Impressões In loco de uma corrida de Fórmula 1


Felipe Lima, o redator do dia!

Aviso: Este post foi feito pelo nosso amigo Felipe Lima e ele mandou após a prova do ano passado. Por isso as referências são para a temporada passada. Fica aqui o aquecimento para o GP Brasil de 2012. Quem quiser mandar alguma sugestão manda por email que a gente aceita (e tenta publicar o quanto antes, já que esse ano foi muito corrido). Leiam e curtam o post. Até mais! Eduardo Casola Filho

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2012

Bom dia povo!

Nunca fui muito bom em escrever sobre qualquer coisa, mas vou tentar descrever sobre um sonho realizado. Assistir o GP Brasil de F1 ‘in loco’!

Foi uma batalha conseguir isso. Desde 2008, quando meu atual emprego me garantiu condições financeiras, a minha maldita escala de trabalho atrapalhava (a zica foi tanta que em 2009 eu marquei minhas férias na época da corrida e o FDP do Bernie mudou a data com o GP de Abu Dhabi, matando meus planos – e aturando um amigo ligando lá da arquibancada justamente quando estou
trabalhando!!).

Porém, em 2011 eu fiz questão de amarrar tudinho, com planos B, C, D e o E(scambau)preparados, e só uma hecatombe de proporções bíblicas me impediria de ir.

Vamos às impressões:

Boxes da Sauber

* Na sexta-feira, diria que é o melhor dia pra se fazer fotografias de tudo que seu setor permitir, pois poucos torcedores aparecem. O ambiente é tranquilo (o clima de fim de temporada ajuda nisso), mesmo com os técnicos ralando um bocado. No meu caso, fiquei no setor “M”, cadeira nº481 – ficava bem em frente à plaquinha de 50m da reta dos boxes, e dava pra ver bastante coisa dos trabalhos nos carros. Como fui cedo, pude zanzar pela arquibancada e fotografar os boxes quase por inteiro (Red Bull, McLaren e Ferrari ficaram meio distantes, mas ainda assim pude ver alguma coisa. Oficialmente
fiquei de frente aos boxes da Force India, Sauber , Toro Rosso e Catherham (Lotus Verde), podendo acompanhar melhor seus trabalhos.

* Quando os motores são ligados, o som arrepia, mesmo em baixa rotação. Os microfones das transmissões abafam demais o ronco, não tinha noção do volume da ‘música’. Os ouvidos ficaram zunindo um tempão, mas foi por uma boa causa! Os técnicos são viciados em treinos. Desde o começo do dia até o fim das sessões, eles ficaram simulando pit-stops, e raramente algo saía errado – falo isso de TODAS as equipes, eles pareciam robôs! Repetiam e repetiam até a hora do carro sair pra uma volta na pista. É de tirar o chapéu!
* Dia sem muitas ‘emoções’ na pista – mas mesmo assim eu parecia uma criança boba num parque de diversões, com a diferença de não poder usar os brinquedos. Ao final dos treinos livres, andei um pouco pelo entorno do autódromo, conversei com algumas pessoas, fui num stand da Puma onde
estava instalado um cockpit com simulador (acho que rFactor, não sei…) e outro rodando GranTurismo – fui uma negação nas 4 tentativas de correr e nem um beijinho da loira deu pra ganhar…

* Sábado foi um dia mais corrido na corrida (fui pra gandaia, voltei pro hotel 4 e meia da matina, só deu pra tomar um banho e comer, voei pro autódromo). Notei que a arquibancada estava visivelmente mais cheia, principalmente de gringos e guias. Salvei a vida de um casal na hora de comprar cerveja, pois a balconista não havia entendido que o cara queria CEM latinhas pra ele (Nova Schin? Boa sorte!). Outros me pediam alguma informação, eu ajudei na medida do possível, alguns outros debatiam sobre o que esperar da corrida.

* A torcida ali obviamente era pros brazucas, mas a quantidade de gente torcendo pra Ferrari surpreende. Eu sabia que era grande, mas ao vivo é outra coisa! Alguns são quase xiitas. Curioso foi ver gente torcendo pros mais variados pilotos – vi umas japinhas do fã-clube do Koba-san, gente estendendo faixa pro MALDONADO, cartaz pro Razia (este só andou na sexta-feira, mas tinha torcida lá!), entre tantos outros.

* Na pista, no 3º treino livre o pessoal fazia os últimos ajustes para o ‘qualifying’, e os pilotos não davam muitas voltas consecutivas, até para salvar os pneus. Mas as voltas lançadas eram algo à parte: como eu estava na “plaquinha de 50m”, estava exatamente no ponto de freada. O som das reduzidas é coisa de louco, 5 gritos do motor, de 7ª pra 2ª marcha. Outra coisa que dá pra notar é o som que cada motor faz nessa reduzida e posterior retomada. O da Mercedes parece ser o mais “limpo”, O Renault e
o Ferrari possuem um som mais “embolado”, porém distintos entre si, e o Cosworth parecia “embolar” mais.
No qualifying, creio que todos tenham visto pela TV. O domínio da Red Bull ficava evidente, na minha impressão, os carros faziam aquele trecho da reta principal sem parecer forçar o conjunto, até o ataque ao “S do Senna” era mais suave. Se bem que o povo que tava lá na arquibancada estava mais empolgado com a boa classificação do Bruno Senna. Entre as sessões ocorreram treinos para a Porsche Cup e Porsche Challenge, e uns bem-aventurado$ que puderam pôr seus Porsche pra dar umas voltinhas na pista (inveja de leve!). O nível é outro! O que não deixa de ser um evento legal pra acompanhar!

* Domingo, o grande dia! Chegar cedo e sentar no SEU lugar é quase uma ordem – nesse ponto gostei dos fiscais de arquibancada, eles orientaram direitinho pra todos sentarem no local marcado e o povo até obedeceu.

Piquet fez a festa em Interlagos

* Pro dia não ficar maçante até a hora da largada, existia uma programação, com as corridas das Porsche Cup e Challenge, a carreata com os pilotos e as voltas do Nelson Piquet com ‘sua’ Brabham. De manhã, Piquet fez umas fotos ao lado do carro e fez a alegria de quem estava lá dando umas voltas pra checar o carro – eu contei 6 voltas, 4 lançadas. Eu comentava com meus vizinhos de cadeira como ele pilotava de certa forma, suave. Atacava a zebra sem muito esforço, mesmo vindo de motor cheio na reta dos boxes. Mas o que me chamou a atenção – e me tirou gargalhadas – foi a bandeira do Vasco amarrada no carro (eu comentei, o pessoal ao lado não reparou, e eu disse que ele não tinha noção do perigo!). O gesto foi repetido à tarde, e um misto de risadas, gritos, aplausos, vaias acompanhadas de“Aqui é Curintia!” ecoou no autódromo inteiro. Nelsão mitou mais uma vez!

Desfile dos pilotos

* Momento que achei marcante foi no desfile dos pilotos. Automaticamente todos, sem exceção,  começamos a gritar “Rubinho!”, o que mostra que , brincadeiras à parte, o Barrica sempre foi respeitado por quem acompanha o circo de verdade. Foi uma pena não ter sido uma despedida “oficial”, talvez a saideira poderia ter sido melhor elaborada. * Daí pra corrida: A largada foi outro ponto alto, com todos os carros pipocando juntos – sem nenhum entrevero. Mais empolgante pra mim, foi ao completar a 1ª volta, pois todos os carros estavam próximos e de motor cheio, fazendo um estrondo que faria qualquer banda de heavy metal sentir inveja! Mesmo que não estivesse valendo “nada”, deu pra acompanhar algumas disputas de posição, com destaque pra dupla da Sauber. Os dois são loucos! Se necessário, fariam o “S” sem frear! A
disputa entre Alonso e Button também empolgou quem estava por aquelas bandas (ainda mais quando os carros fiavam lado a lado, muito irado!). Pena que a tão afirmada chuva não apareceu. Talvez a corrida ganhasse um tempero no meio do bolo (duvido que alterasse os dois primeiros colocados). Destaco também o tal “problema de câmbio” do Vettel, que eu só fui saber depois, pela transmissão de rádio do autódromo. De onde estava, deu pra ver nitidamente quando ele tirou o pé e contornou o “S” muito mais devagar que o Webber. Mas hipocrisia à parte, deixa pra lá, o canguru precisava vencer uma!

Senna tentando manobra no Schumacher

*De negativo, a dividida do Senna com o Schummacher, atrapalhando ambos, um pneu voador por parte da Virgin (eu achei que tinha explodido, fez mó barulhão!), e a corrida apática do Massa – retrato da temporada -, com direito à “passadão” do Rubinho na reta dos boxes, pra descontar uma volta, e delírio
da galera. Não deu pra ver a cerimônia de premiação, pois estava longe do pódio, mas fiquei até o fim da mesma, podendo acompanhar o pessoal desmontando o circo, técnicos se confraternizando, um dos mecânicos da Force India dando umas sambadas no pit-lane, arrancando gargalhadas, enfim, todos com a sensação do dever cumprido e de uma próxima temporada tão ou mais maçante que essa. Mas por ora, todos queriam ir pra casa e descansar Assim também o fiz.

Saldo final: uma grana preta a menos nos bolsos, ouvidos doloridos, pouca voz, moído de cansaço – tudo amainado por uma noite a mais no hotel (tive de ficar, viajar de volta pro Rio no domingo nem rolava!), muitas risadas, alguns camaradas de zoação, enfim, um senhor fim de semana! Certeza de que esse ano eu tente ir de novo – férias já estão marcadas pra novembro, só ajustar a logística – mesmo que os carros tenham se tornado estes ‘ornitorrincos’, eu agora tenho certeza que o espetáculo vale a pena.
Bom, espero ter passado um pouco do que passei neste fim de semana, onde uma criança ficou extremamente feliz só de “ver o circo”, com muita vontade de um repeteco e imaginando o que tinha perdido antes de conseguir sua vez.

De Felipe Lima!

P.S. Confira aqui a galeria de imagens

Publicado em novembro 19, 2012, em Automobilismo, F1, Momentos Históricos e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Pois é Felipe, eu tambem vou viver essa aventura pela primeira vez, nem dormir consigo mais de tanta ansiedade. É minha primeira vez em SP tambem e isso me deixa preocupado pois sou da terra do sol e frio e chuva é novidade pra mim.

  2. É isso ai garoto… Para quem gosta é quase uma “ovulação”… eheh, Não só o barulho dos motores mas o cheiro da gasolina também… A exemplo do kart, quando o cheiro do Castrol M50 toma conta da atmosfera na largada, mesmo da arquibancada, o velho e cansado coração deste “pseudo-ex-piloto” vai a uns 160 bpm, medidos com monitor cardíaco! É muito emocionante… mas ‘pera aí’ !!! No setor M é mole…. rsrsrs! Fui ao setor G uma vez e jurei nunca mais voltar para assistir uma corrida em Interlagos, pelo menos ali, no final da reta oposta! Não sei se melhorou, mas cerveja cristal long-neck quente, banheiros sujos e super lotados, sem telão e o sol na cara o dia inteiro e/ou chuva torrencial… com o preço que se paga pelo “privilégio”?… Hum… Prefiro o conforto do meu sofá e umas Itaipavas Premium bem geladas, com direito a replay, sem o som e as idiotices do galvão, é claro! Outra vantagem: Corrida chata e previsível, posso mudar o canal ou dormir, rsrs Parabéns pelo post, me fez relembrar a minha última aventura em Interlagos, mas de novo, só no camarote da FIA se um dia eu for merecedor, eheheheheh! “Quando será o dia da minha sorte?” (thanx Zé Rodrix) Para quem dúvida, olha este post aqui do Flávio Gomes, embora detestado por muitos, um expert no assunto:

    http://flaviogomes.warmup.com.br/tag/setor-g/

  3. Um post….(vcs ja’ sabem) HISTORICO!!

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