Bye, Amy…


Amy...

por Marco Bidart

Amy, Amy, Amy, onde está a moral da história? Você lançou um forte feitiço e o jazz renasceu, embora tenha te matado centenas de vezes e, como sempre foi e sempre há de ser, voltamos ao luto sem sentido dos sonhos que não couberam em mais um iluminado coração zumbi. Nós, gente que apenas assiste, somos o centavo que rola pelo cano da vida que vocês, jovens eternos, prepararam com seu adeus, com seu silêncio tagarela. Não, não, não…nunca tentamos te reabilitar e o copo, Amy, Amy, Amy, o copo nunca responde, com ou sem uma garrafa por perto.

O velho Ray lustrou as teclas do seu piano filósofo e a banda voltará a sacudir o mofo das estrelas, tropeçando em caixotes e trompetes nervosos por um pouco de ação. Quem poderá entender como funciona a lógica das madrugadas, das bebedeiras e da poesia moribunda das grandes necrópoles de Deus? Não, não, não posso entender como uma legião de canções não conseguiu impedir seu destemor. Teriam tentado reabilitar teu sono enquanto fingias dormir? Sejam feitas todas as autópsias para satisfazer a necrofilia nossa de cada dia, mas eu não vou  me fartar dessa depressão obrigatória. Amy, Amy, Amy, aceite um beijo menina, e vá descansar porque hoje só um amigo poderia salvar sua vida.

Um rouxinol não está mais cantando na avenida dos sonhos partidos. Amy, Amy, Amy… eu também vi mamãe beijando o Papai Noel na minha frente. Como encontrar, então, palavras que não condescendem? É fácil julgar o vidro pela cor do palmito e eu quisera saber se todo amor será ainda amor amanhã. Amy, Amy, Amy…a vida machucou seu coração, contudo, hoje à noite ela será completamente sua, para sempre.

E esta letra em prosa é na verdade a poesia simplória para a qual uma voz como a sua empresta sabor, cor e dor. Que seria da voz do coração sem a seda brutal das divas suicidas, sem o tempero da loucura escolhida? Ainda que o homem seja um púnico animal que tem pena de si mesmo; ainda que você cante pela boca de outros anjos, sem sua voz a voz de tantos não seria.

Permita-me esta licença poética para brincar com o povo, com o sentimento do povo, perto do coração selvagem que só as mulheres conhecem, porque elas são o sangue que pulsa. Permita-me brincar com a estranha ausência futura, aquela ausência ainda não sentida. Permita-me agradecer pelo tesão das suas entranhas, pelas bebedeiras e pelos vícios que reviveram em você minha Nina Simone, minha Janis Joplin, minha Elis Regina, minha Aretha Franklin e minha Ella Fitzgerald. Permita-me, Amy, ser-lhe grato.

Você viu sua mãe beijando um Papai Noel sacana, chifrando seu velho pai ausente. Beije agora o Donnie, o Frank e o Miles por mim, atrás da barra desse bar fedorento em que você deve estar bebendo agora, rindo de todos nós, gordos de vida mesmo que no invólucro de uma infinita magreza que sempre acaba acordando sozinha.

Publicado em julho 25, 2011, em Atualidade, Coluna Musical, Diretoria, Reflexão e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 37 Comentários.

  1. Eduardo Casola Filho

    Belo post Bidart. Encontraste palavras sábias sobre o fim de uma cantora que foi intensa enquanto durou. Seu fim será um mistério, mas o fato é que ela marcou, seja para o bem, seja para o mal, pois apesar de cantar bem, nunca foi a melhor referência para as pessoas, mas era o jeito dela…

  2. Eduardo Casola Filho

    Pessoal, uma novidade:

    Se alguém tiver uma ideia para postar neste blog, tem agora o meu email para mandar, é só clicar no aqui ou mandar para eduardocasola@hotmail.com Fiquem a vontade, até para add.:mrgreen:

  3. O Bidão surtou.
    A fama destroçou premptoriamente mais um ser humano.
    A fama é diabólica, por isso Jesus disse: quem quiser vir após Mim,
    negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

  4. Eduardo Casola Filho

    E hoje faz dois anos da molada na cabeça e um ano da marmelada de Hockenheim. Se o Massa tivesse o poder de eliminar um dia do calendário, este seria o dia!😦

  5. O triste é que ela tentou sair dessa algumas vezes e não conseguiu. Lembro de uma entrevista em que ela, saindo do hospital, falava sobre a necessidade de largar as drogas, pq senao iria morrer, e que tava buscando se recuperar. Infelizmente, o vício foi mais forte que ela.

  6. Como diriam os grandes do Rock nacional, Arnaldo Baptista e Rita Lee:

    “Eu juro que é melhor
    Não ser o normal
    Se eu posso pensar que Deus sou eu”

  7. Na verdade o texto foi escrito com trechos e frases das letras dela mesma. Não surtei, não, brothers, é só uma homenagem a uma grande artista, uma menina sensível que foi destruída pelo mundo escroto que nós, nossos pais, avós e bisavós ajudaram a criar. Ninguém neste mundo é santo nem exemplo de nada e, Sydnei, com todo o apreço que tenho por você, na boa, fundamentalismo e falta de piedade pelas fraquezas do ser humano te transforma num hebreu tão ordinário como foi aquele fascista chamado Abraão, pronto para sacrificar um filho em prol de uma esquizofrenia religiosa. Não me leve a mal, minha esposa é evangélica, mas quanto entro numa igreja tipo a Metodista e vejo N ‘fiéis’ testemunhando e agradecendo porque conseguiram bens materiais, escorados em obras ‘sociais’ feitas por uns poucos como cartão de crédito para parcelar um terreninho no paraíso, abortando todo pensamento em prol das mil e seiscentas páginas de um livro velho e negando a inteligência que o próprio Deus quis instigar em sua mais ousada obra, fico triste, desanimado e ao mesmo tempo irritado.
    Me desculpe por ser sincero, mas pelo pouco que te conheço, sei que você é muito mais do que apenas mais uma ovelha no rebanho.
    E sobre textos, o que me prendia ao blog do Mike era a diversidade de idéias e pensamentos que ele instigava na gente. Quando resolve seguir o Trapi achei que era essa a continuidade que daríamos, porque a F1 como assunto não se sustenta, muito menos a de hoje em dia. No entanto, cada vez que saímos do tema e alguém propõe outra coisa parece que os cérebros que circulam por aqui não respondem, não pegam nem no tranco. Não era para ler e escrever sobre Alonso e Bernie que entrei nessa.
    Tenho saudades do Formula UK.

    • As vezes se faz necessário um chamamento à realidade!

    • Guilherme Diniz

      Todo saudosista é gay…..

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      😀

    • Eduardo Casola Filho

      Bidart, fica de boa. Seu post é sempre a grande fonte de reflexão do blog.

      E desviar da F1 é bom de vez em quando. Vejo muitos blogs bons que vira e mexe tem um tema diferente. E neste aspecto o nosso representante dos pampas é insuperável.

      Relaxa e goza! (thanx Marta) Um post reflexivo não mata ninguém, e todo mundo deve opinar a vontade, concordando ou não, mas desde que haja respeito.

  8. Salve!!!

    Amy foi mais uma dentre muitos que se foram deste mundo, uma jovem com muito talento que se auto destruiu sabe-se lá porque, ela não vai ser a primeira nem a ultima pessoa do mundo a ter o mesmo destino, mas é impressionante como tantas pessoas, sejam da musica, do futebol, do automobilismo ou até pessoas como nós que levam uma vida normal sem essas badalações seguem o mesmo caminho, pessoas que tem tanto talento para certas coisas, , pessoas que sofrem de algo que nem elas sabem mesmo o que é…Mas é dificil, afinal de contas eu mesmo comentei no post sobre James Hunt que eu queria ser ele por um dia, encher uma Pickup de “primas” com uma cerveja na mãochegando para a corrida, nós mesmos temos esse pensamento, em viver uma vida sem preocupações, uma vida louca sem pensar no amanhã, acho que foi isso o que ela fez, ela queria viver isso, mas infelizmente o preço é caro, James Hunt morreu aos 45 anos, Amy aos 27, e eu quando vejo isso, agradeço por não ser eles pois poderia ter o mesmo destino, mas pensando bem…terei o mesmo destino mais cedo ou tarde!!! 😈

  9. Pois é, pra que levar a vida tão a sério se não vamos sair vivos dela mesmo? (Bob Marley)

  10. A mulher não fez mal a ninguém, só a si mesma. Teve uma vida que a maioria aqui queria ter mas é hipócrita o suficiente para não admitir. Como bem disse Ed!, morreu, assim como todos nós iremos morrer um dia.

    Aproveitou bem tudo o que a fama lhe proporcionou, cometeu excessos que só dizem respeito a ela e partiu… e entrou para história como uma grande cantora.

  11. Bela homenagem do Bidart,pena que a música perdeu uma dama que encantava a todos com seu vozeirão,nunca teve rivais no sujo mercado do show business.Mas é mais um caso que a droga e a falta de assistência em todos os aspectos.
    She’s gone and left us without his brilliance and beauty
    Go with the angels our lady of gold

  12. Leandro Hunt (Anti-Alonso)

    Cara parabéns,adorei o post! Muito bem escrito! Gostava da Amy apesar de ser do Rock também curto Jazz e ela tinha umas boas influências. Uma pena mais um integrante para o Clube dos 27….

  13. ela é uma prova do que as drogas fazem com as pessoas,por isso se voce tiver alguém na família com problemas de drogas,o ajudem é muito difícil se livrar das drogas e o viciado precisa de muita ajuda,um ícone da musica morreu,muitos morreram,ajudem e não deixem isso seguir
    DIGA NÃO AS DROGAS!!!

    • perceberam q o rubinho so chego no shumy pois ele errou a ultima curva,realmente e superdificil ultrapassar na hungria,mais isso sim é ultrapassagem,pegando o vacuo,sem DRS,KERS e essas palhacadas,fez relembrar os bons tempos da f1 que infelizmente não vi(so nasci em 1996)

    • Euclides Palhafato (Perro de Cofap)

      UAU, vou ver mais umas vezes cada uma como a primeira, a melhor ultrapassagem dos ultimos anos.

  14. A despeito da genialidade do meu amigo Marco Bidart, a quem sou o primeiro a aplaudir, eu que abomino o tráfico e a venda de drogas (todo traficante deveria morrer sob pena capital com uma overdose de uma porcaria qualquer), vou citar aqui uma frase que achei super interessante sobre o triste fim de mais uma jovem cheia de vida e talento. O que, aliás, acontece no dia a dia de qualquer cidade o tempo todo:

    “Amy Winehouse foi uma personagem típica desta era que vivemos. Pra além do seu talento musical, fez da sua vida uma revista marrom aberta, sem demonstrar muito incômodo com isso. Foi a alegria dos paparazzi por anos. Apareceu publicamente das piores formas possíveis. Transformou a sua vida num reality show macabro e vulgar.

    Acho que faz todo o sentido, chega a ser previsível, um programa como o “Pânico” querer “invadir” os funerais de Michael Jackson ou Amy Winehouse. Surpreendente seria se não tentasse.

    Em tempo: Mais informações sobre a invasão podem ser lidas aqui.

    Foto: Reuters

    Tags: Amy Winehouse, invasor, Michael Jackson, pânico

    por Mauricio Stycer às 16:09

    Clap, clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap

    • Euclides Palhafato (Perro de Cofap)

      Talvez não tenha sido ela a transformar sua propria vida num reality show macabro…. talvez tenham sido pessoas macabras, ou melhor, nefastas, como diria Gil. Nefasto, aliás, esse Stycer.

  15. Olá

    Acompanho o blog desde o fórmula UK e o que o torna interessante é justamente a diversidade de assuntos que encontramos nele, além da F-1. Gostaria de parabenizar o Bidart pelo belo texto e pela homenagem a esta cantora talentosa e humana.

  16. Euclides Palhafato (Perro de Cofap)

    Salve o Corinthians,

    Muito …..surpreendente!!!! Tava maisoumenos um rap-bebop do BedroPial, o treco, e nem me liguei que era trecho de letra… sensacional!!!!! Sabendo que é letra, só ‘meio q justificou a excentricidade Bialística.

    Tchau Amy

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