FÓRMULA COMICS: HEROIS E ANTI-HEROIS DA VELOCIDADE


Estava pensando, noutro dia, que se Freud fosse um super heroi do universo Marvel seria duramente criticado, entre outras coisas, por fumar charuto, já que o mundo sertanejo universitário em que vivemos deixa aparecer sensíveis calcinhas de renda cada vez que se abaixa e mostra sua faceta politicamente correta. Entretanto, esse negócio de super heroi só funciona bem nos gibis e no cinema. Imaginem membros das classes C e D (estão na moda essas nomenclaturas) necessitando da ajuda da Liga da Justiça: depois de passar a noite na fila para tirar uma senha, na hora do atendimento ainda teriam que preencher uma série de formulários respondendo se fumam, se bebem, se falam palavrões, se tem DST, HIV, HPV, HRT, se fazem parte de grupos de risco tipo o fã clube do Barrichello, enfim, uma burocracia tão cruel quanto o mais detestável dos vilões que Stan Lee e Jack Kirby possam ter criado.

Quem dá mais trabalho? Os jovens X-Men ou os jovens pilotos?

Por outro lado, fico curioso sobre quem se enquadraria ou assemelharia, dentre os personagens da nossa realidade, com os diferentes super herois que povoavam (e ainda povoam, acho) os gibis dos meus tempos de moleque e que agora tomaram conta da produção cinematográfica hollywoodiana. Se fizéssemos esse exercício imaginativo pensando no palco da F1, ainda que a tentação de escorregar para outros circos seja grande, quem sabe o que poderíamos chegar a projetar.

Duro saber quem é melhor entornando o caldo…

Por exemplo, no embalo dessa vitória espetacular e porque não improvável da Williams no GP da Espanha, não consigo deixar de pensar em Frank Williams encarnando o professor Charles Xavier, mentor dos X-Men. O velho Frank é um idealista, desapegado e altruísta líder de equipe que acredita profundamente no esporte em que edificou sua vida, da mesma forma que o personagem da Marvel acredita em uma longínqua harmonia no convívio entre homens e mutantes. E como não comparar Kimi Raikkonen com Wolverine? Caladão, pseudo alcoólatra, avesso a formalidades, frescuras e protocolos, o finlandês ganha fãs mais por sua personalidade contestadora e irreverente do que por sua pilotagem propriamente dita, da mesma forma que o mutante de Stan Lee. Kimi fez falta no paddock formulauniano, assim como Wolverine faria falta se desaparecesse do universo dos super anti-herois.

Um complementa o outro…

Não obstante, há os que poderiam assumir momentaneamente um papel de heroi de histórias em quadrinhos devido ao momento que estão vivendo na F1. Nesse rol de personagens temporários, posso me arriscar em comparar Michael Schumacher com o Hulk. Assim como Schumacher, Hulk se tornou notório e poderoso por conta do seu alter ego estar no lugar certo e na hora certa e devido a um acidente do destino. Por puro acaso o pai de Bruce Banner criou dentro dele a poderosa criatura que, herdada, arrasa tudo ao seu redor, assim como, pelo acaso e pelas circunstâncias, vários ‘pais’ diferentes conceberam o multicampeão alemão. No entanto, da mesma forma que o monstro verde nas telas, nas pistas Schumacher vem destruindo tudo quanto toca. Parafraseando minha amiga Duda, para terminar uma corrida o Hulk alemão teria que pilotar um tanque, pois sua fúria já está ficando fora de controle. Resta saber se o general Ross – Brawn – poderá conter os constantes rompantes do decano velocista, problema semelhante ao do mal fadado Bruce Banner. Porquanto, a única diferença visível entre Hulk e Schumacher seria a cor da bunda.

Eu falo, você pilota…

Dentro da galeria dos já consagrados como tal, na Fórmula Indy eis que surge ‘The Spider Man’ Helio Castro Neves, contudo, quero me ater, se possível, apenas aos pilotos de F1. E quem seria o Homem Aranha do circo comandado por Bernie Ecclestone – ele mesmo, porque não, o Magneto –?  Pra mim, ninguém melhor que Jenson Button. Ele é silencioso, bom moço, fotografa bem e é gentil com a borracha, um paradoxo da teia do aracnídeo. Jenson fora surgindo aos poucos, apesar do nariz torcido de muitos, eu incluso, porém havia os que apostavam na sua inteligência e frieza. Como o Homem Aranha, Jenson simplesmente não erra, parecendo que os obstáculos têm dificuldade para atingi-lo. Mesmo não sendo o mais forte ou imponente dos ‘herois’, conseguira impor-se com rapidez de raciocínio e oportunismo. Já o papel de Batman convenhamos que cai como uma luva para Fernando Alonso. Obscuro, levemente contido, cheio de truques e artimanhas, controverso e por vezes parecendo flertar com o lado escuro, o Batman das Asturias é sempre surpreendente e preciso. Tira coelhos da cartola tanto quanto o morcego recorre ao cinto de utilidades. Mesmo assim consegue se virar com o que tem a mão, ficando sempre na disputa de algo, seja um título ou pelo menos uma vitória ou pódio. Alem disso, da mesma forma que o Batman, Alonso mantêm seus parceiros num eterno segundo plano, exceto quando teve que enfrentar outro cavalheiro das trevas, o ‘Homem de Ferro’ Lewis Hamilton, um menino prodígio que não aceitou o triste papel de Robin e decidiu voar mais alto que o morcego. Lewis, semelhante ao dúbio Tony Stark, desperta amor e ódio, porém é dono de um charme único, de um carisma que consegue cativar até mesmo os inimigos. Analogamente ao heroi dos quadrinhos e do cinema, traz consigo uma forte imagem paterna e ao mesmo tempo uma grande influência do preceptor. Mulherengo e festeiro, adepto a rachas (ops!) e pegas, sempre esta metido em algum tipo de confusão, porém fascina o mundo com sua velocidade quase selvagem. Homem de Ferro e Lewis Hamilton, literalmente, Born to be wild!

Este ángulo no me favorece para nada…

Já na galeria dos bons moços, quem além de Sebastian Vettel poderia ser o Poderoso Thor? Dotado de uma aura ao mesmo tempo arrogante e jovial, inocente e impulsiva, o pequeno grande campeão já tomou para si toda a Alemanha, arrebatando do Schumi/Hulk boa parte do fã clube. Tendo recebido algo assim como o cajado de Moisés das mãos de um Odin nanico de origem inglesa, usa essa força com certa sabedoria, apesar da pouca idade, embora ainda seja algo contestado pelo mundo não alemão devido a pequenos deslizes cometidos em momentos decisivos, da mesma forma que o deus do trovão. Há quem ache que ele só sabe vencer se todas as condições estiverem ao seu favor, mas também há quem considere isso intriga de uma oposição tão invejosa quanto Loki, o irmão de Thor.

Uniforme maneiro, mas eu pego mais gatas…

Enfim, poderíamos brincar indefinidamente com estes personagens reais e imaginários, no entanto preferi ficar apenas no rol dos campeões do mundo em ação, já que esta é a marca mais latente da nova F1, uma categoria que tenta se reinventar a cada ano para deixar de vez a ameaça da escuridão definitiva. De qualquer maneira fica no ar uma pequena provocação: quem se habilita a fazer uma comparação entre pilotos e herois? As possibilidades são infinitas e os personagens, reais e imaginários, há de sobra.

Ops! Como essa foto veio parar aqui?!

Publicado em maio 18, 2012, em Atualidade, Automobilismo, F1 e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 19 Comentários.

  1. Eduardo Casola Filho

    Um excelente ponto de vista. Uma ótima associação.

    Outro homem de ferro que vai surgindo é o Tony Fernandes, pois ele acertou o patrocínio de uma fábrica de itens bélicos. O malaio vai seguindo os mesmos caminhos do xará dele, Tony Stark?:mrgreen:

    • Boa! Hahahaha!!! Mas daí ele teria que desenhar as armas e, tendo como base a eterna bomba que é a equipe dele, acho que correria o risco de se auto-explodir…

  2. A estrebaria teria alguma coisa a ver com os pôneis malditos?

  3. “criou dentro dele a poderosa criatura”: o QueimaRos tá com inveja do queixada. “Vários ‘pais’ diferentes conceberam o multicampeão alemão”: pegou mal para a mãe do queixudo.

  4. Legal o post, é muito divertido. Boa comparação entre os heróis do gibi e do “mundo real” (a F1 definitivamente não faz parte do nosso mundo).

    Só uma dúvida: esse loirinho vestido de Robin é o Roseberg?

  5. Eduardo Casola Filho

    Pela primeira vez, um australiano vai largar na pole das 500 milhas, mas não o Will Power, e sim o Bryan Riscoe (Thanx Luciano do Valle)

    Amanhã teremos o Bump Day, com os que disputam as últimas vagas, sendo qe só um deve rodar. Bryan Clauson (Sarah Fisher Hartman Racing), Ed Carpenter (Ed Carpenter Racing), Oriol Servia (Panther/Dreyer & Reinbold Racing), Jean Alesi (Fan Force United), Mike Conway (A. J. Foyt Enterprises), Wade Cunningham (A. J. Foyt Enterprises), Simona de Silvestro (Lotus- HVM Racing), Sébastien Bourdais (Dragon Racing) e Katherine Legge (Dragon Racing) estão na roda.

    Os brasileiros até estão bem na fita e podem fazer bonito na corrida.

    1º. Ryan Briscoe (AUS/Penske-Chevrolet), 2min38s9514
    2º. James Hinchcliffe (CAN/Andretti-Chevrolet), 2min38s9537
    3º. Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti-Chevrolet), 2min39s1233
    4º. Marco Andretti (EUA/Andretti-Chevrolet), 2min39s6766
    5º. Will Power (AUS/Penske-Chevrolet), 2min39s7004
    6º. Hélio Castroneves (BRA/Penske-Chevrolet), 2min39s8780
    7º. Josef Newgarden (EUA/Fisher Hartman-Honda), 2min40s6879
    8º. Ernesto Viso (VEN/KV-Chevrolet), sem tempo
    9º. Tony Kanaan (BRA/KV-Chevrolet), sem tempo

    10º. Rubens Barrichello (BRA/KV-Chevrolet),
    11º. Alex Tagliani (CAN/BHA-Lotus),
    12º. Graham Rahal (EUA/Chip Ganassi-Honda),
    13º. Bia Figueiredo (BRA/Conquest Andretti-Chevrolet),
    14º. Charlie Kimball (EUA/Chip Ganassi-Honda),
    15º. Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi-Honda),
    16º. Dario Franchitti (ESC/Chip Ganassi-Honda),
    17º. James Jakes (ING/Dale Coyne-Honda),
    18º. J. R. Hildebrand (EUA/Panther-Chevrolet),
    19º. Takuma Sato (JAP/Rahal Letterman-Honda),
    20º. Townsend Bell (EUA/Schmidt Hamilton-Honda),
    21º. Justin Wilson (ING/Dale Coyne-Honda),
    22º. Michel Jourdain Jr. (MEX/Rahal Letterman-Honda),
    23º. Simon Pagenaud (FRA/Schmidt Hamilton-Honda),
    24º. Sebastián Saavedra (COL/AFS Andretti-Chevrolet),

    • Só agora consegui parar para ler o post. Muito bom!
      Vou arriscar a dar minhas contribuições “abrasileiradas”:
      Barrichello seria um vilão (qualquer vilão), pois sempre perde no final… ou o Robin, pois sempre foi um coadjuvante.
      Senna seria o Super-Homem, pq é o mais lembrado de todos.
      E Nelsinho Piquet seria o Anakin Skywalker/Darth Vader: tinha um futuro promissor, mas foi para o lado negro da força.

  6. Bidart, a ciganinha da foto a direita estava checando o volume do Robin…

  7. Eduardo Casola Filho

    Classificação da Indy (Só passou o Alesi porque só tinha os 33 no grid mesmo::

    25º. Sébastien Bourdais (FRA/Dragon-Lotus), 2min40s8666
    26º. Wade Cunningham (NZL/A. J. Foyt-Honda), 2min41s2484
    27º. Oriol Servià (ESP/Dreyer & Reinbold-Lotus), 2min41s8754
    28º. Ed Carpenter (EUA/Carpenter-Chevrolet), 2min41s9262
    29º. Mike Conway (ING/A. J. Foyt-Honda), 2min41s9293
    30º. Katherine Legge (ING/Dragon-Lotus), 2min42s4374
    31º. Bryan Clauson (EUA/Fisher Hartman-Honda), 2min47s6671
    32º. Simona de Silvestro (SUI/HVM-Lotus), 2min47s9162
    33º. Jean Alesi (FRA/Fan Force United-Lotus), 2min51s3516

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