Os cavaleiros do apocalipse vêm à motor


Desta cena, só sobrou o Piquet

Pois é galera, estamos em um momento tenso no esporte à motor nos últimos tempos. A sensação não é nada boa depois de alguns eventos melancólicos que têm atingido as principais praças do automobilismo. E isso pode ser o alerta de um futuro bastante sombrio para  a nossa diversão favorita…

Todos vocês devem ter acompanhado a situação dramática de Jacarepaguá, intensificada na última semana com o anúncio da última corrida de Stock Car nesta tão gloriosa praça e que vai sumir do mapa para as instalações olímpicas, e posteriormente, vai ser um prato cheio para a especulação imobiliária no local.

Bons tempos de F1 em Nordscheilfe

Hoje, vi que Nurburgring também está prestes a fechar. Neste caso, a crise financeira que assola a Europa, e que já tem afetado a realização de corridas no velho continente. Os administradores do circuito alemão pediram falência e tudo indica que será o fim do complexo onde há um circuito mais simples de 5,1 km, além do tradicional “inferno verde” de Nordschleife, de 22km, usado para testes até para os mortais que quiserem enfiar o carro para dar uma volta por lá.

O curioso é que a situação dos dois países é antagônica. Aqui, sabemos que as pistas são sucateadas, que a organização é terrível e que os grids geralmente estão esvaziados. Para ajudar, os resultados dos pilotos tupiniquins não ajudam. Mas na terra da salsicha, a situação do automobilismo é bem estável. Várias categorias estruturadas, apoio maciço das grandes montadoras,e nove títulos nos últimos 18 campeonatos de Fórmula 1.

A justificativa para esses acontecimentos tem sido a perda do interesse da população em cima do automobilismo. Em outras ocasiões isso foi argumentado, como o fechamento do canal Speed aqui no Brasil. A Fox Sports, que entrou no lugar tem a transmissão de eventos da velocidade, como as três categorias da Nascar, mas segue um viés mais futebolístico, afinal, a preferência é pelo esporte bretão.

Protestos pelo fim do Speed, mas sem muitos resultados.

E isso é o preocupante. Cada vez menos pessoas têm se interessado pelas corridas de carro. Talvez a geração atual, preocupada com o meio ambiente, tem preterido as competições que usam motor alegando que isso não é “saudável”. Mas o principal fator é o financeiro. A crise internacional faz com que as pessoas e as empresas cuidem de outras prioridades, e sabemos que o automobilismo gasta uma fortuna para se elaborar competições de alto nível.

A busca de novas tecnologias tem cada vez menos se associado às competições de automotores e a essência de ser a “desenvolvedora dos produtos que irão às ruas no futuro” está totalmente defasada. A verdade é que o esporte à motor não chama mais a atenção do público como se deve. Existe algumas exceções, como a própria Nascar, que possui um estilo bem familiar ao “american way of life”, mas a maioria tem ficado meio que para segundo plano.

Largada da CART em Jacarepaguá em 1998. Arquibancada cheia. Imagem impossível nos dias atuais.

Na nação verde-amarela, o que se vê de frases como “ai, parei de ver Fórmula 1 depois da morte do Senna” é tão comum entre os amigos. São poucos com quem a gente vê na nossa vida que consegue falar de automobilismo. Ninguém tem o mesmo interesse de antes. A ausência de um ídolo é a causa aqui, mas não se vê soluções para esta causa. O que representa a morte lenta do ambiente da velocidade por estas terras.

Estamos diante de várias razões para tornar o esporte motor impraticável no futuro. Para poder salvá-lo deste fim as categorias precisam se reinventar. Procurar dispositivos para chamar a atenção da mídia e do público. Alguns recursos “artificiais” estão sendo usados na F1, como o Kers e a asa móvel, mas são soluções apenas paliativas. Mais coisas precisam ser feitas para tornar a categoria rentável.

Mas o grande problema está na esfera financeira. Acredito que esta crise deve se estender por um bom período (e talvez piore). Sem grana, sabemos que irá ficar muito difícil manter competições em alto nível.

Pois é, parece que para nós, fãs da velocidade, o fim está cada vez mais próximo. Espero estar errado, mas o futuro parece ser muito sombrio…

Bom, é isso. Alguma indagação? Abraço!

Publicado em julho 18, 2012, em Atualidade, Automobilismo, Reflexão e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.

  1. Sem querer trollar ou mostrar interesse.Cassola,você o post influenciado pelo meu comentário anterior,ou foi por conhecidencia?

    • Eduardo Casola Filho

      Acho que pode ter influenciado um pouco, mas a ideia deste post surgiu hoje quando estava conversando em um grupo do Facebook. Mas acho que as ideias se complementam.

  2. Uma das maneiras de salvar o automobilismo é reduzir custos drasticamente. Eu disse drasticamente, pois assim as equipes e os patrocinadores terão grana para promover o evento e não simplesmente patrocinar as equipes e os pilotos com rios de dinheiro.
    Um exemplo de redução drás tica: OS Carcassi estão trazendo a Fórmula + para o Brasil. O carrinho, um Kart crescido vai custar 80 pilas, só a bagaça. Mas poderia ser produzido aqui no Brasil mesmo, com motor e câmbio de 1.000 cc de qq popular nacional ao invés de usar o 600 da Yamaha e chassis feito ali na esquina. Pq não? Duvido q custaria 20 pila. Aí até eu poderia ter o meu. Mas 80 contos de réis? Tenho família para tratar e não vou mendigar patrocínio não. É assim o esporte vai pro ralo.
    A outra maneira é aposentar o velho Bernie, sanguessuga da F1 e q tem jogado uma pá de cal no esporte com os valores astronômicos q ele impos à categoria.
    Tem como baratear tudo. Alguém tem que lutar por isso. Onde eu assino?

    • Concordo que dê pra baratear os custos.
      A pergunta que deve ser feita é: Interessa baratear?
      Se o Bernie põe uma tabela com valores lunares, tem alguém que pode pagar (os barões do ouro negro, principalmente – complicado criticar, pois sou peão no ramo!), e a bolha só aumenta!
      Não duvido que num futuro a F1 seja disputada no Oriente Médio, com uma ou outra corrida na Europa.

  3. Prezado Casola e rapaziada.
    Olha, eu competi amadoristicamente durante 6 anos no Kart. Dizem muitos expets , pilotos de formula 1 inclusive, que, em escala, é o que mais se aproxima de um formúla 1 tanto em termos de pilotagem quanto em reflexos. Vou arriscar afirmar que, exceto o que tange desenvolvimento tecnológico é a mais pura verdade, especialmente nos quesitos emoção e GRANA!!!!
    Sem grana, testes e desenvolvimentos, não existe automobilismo, não existe razão de ser sua existência profissional. O maior de todos que vi correr em minha modesta opinião, e todos já sabem quem foi, treinava obstinadamente, mesmo depois de consagrado e até endeusado mundo afora, acredito que por isso tenha sido The Best, mas não abdicava dos treinos e testes, sempre em busca da utópica perfeição.
    O automobilismo está fadado sim a morrer, ninguém em sã consciência consegue ficar bancando este “brinquedo”. Hobby caro, instigante e um vício quase incurável… Sofro até hoje as seqüelas, :mrgreen:
    A indústria automobilística sempre se envolveu no interesse maior do marketing e especialmente do desenvolvimento, hoje com testes absolutamente ridículos, como desenvolver alguma coisa? Tabaco, para o bem da humanidade foi banido. Para um “Pobre” meus amigos, só se for maluco como eu e alguns amigos, para se meter a “piloto e dono de equipe”. Nem vou perder meu tempo em falar da ganância e primazia de um tal Bernie e seus acólitos, federações inclusive. Os autódromos literalmente pagam para sediarem uma corrida e, por vezes, com verba pública, uma vergonha, especialmente em um pais como nosso. Já gastou-se 20 Bilhões (segundo dados oficiais) com as prometidas Copa do Mundo e Olimpíadas, diga-se: Este montante já é 3 vezes o que a china gastou em sua Olimpíada, e dei-lhe cachoeira. Para quem duvida: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Gastos_da_Copa_do_Mundo_sobem_para_R_274_bilhoes_segundo_TCU&edt=26&id=261292
    E como se estes fatos não bastassem, somos um pais ainda em desenvolvimento, com população ainda extremamente pobre e com um detalhe: Bola você joga em qualquer terreno baldio e até com uns trapos enrolados como muitos de nós já fizeram nesta vida. Quem pode andar de Kart todo dia ou toda semana? Uns pouquíssimos privilegiados. Prá que investir dinheiro público e hobby de rico?
    Já começo a divagar, então para encerrar: Se até na Alemanha o bicho ta pegando e olha que lá taxi é BMW e às vezes Mercedes, e ninguém se espanta ao ver uma Ferrari na rua, o que sobra para um pais onde nossos carros populares não saem de fábrica sequer com air-bag de série?? Fala sério! Embora amante do esporte, NÃO CHORO POR TI JACAREPAGUÁ! Exceto é claro que lá vão erguer mais um “paquiderme branco” e dei-lhe ClePTocracia!

    • Eduardo Casola Filho

      O problema disso é que a economia em frangalhos no mundo todo, o negócio é cortar gastos. E o automobilismo, por ser um esporte que exige muitos gastos, acaba totalmente comprometido. E isso afeta o seu desenvolvimento e a sua popularidade. Esse é o desafio.

  4. Ninguém tem o mesmo interesse de antes. A ausência de um ídolo é a causa aqui, mas não se vê soluções para esta causa. O que representa a morte lenta do ambiente da velocidade por estas terras.

    Não concordo, porque tenho visto muitas pessoas novas interessadas em esporte a motor. creio também que nossas promessas irão dar algumas alegrias e talvez mais “Ibope” (Razia e Nasr).

    • Eduardo Casola Filho

      Um ídolo pode ajudar a atrair o público e é essencial para a manutenção deste esporte. Mas vemos em países como a Alemanha, que estão apertando o cinto com o esporte a motor, mesmo com o brilho dos seus patrícios. Isso é preocupante.

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