Porque amo tudo isso?


por Marco Bidart

Muitas vezes me pergunto qual é o sentido de ser espectador à distância de um esporte. Torcer, vibrar, querer que a vitória caia nas mãos de um determinado atleta se resume no simples ‘vouyerismo’ do assistente ou carrega um outro significado que vai mais além de projetar a si mesmo no sucesso de outra pessoa ou grupo de pessoas? E quando justamente se trata de um esporte em equipe, será que gostaríamos que aquele time fossem os nossos colegas de trabalho, nossos amigos ou colegas de faculdade?

...ele não amava isso tanto assim...

Indo mais longe, nós, que não contentes com apenas torcer, resolvemos ler, pesquisar e participar de blogues sobre os esportes que gostamos; será que realmente amamos tanto assim essa brincadeira? E a turma que se dispõe a encarar a condução das discussões; escrever os artigos e atualizar as variedades infinitas que a multimídia oferece para quem gasta seu tempo por amor ao esporte? Será que somos assim, amantes de coisas que nada tem a ver com nós mesmos?

...ele vendeu a alma ao diabo por isso...

Quantas perguntas. E sei que nenhuma resposta que vocês queiram elaborar vai me convencer de que não vivemos – nestes tempos de hiper-comunicação – dentro de um holograma de realidade. Sei de gente que consegue se comunicar melhor através de um hobby do que através de sentimentos. Sei de gente que ama mais seu time de futebol que a própria família. Sei de gente que considera o cartão de sócio do seu clube uma aliança tão ou mais perene que a do seu casamento.

E eu, porque amo a F1? Será porque ela não me cobra nada e me oferece alguma diversão sem interação? A verdade é que escrevi para a F1 e seus aficionados bem mais do que escrevi cartas para amigos, namoradas, pais ou irmãos. Será que eu deveria ter casado com a McLaren e não com minha esposa? Será que os integrantes da Gaviões da Fiel são mais fiéis ao Corinthians que a própria família?

...ele quase tirou a graça disso...

Mais perguntas sem resposta. Pelo menos sem resposta coerente. E que dizer dos que se matam pelo esporte? Seriam homens bomba de uma guerra santa de torcidas, seja lá o que signifique isso?

E nós, viúvos e viúvas do FUK (esse, para mim, deveria ser o nome deste blog, porém perdi na ‘eleição’), quantas vezes brigamos e usamos de violência digital para defender nossas preferências por pilotos e equipes ou mesmo para vituperar nossos desafetos dentro do circo da velocidade?

Sei que esse assunto pode até ser repetitivo para vocês, no entanto, me vêm à mente sempre que procuro um sentido para continuar mantendo vivo meu fanatismo pela F1 em tempos em que tenho tantas outras coisas que ocupam minha mente, tantas mudanças que a vida me propõe e exige cada vez mais dedicação e tempo da minha parte.

...não é errado dizer que ele morreu por isso...

Não obstante, quando penso em deixar tudo pra lá, lembro dos momentos em que me sentia mal, desanimado, sem pique; momentos que todos nós por vezes vivemos e não encontramos nas nossas relações comuns, na dita vida real a força necessária ou a criatividade para dar a volta por cima. Sim, meus queridos amigos virtuais, há momentos em que criatividade se faz mais eficiente que temperança, quando de sair da fossa se trata. E esse colorido, essa cereja do bolo sempre encontrei lendo e interagindo com vocês, meus amigos virtuais, amigos que não conheço e quem sabe nunca venha a conhecer pessoalmente.

Nos instantes em que penso sobre isso é que entendo e aceito nosso vício, nosso desejo sustentável por viver um pouco a vida dos outros, nosso amor por um esporte, por um time de futebol. Nesses momentos em que mergulho fora da minha realidade carnal, entendo o carma dos que vivem neste mundo multifacetado, multifuncional, multidimensional. Como sou parte disso me inclino por assimilar essa subjetiva visão de vida que os dias atuais nos sugerem e convidam a ter.

Sou mais flexível hoje, mais calmo, mais maduro, mais feliz por conta das tantas coisas que aprendi com os anos e a vida virtual faz parte dos meus anos, da minha experiência, mesmo que se resuma em poucos meses. A intensidade, a profundidade que atingi nesse abismo digital aumentou bastante minha quilometragem.

...espero que ele não morra disso!

Concluo que, ainda bem, meu amor pela F1 me trouxe para o convívio com cada um de vocês, meus amigos invisíveis. Mas não se enganem, amigos invisíveis são diferentes de amigos imaginários. Um adulto com amigos imaginários pode ser esquizofrênico, eu sou apenas feliz.

Publicado em junho 29, 2011, em Atualidade, Automobilismo, F1 e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 22 Comentários.

  1. Eduardo Casola Filho

    Talvez aquela trágica manhã de 1994 foi determinante para definir quem aqui no Brasil gosta de F1 realmente. Vi muitos deixarem de assistir por causa da morte do Senna e por não ter ninguém do país em condições de vencer. Eu percebi que continuava a gostar de corrida mesmo assim. Muita gente estanhou, mas eu segui fascinado pelo mundo das corridas.

    Como não tinha condições financeiras nem de pensar em um kart, pensei bem em como poderia me aproximar deste mundo. Atualmente estou no primeiro semestre do curso de jornalismo e com este recomeço no F1 Social Club, foi a chance de dar o pontapé inicial no meu sonho. Percebo o quanto é difícil, tal qual os problemas que o Vlcek tinha para manter o Formula UK até março.

    Apenas o amor faz manter vivo os nossos sonhos.

  2. Eduardo Casola Filho

    Gotas:

    1 – Pneus para as 3 próximas corridas:
    Silverstone: Duro e macio
    Nurburgring: Médio e macio
    Hungaroring: Macio e super-macio

    http://www.formula1.com/news/headlines/2011/6/12236.html

    2 – Pirelli pode retomar os pneus de qualificação:

    http://continental-circus.blogspot.com/2011/06/noticias-pirelli-considera-o-regresso.html#idc-container

    3 – Ron Howard irá dirigir o filme sobre a temporada de 1976.:

    http://www.autoblog.com/2011/06/28/ron-howard-signs-on-to-direct-lauda-biopic-rush

  3. Sim, Casola, como conversamos pelo MSN, está comprovado que não é fácil manter um blog atualizado. Contudo, para quem escreve, não é fácil encontrar coro para as idéias, porque elas são próprias de cada escriba e nem sempre o que pensamos ser relevante para outros realmente é de fato. Para mim é mais difícil me manter escrevendo sobre um único assunto e por isso foi tão dolorosa trabalhar numa redação de jornal. Muitas vezes aquele trabalho não fazia sentido nenhum para mim e eu só consigo manter o foco em coisas que me atraem, que me instigam. Eu nunca poderia manter um blog sobre um assunto único. Jamais. Sou daqueles que se interessa por coisas das mais diferentes. Muitas vezes me chateava quando, ainda no velho FUK, o Mike propunha coisas diferentes da F1 e surgiam aqueles chatos incomodando para que o cara escrevesse somente sobre F1, dando esporro nos colegas que escreviam sobre outras coisas e brincavam ao seu bel prazer.
    Uma das coisas que manteve o FUK era sair do assunto, viajar na maionese. Será que ainda conseguimos fazer isso?

  4. Eu tenho duas explicações para eu não parar com a f1, uma é o de ver o eu sonho em outros, a segunda é que minha paixão por automobilismo não morreu com o Senna (apesar de um pouco de mim ter morrido com ele e renascido com outros ideiais), sou um aficcionado.
    Há algum tempo pensei em parar com esse negócio de vida virtual e usar apenas as ferramentas necessárias para o meu trabalho, o que percebi que não consigo, pois já faz parte da minha vida como sendo necessário. Isso mesmo é necessário na minha vida, pois sinto falta de “estar aqui” quando não posso “estar”.

    Incrivel como são as coisas e como é nossa vida nos dias de hoje, ontem mesmo conversava com meu irmão sobre como era nossa vida na infancia, totalmente diferente de hoje. Até os Bebes nascem com os olhos esbugalhados, é assim que é e sempre será, cada dia mais e mais louco🙂

  5. Villeneuve JR. aprontando mais uma na 2ª divisão da Nascar:

  6. Salve Bidart!!!
    Ando meio sumido devido à uns problemas, mas sempre passo por aqui para pelo menos ler o blog, pois por ser fanatico por F1 acabei conseguindo coisas ainda mais intensas do que simplesmente assistir corridas e esse blog é um dos casos, alem disso fico muito feliz em ver que meu filho que só tem 3 anos já gosta de ver corridas na mesma proporção que os desenhos animados, isso pra mim é gratificante pois é o companheiro que nunca tive, pois tenho pouquissimos amigos que assistem corridas e alem disso moram muito longe, minha mulher detesta corridas, mas meu garoto sabe-se lá o motivo presta uma atenção absurda, até mais do que eu, e são coisas realmente sinceras quando paramos pra pensar nisso, uma simples corrida de carro proporcionar sentimentos tão intensos… Eu fico muito feliz por ver que quando acordo e começo assistir aos treinos, alguns minutos mais tarde vem aquele garotinho que acaba de acordar sentar ao meu lado no sofá, ele que nem sabe quem é quem ali na tv, mas por algum motivo gosta daquilo, o mesmo é com esse blog onde tenho liberdade para comentar o que penso sobre esse assunto, que as vezes repitimos mas nunca cansamos de debater, algo que não consigo discutir em um boteco de esquina, mas consigo discutir num boteco da internet!!!

    Vida longa a tudo isso!!! 😀

    • Sabe que minha filha começa a achar interessante o vai-vem e o colorido dos carros na TV (ela tem 10 meses)…fica um tempo considerável olhando para a tela, sobretudo nas classificações e também presta atenção nas minha reações. As vezes eu coloco ela no carrinho e dou voltas pela casa imitando o ronco de um motor, coisa que ela adora. Nem se fala que ela também ama passear de carro e puxa um belo ronco no banco traseiro…

  7. Tião Fffffffeeeeeetttteeelllll ficando íntimo da imprensa das Astúrias

  8. Eu gosto de F1 por isso tudo:

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