Sobre derrotas, olimpos e relações de atletas com a mídia


Pois é, gente, chegamos à época das Olimpíadas, a principal competição esportiva do ano, e sempre começa a discussão em torno das competições e dos atletas. De uma hora para outra, todos se tornam entendidos dos mais inóspitos esportes e sai proferindo declarações ufanistas. Nesta Olimpíada, com as redes sociais já solidificadas, tudo se propaga rapidamente. E isso se reflete dentro dos próprios competidores.

O fato que irei lembrar aconteceu nesta segunda-feira, quando a judoca Rafaela Silva perdeu a sua luta por dar um golpe ilegal e ser desclassificada. Alguns indivíduos resolveram soltar o verbo no Twitter e a resposta dela foi uma bela bordoada nos críticos.

O assunto virou discussão pelo mundo afora. Muitos desceram o sarrafo na atleta por achá-la mal educada e idiota pela manobra. Porém outros pesaram o lado dela e a apoiaram. Particularmente essa é a minha visão.

Com isso, enxergo uma semelhança com a turma da Fórmula 1 antiga e moderna. Nos dois eventos, o que mais se vê é cobrança por bons resultados. Vocês sabem o quanto pentelhamos Felipe Massa e Bruno Senna neste ano e em anos anteriores. Infelizmente, a maioria das pessoas exigem apenas a glória e se não o consegue, é um fracassado. Assim foi com Rubens Barrichello.

O fato é que o “Olimpo” prometido, especialmente para quem está no certame londrino vislumbra aos competidores e aos espectadores aquela coisa que o atleta e inalcançável e que deve ter uma postura para tal. O que a maioria se esquece é que isso é impossível, pois os atletas são humanos, com capacidade esportiva talvez maior que a dos demais, mas humanos na mesma medida.

E se ela cometeu um erro, fazer o quê? Por mais bizarro que seja, isso pode acontecer com os melhores. Veja Michael Schumacher, no alto dos seus sete títulos mundiais, o papelão que fez em Hungaroring? Mesmo quem é de alto nível pode fazer bobagem.

Sobre a resposta dela, foi uma reação forte, sem dúvida. Mas o esporte é marcado por quem faz essas reações. Quem fala muito, muitas vezes acaba visto com má vontade pelos torcedores e pela mídia. O esporte a motor no Brasil teve a sua história mais emblemática dividida por dois pilotos que estavam nos extremos desta relação, durante os anos 80 e 90.

Como tenho lido no livro “Ayrton Senna e a Mídia Esportiva” de Rodrigo França, essa foi uma diferença grande entre este e Nelson Piquet. O Nelsão sempre foi visto como um patinho feio, muito pelo tratamento que a imprensa automobilística não ter uma predileção por ele. E com isso, ganhou a rejeição dos jornalistas, especialmente os que não entendiam muito do riscado e que só faziam pergunta cretina. E o piloto carioca também não tinha medo de falar o que pensava e falava mesmo na lata, doa a quem doer.

Senna, por outro lado, sempre tratou a mídia com cordialidade, por ser uma característica do “Garoto Propaganda do Brasil” e que ele foi um dos primeiros pilotos a trabalhar intensivamente a questão do marketing esportivo.

E isso é visto na visão deles sobre para quem eles corriam. O Silva era o símbolo do país. Com o capacete, com a bandeira que ele ostentava no fim de cada prova que vencia. (Apesar da origem ser uma resposta a uma provocação, acabou imortalizado como símbolo de orgulho de nação, por acreditar que a sua vitória seria uma vitória de seu país. Piquet teve isso muito pouco, porque via o automobilismo como um esporte mais individual.

E se pararmos para pensar, a maioria das competições olímpicas são mais individuais. E para completar essa afirmação, saibam que o COI não faz controle nenhum de quadro de medalhas por países. Isso é uma invenção da mídia em geral, apenas para demonstrar o poder que esta nação tem. Sabemos que na história quando se ia além com isso, a coisa acabava mal…

Por isso, as cobranças de torcedor são válidas, mas também é preciso discernimento para entender a reação de quem xingamos e quem fala o que quer, ouve o que não quer. Não gostou? Dane-se. O atleta antes está competindo para ele, depois compete pelos outros, afinal é o resultado o que vai importar lá na frente e se não deu, a derrota que sirva de lição para arrumar a casa depois.

Um caso bem peculiar que ocorreu neste dilema é o de Fernando Alonso. O espanhol dedicou o primeiro de seus títulos a umas três ou quatro pessoas, pois considerava o automobilismo apenas como individual e mandou quem não gostou das suas declarações assistir tourada. Com o tempo, passou a crer mais no apoio da torcida, principalmente depois de sua ida à Ferrari, a prova foi a demonstração de patriotismo após a vitória em Valência este ano, lembrando as comemorações de Senna nas duas vezes que vencera em Interlagos.

Alonso tinha uma intuição de relações públicas meio “piquetzista”, mas sofreu uma “sennificação”. Muitos atletas em diversos esportes estão nestes dois lados. E as olimpíadas apenas acentuam estes limites.

O problema está nessa coisa que o atleta compete pelo seu país, especialmente se o cara não teve praticamente nenhum apoio público ou privado para chegar lá. Sabemos que a maioria dos esportes aqui está largada ao vento em termos de apoio, e nesta época de Jogos é que aparecem os oportunos, achando-se sabichões de todo evento, querendo bancar o que é e o que não é. Era esse tipo que Nelson Piquet detonava em suas entrevistas.

E outros esportistas estão nesta escola. Rafaela Silva é uma figura destas. Se ainda não obteve resultado para “chegar ao Olimpo” pelo menos ela mostrou que não dá mole para qualquer bucéfalo que saia falando de boca cheia. E o atleta que compete, não precisa ser necessariamente aquela idealização helênica.

Todos os esportes têm os seus “Sennas”, “Piquets”, “Prosts”, “Mansells”, “Nakajimas”, “De Cesaris’ ” e outros. Ou tem os seus “Alonsos”, “Vetteis”, “Hamiltons”, “Massas”, “Buttons”, “Raikkonens”, “Maldonados” e “Glocks” da vida. Rafaela está no momento mas piquetsista que sennista. Se mudará de estilo ou se chegará ao Olimpo, isso ninguém sabe, mas saiba que ela é humana, como você, eu, Schumacher, Piquet ou Senna. Dura vita, sed vita.

Alguém tem coragem de xingá-lo?

Abraço!

Publicado em julho 31, 2012, em Atualidade, Diretoria, F1, Reflexão e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 32 Comentários.

  1. Piquet foi um baita piloto e um tremendo encrenqueiro. Comprava briga só para ser diferente. Desbocado, pornográfico e malicioso. Pagou com juros e correção o que fez com os outros na c@g@d@ do filho dele na F1. Até acho que ele não merecia tanto.
    Além disso o Piquet deve aos brasileiros uma fábrica de esportivos ao nível de uma Ferrari, Lambo ou Porsche made in Brazil, pq não? Pq ele só pensa no umbigo dele.
    Poderia ser um orgulho nacional, mas é somente um bobão tricampeão, mt bom enquanto estava nas pistas, mas fora delas para que serve?
    Veja exemplos como Fângio e Émerson, que são idolatrados no país de origem pq tem cortesia em cada gesto e palavra.

  2. Gostava muito do Piquet no começo do meu interesse por corridas, mas depois virei sennista. Senna é um tricampeão de fato, jamais se vangloriou dos seus títulos ou usou-os para sobrepor-se a alguém. Piquet vive boquirroto e se gaba a torto e direito dos três títulos que diz que ganhou (tanx Wikipédia). Contudo, gosto dele tanto quanto do Senna, mas sem dúvida alguma Ayrton impõe mais respeito, até pelo fato de ter morrido em ação. O problema de não levar ninguém a sério, opção do Nelson, é o fato de que poucos irão também te levar a sério. Enfim, pra que, definitivamente, deveríamos nos levar tão a sério nesta vida se não saíremos mesmo vivos dela? Viva o jeito Senna! Viva a moda Piquet!

  3. Ótimo texto, Eduardo. É uma situação bem complicada. Acompanhei a transmissão da abertura dos jogos pelo Sportv, que é um canal pago e assim, atinge em um grau bem menor as massas. Foi durante a transmissão que ouvi pela primeira vez isso de que o campeonato entre países (quadro de medalhas do Jornal Nacional e afins) é só uma invenção das mídias que acompanham os jogos. O COI não reconhece esse tipo de competição.

    Por maior que seja o patriotismo, acho estúpido alguém descontar suas frustrações na conquista de alguém. Aí temos somente torcedores sazonais de campeões (UFC é o último desses esportes de “Heróis Nacionais”). Aí quando as derrotas começam, vem as chacotas, as ridicularizações e o ódio, como se o esportista definitivamente nos devessem algo. Vendo por esse lado, sabendo da educação formal e informal que nosso povo recebe, acaba sendo esperada esse tipo de atitude.

    Acho que o esporte é maior do que isso, talvez falta aprender a gostar do esporte pelo esporte, e não do esporte pelo “brasileiro que contra tudo e todos vai lá e vence seus sanguinários e maléficos inimigos”. É importante torcer e isso faz parte da empatia pelo próximo, mas detonar a pessoa, como fizeram com a menina, é lamentável.

  4. A internet faz com que o nível de bravatas chegue às alturas. Antigamente, o cara fazia suas bravatas para si mesmo, na frente da TV, mas agora pode-se atirar qualquer pensamento simplório na cara do planeta todo, incluindo o atleta envolvido. Você que escreve sobre F1 deve perceber bem isso, porque vai atrás dos fatos, estuda, tenta entender tudo, e depois aparecem as tropas de choque “fulano é um lixo”, “venceu com o pé nas costas”, “faltou coragem”… Tá bom né…

  5. Casola, você pecou nesse texto…Não se deve falar o Santo nome de Andrea de Cesaris em vão… :mrgreen:
    Acho que tem os dois lados, o cara é mala, não ganha nada e é xingado, o cara é bonzinho demais, não ganha nada e é xingado, o cara é mala, ganha tudo e é exaltado por não ter papas na lingua e o cara é bonzinho, ganha tudo e vira exemplo… Tudo está no ganhar ou perder no fim das contas, o que o povo (principalmente o brazuca) quer é que o cara vença a qualquer custo e pronto, temos um herói!!! Olimpiadas??? Agora aparecem aqueles que nunca assistem uma luta de judo, uma prova de natação ou até mesmo uma partida de tênis de mesa pra falar merda, esses esportes no Brasil só passam nos canais por assinatura e dão traço de audiência, agora que aparece nas olimpiadas aparece nego falando de incentivo ao esporte??? Nunca assistiu e quer incentivo??? Como cara-palida??? Nem tem audiência da tv e ainda cobram resultados do governo e incentivos??? E ainda reclamam porque o futebol é rico e que não existem pistas para atletismo??? Nunca deram o minimo valor… (eu me incluo nisso) eu não assisto olimpiada e não gosto de nada da olimpiada, a não ser das mulheres gostosas e acabou, não vou cobrar nada de brasileiro nenhum, afinal eu nunca apoiei os esportes pois não dou audiência e portanto não tenho o direito de cobrar resultado nenhum!!!

    • Clap, clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,!!!!!!

    • (Agora em pé) Clap, clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,!!!!!!

    • Você só esqueceu uma coisa, Ed: a culpa é do governo. Aliás, a culpa é sempre do governo. Se tenho diarréia e vômito por virose, a culpa é do prefeito da cidade que não passou álcool gel nas minhas mãos. Se os cachorros espalharam pela calçada o lixo que eu mesmo depositei, a culpa é do governo que não construiu uma cesta adequada na porta de casa ou mesmo foi incapaz de se valer do engenho de montar uma pequena armação de arame no poste mais próximo para manter os dejetos fora do alcance dos cães. E o governo também é culpado em não me convencer de frequentar uma biblioteca pública que empresta livros gratuitos por trinta dias para colocar algo que preste dentro desta cabeça preenchida por nomes de jogadores de futebol fedorentos. O governo também é culpado por eu não administrar corretamente minhas finanças, por não me informar antes de votar ou mesmo por eu não me importar com nada exceto quando dá vontade de me queixar. O governo também é culpado por eu pensar, bem lá no fundo, que o morador de rua que devolveu os vinte mil reais que achou aos seus legítimos dono é um otário. O governo também tem culpa pelo fato de que não escovo os dentes; por que não uso camisinha gratuita para trepar e fazer um filho atrás do outro na minha nêga; é culpado por eu preferir beber cachaça, assistir o ‘curíntia´ ou o ‘framengo’ em vez de educar meu filho – já que a escola não educa -, pois meu trabalho, como animal que sou, é me reproduzir, ser torcedor, ser ignorante, ver a Globo, xingar a Carminha e reclamar do governo. Assinado: O Povo.

      • Fabio Nascimento

        Muito bem, só estou vendo agora o post e as respostas. Mto bom o texto do Casola e ótimo o seu também. É sempre mais fácil achar um culpado do que fazer a coisa mais certa.

  6. Eu era fâ do Nelsão antes do Senna. Ví o cara correr ao vivo. Não entendia porque a imprensa pegava no pé do cara, deram até o troféu “limão” pro Piquet. A verdade é que no Brasil há uma imprensa marron, de gente sem talento e que quer viver da fama dos outros. Claro que há aqui ótimos jornalistas e no exterior também há a imprensa marron, principalmente na Itália. Piquet só detonava os jornalistas idiotas. Quanto a menina aí do judô: ninguém patrocina porra nenhuma para cobrar resultado da mina. Bem pouco o “fdp”. E garanto que ela não recebe um tostão desse governo Petista hipócrita, que não investe em educação, cultura e segurança. Temos que tirar o PT do poder, não dá mais. Um bando de incompetentes que se apoiam na figura emblemática e mitológica do sapo barbudo. Conheço bem essa raça, pois estou fazendo peças publicitárias para vereadores dessa galera. E não, não estou recebendo mensalão, muito pelo contrário: o PT finge que ainda é aquele partido dos trabalhadores, queridinho dos intelectulóides. Cara, são hipócritas. Depois o outro aperta a mão do Maluf… f@d@$e Lula. Se a política do Brasil era podre, o PT acabou de f%$#@-la. Não, não sou o Zé Bedeu disfarçado.

    • Que imprensa? A Globo, claro. Certo? Quem mais divulgava/transmitia a F1? Quais jornais diziam que o Piquet era isso ou aquilo? No Rio, tinha o Globo e o Jornal do Brasil, o JB. Tu achas que o JB iria publicar sequer os resultados da corrida, sendo ela transmitida pelo rival? Nao rolava 1 linha sequer no JB.

      Era tudo da Globo. E foi a Globo que decidiu “enterrar” o Piquet. Claro, nao enterrou porra nenhuma pq mesmo assim ele ganhou 3 titulos. Mas elegeu-o o trofeu limao.

      A Globo ofereceu um contrato para o Piquet. Grana alta. Tudo que ele tinha que fazer era atender os jornalistas do Globo, falar legal, ser gente fina. Piquet disse que nao garantiria isso nunca pq numa corrida, se ele estivesse puto com o acerto do carro, ele nao ia dar entrevista porra nenhuma; ele iria direto pros boxs tentar mexer no acerto, ao inves de ficar de ladainha pra TV. O Boni ficou puto e tentou explicar pra ele a importancia disso; dele se tornar um idolo nacional, mas o Nelsao disse que o mais importante pra ele era gannar corridas, nao ser idolo de ninguem, ate’ pq ele nao se achava o melhor piloto do mundo (“Isso nao existe”, disse ele). E vale lembrar que na epoca os patrocinios eram diretamente ligados ao desempenho nas pistas, nao a imagem do piloto. Neguin cagava se o cara fumava, cheirava ou dava o cu’, os patrocinadores pagavam pelo desempenho.

      Como o plano da Globo era realmente muito lucrativo, eles empurraram com a barriga por uns 2-3 anos, ate’ que o salvador da patria apareceu: Ayrton Silva da Senna! O Senna topou tudo que o Piquet nao topou.

      Nao o culpo por isso de jeito nenhum, acho que cada um deles fez o que achava que era certo. E, passados todos esses anos, posso dizer que ambos fizeram o certo!

      Piquet queria correr e ganhar, achava todo o resto secundario. Senna queria ser o melhor piloto de todos, o que conseguiu. Queria ser uma lenda, o que conseguiu tb. Ele nao sabia que iria morrer jovem e correndo, tvz se soubesse nao seria o Senna. Ele, como Piquet, apenas seguiu seu coracao. Seguiu o caminho que ja’ estava tracado para ele.

      Foram 2 vencedores no real sentido da palavra: Seguiram seus caminhos. Por isso, pensem bem ao comparar os 2. Ou ate’ falar mal deles. Foram 2 geniais.

      Claro, o Piquet era melhor…😀

  7. Este é o problema do brasileiro. Entrou grana, foda-se o idealismo. O PT é uma merda, o cavaleiro sabe disso mas faz peça publicitária a favor deles. Deveria fazer até de graça para os outros derrubarem a trupe do sapo barbudo. Como vai comprar o leite das crianças é uma questão de estar apoiado por quem não concorda com o status quo deste brasilzin, mas nem panelaço a gente faz ali na esquina, qto mais enfiar a mão no bolso. Somos 190 milhões de acomodados e safados. Só isso. Quase todos os países da América do Sul tem ex-presidente e general preso. Aqui nem o Maluf (procurado pela INTERPOL) vai pra cadeia. Ah, e vou avisando logo: estou velhinho demais para me meter em encrencas. Pronto falei, thanks Zé Bedeu.

    • Sidney, meu jovem, vc tem razão em parte. Talvez antes de vc nascer, em 1984, eu participei de movimentos estudantis contra a ditadura militar portando a bandeira do PT. Ninguém sabia, eu era menor na época e talvez eu fosse preso e torturado caso os militares resolvessem “apertar” a chamada “abertura”. Depois, em 1986, houve a volta da “democracia” e resolvi sair desses movimentos, pois a democracia estava de volta e percebi que os lideres queriam mesmo era apoio político. Acreditei estar fazendo minha parte em 84 para que você e eu tivéssemos liberdade. Nessa parte não fui acomodado, sou acomodado sim por não correr atrás do meu sonho (e aqui só Trapizomba sabe qual é, ok?). Muitos foram torturados e outros morreram tentando a liberdade antes de mim, eu tive sorte, talvez. Hoje sinto que apoiei foi projeto de poder do senhor José Dirceu… Se eu não saísse dessa joça com certeza eu estaria com um bom cargo no governo, mas resolvi tocar minha vida na economia privada.

      “Disssculpa Gretchen”, mas não me sinto herói, e não sou herói de porra nenhuma, não-chore-por-mim-Argentina… Hoje eu não sou besta para tirar onda de herói, como dizia Raul Seixas. Herói é Senna. E herói bom é herói morto… E o Capitão América, que foi meu “professor” de patriotismo (talvez por isso nunca simpatizei com o comunismo).

      Generalizei aqui, meu caro. Saiba que meus clientes não são do topo da pirâmide petista, são pessoas simples: um do Movimento Negro, uma professora negra do interior e uma fundadora do sindicato das empregadas do lar… e negra. Cara, essa galera nem tem muito apoio financeiro das outras facções do PT. Eu realmente acredito nesses candidatos, pois eles nunca ganharam nada antes, pode ser que depois mudem, mas acredito que eles querem fazer algo sério. Pelo menos agora… E, pô, estou numa empresa privada, ou você não vive de capitalismo, meu amigo? É toma lá dá cá como qualquer negócio. E eu preciso do leitinho das crianças.

      Olha, eu faço minha parte hoje assim: sou voluntário como monitor de um projeto de educação cultural em escola pública em comunidade carente. Não ganho salário por isso, só alimentação e transporte. Cara, são jovens que deveriam ter uma chance e elas acham que não tem, pois a sociedade faz com que elas pensem assim. Se todos fizessem sua parte, uma gotinha d’água que fosse, teríamos hoje um oceano. E eu já disse que herói é o c@#$%*&.

  8. EXTRA EXTRA!!!!

    Groselha comeca a sentir um par de chifres crescendo na cabeca:

    “e minha esposa é amiga de Tony Parker do basquete”

    O Tony Parker e’ um dos maiores comedores da NBA.

  9. Se fosse eu mandava ir se f… também.

  1. Pingback: A metamorfose “brasileira” de Fernando Alonso | F1 Social Club

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