Momentos históricos – Uma decisão para renascer a Fórmula 1


O Clímax do campeonato

Salve galera!. Semana passada, mais precisamente em 26 de outubro, completou-se 15 anos de uma das corridas mais emocionantes e surpreendentes da história da Fórmula 1. Na minha visão, foi a primeira decisão de título que realmente empolgou depois da morte de Senna. Isso porque as variáveis daquela temporada foram absurdas.

A Williams, sempre a mais forte, defenestrou o campeão do ano anterior Damon Hill, trazendo o alemão Heinz-Harald Frentzen para fazer companhia a Jacques Villeneuve. Hill mudou-se para a Arrows com um sofrível motor Yamaha e tendo como companheiro o endinheirado Pedro Paulo Diniz. O inglês ainda fez um milagre na corrida em Hungaroring chegando em segundo e quase ganhando, mas foi uma temporada de mais sufoco para ele.

A Ferrari apostava tudo no quarteto Jean Todt, Ross Brawn, Rory Byrne e Michael Schumacher para sair da fila e o carro no segundo ano da parceira já permitia essa possibilidade, mesmo diante da máquina de Grove, com motores Renault e com a genialidade de Adrian Newey.

Porém este era o último dessa força para tio Frank, já que a Renault não estava satisfeita com o regulamento da FIA em relação a motores e bateu em retirada no fim do ano. E o projetista estava com as malas prontas para desenhar os carro da McLaren dali por diante.

A equipe de Working, por sinal, fez naquele ano a sua melhor temporada desde a saída de Ayrton Senna, tendo se adaptado ao motor Mercedes e, pela primeira vez em anos, trocando o branco e vermelho da Marlboro pelo prateado da West, embora o cigarro ainda fosse o patrocinador principal. A dupla era Mika Hakkinen e David Coulthard, com o escocês já tendo vencido, até naquele ano, enquanto Hakkinen não.

A Benetton fazia, naquela edição, o último ano enquanto equipe competitiva, ainda com os motores Renault. A eterna dupla Jean Alesi e Gerhard Berger fazia o último ano lado a lado, já que o austríaco penduraria o capacete, depois de um ano complicado, com doença e morte do pai, que o fez sair de algumas corridas, mas ainda assim, Berger venceu a única prova dos carros azuis-celestes, em Hockenheim.

Uma equipe que apareceu bem foi a Jordan, que teve bons momentos no campeonato e começava a se destacar, com Giancarlo Fisichella e Ralf Schumacher, na estreia do irmão do ferrarista.

Aquela temporada marcou a estreia de dois grandes pilotos como chefe de equipe. Alain Prost pegou o que restava da Ligier e colocou seu nome na escuderia. Ao mesmo tempo. Jackie Stewart também lançava seu time, tendo como principal piloto Rubens Barrichello.Tirando o segundo lugar com o Barrica em Mônaco, o ano foi pra lá de sofrido para ambos, com muitas quebras.

Sauber, Tyrrell e Minardi também compuseram o pelotão, no ano de estreia dos pneus Brigdestone, que vinha para desafiar a soberania de anos da Goodyear. Esse seria o último ano com os pneus slick, que seriam substituídos pelos sulcados que ficaram entre 1998 e 2009.

Após 16 etapas movimentadas, a decisão chegava em Jerez de la Frontera, na Espanha, com o Grande Prêmio da Europa. Schumi liderava com um ponto de vantagem para Villeneuve na última etapa e eram os únicos capazes de saírem de lá campeões. E a decisão foi épica.

Começou pela classificação. Primeiro foi Jacques Villeneuve que cravou uma volta de 1:21.072, para ser o mais rápido até o momento e passava a secar Michael Schumacher. O alemão foi lá, chegou a fazer parciais mais rápidas, mas no final veio a conclusão: 1:21.072. Exatamente o mesmo tempo. E se não bastasse, lá foi Frentzen, da mesma forma e 1:21.072. Os três fizeram exatamente o mesmo tempo. Algo que nem o calendário maia conseguiu registrar! Eis a narração do GB do feito:

Galvão falou que a posição de largada era essencial para a disputa, mas o Jacques jogou fora essa vantagem derrapando na largada e caindo para terceiro lugar. Schumacher assumiu a ponta e, naquele momento assumia a liderança. resultado que confirmava o título. O filho de Gilles precisaria reagir rapidamente!

Frentzen tentou pressionar a Ferrari, mas não foi bem sucedido. Então foi a vez de Villeneuve pular à frente partir ao ataque. Após a rodada de pits, a desvantagem do canadense era de dois segundos, mas ela começou a cair gradualmente e na volta 47 aconteceu o lance do campeonato.

O deja vu de 1994 acabou bem diferente do planeado pelo alemão. Villeneuve botou por dentro e retardou a freada, Schumacher tentou fechar a porta e com o acidente limar os dois da corrida e definir ali o certame. Ficou atolado, saiu furioso do carro, jogou o volante longe. O clima na Ferrari era de completa desolação. A única chance era se a Williams tinha dado algum problema, mas tudo estava bem e o título era só questão de tempo. Era só pontuar.

Recado do Jacques: CHUPA SCHUMI!!!

Atrás de Villeneuve vinham as duas McLaren, com Coulthard à frente de Hakkinen. Com o ritmo mais tranquilo, o canadense estava apenas segundo a onda, trazendo a criança para casa. Na equipe prateada, o clima era de tensão. A equipe de Working queria muito a vitória do finlandês e mandou a ordem de equipe para o Squarehead ceder a passagem, senão ia para fila do seguro-desemprego. Coulthard cedeu.

A Williams resolveu ser benevolente com sua rival e pediu generosamente que Villeneuve cedesse a vitória para a equipe de Working. Jacques aceitou e deu aquela que seria a primeira vitória de Mika na Fórmula 1. o ritmo do piloto da Williams foi tão descompromissado que quase perdeu o lugar no pódio para Berger, que fazia a sua despedida naquela prova.

E para terminar de destroçar o império do Queixada, a FIA desclassificou o alemão do campeonato pela manobra, além de multar por não colocar o volante no lugar. Um desfecho melancólico para a Estaberria de Maranello, que não perdeu os pontos no Construtores, para não ser o menos pior.

E assim terminava a temporada 1997. A Williams encerrava sua era de ouro com o título e a McLaren dava o sinal do domínio que viria nos anos seguintes. Villeneuve, com seu cabelo amarelo, nunca mais passou perto de ganhar uma prova. Hakkinen, com aquela forcinha, aproveitou a chance com as máquinas produzidas por Newey. E Schumacher conseguiu com aquela derrota aprender lições valiosas para conseguir os seus cinco títulos mundiais a partir dos anos 2000.

O marco da transição de eras

Bom, é isso. Esse foi mais um registro de uma corrida HISTÓRICA! Até lá! Abraço!

Publicado em outubro 31, 2012, em Automobilismo, F1, Momentos Históricos e marcado como , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Lindo post, nem lembrava mais dessa.

    • Eu lembrava…Um momento HISTORICO da F1!!!!!

      O Villeneuve nem era assim uma grande coisa, mas o fato do Queixoba ter tentado FODER ele sem sucesso, fez da conquista um orgasmo epico.

  2. Eu lembro dessa corrida como se fosse ontem, uma das grandes corridas que eu vi na F1, quando o Villeneuve conseguiu sair ileso da manobra do Schumacher eu dei um pulo do sofa de tanta alegria, se eu ver o video denovo, eu faço a mesma coisa…hehehehehehe!!! :mrgreen:

  3. Eu tive um orgasmo nessa corrida…

  4. Aquela classificação história de 1997, com 3 pilotos virando exatemente o mesmo tempo, galvão até falou que era erro do computador kkkkkkkkkkkk e no fim, chupa schumacher hahahaha

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