Reencontrando a Rota para as Índias


a primeira do Barrica

Rubens Barrichello realizou o primeiro teste para a Fórmula Indy nesta semana. Os treinos de Miami podem fazer com que o brasileiro se apaixone pela categoria e tope o desafio de seguir por lá, encarando a aversão por ovais, mas também pode ser o marco do renascimento internacional do campeonato, combalido pelas polêmicas e pela tragédia que levou Dan Wheldon na sua última corrida, e mais, pode ser o novo eldorado para os pilotos alijados da Fórmula 1 como fora entre os anos 80 e 90.

A Indy mudou muito para este ano. Está com o novo chassi DW12 (iniciais do nome do piloto inglês que desenvolveu o carro e não teve a chance de guiá-lo por esta temporada) e voltará a ter mais de um fornecedor de motor (Honda, Chevrolet e Lotus) projetando um equilíbrio maior para 2012. Entretanto, os eventos em Las Vegas deixaram a categoria sem credibilidade alguma no ambiente automotor e a necessidade de um chamariz para voltar a rota do glamour.

E a solução pode ser uma velha receita usada a fio desde antes de sua criação, em 1979, até a cisão entre CART e IRL, no final de 1995. A centenária 500 milhas de Indianápolis sempre atraiu os corredores europeus, mesmo depois da corrida deixar de frequentar o calendário da Fórmula 1 nos anos 60. A lendária Lotus de Jim Clark e Graham Hill fez a festa nos anos 60, quando os dois pilotos de Colin Chapman disputaram e venceram a competição algumas vezes.

Mario Andretti foi referência

Os americanos sempre tentaram a sorte na F1, embora a maioria nunca logrou de grande resultado.como Bobby Rahal, Danny Sullian, Eddie Cheever, até a tradicional equipe Penske se aventurou na categoria máxima, as o único sucesso da terra do Tio Sam veio  com um piloto nascido na Itália, mas usando da nacionalidade americana montou um clã fortificando a sua história no automobilismo local e mundial. Seu nome é Mario Andretti.

A partir dos anos 80 a categoria viu pilotos chegando de diversos pontos do globo,  liderados por Emerson Fittipaldi. A maior parte daquele grupo, cmo Teo Fabi, Roberto Guerrero, Eliseo Salazar e cia. sofreu com o estilo estadunidense de corridas, mas o Emmo (apelido do Emerson nos States, sem trocadilhos gente!) foi diferente, mostrando uma performance acima da média disputava vitórias com os figurões da casa.

Nos anos 90 foi a época da grande importação e que a Indy chegou a ameaçar o posto de categoria top do automobilismo mundial, mas a jogada de marketing acabou não funcionando propriamente. Primeiro foi Nelson Piquet, em uma circunstância muito parecida com a do Barrica, foi tentar a sorte na Brickyard e quase perdeu as pernas no grave acidente de 1992. Mesmo assim a turma da F1 resolveu se aventurar.

Ayrton Senna, que andava brigando com Ron Dennis, testou a Penske à convite de Fittipaldi, mas ficou por lá. Em contrapartida o campeão mundial Nigel Mansell foi mandado aos States para correr na Newmann-Haas, com o badalado Michael Andretti sendo mandado para McLaren, para correr ao lado do Silva. Resultado: o Leão dominou a temporada 93 e levou com sobras, enquanto o filho do Mario acabou como um dos maiores micos da história da Fórmula 1.

E quase tivemos a Estaberria

E mesmo as equipes tiveram a ideia de correr lá. A Ligier desenvolveu um chassi, mas era uma carroça, a Lotus original pensou em um retorno sem sucesso, e até a Ferrari, em 1987, pensou no sonho americano, numa época que brigava com a FISA, apostou num projeto com Bobby Rahal e Andrea de Cesaris para as 500 milhas de 87, mas a iniciativa acabou gorando, para lamento do Ed!

Agora com Barrichello, mesmo que seja uma fase, a chance dele correr por lá ainda não é concreta, mesmo assim é o sonho de consumo de todos os envolvidos e a chance do renascimento do automobilismo de monoposto na América do Norte. Se Rubinho topar a parada. o esporte a motor agradece.

Publicado em janeiro 30, 2012, em Automobilismo, F1 e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 44 Comentários.

  1. Eduardo Casola Filho

    Bico novo da Ferrari?

  2. Perdemos a chance de ver o De Cesaris ser campeão das 500 Milhas com uma Ferrari??? Não sabia disso, agora estou em depressão!!! :mrgreen:

  3. Se o barrica topar a parada (e vencer a resistência da esposa) ele será finalmente campeão e com méritos. Se a F1 perder status e a Indy ganhar, tanto melhor para nós, meros telespectadores. Mas vamos ter que aturar o Luciano do Valle. É mole? Ele ganha fácil do GB no quesito irrita meu ouvido.

  4. Depois dessa:

    Piloto deixa em aberto a possibilidade de correr pela categoria: ‘Vamos ver’

    Pra mim, se ele ficar pelo menos 1s, 1,5s atras do tony ele topa, pq essa diferença ele consegue tirar e chegar no nivel dos pilotos do grid.

  5. Uma curiosidade: por que a Red Bull não tentou montar um carro para pelo menos disputar as 500 milhas? Retorno de mídia seria garantido, com certeza.

  6. Não é todo dia que alguém recebe homenagem de um eterno Beatles:

    Chuuupa! Emerson era o cara!

  7. O Jack Stwart de chofer do George Harrison:

  8. Vamos torcer muito para o Barrica ficar na Indy. A F1 atual é muito arrogante, vale mais o carro que o piloto. E mesmo assim tem alguns pilotos que “come ovo e arrota” caviar (ou schucrute, ou paella, ou chips and fish…).

  9. Seria muito bom mesmo ver Barrichello na Indy, uma categoria bem mais condizente com seu temperamento. Dizem que existe mais camaradagem entre os que pilotam nos EUA, mas não tenho certeza. O Trapizomba pode falar melhor disso do que eu.
    Grande post, Casola!

  10. Acho que o barrica deve ser campeão ou pelo menos vencer um bom numero de corridas na próxima temporada,ate por que se Takuma Sato quase venceu a SP Indy 300,por que Barrichello não pode.
    Aliais já saiu a tabela de preços da SP Indy 300 2012:
    http://livepass4.showare.com.br/Performance/ShoWareFrontEndPerSectionReservation.aspx?PERFORMANCEID=799
    Impressão minha ou os ingressos ficaram mais baratos que no ano passado??

  11. Auto sport sacaneia a ferrada.

    http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/103006

    esse deve ser o carro mais feio de todos os tempos.

  12. Acelera Barrica!!!

  13. Essa é em homenagem ao Trapi, o herói da resistência.
    http://www.temporadafora.com/vlog

  14. “O Kimi Raikkonen e o Michael Schumacher voltaram, por qual razão eu não poderia também?”
    Porque Kimi Raikkonen e Michael Schumacher saíram pela “porta da frente”, sempre houve algumas equipes que os desejassem, mesmo durante o “ostracismo”, e o retorno dependia apenas deles próprios!

  15. Eduardo Casola Filho

    Amanhã apresentação da McLaren, começando uma sequência de posts sobre os novos carros e o começo dos testes. Preparem-se

  16. Previsões da Globo para a temporada desse ano.

    “O time britânico apostou em um carro com aerodinâmica mais refinada, embora o modelo MP4-27 seja claramente uma evolução do carro que venceu seis corridas e ajudou o time a ficar com o vice-campeonato de construtores em 2012”.

    Mas o campeonato nem começou….

  17. Euclides Palhafato (Perro de Cofap)

    Desculpem, mas eu acho que o Luciano do Vale narra qualquer coisa melhor do que o Gavião, inclusive corridas, coisa que o Bueno tenta narrar como se fosse um piloto amador, mas não convence nem um leigo. Gavião correndo seria que nem o Shumeco, o ídolo que ele engoliu por ordem da Globo e de fato aprendeu a amar, iria só querer saber de estacionar carro na curva, tirar os outros da pista, fazer trambiques no carro, é bem a cara dele, bem vista no que ele fez com o Pelé, sacaneando o maior ídolo do Futebol. Mas acho também que com o Barrica ou sem, a maioria das corridas da Indy devem ser narradas aqui pelo Teo José, acho que é o que vai acontecer. Teo tb é melhor que o Gavião, com sobras. Ouvir o Galvão passa por sentir coisas ruins a cada exagero dele, a cada forçação, a cada deturpação, vista-grossa, ocultação, cretinice ou besteira que ele solta. Abstraindo tudo isso, admito que ele consegue um resultado que hoje me transmitem ligeiramente um pouquinho mais de risos do que de vergonha, mas a balança está sempre agitada com ele. O Luciano e o Teo são mais narradores e menos palhaços.

    O problema de assistir a Indy é que oval nao tem graça e a maioria das pistas não-ovais são umas porcarias, todas remendadas, e é claro, os carros apesar de sempre serem rápidos, não ficam grudadinhos que nem na F1, é um monte de trambolhos derrapando e se batendo, tanto pelos carros ruins quanto pelos pilotos grosseiros. Tomara que mude e que o Barrica tenha sorte de entrar na Indy junto com mudanças.

  18. Excelente post.
    Acredito sim que se Rubens ingressar na Indy pode conquistar excelentes resultados, longe das falcatruas e sabotagens de equipes como Ferrari, que elegem uma estrela para os patrocinadores e a máfia das bolsas de apostas (coisa que Alonso está bem acostumado, da época em que era apadrinhado do “fita-errada” Briattori).
    Apenas uma correção: a expressão “testou a Penske à convite” não leva crase, pois não existe aí o artigo feminino – o correto é “a convite”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: