Pilotos Célebres – Ayrton Senna da Silva


No dia de ontem, 22 de março, Ayrton Senna da Silva faria 52 anos, e nós não poderíamos deixar de prestar nossa homenagem a um dos maiores pilotos de todos os tempos.

Começou no kart como bom menino...

Ayrton nasceu em 1960, em São Paulo, vindo de uma família humilde, e sem tradição no automobilismo, porém com um pai entusiasta, Ayrton ganhou aos 4 anos de idade, um kart feito com motor de cortador de grama, feito pelo Sr. Milton, o pequeno piloto já demonstrou habilidade com o brinquedo, impressionando a familia.

Aos 13 ele começou a competir no kart de forma séria, e 3 anos depois se tornara campeão sul-americano e brasileiro da categoria, repetindo o feito no  ano seguinte, e novamente em 1980, sagrando-se tricampeão nas duas categorias. Em 1981 Senna se muda para o automobilismo, indo morar na Europa e competindo no campeonato inglês de Fórmula Ford 1600, sagrando-se campeão no ano de estréia, mudando para a Fórmula Ford 2000, sendo campeão britânico e europeu daquele ano, foi também em 1982 que ele trocou o nome Silva, para Senna, sobrenome de solteira da Mãe, repetindo o feito de Piquet, que usou o sobrenome da mãe mas por outro motivo.

Campeão da F3 inglesa...

Em 1983 outra mudança, desta vez para a Fórmula 3 inglesa, onde travou ferranhas batalhas com Martin Brundle, que também viria a ascender a F1. Neste ano Senna mais uma vez sagrou-se campeão da categoria, obtendo várias vitórias no circuito de Siverstone, que a imprensa inglesa passou a chamar de “Silvastone”, em homenagem as vitorias do piloto.

Finalmente em 1984, depois de uma negociação com 4 equipes, sendo elas a Mclaren, Williams, Brabham e Toleman, e uma indisposição inicial com Nelson Piquet, graças ao fato do então bicampeão não ter ajudado, e nem atrapalhado a ida de Senna para a Brabham, ele acabou fechando com a pequena equipe Toleman, para disputar a temporada daquele ano. Lembrando que seu teste com a Williams impressionou a todos, menos a ele próprio, que sabia que podia fazer  mais.

De inicio Senna não conseguiu fazer muita coisa na corrida de estréia no Brasil, o qual abandonou com problemas no turbo do seu motor, mas no GP da África do Sul conseguiu seus primeiros pontos na categoria, repetindo o bom feito em Spa duas semanas depois, porém no fim de semana seguinte ele não conseguiu se classificar para correr em San Marino, caindo na regra dos 107%, além dele o italiano Piercarlo Ghinzani também não conseguiu se classificar. No GP da França ele também abandonou com problemas no turbo.

Ultrapassagem histórica

Eis que então temos o famoso GP de Mônaco de 1984, onde caiu uma forte chuva obrigando  a prova a começar com mais de 45 minutos de atraso, e que fez os pilotos obrigarem a organização a molhar o túnel, a fim de evitar o desgaste dos pneus. No incio da prova o pole position Alan Prost saltou na frente com sua Mclaren, e seguiu na ponta até a nona volta, quando foi superado por Nigel Mansell, o piloto inglês só ficou 5 voltas na liderança, quando passou em cima de uma faixa de pista branca, perdendo aderência e rodando pra fora da pista, eis que Prost retoma a ponta. Lá de trás vinham Ayrton Senna e Stefan Bellof, ambos novatos e desconhecidos, mas com uma pilotagem ousada na pista molhada e estreita do principado, sendo que Senna estreava em circuitos de rua pela categoria, e depois de uma ultrapassagem histórica em Niki Lauda, campeão daquele ano, Senna assumia a segunda posição, Prost tentava mas não conseguia impedir a aproximação do novato que vinha tirando uma média de 3 segundos por volta. Foi quando o líder pediu a direção e prova para encerrar a corrida alegando falta de condições, e na cola dele estavam Senna e Bellof, os dois em plenas condições de passá-lo, porém a corrida acabou com a vitória do francês, foi o primeiro pódio de Senna e da Toleman, Bellof ficou em terceiro, o jovem piloto alemão estava ainda melhor que Senna na corrida e se a mesma tivesse prosseguido, poderíamos ter tido um belo duelo pela vitória, já que Bellof tinha condições de passar a Toleman de Senna, porém os carros da Tyrrel foram desclassificados de todas as corridas do ano por violação no peso dos monopostos.

Ainda viriam mais dois pódios em 1984, na Inglaterra e em Portugal, ultimo GP do ano e também palco de sua primeira vitória no ano seguinte com a Lotus, aliás o fato dele ter assinado com a Lotus para a temporada de 1985 fez com que a Toleman o impedisse de correr o GP da Itália, anti-penúltimo daquele ano.

Em 1985 ele foi para a Lotus, uma equipe com mais estrutura e competitividade que a Toleman, após repetir o azar no GP de abertura no Brasil, ele conseguiu mostrar muito mais do seu talento para pilotar, conseguindo a pole e vencendo o GP seguinte em Portugal, sob uma forte chuva que era inclusive mais forte do que a de Mônaco no ano anterior, e que mesmo assim não foi paralisada, relatos de quem esteve no circuito era de que parecia que os comissários e o diretor de provas ficaram pasmos ao ver a habilidade do jovem pilotando um F1 naquele temporal, foi também o primeiro Hat Trick  (pole, vitória e melhor volta no mesmo GP).   Senna conseguiu mais 6 poles naquele ano, mais uma vitória no GP da Bélgica em Spa, ficando em 4 colocado no campeonato de pilotos.

No ano de 1986, finalmente ele consegue completar o GP do Brasil, marcando a pole, a volta mais rápida, mas perdendo a corrida para Nelson Piquet, fazendo a primeira dobradinha entre os dois, fato que se repetiu nos GP’s da Alemanha, e da Hungria, este último também famoso pela ferrenha batalha travada entre os dois pilotos brasileiros, e que culminou com a mais ousada e brilhante ultrapassagem de todos os tempos (na minha humilde opinião), de Piquet em cima de Senna no final da reta dos boxes, sendo que Nelson entrou praticamente de lado na curva com sua Williams, numa manobra praticamente impossível, o video fala por sí.

http://www.youtube.com/watch?v=8pFWcvcD9D0

Senna venceu ainda o GP do Leste dos EUA em 1986, com Piquet em segundo. No campeonato de pilotos ele ficou em 4 colocado.

Em 1987 Senna ainda conquistou mais 2 vitórias e 6 pódios com a Lotus, sendo este seu último ano com a equipe, ele ficou em terceiro no mundial de pilotos, sendo Nelson Piquet o campeão, e Nigel Mansell o vice.  O ano foi marcado pela disputa entre Piquet e Mansell, ambos da Williams, foi também o ultimo título do Nelsão na categoria.

No ano de 1988, sedento pelo título mundial e precisando de um carro de ponta, Senna chega na Mclaren, do então bi-campeão Alan Prost, e foi o ano em que o brasileiro deslanchou de vez e fez 13 poles das 16 corridas do ano, e vencendo 8 provas contra 7 de prost, contando com sistema de descartes ele conseguiu seu primeiro título mundial. O ano foi marcado pela disputa entre os dois, com a Mclaren vencendo 15 das 16 corridas do ano, sendo que só não venceu na Itália por que Senna foi tirado da corrida por um retardatário, quando era líder e abria a penúltima volta.

Nos anos seguintes Senna continuou a vencer e provar seu talento, angariando recordes e ganhando mais dois títulos, sempre se engalfinhando com Prost, como nos casos de 89 e 90, quando os dois bateram no GP’s de encerramento da temporada no Japão, ficando cada um com um título,  esta rivalidade foi uma das maiores, senão a maior de todas da categoria, e foi bem explorada no documentário que leva o nome do piloto. Anos depois do incidente de 89, segundo fontes não oficiais, o então presidente da FiA Jean Marie Balestre teria admitido que desclassificou Senna intencionalmente, dando o título a Prost.

Literalmente exausto.

Em 1991 ele conquista seu tri-campeonato, com um título indiscutível, e uma vantagem de 24 pontos do vice, Nigel Mansell, naquele ano tivemos a ultima vitória de Piquet na F1. Foi também a primeira vitória de Senna no GP do Brasil, numa corrida dramática em que ele teve problemas no câmbio e teve que pilotar segurando a alavanca de troca de marchas, sendo que no final ele só tinha a sexta marcha, causando um desgaste físico anormal e levando o piloto a exaustão, no final ele mal conseguia sair do carro e teve que ser amparado. No pódio mal conseguiu erguer o troféu.

Em 92 Senna não teve um carro vencedor, e não conseguiu passar do quarto lugar, vencendo 3 provas e conquistando mais 4 pódios, marcando apenas uma pole no Canadá.

Sua última temporada completa foi a de 1993, quando literalmente arrancava leite de pedra com o carro da Mclaren, e seu motor aproximadamente 60 cavalos mais fraco do que as potentes Williams e Benneton, mas ainda mostrando serviço e dando trabalho aos seus adversários, ele venceu mais 5 provas naquela temporada sendo uma delas o GP do Brasil, na histórica comemoração com ele sendo tirado do carro pelo povo que invadiu a pista e o levou para o pódio. Na corrida seguinte, o GP da Europa disputado em Donnington Park, Senna fez a sua mais brilhante obra, largando de quarto colocado numa corrida chuvosa, e disputando a primeira curva com um ainda novato Michael Schumacher, ele foi passando um por um os adversários a frente, com muita perícia e astúcia, após fazer uma linda ultrapassem em Prost ele assumiu a ponta pra não mais perder. Neste GP ele ainda se deu o luxo de passar pelos boxes, quando a equipe não estava pronta para recebê-lo, sem perder a liderança da corrida.

http://www.youtube.com/watch?v=cA3Hy0pTjNk

Naquele ano ele venceu seu último GP, na Austrália e acabou como vice campeão, atrás apenas de Prost.

Em 1994 veio a transferência para a Williams, os problemas com o carro e o fatídico acidente de Ímola, que vitimou o piloto tido por muitos como o melhor de todos os tempos.

Senna foi o último piloto a morrer dentro de um F1, após a sua morte a FiA reformulou completamente os carros, criando a célula de sobrevivência e também alterando a segurança dos circuitos, como barreiras, áreas de escape, curvas de alta, medidas de segurança e socorro nos autódromos também foram revistas.

Sobre a sua morte, deixo o trecho retirado da Wikipédia:

Senna tinha 34 anos quando morreu. Sua morte aconteceu primariamente por um impacto inesperado da roda com o muro, que fez o pneu estourar e, a uma velocidade incrível, o pneu estourado com a roda voou a cerca de 208 km/h, atingindo o capacete verde e amarelo na frente, acima do olho direito. O impacto foi tão forte que a roda voou quase 60 metros e o carro de Senna ainda voltou para a pista. Feitos os cálculos da quantidade de movimento de uma roda de 17 kg e a força proveniente do impacto, concluiu-se que ela seria insuportável e o resultado esperado seria que o cérebro tivesse danos extensos e parte dele vindo praticamente se “liquefazer”, mas o capacete suportou boa parte do impacto. O capacete de Senna mostrou uma quebra com grande afundamento acima da viseira, o que assustou todos com a violência do impacto, obviamente insuportável para qualquer ser vivo. Na análise dos médicos na pista, no hospital e na autópsia, depois de constatada a morte cerebral, foram percebidos três graves traumas, um grande choque que provocou fraturas na têmpora e rompeu a artéria temporal, uma fratura na base do crânio devido à potência do impacto, e além do mais um pedaço de fibra de carbono da carenagem penetrou o visor do capacete e adentrou a órbita acima do olho direito, danificando irreversívelmente o lobo frontal. Qualquer um dos três ferimentos seria suficiente para lhe tirar a vida.

Frank Williams, Patrick Head, Adrian Newey, Federico Bondinelli (um dos responsáveis pela empresa que administrava o autódromo de Ímola), Giorgio Poggi (o responsável pela pista), Roland Bruinseraed (o director da prova), e o mecânico que soldou a coluna de direção do Williams foram indiciados por homicídio culposo, por negligência e imprudência. Porém, em dezembro de 1997, o juiz Antonio Constanzo absolveu os acusados“.

Em seu legado como um ícone, Senna deixou milhões de fãs em todo o mundo, e um país sem ídolo, já que depois dele o Brasil não conquistou nenhum título na categoria. Como profissional e atleta, ele elevou alguns padrões do esporte, sendo o primeiro piloto que tinha um preparador físico para ajudá-lo a manter a forma e resistir bem ao esforço feito nas corridas, além de ter ajudado significativamente na reforma do circuito de Interlagos, propondo o design do “S”, na curva que ligava a reta dos boxes a curva do sol, que veio a ter o nome de “S” do Senna, graças a ajuda do piloto, e não como homenagem.

Se estivesse vivo hoje, estaria dando conselhos a seu jovem sobrinho que segue carreira na F1.

Finalizo este post com uma frase de Frank Williams:

Senna “era um homem ainda maior fora do carro que ele estava nele.”

Os números do campeão

Publicado em março 22, 2012, em Automobilismo, F1, Pilotos Celebres e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 29 Comentários.

  1. um post CÉLEBRE!!!!!!!!!!!

  2. Covardia este post. Pra que fazer voltarem as lágrimas de toda uma nação???

  3. Eta época boa, que carro andava de lado também hahaha

  4. O proximo piloto celebre será meu com um post do Andrea de Cesaris, o melhor de todos!!! :mrgreen:

    • Estou aguardando este post com curiosidade, pq o q me lembro era de um maluco q batia em tudo e em trodos. Vc me fará mudar de idea se seus argumentos (fatos, fotos, estatísticas, etc. forem convincentes). rs.

  5. Muito bom, chefe!

    Se estivesse vivo, hoje ele estaria dando uns cascudos no Bruno, pra ver se ele deslancha!

  6. Eduardo Casola Filho

    Sem palavras!

    CLAP!!! CLAP!!! CLAP!!! CLAP!!! CLAP!!!

  7. Caneloni está substituindo o barrica à altura. Lembrando bem: não importava o circuito e as condições, o rubinho sempre estava ali, em 12º a 14º. Agora o massaroca está ficando sempre em 16º, independente da pista e do chassi. Go home, Massa.

    Musiquinha pra ferrada, cantada pelos pilotos: ai, se eu te pego, vc me mata.

  8. Senna Simply The Best

    Simplesmente foi o melhor piloto de todos. E o post também!!!!

  9. pequeno detalhe 61 poles com 165 gps quantas poles tem schumacher em relação a quantidade de gp quando ele parou???

    • Schummacher tinha 64 poles com 231 GP’s (temporada de 2005)
      No GP do Bahrein 2006, ele igualou o recorde de poles, passando no GP de San Marino (4ª corrida da temporada).

      Resumindo: 65ª pole com 232 GP’s
      66ª pole com 235 GP’s

      Respondeu?

  10. Vlw galera!!!! Tentei resumir p nao ficar mto grande e deixar a leitura chata, mas faltou falar algumas coisinhas como os duelos com Mansell, o mais célebre em Monaco, o teste com a Penske, a pulada de muro no GP de Ímola pra ver o barrica, a vitoria dada ao Berguer no GP do Japão.
    O histórico abandono da prova para ajudar um piloto que estava no carro pegando fogo, e claro o dia q ele parou o carro no meio da corrida e saiu gritando: “Eu vi Deus, eu vi Deus”…

    Ja da assunto pra outro post, hehehe

  11. Grande Ayrton Senna da Silva…

  12. Chuif!… Tempo bom não volta mais… chuif!… bellísssimo post! Grande homenagem. E a Maclata da época era linda demais.

  13. O “kart com motor de cortar grama” era na verdade um cortador de grama. É que Senna já era tão “fodástico” que ganhava de todos com um cortador de grama.

  14. Meninos, eu vi! Donington Park 93. Eu estava na Ilha de Itaparica na Bahia. Tinha um barzinho com uma TV e a galera já estava tomando umas cervejas e vibrando muito, parecia final de copa do mundo. Só de lembrar eu me arrepio.

  15. Um vídeo celebre, de um jogo celebre, para um post celebre (se forem ver, assistam até o fim, vale a pena, o cara venceu o campeonato e “zerou” o jogo, aí aprece a apresentaçao final, é bem legal):

  16. Eduardo Casola Filho

    E o Brasil começou muito bem na GP2, com vitória do Luiz Razia e Felipe Nasr em sexto. O baiano lidera e a vitória foi celebrada com hino nacional completo! Há esperança

    • Boto mais fé no Nasr, pelo que ele vem mostrando nos últimos anos… o Razia teve uma “chance” (que, de tão pequena, nem sei se pode ser chamada de chance) na formula 1, mas não apareceu.

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