Há como salvar a Fórmula 1?


Bom dia, boa tarde ou boa noite, amigos. Uma coisa que venho pensando nestas primeiras semanas de Fórmula 1 em 2015 e que vem desde a pré-temporada: a Fórmula 1, da forma como está atualmente, está com sérios problemas. Ainda há coisas boas que podem ser potencializadas para garantir mais atrativos, no entanto, os erros e as polêmicas desnecessárias acabam mascarando os pontos positivos diante de tantos problemas.

Praticamente todos os carros do grid em Melbourne

Todos os carros do grid em Melbourne

Alguns pontos são bem notórios pelo que se nota nos noticiários: Custos extorsivos, tecnologias ainda difíceis de lidar, dificuldade para trazer novos fãs à categoria, assuntos extra-pista tomando mais espaço do que o que acontece dentro dela e outras coisas que a tornam mais questionada do que em períodos críticos no passado.

O fato é que a etapa da Austrália em 2015 foi o fundo do poço na F1. Falava-se mais do acidente do Alonso e do imbróglio Sauber vs. Giedo van der Garde do que propriamente da corrida.

Van der Garde na Sauber: novela chata

Além disso, o grid de 15 carros foi um ponto muito baixo para a categoria, lembrando que esta formação não se deu por conta de protestos, como a corrida de seis bólidos em Indianapolis 2005, devido aos problemas da Michelin, ou às greves e boicotes durante a guerra FISA e FOCA nos anos 1980. A razão foi simplesmente técnica, por conta de falhas mecânicas. Inadmissível para a categoria que se diz como o píncaro dos automóveis no planeta.

É certo dizer que a corrida da Malásia foi bem melhor, tanto no aspecto técnico, como no esportivo, mas ainda custo a acreditar que este não tenha sido um ponto fora da curva. Torço muito para estar enganado quanto a isso.

O fato é que a F1 atual é pouco cativante. Todos os envolvidos com a categoria estão preocupados com os rumos a serem tomados. Algumas medidas estão sendo estudadas e outras começaram a ser tomadas.

App da F1: Bonito, mas ainda não muito funcional

A aversão a internet foi algo que pegou muito para a Fórmula 1. Bernie Ecclestone chegou a esnobar a audiência mais jovem e as redes sociais, o que causou mais críticas de todas as partes. Como medida reativa a Fórmula 1 enfim, com uns quatro ou cinco anos de atraso, começou uma investida no universo digital.

Ha uma conta no Twitter, um canal oficial no Youtube, um aplicativo disponível para sistemas mobile, uma hashtag oficial para cada corrida. Enfim, alguns avanços. Mas apesar desse começo, há tempo para se pegar o jeito nesse contato novo com o seu espectador. O app até agora apresentou problemas nas primeiras corridas e muitas reclamações foram registradas. Ainda há muito o que amadurecer nestes projetos.

Além disso, a categoria tem problemas de credibilidade, vejam só, até com questões de discriminação, como no caso da moça que levou um banho de champanhe de Lewis Hamilton no GP da China. Embora, num primeiro momento, pareça ser um grande caso de mimimi de grupos feministas e de sensacionalismo da mídia ocidental, fica evidente que a F1 vira uma inimiga pública da sociedade por ser um reflexo da “elite branca machista” que fica no topo da pirâmide social.

Detalhes que custam caro para a credibilidade

Este é, na minha opinião, o ponto chave para a perda de interesse na F1. A categoria carrega um rótulo, um estigma que acaba afastando o espectador comum em uma era globalizada e de pensamentos bem radicais. A imagem que a categoria passa é de algo do século XX, que está presa a dogmas de um mundo que não é mais o mesmo de 10 ou 20 anos atrás.

Um desses sintomas é a questão dos gastos. As equipes gastam quantias obscenas nos dias de hoje assim como nos tempos de vacas gordas. Como as economias do mundo ainda estão se recuperando do baque sofrido em 2008, as receitas simplesmente desaparecem do orçamento das equipes e a prova é que mais da metade do grid está com o pires na mão.

Em um cenário mais problemático, qualquer notícia ruim vira um motivo para os críticos minarem a categoria de comentários negativos. Apesar de alguns soarem exagerados, qualquer coisinha vira uma bomba gigantesca contra a organização. É o que sempre ocorreu e acontece até hoje com a Indy, que sucumbiu várias vezes pela sucessão de erros do passado.

Bom, diante desse cenário, volto a pergunta do título do post: há como salvar a F1? Não sou nenhum perito em organização de empresas, e minha função, mesmo tendo formação acadêmica, não é diferente da de cada um de vocês (a de um mero palpiteiro), mas digo que sim, há saídas para a categoria voltar a atrair mais gente e recuperar a sua auto-estima!

Para isso, no entanto, vejo que seja necessária uma grande mudança na visão da categoria enquanto esporte e espetáculo. A F1 precisa se aproximar mais dos fãs e aceitar algumas mudanças para o bem do esporte.

No aspecto técnico, acho difícil mudar tudo agora, pois gastou-se uma fortuna para a produção das atuais unidades de potência e mandar tudo para o lixo e resgatar os velhos motores V8 seria um grande retrocesso, até porque vai de encontro ao pensamento das montadoras. Sem ter quem faça os motores, não há corrida.

Portanto, alguma medida tem que ser feita para que a F1 seja uma boa propaganda para as empresas envolvidas. A promoção do campeonato como um evento épico. Talvez quebrar algum paradigma comum nas corridas atuais, pelo menos testar uma corrida com uma fórmula ou uma ideia diferente.

Podem surgir aqueles com o piegas discurso de “nascarização” já ensaiado, mas eu minha as palavras do profeta “A F1 tem que mudar, ou mudar de vez”. É a hora de tentar coisas novas para atrair novos olhares.

Por outro lado, tentar voltar às coisas do passado não é o melhor, pois isso é retroceder. O que dava certo em 1986, não funcionará em 2016. O mundo é bem diferente!

A hora é de olhar para os vizinhos e ver se há algo bacana para incluir na F1: WEC, DTM, V8 Supercars, MotoGP, a própria Nascar, até mesmo a novata Fórmula E, que tem sido surpresa bem agradável no seu primeiro ano, com boas corridas e muita competitividade. São competições completamente diferentes, de fato, mas que tem ótimos atrativos e alguma coisa pode ser encaixada com sucesso na competição de Bernie Ecclestone.

Fórmula E tem bons conceitos. Algum deles se encaixaria na F1?

A “categoria máxima do automobilismo” precisa descer do altar e aceitar sugestões de vez em quando, pois não adianta ter os melhores pilotos, os melhores engenheiros, o melhor material, se não extrai o melhor dessa combinação na prática. Não adianta ter os melhores ingredientes para a comida, se o cozinheiro for incompetente.

De qualquer forma, a F1 tem que mudar alguma coisa, por mais difícil que seja, o mundo exige a metamorfose social das organizações. Aceitar que algo precisa ser feito é fundamental para a categoria sobreviver.

E o fã mais fiel da Fórmula 1, o cabeça-de-gasolina mais ferrenho, precisa também estar aberto a estas mudanças. Devemos deixar de lado o egocentrismo e pensar em ideias para atrair mais gente a nossa comunidade.

Quem pensa que a F1 não precisa mudar e que qualquer corrida mais animadinha no Bahrein é “um tapa na cara daqueles que dizem que a F1 tá mal”, mostra total desconhecimento do problema, ou então não quer enxergar. É a mesma coisa que imaginar que se a seleção brasileira ganhar a Copa América, apagará os 7 a 1 da última Copa do Mundo.

A F1 precisa se adequar à nova era do esporte e rápido, para evitar outros “7 a 1” na sua organização.

Se você concorda ou discorda comigo e tem argumentos sólidos para ajudar na discussão, fique a vontade. Abraço!

Publicado em abril 19, 2015, em Automobilismo, F1, Reflexão e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Salve!!! (faz tempo hein???)

    Baratear os custos do carro para a entrada dos garagistas que foram e são a verdadeira alma da F1, a melhora nas escolhas das pistas pois, é inadmissível ver países como França, Portugal, Alemanha,..
    E claro a saída do velho louco Bernie…

    os: Como é bom estar de volta!!!

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