Vá em paz, Lola!


Lola da Rebbellion-Lotus na LMP1, durante as 6 Horas de São Paulo. A última vez no Brasil

Uma notícia muito triste aconteceu hoje no mundo do automobilismo: a Lola fechará as portas. A marca que esteve envolvida com muitas categorias do automobilismo mundial e fez bólidos históricos não sobreviveu a uma dívida de 58 milhões de reais e terá toda a sua estrutura desmanchada e vendida em partes, já que não teve um comprador interessado em comprar as intalações.

Uma escuderia, fundada em 1958 por Eric Broadley, que obteve histórias marcantes na Indy e em categorias de base, com vários títulos, teve participações muito significativas no endurance, mas sentiu a lacuna de não ter sucesso na F1, a área que eu mais conheço historicamente e que falarei mais. E tentativas não faltaram.

Carro de John Surtees em 1962

E olha que no começo as coisas andaram bem. Na primeira corrida, na Holanda conseguiu uma pole, com John Surtees, mas o inglês se envolveu em um acidente. Essa seria a única vez que um carro produzido faria esse feito. E durante os anos 60 foram muitas chances, parceria com a equipe de Reg Parnell, onde talvez tenha pego todo o azar do Chris Amon, que sentou no cockpit algumas corridas, parceria com BMW, até ter uma vitória em 1967 no GP da Itália, em Monza, com Surtees, que era da equipe Honda. Um “Hondola” como chamaram.

Nos anos 70, a equipe fez uma parceria com a recém-criada Embassy-Hill, cujo dono era o Mr. Graham, pai do Damon, o primeiro rei de Mônaco, mas a equipe do dono da tríplice coroa resolveu botar a mão na massa e criar o carro do zero.

Tentativa com patrocínio da Beatrice em 1986

Chegaram os anos 80 e a marca era uma das principais da Indy, além de possuir um belo aparato nas categorias de base. Carl Haas, sócio do ator Paul Newmann na tradicional equipe dos States decidiu colocar em prática um novo projeto na F1. Com o apoio da empresa alimentícia Beatrice, saiu o carro rubro-azul, com motor Ford e a experiente dupla Alan Jones e Patrick Tambay. Fez algumas corridas para amaciar no final de 1985 e partiu para a temporada completa em 1986. Resultado: seis míseros pontos e o arrependimento dos ianques.

Nestes anos 80, a fábrica se manteve por mais tempo, graças a uma parceria com Gerrard Larrousse, E esse era um carro que não durava muito pois passou nas mãos de alguns bondes como Phillippe Alliot, Yannick Dalmas e Pierre-Henry Raphanel, além de um desacreditado Michele Alboreto, longe de sua melhor forma. Eric Bernard e Aguri Suzuki foram mais regulares, com o japonês chegando ao pódio no GP da sua casa, em 1990, algo que foi repetido nesta semana com Kamui Kobayashi na Sauber.

Alboeto, longe dos melhores dias, guiou pela equipe em 1993

A parceria com a Larrousse acabou em 1991, dois anos depois foi a vez de assumir a bronca deixada pela Dallara e servir carros para a bonita (na minha opinião) carroça da Scuderia Italia, contando novamente com Alboreto e com Luca Badoer, que trouxe os motores Ferrari, mas nem assim, a equipe engrenou. Esse foi o último ano.

Porém, o sonho de brilhar na categoria máxima estava traçado. O planejamento era estrear em 1998, com um projeto inovador, e com muita pompa. E conseguiu alguns apoios como a Pennzoil e, principalmente a Mastercard.

Aí é que a porca torceu o rabo. A operadora de cartões pediu para colocar o carro na pista já em 1997 para fazer o investimento. Broadley cedeu e pegaram alguns projetos usados na Indy, um motor de 1995 da Ford, juntaram as tralhas, chamaram o italiano Vicenzo Sospiri e o brasileiro Ricardo Rosset e partiram para a Austrália, na abertura do mundial.

E reclamam ainda da Hispania…

Resultado: tempos de volta de ONZE a TREZE segundos mais lento que dos ponteiros. Com a regra de 107% em vigor, obviamente não deixaram as duas banheiras entrarem no grid. Para a Mastercard era uma humilhação que dinheiro nenhum compraria uma reparação, então mandou adeus para a Lola e cortou os investimentos. Chegando a Interlagos, sem eira, nem beira, a equipe pediu falência e nunca mais ousou disputar uma corrida de Fórmula 1

Mas o desejo ainda não tinha acabado. Em 2009 tentou uma vaguinha na seletiva da FIA e foi preterida pelas equipes que hoje são as nanicas do grid: Lotus (hoje Caterham), Manor (depois Virgin e depois Marussia), Campos (hoje Hispania, HRT, HPV, depende do gosto do freguês) e até dos fanfarrões da USF1 que nem saiu do papel. Tentou também fornecer o chassi para a Indy de novo, concorrendo com o Delta Wing e com a Dallara, e apesar de ter um projeto parecido com atual DW12, foi preterido.

Havia também um desejo de entrar na F1 de novo em 2014, com as novas regras que virão. A escuderia fornecia chassis para o WEC, que correu em Interlagos. Agora, será mais uma construtora que ficará nas lembranças dos fanáticos por automobilismo. Adeus Lola!

Publicado em outubro 9, 2012, em Automobilismo, Carros Célebres, F1 e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 15 Comentários.

  1. Belo post, chuif! chuif! Gosto desses posts históricos, mas é uma pena… Adeus, Lolita. Que lá no céu vc não seja a equipe de Senna.

    Homenagem a Lola:

  2. Excelente post, Casola.

    Uma pena mesmo. Eu ainda acho que a Lola teri feito bonito se tivesse voltado a F1 no lugar de uma dessas nanicas, e teria salvo a fabrica mas…

  3. Eduardo Casola Filho

    Quem quiser assistir o GP dos EUA de F1, provavelmente terá que arranjar live streaming.

    http://www.grandepremio.com.br/f1/noticias/futebol-derruba-f1-e-gp-dos-estados-unidos-fica-sem-transmissao-ao-vivo-na-tv-brasileira-diz-site

    Embora uma notícia da Globo garanta que a corrida será ao vivo

    http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2012/08/palco-do-gp-dos-eua-circuito-das-americas-recebe-1-camada-de-asfalto.html

    Aguardemos os próximos capítulos…

  4. Corra Lola, corra!!! :mrgreen:

    Vou montar uma equipe perfeita na F1

    Equipe: Andrea Moda
    Piloto 1: Andrea De Cesaris
    Piloto 2: Andrea Montermini
    Piloto Reserva: Andrea Chiesa
    Chefe de Equipe: Andrea De Adamich

    Essa vai looooonnnnngeeeee… :mrgreen:

  5. Massa ainda não renovou com a Ferrari. Eu acho que o Massaroca vai rodar, só minha impressão… será?

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