As minhas primeiras 500 milhas


O quase-fim de Piquet

Pessoal, se aproximando da data das 500 milhas de Indianapolis, a prova vem como momentos históricos. Eu vou me recordar da primeira vez que acompanhei uma corrida da Indy, que me lembre. Eu já era nascido quando o Emerson venceu em 1989, mas a corrida que me recordo bem, até porque o meu pai tinha gravado no VHS esta corrida. A edição que eu recordo é de 1992.

Essa edição foi muito marcada por uma série de graves acidente desde os treinos e na corrida também. Durante a classificação, mais precisamente no dia 15 de maio,  tivemos uma morte na classificação. Foi do filipino Jovy Marcelo, que tinha 26 anos.

Também no treino, houve um acidente do piloto Rick Mears bem forte, mas saiu ileso e pôde defender o título da prova, já que tinha coseguido a última das suas quatro vitórias no ano anterior.

Mas a batida mais marcante foi a de Nelson Piquet. Assim como fez Rubens Barrichello nesta temporada, o tricampeão resolveu fazer a tradicional prova, começando sua caminhada nos States, entretanto, o choque com o muro naquele fatídico 7 de maio acabou com seus planos e quase o fez perder as pernas.

A pancada o deixou no hospital por semanas, pois seus pés foram simplesmente esmigalhados. Mesmo nesse momento, o Nelsão não perdeu o bom-humor. Quando conversava com Alessandro Nannini, ex-companheiro de Benetton, que havia perdido uma das mãos em um acidente de helicóptero, veio a célebre frase “Você acelera e eu dirijo”, sobre o desejo de continuar correndo. Piquet conseguiu uma recuperação inacreditável e disputou a edição de 1993, mostrando ser um vencedor na vida.

Sem Piquet, o Brasil largou com dois representantes. Emerson Fittipaldi estava lá para tentar a segunda vitória, mas a Penske não tinha o carro mais rápido para o Rato tentar alçar voos altos. O outro piloto era Raul Boesel, que veio de última hora para substituir o japonês Hiro Matsushida, outro acidentado dos treinos.

Voltando a corrida, a classificação teve como pole o colombiano Roberto Guerrero. Foi daquelas poles que parece um elefante em cima de uma árvore: Você não sabe como foi acontecer, mas sabe que não durar muito tempo assim. Quem sabe do nível dele deve entender isso e o ex-piloto de F1 conseguiu confirmar a tese antes da largada.

Pois é. Guerrero conseguiu a proeza de rodar fazendo o ziguezague na volta de apresentação e bater na grade da parte interna do circuito. Barbeiragem daquelas, que nem a esposa do colombiano acreditou na bobagem que o marido fez. Talvez a maior da história da prova.

O desenrolar da corrida foi marcado por vários acidentes e pilotos indo ao hospital. Tom Sneva, Philliphe Gache, Stan Fox, Rick Mears, Jim Crawford, Jimmy Vasser (atual patrão do Barrica), Brian Bonner, Gary Bettenhausen e Arie Luyendyk (além de um mecânico dele)  tiveram que fazer um check-up no Hospital Metodista de Indianápolis, fazendo companhia ao Nelsão. Parecia fila do SUS!

Para Emerson, a corrida também acabou na maca, batendo junto com Mears e Crawford. Com os dois carros fora e os dois pilotos combalidos. Nada foi bom naquela corrida  para Roger Penske. O Rato teve mais sorte, apenas um arranhão no joelho, enquanto seu companheiro teve o pé quebrado.

Com alguns oponentes abatidos, seria a chance de ouro para a o clã Andretti exorcizar seus fantasmas na Brickyard, principalmente com Mario e Michael. O pai havia vencido em 1968, mas era mais lembrado por fiascos do que por este feito. O filho era o atual campeão da Indy, mas perdera a corrida de 1991 para Rick Mears e queria demais esta vitória, tanto que tinha o carro mais rápido e era o favorito à vitória. Eis um momento da corrida transmitido pela Band com o Luciano do Valle:

Mas logo a sina da família foi derrubando um a um. John Andretti, com o carro da Pennzoil, quebrou no decorrer da corrida. Jeff Andretti, teve uma roda solta na batida com Bettenhausen, numa pancada semelhante a do Nelsão e acabou com as mesmas lesões do tricampeão.

Mario já teve problemas mecânicos desde o começo da corrida, e estava com uma ou duas voltas trás, tentando reagir, perdeu o controle na curva 4 e bateu de frente com o muro. Alguns dedos dos pés quebrados e outra dolorosa lembrança desta etapa da Indy 500.

Já Michael, tão dominante no decorrer da prova,líder por mais de 160 voltas, tinha tudo sob controle até 11 voltas para o fim, quando de repente o motor Ford abria o bico e deixava o futuro piloto da McLaren à pé e tirando as chances de vencer e quebrar o tabu.

Sem os Andretti e sem as Penske pelo caminho, a corrida caía no colo de Al Unser Jr. O filho do lendário tetracampeão das 500 milhas também buscava a primeira vitória. Ele já teve outras chances, mas sempre esbarrava em algo, como em 89, quando bateu há duas voltas do fim e viu Emerson Fittipaldi entrar para história. Desta vez, a coisa estava mais calma. Ou não?

Lá de trás vinha Scott Goodyear. O piloto canadense só entrou no grid depois que comprou a vaga de Mike Groff. Classificado em 26º, o estadunidense era o companheiro de Goodyear e fez o dever com um carro obsoleto, coisa que Scott não fez. Mas como era o primeiro piloto, o jogo de equipe o favoreceu, mas com o preço de largar da última das 33 posições da competição.

Alheio a todos os problemas, Goodyear galgou posições e chegou na parte final fungando no cangote de Al Jr. O final foi de tirar o fôlego. Eis a narração do Bolacha:

Foi por meio carro, mas Al Unser Jr. conseguia repetir o feito do pai e entrava na galeria dos grandes vencedores das 500 milhas, bebeu o leite  e foi imortalizado no troféu da prova. Uma vitória que parecia difícil, mas que fez juz à qualidade do piloto americano.

Boesel fez uma corrida simples, evitando as confusões e chegou num bom sétimo lugar, ainda mais para quem entrou na última hora. Esta corrida marcou o melhor resultado de uma mulher estreante na história da Indy, até então, com o 11º lugar de Lyn St. James, sobrevivendo a caos provocado pelos marmanjos.

Foi uma corrida que me marcou, um dos meus primeiros contatos com a Indy, naquele 24 de maio de 1992. Uma corrida histórica. Um pouco triste, mas histórica!

Para finalizar, tem este vídeo da TV americana, onde entrevistaram algumas figuras da F1. Riccardo Patrese não chegou a correr lá, já Nigel Mansell viria a das 500 milhas por duas vezes nos anos seguintes, onde brigou pela vitória em 1993, mas perdendo para o Rato. E teve Ayrton Senna, que quase correu lá,  quando teve o convite do Emerson no fim daquele ano:

Publicado em maio 15, 2012, em Automobilismo, Momentos Históricos e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 15 Comentários.

  1. Cara, eu me lembro da corrida, mas vc puxou tantos arquivos que já estavam apagados aqui na minha cabeça.
    Torço pelo Barrica dar super certo em Indianápolis, mas…ô pista assassina. Ganha até do Paris-Dakar. Sucesso Barrica, senta a bota e se preciso for, deixa o carro bater de traseira.

  2. Grande post, Casola! Nunca acompanhei a Indy e confesso que foi por falta de interesse mesmo. Achava um saco aquele carrossel de pilotos andando em circulos, mas reconheço que há corridas interessantes. Quem sabe quando eu tenha, finalmente, uma boa TV a cabo em casa passe a acompanhar.

  3. Não lembro de nada, pois simplesmente a F1 era tá fantástica que eu não acompanhava a Indy. Acho que o Emerson é chamado de rato porque sempre “fugiu” ileso de acidentes.

  4. Belo post Cassola!!! Eu ja devo ter visto as 500 milhas umas 2 ou 3 vezes no maximo, Vou ver a prova desse ano e torcer pro Rubinho.

  5. Pois é…este ano tb quero ver…

  6. Um carro sem bunda…

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