SC de volta as paradas, tipo Globo de Ouro palco Viva?

  2. …de volta aos meus favoritos!

  3. Boas lembranças!

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