Afinal, quem é esse tal de Michael Schumacher?


Por Eduardo Casola Filho

Qual sua verdadeira face?

Nesta última semana, quando se completou 20 anos de carreira do heptacampeão mundial de Fórmula 1, muitas reportagens e posts foram feitos para celebrar este período marcado pelo domínio de um piloto só, colocando a Alemanha no mapa de países produtores de pilotos. Notória uma divisão no mundo dos jornalistas em uma opinião sobre o alemão. Muitos ressaltaram a sua qualidade como o recordista absoluto, o ser supremo do automobilismo mundial, outros tantos o veem com desprezo, devido às suas atitudes dentro das pistas, onde muitas foram, no mínimo, questionáveis. Após ler um pouco de tudo, fica a dúvida: Quem é realmente Michael Schumacher?

A primeira vez

Entre a manhã de 23 de agosto de 1991, no circuito belga de Spa-Francorchamps, onde um jovem piloto do programa de desenvolvimento da Mercedes era emprestado à Jordan, para substituir Bertrand Gachot, e a corrida de 28 de agosto de 2011, no mesmo palco, onde um homem já na margem dos 40, correndo pelo prazer da velocidade, vivendo uma sensação Born To Be Wild, saindo de último para um quinto posto, sem ter um carro capaz de ganhar, arrancando elogios pela sua atuação, muita coisa aconteceu.

Piquet e Schumi juntos: só 5 provas

Com talento notável, chegou a um carro melhor, desafiou os mestres da última geração e os encarou de igual para igual, mesmo com carros de outro mundo, e com corridas soberbas, fazendo atuações em um nível fora de qualquer parâmetro humano. Schumacher provou que era capaz disto e de muito mais! Piquet, Prost e Mansell pararam, pelo peso farto da idade e do tempo de serviço. Senna seria seu grande oponente, mas o destino não permitiu que houvessem grandes batalhas épicas.

Poucos foram sombra, Jacques foi um deles

Oponentes mesmo vieram com a ajuda de Adrian Newey, o dono de carros que andavam muito como se fosse mágica. Permitiu que Damon Hill, Jacques Villeneuve e Mika Hakkinen fossem oponentes à altura, aliás, esteve tinham talento sim, ao ponto de derrotá-lo, desde que tivessem a máquina certa. E assim estes venceram-no sendo bons o suficientes para derrotá-lo.

O heptacampeão, no entanto, não tinha um piloto fora dos padrões para encará-lo. Com seu talento e sua habilidade de lidar com pessoas, mesmo sendo um alemão fechado para os estranhos, conseguiu cativar o público interno e externo. Tornou-se querido dentro das equipes e por fãs nas pistas. A retribuição não poderia ser diferente.

Sem um oponente de qualidade igual, Schumacher escolheu desafiar os números estabelecidos pelos gênios do passado. Detonou quase todos, um a um. Sofreu para igualar Ayrton em vitórias, quando conseguiu, chorou, como ser humano que é, pois a emoção de estar entre os melhores era algo que ele nem esperava quando começou a sua jornada naquele carro verde e azul.

Polêmico, sempre foi. Muitos, principalmente pela terra “descoberta” por Cabral, o criticavam, tentando recriminá-lo pela morte de um ídolo fora dos padrões. Suas atitudes passaram a ser observadas com desconfiança. Desclassificado de corridas em 1994, estava irritado, pois queriam lhe tirar um título que parecia intirável no começo do ano, ainda mais depois da ida daquele que o elegeu como ídolo de infância.

Um momento tenso

Em Adelaide, por essa ira descomunal, errou, ia perder o título para o filho de Graham,. Mas sabia se este não pontuasse, a glória era sua. E o fez. Muitos condenaram, do mesmo modo como Prost fez em 1989, como Senna retribuiu um ano depois. Mas não importava muito a ele. ‘Eu sou o campeão e ponto’.

Depois de ganhar com tranquilidade, no ano seguinte. Sua missão era reerguer a escuderia mais tradicional do grid. Há 17 anos, a Ferrari não sentia o gosto do título, foi para o limbo, era a missão de reerguer a grande marca do cavalinho rampante. No primeiro ano, adaptação e algumas vitórias. No ano seguinte, se viu perto do título. Tentou a mesma fórmula de 3 anos atrás, desta vez com o filho de Gilles, falhou e a guilhotina da FIA foi impiedosa, com a desclassificação do campeonato.

De molho

Em 1998, encontrou Mika, aquele que foi o oponente mais constante na era de supremacia. Perdeu para um carro melhor, um ano depois tentou andar mais que o carro, o o freio falhou e em Silverstone, esteve perto da morte, no fim uma perna quebrada e a esperança ficou para o ano 2000.

Finalmente ele chegou lá, daí até 2004 reinou soberano. O único que tinha um carro capaz de vencê-lo não podia, pois apenas respeitava s ordens da equipe, uma equipe amplamente favorável ao campeão.

O auge

Em 2005, depois de  reerguer a Estaberria de Maranello, a FIA quis brecá-lo, mudou muitas regras e  o cavalo rampante sentiu o baque. Só ganhou quando a marmelada francesa foi servida na Meca da velocidade, não foi do jeito que queria, pois o servo e desafeto Barrichello o irritou.

Lágrimas de marmelo

No seu último ano ativo, viu Fernando Alonso assumir o trono, tentou destroná-lo, mas viu o sonho virar fumaça em Suzuka, se despediu em grande estilo nas nossas terras deixando o dever cumprido e a missão para aquele que considerava um irmão, mais até que o próprio de sangue.

Melhor com 4 rodas

Andou em todo tipo de veículo possível, caiu do cavalo andando de moto e o pescoço começou a sentir a idade. Mesmo assim não desmoreceu quando a categoria máxima do automobilismo mundial abriu novamente as portas. A promessa de correr pela Mercedes, sua gestora e genitora no começo de carreira fora cumprida, mas sofreu com um carro nada bom, teve um companheiro de equipe andando mais rápido constantemente, mas isso não foi motivo para saciar sua vontade, mesmo dando sinais que não estava mais confortável, ainda sente que há um pouquinho de lenha para queimar, pelo menos mais um ano.

Ele também errava!

Como pessoa, tem suas contradições como qualquer outra, jogou jogos amistosos pela paz e fez corridas para usar o nome em prol dos pobres, mas também foi desleal, como nas disputas de título, na estacionada em Monte Carlo. Já doou dinheiro à vitimas de desastres ambientais, mas negou autógrafo a fã, tal qual seu “irmão caçula de Botucatu” havia sofrido com um certo Silva. Mas é algo do ser humano mesmo.

Empatia com o público não faltou

Em nível de pilotagem, o alemão fez algumas besteiras, além dos desvios de conduta, mas foi capaz de conseguir vitórias sob circunstâncias completamente desfavoráveis, como ganhar com 4 paradas, sendo uma punição, ganhar sob forte chuva, fazendo uma recuperação de uma posição ruim de largada, afinal de contas, ele foi um vencedor nato, e por isso recebe o respeito dentro do paddock, mesmo sem estar na melhor fase.

Enfim, este texto quase bidartiano foi só a ponta do iceberg da carreira do alemão. A dúvida fica latente se o Queixudo seria um mito ou um calhorda,. Na dúvida, pode ser as duas coisas. Nos aspectos de pessoa e de profissional, Michael Schumacher foi, é e será sempre um gênio, mas humano, pois comete erros, tal qual Senna cometia, Piquet cometia, Fangio cometia, Clark cometia, tantos outros também. É natureza humana, mas o cara que é gênio, não é por não cometer erros, pois ele também comete, é pela forma como ele acerta. E Schumacher acertou muito mais que sete vezes, por isso está na história!

Ele pode tudo?

Publicado em setembro 1, 2011, em Automobilismo, F1, Pilotos Celebres, Reflexão e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 31 Comentários.

  1. Nessa última foto…é o Martin Brundle?

    • Eduardo Casola Filho

      Yep! O Schumacher, vai ver que tem uma tara para zoar piloto ligado com as transmissões de F1, lembra-se do que ele fez com o Popó Bueno?:mrgreen:

  2. Ok, agora o meu comentário:

    O Michael Jordan da Formula 1!

    Abs

    PS: Esclarecendo: Um cara bom pacas…muito bom mesmo…mas teve uma concorrência muita fraca. Fica difícil medir o quanto o cara é bom mesmo. Depois na Ferrada, tinha o melhor carro…ainda assim, o melhor piloto na minha opinião, mas de novo sem oponentes a altura.

    Lauda, Piquet, Senna, Hindt, empolgaram a galera muito mais. Lutaram contra outros feras, como Hunt, Mansell, Prost, etc…O grande oponente do Queixaba foi o Mika Hakkinen? PQP!

  3. Jacques Villeneuve foi um grande piloto tanto nos EUA quanto na Europa e foi um grande rival de Schumacher. Lhe faltou carisma!

    Damon Hill foi tão bom piloto como o atualmente aclamadíssimo pelo público e pela crítica Jenson Button e também foi um grande rival para o alemão. Foi completamente ofuscado por Senna, dentro da Williams. Poderia ter sido bicampeão!

    Mika Hakkinen, também ao melhor estilo Button, aliado ao grande carisma, é considerado o único grande concorrente, o que é uma inverdade.

    Alonso, esse sim, gênio, por ter destronado Schumahcer, caiu (na época) nas graças do público brasileiro por ter batido o “algoz” de Senna. Viuvada!

    O texto de Casola morde e assopra o alemão. No entanto, para mim, desmistifica totalmente o que a turma diz: Schumacher só foi campeão por ter sido favorecido. Não é verdade!

    Foi para a Benneton, que há muito não ganhava nada e papou dois títulos. Passou. Entrou na Ferrari e fez um respeitável e até hoje aclamado trabalho de reestruturação na equipe, passando “apenas” 4 anos na equipe sem ganhar absolutamente nada. A partir daí, papou tudo.

    É chover no molhado dizer que, para ser campeão, o binômio tem que ser carro capaz de ser campeão + piloto com braço para ser campeão. Não existe, na história do automobilismo, ninguém que tenha ganhado um campeonato com o PIOR CARRO. Não estou falando de SEGUNDO MELHOR CARRO (como o do título de 1991 de Senna), estou falando em PIOR!!!

    Portanto esses argumentos de que ele não teve rival, que foi favorecido na Ferrari e na Benneton e bla bla bla, é pura balela de quem não aceita que o cara superou, de longe, Senna.

    Pode não ter superado em carisma, mas como estamos falando em competição, superou e superou bem!

  4. Post ‘bidartiano’ o cacete, porque eu nunca perderia meu tempo escrevendo tudo isso sobre Schumacher, mesmo mordendo e assoprando. Deixemos isso para a novela das sete! Tampouco acho que os detratores do chucrute com pepino nanico, pelo menos os que entendem do assunto, aleguem que ele não teria ganhado nenhum título sem ajuda. No meu caso, penso que sem políticas impúdicas e com rivais melhores esses exagerados sete títulos cairiam para três ou quatro. Também acho balela esse negócio de que as Ferraris entre 1996 e 1999 eram bombas, assim como as de 2005 e 2006. Besteira. Eram carros suficientemente preparados para ganhar o campeonato, além de serem Ferraris e de possuírem os maiores orçamentos da F1. Concordo que Hill Jr., Villeneuve Jr. e Mika foram, sim, grandes rivais à altura de Schumacher. Tanto que o derrotaram. Diria que ele está apenas um degrau acima destes, os campeonatos de 2010 e 2011 não me deixam mentir. Esse negócio de idade é pura besteira, uma desculpa que nem ele mesmo aceitaria como plausível. Nos dias de hoje, com o nível dos equipamentos, treinamentos, suplementos, conhecimento de especialistas sobre o corpo humano, a capacidade de personalização de processos para acondicionar o físico de cada atleta em especial e o diabo a quatro, um atleta de 42 anos de 2011 tem melhor condicionamento físico, intelectual e neurológico que otro de 20 anos atrás. Esse papo de idade chega a ser ignorância e muito me estranha que se use essa desculpa entre pessoas esclarecidas nos dias de hoje. Poupem-me!
    O que vemos hoje é o verdadeiro Schumacher submetido à pressão de uma geração de incríveis pilotos como Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e outros de nível quase igual. Nada mais que isso.
    Reflexos inferiores num cara que cuida seu corpo e sua mente como se fossem um diamante lapidado? Ora, esperava mais perspicácia e capacidade de pesquisa dos senhores.
    Fora isso, parabéns ao Casola pelo post. Foi excelente.

  5. Respondendo à pergunta “Afinal de contas, quem é esse tal de Schumacher?”: um grande piloto, entre os dez melhores da história.

  6. Ah, e antes que me esqueça, Sandy Patrick Lima do Rabo: VAI TOMAR NO CÚ DE NOVO…e com acento!

  7. Alguem reparou que as fotos da pista de monza, foram tiradas em um dia de corrida?

    http://maps.google.com/maps?q=formula+1+monza+track&hl=en&ll=45.618723,9.281265&spn=0.000523,0.001206&sll=45.525953,9.200106&sspn=0.045039,0.076818&vpsrc=6&t=h&z=20

    Um doce pra quem advinhar qual categoria que é.

    E otro pra quem achar algum circuito q foi fotografado em dia de F1. N sei se existe, mas depois dessa e provavel.

  8. Não faltou o gorducho do Montoya como rival do Schumacher não???

    • Eduardo Casola Filho

      Apesar de algumas vitórias do colombiano, não o vejo como um cara que fez frente ao Queixudo, só aqueles que os derrotaram realmente, como Villneuve, Hill, Hakkinen e Alonso.

  9. Eduardo Casola Filho

    Esclarecimentos a Torcedor, Bidart e cia.

    Essa coisa de “Morde e Assopra” foi uma ponderãção com um balanço do que o o Herr Michael Schumacher fez nestes últimos 20 anos. Muitos acertos e muitos erros, o que é absolutamente natural do ser humano

    E aí é que está o X da questão? Quem é ele? Apenas coloquei argumentos dos defensores e dos críticos. Cada um vai para o seu lado.

    [bozo mode]
    E comparar meu post com novela das 7 é froid!:mrgreen:

  10. Monza, o circuito, a pista, o templo sagrado do automobilismo mundial. Nada se compara a Monza, nem Mônaco e tão pouco SPA ou mesmo Silverstone, tvz Indianápolis Le Mans.

  11. Excelente!

    Agora sim, hahaha

    Mas ainda acho que não dá pra comparar Schumi com Senna, simplesmente por que não viveram a mesma época. Assim como não dá pra comparar Alonso com Piquet.

    Agora, minha ordem de habilidade é: Hamilton > Alonso > Schumacher
    HAHAHAHAH!

  12. Minha orden é a seguinte:

    1 – Hamilton
    2 – Vettel
    3 – Alonso (Por mais que isso seja difícil pra min…)

    só 3 vão para o pódium

    Pessoal assisti finalmente ao doc do Senna e realmente não tem pra ninguém, destaco a cene em que o Piquet joga “lenha na fogueira”
    em uma reunião antes do GP do Japão de 1990, ri muito! kkkkkkkk

    E a pra min já clássica declaração do Balestre para o Senna…

    “A melhor decisão é a minha decisão” kkkkkkkkkkkk

    Não dá gente, o “Dick Vigarista” jamais pode ser medido por esses recordes, ele não teve batalhas épicas como o Ayrton teve, nem vitórias épicas (Brasil 1991 e 1993) ou uma volta como a do GP da Europa de 1993 ou ainda a clássica corrida de Monaco em 1984! Senna foi e sempre será o maior piloto que já existiu, e não! Não sou viuva! Sou coerênte.
    Ainda para não puxar sardinha só pra o Senna, qual campeonato do Schumacher foi mais emocionante do que qualquer um do 3 do Piquet?

  13. Salve!!!

    Eu admiro muito o Schumacher, mas vejam só, muita gente aqui disse que Jacques, Mika e Hill foram grandes adversarios do Schumacher e o bateram, então o Schummy é fraco, pois perder pra esses caras??? Para né… Prost. Piquet, Lauda, Senna… nunca perderiam titulos para pilotos medianos como esses três que bateram o Schumacher, por isso que existe essa linha tenue entre grande piloto e gênio, e acho que o alemão não foi gênio por isso, pois perdeu para pilotos medios, algo que não aconteceria com os 4 grandes gênios que mencionei!!!

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