Um tabu duro de se quebrar


Olá pessoal. O post de hoje será mais uma sessão retrô, contando a história do campeonato de 2000, mais especificamente de uma espécie de “maldição” vivida por Michael Schumacher naquele ano que quase arruinou seu campeonato, um tabu que tinha a relação com um certo brasileiro tricampeão mundial que era o segundo maior vencedor de Grandes Prêmios até então.

Este era o 21º ano da Ferrari sem um título de pilotos e a Estaberria de Maranello estava disposta a encerrar este jejum. Como na temporada anterior, teve que colocar os seus esforços no limitado Eddie Irvine para brigar pelo título, no fim, a equipe amargou outro revés, embora tenha levado o campeonato de construtores.

Para este ano, a escuderia teria Michael Schumacher 100% recuperado após a quebra da perna em Silverstone e a estreia de Rubens Barrichello, além do staff já entrosado com Jean Todt, Ross Brawn, Rory Byrne e companhia. Mas a parada era dura, pois a McLaren vinha muito forte com os projetos de Adrian Newey e a boa fase de Mika Hakkinen, então bicampeão da categoria.

O começo do ano mostrava que a Ferrari era a equipe a ser batida. Schumacher iniciou a temporada com três vitórias (Austrália, Brasil e San Marino), abrindo boa vantagem no campeonato, enquanto Hakkinen e David Coulthard tinham problemas mecânicos.

Schumacher começou dominador naquele ano

Ao chegar quase na metade do campeonato (oito de 17 corridas), o alemão tinha cinco vitórias na temporada (venceu também em Nurburgring e Montreal), abrindo 22 pontos para Coulthard, 24 para Hakkinen e 28 para Barrichello. Além disso, Schumacher atingia 40 vitórias na categoria, ficando a uma de Ayrton Senna, o segundo no ranking de vitórias até aquele momento.

Mas aí a porca começou a torcer o rabo para o alemão, no que talvez fosse obra de uma mandinga de um torcedor pacheco que não queria ver o sósia do Dick Vigarista igualar a marca do falecido piloto tupiniquim.

A urucubaca do alemão começou no GP da França, em Magny-Cours, quando o motor Ferrari 049 V10 abriu o bico e deixou o alemão a pé.

Na sequência, duas corridas que terminaram na primeira curva para a Ferrari F1 2000 número 3: Em Spielberg, na Áustria, o alemão foi obliterado pelo brasileiro Ricardo Zonta, da BAR.

Depois, correndo em casa, no GP da Alemanha, em Hockenheim, foi a vez de se enroscar com Giancarlo Fisichella, então na Benetton. A sorte dele foi que a histórica vitória de Rubens Barrichello permitiu a Schumacher manter a liderança do mundial de F1, com dois míseros pontos de vantagem para a dupla da McLaren.

Só que a liderança foi parar nas mãos de Hakkinen após a vitória do finlandês na Hungria. Schumacher quebrou a sequência de abandonos, chegando em segundo, mas pela primeira vez no ano, estava atrás de alguém no campeonato.

Em Spa-Francorchamps, veio uma nova oportunidade de igualar Senna. A corrida começou com chuva, mas o tempo melhorou e a pista foi secando. Schumacher tentou segurar-se na pista com pneus de chuva, mas não teve como segurar o ímpeto de Hakkinen, levando uma das mais belas ultrapassagens da história da F1, com Zonta no papel de coadjuvante no meio da batalha pela vitória.

Após cinco corridas seguidas vendo a vitória escapar, a chance viria na terra da Ferrari, no Grande Prêmio da Itália, em Monza. O alemão fez a pole e vinha confiante em fazer a festa dos tifosi no domingo.

A corrida começou com muita confusão na primeira volta. Na Variante Della Roggia, As Jordan de Jarno Trulli e Heinz-Harald Frentzen, mais a McLaren de Coulthard e a Ferrari de Barrichello se enroscaram e ficaram pelo caminho. Mais atrás, Pedro de la Rosa não conseguiu frear a tempo a sua Arrows e acertou a traseira da Jaguar de Irvine. O carro laranja e preto levantou voo e caiu em cima da Ferrari do Barrica. No meio da confusão a roda do carro de Trulli voou e atingiu o fiscal de pista Paolo Ghislimberti, que veio a falecer no hospital, devidos aos ferimentos.

O safety car entrou na corrida para arrumar a bagunça e depois o restante da prova foi monótono, com Hakkinen tentando um ataque no fim da prova, mas em vão. Schumacher finalmente chegava a sua vitória 41 e igualava a marca de Senna.

Para quem achava que isso não significava muito ao alemão, a surpresa veio na entrevista após a prova. Quando perguntado na coletiva sobre a sensação de ter igualado a marca do brasileiro, Schumacher se desmanchou em lágrimas e não teve mais condições de responder às perguntas dos jornalistas, mostrando o seu lado mais humano e emotivo.

Após o fim do tabu, o alemão simplesmente correu bem mais leve e não deu chances a ninguém na reta final do campeonato, vencendo as três provas seguintes, em Indianápolis, Suzuka e Sepang, garantindo o terceiro título mundial dele e o fim do jejum ferrarista.

Superado o período mais difícil da década na Ferrari, até então, Schumacher iniciou a sequência demolidora que o transformou no maior vencedor da história da F1, tanto em vitórias (91), quanto em títulos (sete).

Após o tabu, o início do domínio

Agora Lewis Hamilton e Sebastian Vettel estão próximos de chegar a marca de 41 vitórias também. Vettel tem 39, mas desde o ano passado, não se mostrou com condições de chegar a vitória. Hamilton está com 34 e com a máquina que possui, pode chegar nela ainda este ano, mas será que o poder místico pode desestabilizá-lo psicologicamente, uma vez que isso não é tão difícil de acontecer com ele? A conferir. Como disse Miguel de Cervantes: “Yo non creo en brujas, pero que las hay, las hay”

É isso. Algum pitaco sobre este texto pitoresco? Esteja aí. Abraço!

Publicado em março 27, 2015, em Automobilismo, F1, Momentos Históricos e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Eu não lembrava de tantos detalhes daquela temporada. Pudera, fazem 15 anos!!! Tamo ficando velho…
    E por falar em tempo: de manhã rolou hino alemão seguido do italiano, e logo depois um certo italiano deu mais um show de motoca!

  2. Vc poderia alterar meu e-mail para: sydneialves2014@gamil.com ?

    Date: Fri, 27 Mar 2015 14:10:12 +0000 To: sydnei_alves@hotmail.com

  1. Pingback: Momentos Históricos – Grande Prêmio da Alemanha de 2000 | F1 Social Club

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