Pilotos Célebres – Jim Clark


Jim Clark

Para aqueles que nasceram depois de 1964 e não viram Jim Clark pilotar, leiam com atenção.

Ontem, dia 7 de Abril, fizeram 44 anos da morte de um piloto fenomenal, Jim Clark era o melhor piloto da época. Ponto. Todo mundo, inclusive os outros pilotos admitiam isso. Era uma espécie de Ayrton Senna da época. Unanimidade entre todos. Aquele cara que, tirando os pachequistas (de qualquer nacionalidade), é unanimidade entre todos; como por exemplo o Alonso o é agora (engraçado que o Schumacher, mesmo depois de ter ganho 1, 2 ou 3 títulos, nunca foi unanimidade…).

Pois Jim Clark era.

E o pior é que eles estavam certos. Jim tinha a velocidade nas veias como ninguém poderia ter. Venceu todas as corridas que pôde vencer. Tirava do carro tudo que ele pudesse dar. Mas, diferente de Nuvolari, sabia quando tirar o pé e poupar pneus ou combustivel, desde que isso lhe desse a vitória. Sabia guiar, mas também sabia ganhar.

“Me amarro num kilt”

Jim Clark era escocês, nasceu no dia 4 de Março de 1936. Jim era o caçula de 5 filhos e o único garoto (os outros 4 filhos eram meninas…que inferno, hehe). Talvez seja por isso que Jim sempre foi um cara quieto.

Mesmo contra a vontade da familia (como todos…), Jim começou a correr de carros em 1956. Categorias pequenas, como “hill-climbing”, onde a corrida começa lá em baixo e termina morro acima (haja tração).

Em 1958, Jim correu contra o cara que, um dia, iria lança-lo ao estrelato: Colin Chapman. Colin ganhou a corrida, com Jim em segundo, guiando um Lotus-Elite.

No dia 6 de Junho de 1960, Jim Clark fez sua estréia na F1 no GP da Holanda (já no meio da temporada) substituindo John Surtees, que foi correr de motos (só dava maluco naquela época). Clark abandonou na volta 49 com problemas mecânicos. Na sua segunda corrida na F1, em Spa, Jim sentiu o que era a F1 naquela época: um acidente matou Chris Bristow e Alan Stacey. Mesmo terminando em quinto lugar e marcando os seus primeiros pontos na F1 (isso logo na sua segunda corrida), Jim declarou que “eu dirigi tenso como  nunca“.

No ano seguinte, Jim Clark foi um dos personagens envolvidos no pior acidente da F1 até hoje: O famoso acidente de Wolfgang von Trips em Monza, que matou 15 espectadores. O video abaixo, mesmo em alemão, mostra bem o que foi (adiante até 1:03 min)

Clark não teve culpa no acidente, diga-se de passagem. Von Trips vinha à frente de Clark. Jim vinha numa trajetória um pouco mais por dentro, claro (já pensando em beliscar), quando Wolfgang mudou o traçado e foi mais por dentro. A roda traseira de Wolfgang tocou a roda dianteira de Clark, fazendo o carro do alemão literalmente voar em direção à arquibancada….Até hoje, esse é considerado o pior acidente da F1.

Nota: Wolfgang von Trips era um excelente piloto mas no estilo “arrojado”, tipo Gilles, Montoya, Mansell, etc…Naquela corrida, bastava um terceiro lugar para ele se tornar o primeiro alemão a ganhar um título de F1…Morreu e não levou…que ironia…

Em 1963, Jim Clark conquistou o seu primeiro título na F1 ao ganhar 7 das 10 corridas guiando a Lotus 25 (é, eram só 10 corridas naquela época, mas variava de ano pra ano) e tb dando a Lotus o primeiro título de construtores de sua história. A vitoria em Spa foi HISTÓRICA. Chovia pícaros, e Jim, largando em oitavo, passou todo mundo. Chegou a meter 1 volta em todos os pilotos, menos Bruce McLaren, o segundo colocado, mas mesmo assim, chegou 5 MINUTOS à frente de Bruce McLaren. Naquele mesmo ano, Jim correu as 500 Milhas de Indianápolis (que não fazia parte da F1) e só terminou em segundo pq o carro do primeiro colocado, Parnelli Jones, soltava óleo na pista adoidado, fazendo a corrida de Clark um verdadeiro “Hollyday-On-Ice” de tanto escorregadia que estava a pista.

champion

Em 1965, Clark ganhou não só o título da F1 mas tb chegou em primeiro nas 500 Milhas de Indianápolis, se tornando o primeiro piloto a conquistar tal feito no mesmo ano, dirigindo uma Lotus 38. Teve que abrir mão de correr na prova de Mônaco para correr em Indianapolis…Mas valeu a pena.

Em 1966, a FIA homologou o motor de 3 litros, o que tornou os carros da Lotus (2 litros) não tão competitivos. Jim suou e não conseguiu acompanhar o resto da galera. Eventualmente, a Lotus lançou o Lotus 43 que tinha o famoso (e sensível) motor BRM H16. Jim ganhou o GP dos EUA e chegou em segundo na famosa Indianápolis 500, atrás de Graham Hill.

No ano seguinte, a Lotus tentava se encontrar. Fizeram algumas corridas com o Lotus 43 mas não vingou. Chegaram a usar o Lotus 33, modelo mais antigo mas mais desenvolvido, sem sucesso. Fizeram, então, um acordo com a Ford-Cosworth que deu no famoso Lotus 49, um carro HISTÓRICO! O motor Ford-Cosworth DFV viria a se tornar o motor com mais sucesso da F1. Clark venceu o GP da Holanda, da Inglaterra, dos EUA, do Mexico e da Africa do Sul. Mas já era tarde.

Jim Clark e “flecha”

Era comum, na época, os pilotos correrem em outras categorias. Jim Clark uma vez falou que a categoria que ele mais se divertia, era correndo de Mini-Cooper. Pois, em 1968, Clark estava escalado (contrato) para correr em Hockenheimring numa prova de F2. Mesmo sendo uma corrida considerada “inferior”, o grid tinha feras como Beltoise e Pescarolo, e tb um certo Max Mosley que subiu da categoria Clubman.

Colin e Jim

O evento foi executado em duas baterias.  Na quinta volta da primeira bateria, o Lotus 48 de Clark saiu da pista e colidiu com as árvores. Ele quebrou o pescoço e fraturou o crânio, morrendo antes de chegar ao hospital. A causa do acidente nunca foi definitivamente identificada, mas investigadores concluíram que era provavelmente devido a um pneu traseiro esvaziando.  A morte de Clark afetou a comunidade do automobilismo terrivelmente, com colegas de Formula 1 e amigos próximos como Graham Hill, Jackie Stewart, Dan Gurney, John Surtees, Chris Amon e Jack Brabham, todos sendo pessoalmente afetados pela tragédia. Pessoas vieram de todo o mundo para o funeral de Clark. Colin Chapman ficou devastado e declarou publicamente que tinha perdido seu melhor amigo. Como sinal de respeito, Chapman ordenou qu o emblema tradicional verde e amarelo encontrado no nariz de todos os carros de rua da Lotus fosse substituído por um distintivo preto por um mês após a morte de Clark. O campeonato de 1968 de F1 foi posteriormente ganho por seu companheiro de equipe Lotus, Graham Hill, que mais tarde dedicaria a Clark.

flying…

Jim Clark inspirou todos os pilotos que correram com ele. Quando ele morreu, Chris Amon disse: “Se aconteceu com ele, quais são as nossas chances?”

Um piloto CÉLEBRE!!!!

Preparem a pipoca, sentem no sofá e assistam ao video abaixo, com os comprimentos trapizombescos.

Publicado em abril 8, 2012, em Automobilismo, F1, Pilotos Celebres e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 26 Comentários.

  1. Eduardo Casola Filho

    Um post HISTÓRICO!!!!

    E Obrado a todos que me desejaram parabéns na data de ontem. Muito obrigado pelos votos.que retribuo-os para todos. Um beijo no coração de vocês!🙂

  2. Da última foto do post surgiu o termo “Escocês Voador”!

    Fico meio desapontado de não ter acompanhado os pilotos das antigas, nos tempos em que o capacete era apenas mais peso pra carregar em caso de colisão.

  3. Eduardo Casola Filho

    E falando de pilotos das antigas. Jacques guiará o carro do Gilles para lembrar os 30 anos da morte do pai!

    http://tazio.uol.com.br/noticia/jacques-villeneuve-pilotara-ferrari-de-1979-em-homenagem-ao-pai/

  4. Po, Casola, não acessei o blog ontem… um parabéns “andrea de cesariano” (retardatario/atrasado) p vc!

  5. Excelente post sobre o escocês voador. E sim, Jim Clark deve ser sempre lembrado por nós, que nunca o vimos correr.

  6. Glies,Jim,Ayrton,Dan,Dale Sr,…Toda vez que você vai discutir automobilismo sempre tem uma viúva desses caras

  7. Lindo post trapi!!!!! Clark era um piloto top!!!!!

    Estamos aguardando o do Bruce.

  8. Galera, nao deixem de assistir ao video abaixo. E’ um video HISTORICO!!!!

    • Pacote de atualizações da HRT

      Tapa-olhos de ultima geração para os cavalos (feitos pela okrey)
      Ferraduras novas de titânio
      Chicotes de fibra de carbono
      Rodas de liga leve (made in paraguay)
      Pneus novinhos comprados no Zé da Borracha, (de um fiat 147 1969)
      Novo assento acolchoado (tirado de um sofá do lixão)

      E prá completá a belezura: Um toca-fita Roadstar (zerinho)

  9. Post maravilhoso, emocionante, lindo e inspirador! Como comparar homens como Jim Clark, pilotos que enaltecem o esporte a ratos como Schumacher, que transformam em merda tudo que suas bundas tocam? Não há como. Cada geração tem a valentia e a hombridade que seus ídolos inspiram. Tenho orgulho de me inspirar em Ayrton Senna e sou feliz pelos que se inspiraram em Fangio e Clark. Quanto aos que se inspiram em Schumacher, bom, o mundo está a merda em que está…sei lá…terá algo a ver?

  10. Cara, quando eu era guri eu tinha umas dessas “flechas” de brinquedo. Agora eu vi uma miniatura de montar, não lembro a marca agora, perfeita! Só que para importar ficar caro. PQP!

  11. Jim Clark era um fenomeno do seu tempo, tanto quanto foi Senna, Villeneuve, Peterson… Pilotos que são unanimidades, temos pilotos com resultados melhores que são meus idolos também mas, infelizmente não tão unanimes como Niki Lauda, Piquet, Prost, Schumacher, Fangio, a F1 tem dessas coisas não é???

  12. Euclides Palhafato (Perro de Cofap)

    Perdõem pela fuga temática, não leiam se não forem receptivos ao retruco, pulem se sentirem-se alheios ao universo corintiano, passem reto se a covardia for impeditiva ao debate sadio e voraz, mas aqui, como representante da paixão de Corintiano, bem depois da semana santa, eu exerço meu direito de resposta aos indignados pela ótima e acertada decisão da Bandeirantes de abrir mão da transmissão da corrida de Indy para podermos acompanhar o Todo Poderoso Timão.

    Se o Senna ressucitar e anunciar que vai correr, corrida especial, em Jacarepaguá, no dia do aniversário da sua passagem, convidar o Prost, Piquet, Mansel, proibir o Shummacher de participar e chamar Frentzen só pra provocá-lo, e tudo mais, e tiver jogo do Timão na mesma hora da corrida, é o Timão que vamos assistir. Chorem, não-corintianos, por terem que sempre estar em posição subalterna ante a vontade da Fiel, que reina absoluta no esporte televisivo paulista quiçá brasileiro. Chorem de desgosto por não terem cumprido a Lei de Deus quando nasceram, a rejeitado na infância, e terem sido excomungados na puberdade, delirando e escolhendo o caminho sodomita, suíno ou se encostando no mercado de peixe no futebol e não serem corintianos. A Band passa o Timão e rebaixa a corrida da Indy por uma razão muito justa: nós corintianos estamos sempre do outro lado da tela pra assistir. Contentem-se com seus Pay-per-views, camarotes trocados por favores, filhas, ou politicagem, radinhos de pilha, e consolem-se com o que possam ter de louvável em suas medíocres torcidas: a peculiaridade, pois torcida fiel, forte e determinante, NUNCA SERÃO!

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