Tempo de matar


por Marco Bidart

“Wellington Menezes de Oliveira olhou em volta e lembrou que sempre é preciso ter mão firme, principalmente antes de apertar o gatilho contra a própria cabeça. Aquele longínquo mês de abril de 2011, pensou, provou-lhe que o acaso pode ser um instrumento poderoso para os escolhidos, pois fora preciso que ele errasse o tiro mais importante, que fosse preso, condenado e passasse 30 anos na cadeia para poder cumprir seu objetivo maior. As crianças do Realengo eram apenas parte de uma missão maior.
Ele olhou para o sangue que se acumulou contra a curva do seu pé esquerdo, ainda em movimento. Notou que a moça à sua direita mexera a cabeça e logo a seguir soltara um gemido. Era o sinal que faltava. Não sabia ao certo quantos conseguiram fugir, embora achasse que as ordens da ‘voz’ já haviam sido perfeitamente cumpridas. Sentiu que seu lugar no ‘paraíso’ estava garantido após tanto sofrimento, dor que aqueles corpos sem vida que o rodeavam jamais imaginaram sentir, com suas roupas de marca e sua suposta felicidade. Sentiu-se um herói, um benfeitor. Estava, finalmente, em paz.
A última coisa que a moça à direita de Wellington viu fora o seu dedo indicador apertando um botão de cor escura, fixado num colete cinza que envolvia seu corpo. A última coisa que Wellington sentiu foi o calor da explosão que pulverizou seu corpo e também os corpos de outras 267 pessoas que estavam no shopping, naquela tarde quente de setembro de 2033.”

O crime, sua natureza e o castigo

É tempo de falar em pena de morte no Brasil

Relutei bastante em escrever este artigo, principalmente por referir-se à loucura materializada na mente de um sujeito que cobrou vítimas para um propósito obscuro e doentio. Não creio ser necessário dizer mais nada sobre esse assunto até porque a mídia, no seu papel de mensageira do apocalipse, já se encarrega de transformar em espetáculo, dinheiro e novela a dor dos outros. Sem querer entrar no campo das especulações, da procura de porquês, culpados, consolo ou origens para um tipo de crime que pode desencadear inúmeros desdobramentos de opiniões, abordarei somente os aspectos que me parecem relevantes e que podem vir a acrescentar algo na discussão deste caso, que ainda será muito longa.
Pensando em tudo isso, lembrei de Raskolnikov, personagem principal de ‘Crime e Castigo’ de Dostoiévski, um fracassado social que planejou e executou o assassinato de sua credora. Ante a possibilidade de ser descoberto, começou a auto flagelar-se entre a culpa e o medo, fazendo crescer dentro de si um profundo arrependimento que de tão avassalador transformou em doença do corpo a doença que nasceu na alma, algo assim como uma somatização da miséria que, de uma maneira ou de outra, existe em todos nós, mesmo que jamais a admitamos.

Diferentemente do assassino da escola carioca, o anti-herói dostoiévskiano seria um criminoso recuperável que, após cumprir pena, poderia inserir-se novamente no seio da sociedade talvez sem jamais cometer um novo crime. No entanto, temos a chance de conhecer Raskolnikov internamente por ser um personagem meticulosamente arquitetado por um gênio literário. Não há como ter essa certeza no mundo real, exceto pela natureza do crime cometido.

Vigiar, justificar e punir

No livro ‘Vigiar e Punir’, o filósofo francês Michael Foucault descreve a origem e a evolução das prisões, bem como dos tipos de punições aplicados aos marginais desde as sociedades mais primitivas até os dias atuais, frisando que tais regimes punitivos são determinados pelos sistemas de produção correspondentes aos períodos históricos nos quais estão imersos.

Foucault defendia que o sistema punitivo não pode ser “explicado unicamente pela armadura jurídica da sociedade”, mas o encerra no reducionismo do método marxista segundo o qual todos os eventos sociais convergem para uma explicação de relações de classe com fundamentos econômicos, dentro dos parâmetros do antagonismo ideológico entre os regimes capitalista e socialista.
Arriscando projetar sobre mim a sombra de um fascismo que sempre combati, descrevo abaixo algumas passagens do início do livro, relatos que são retirados por Foucault de documentos originais:

O castigo do corpo assusta mais que o da alma

“Damiens fora condenado, a 02 de março de 1757, a pedir perdão publicamente diante da porta principal da Igreja de Paris, levado e acompanhado numa carroça, nu (…) e sobre um patíbulo (…), atenazado nos mamilos, braços, coxas e barrigas das pernas, sua mão direita segurando a faca com que cometeu o dito parricídio (assassinato dos pais – isso lembra alguém?), queimada com fogo de enxofre, e as partes em que será atenazado se aplicarão chumbo derretido, óleo fervente, piche em fogo, cera e enxofre e seus membros consumidos ao fogo (…) Finalmente foi esquartejado (relata a Gazeta de Amsterdam). Essa última operação foi muito longa porque os cavalos utilizados não estavam afeitos à tração; de modo que, em vez de quatro, foi preciso colocar seis e, como se isso não bastasse foi necessário, para desmembrar as coxas do infeliz, cortar-lhe os nervos e retalhar-lhe as juntas…(…)”

O relato segue-se com horrores indizíveis, até para um fascista moderno (sic). Devemos responder à selvageria dos criminosos com mais selvageria? Acredito que as civilizações possuem ciclos e o ciclo dos selvagens está retornando. Cabe então analisar, futuramente, exceções na forma da punição para assassinos como Wellington Menezes de Oliveira, caso não nos façam o bem de se matar. O iluminismo do século XIX baniu o castigo do corpo por acreditar que o castigo da alma, com a privação da liberdade, seria bem mais eficiente. No entanto, é certo dizer que já não está fazendo mais o efeito esperado, principalmente pela influência da banalização das promessas religiosas do além-vida, que desvirtuam a essência dos dogmas religiosos. Penso que a visão do terror materializado na carne de um assassino de índole irrecuperável penetrará profundamente nos cinco sentidos de elementos que planejam atos como os que o matador do Realengo realizou com sucesso. Será apenas a morte um castigo suficiente para alguém como Wellington, principalmente se foi ele que planejou e determinou seu próprio crime e castigo? Creio que não.

A visão de John Grisham (extraído do livro ‘A Time To Kill’, que virou filme em 1996)

Ellen Roark (estagiária de Direito, trabalha com o Dr. Jake Brigance na defesa de Carl Lee Hailey, homem negro que executara os estupradores brancos de sua filha de dez anos) – (…)Fui criada ouvindo aquelas deliciosas histórias da vida nas profundezas do Sul e queria ver isto de perto. Além disso, os estados do Sul pareciam decididos a aplicar a pena de morte. Portanto acho que acabarei por vir pra cá. Jake Brigance – Porque se opõe tanto à pena de morte? (ER) – E você não? (JB) – Não. Sou totalmente a favor dela. (ER) – Isso é incrível! Vindo da parte de um advogado de defesa. (JB) – Eu gostaria de voltar ao tempo dos enforcamentos públicos no jardim do tribunal. (ER) – Está brincando, não está? Diga que está. (JB) – Não estou. (…) (ER) – Está falando sério!… (JB) – Muito sério! O problema com a pena de morte é que não a usamos com muita frequência. (ER) – Já explicou isso ao Sr. Hailey? (JB) – O Sr. Hailey não merece a pena de morte. Mas os dois homens que violaram a filha dele sem dúvida que mereciam. (ER) – Compreendo. Como é que determina quem merece e quem não merece? (JB) – É muito simples. Você olha para o crime e olha para o criminoso. (…) Se é um vagabundo que viola uma menina de três anos e depois a afoga segurando-lhe na cabeça dentro da água lamacenta, e depois atira o corpo do alto de uma ponte, você mesma o mata e dá graças a Deus por ele estar morto. (…) E se são dois drogados que se revezam no estupro de uma menina de dez anos e lhe dão pontapés no corpo todo com botas bicudas de cowboy até lhe partirem os maxilares, então você sente-se feliz, contente, agradecida quando os fecha numa câmara de gás e ouve os gritos que eles dão. É muito simples. (ER) – É coisa de selvagens. (JB) – Os crimes deles foram selvagens. Morrer é bom demais para eles, bom demais. (ER) – E se o Sr. Hailey for condenado à morte? (JB) – Se isso acontecer, tenho certeza de que vou passar os próximos dez anos entrando com recursos e lutado furiosamente pela vida dele (…). (ER) – Já assistiu a alguma execução? (JB) – Não que eu me lembre. (ER) – Eu já assisti a duas. Se assistir, vai mudar de idéia. (JB) – Ótimo. Não verei nenhuma, assim não corro o risco de mudar de opinião.

Falar sobre pena de morte

Concluo afirmando que a loucura humana, elogiada como se fosse um vilão cômico de histórias em quadrinhos por Erasmo de Roterdã, ignorada pelos iluministas do século XIX e justificada como uma fenomenologia sócio-econômica pelos teóricos da atualidade, é um câncer que já nasce incurável bem no seio da nossa civilização. Precisamos aceitar, à revelia da Carta de Direitos Humanos, que nem todo descendente do macaco que desceu das árvores pode ser considerado humano. Existe uma outra espécie entre nós e ao contrário do que se considera politicamente correto, precisa ser exterminada de maneira exemplar. Essa espécie sempre conviveu conosco, porém, quinhentos anos atrás não existiam armas tão poderosas para cair em suas mãos. Com facas, lanças, arcos e flechas e espingardas de um tiro só, malucos como Wellington Menezes de Oliveira não poderiam matar tantas pessoas. E se ele tivesse dinheiro suficiente para comprar duas metralhadoras de mão e algumas granadas?
Chegou a hora de pensar em maneiras exemplares de punir crimes dessa índole, mesmo que sejam formas bárbaras demais para o estômago delicado de alguns. Pena de morte no Brasil seria um começo de mudança.

E se fosse um dos nossos filhos? Eu iria querer punir Wellington da mesma forma como Damiens foi punido.
E vocês?

Publicado em abril 14, 2011, em Atualidade, Diretoria e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 47 Comentários.

  1. Ainda estou fazendo algumas correções na edição…

  2. Pesado!!! Pessoas assim realmente nao podem viver em um convício social, pois nao tem estrutura mental para isso.

    Qto a punição eu sinceramente não sei o que faria, mas com certeza seria do nível de Damiens pra cima. Não sou deus pra perdoar, e tb acho que matar crianças inocentes não tenha perdão.

    • Quando coloco minha filha para fazer seu soninho da manhã, enquanto ouve as canções de ninar que gravei pra ela, ela se vira de lado e espera que eu cante “Gatinha Manhosa” no seu ouvido. Daí eu canto, ela dá um sorrisinho de olhos fechados e dorme.
      Então eu penso no que aconteceria se um elemento como aquele Wellington resolvesse acabar com a vida dela porque sofreu bullying na escola.
      Nesse momento entendo que o sentido da minha vida mudaria completamente. Dedicaria todos os meus dias em lutar pela aprovação da pena de morte, com vários níveis de intensidade – leia-se crueldade -, de acordo com a natureza do crime.
      Há seres não-humanos entre os humanos e é preciso aprender a identificá-los antes que a pouca civilidade que conseguimos ao longo dos séculos seja definitivamente desestabilizada.
      E a culpa pela existência dessas criaturas não reside na exploração do homem pelo homem, de uma nação pela outra ou devido a este ou aquele regime de governo: a culpa da existência desses não-humanos está na nossa natureza covarde que se nega a admitir que esses seres existem.

      • Completando, acho que muitas dessas “pessoas” até nascem normais, mas por falta de orientação e cuidados, se tornam o que vemos no wellington, parte disso é culpa da nossa sociedade sim, que não pune exemplarmente, que não ajuda quem tem problema e que contribui para a formação de novos Wellingtons por ai.

        Isso so vai para quando as pessoas se respeitarem verdadeiramente, aceitando as diferenças e entendento que todos tem defeitos e qualidades. Eu acredito que não vou viver para ver isso. Acho que vou mora no meio do mato, mantendo o minimo de contato com o mundo, além disso, vou comprar uma carabina, afinal vai que aparece um doido por lá.

  3. Salve Bidart!!!

    Cara nem sei bem como expressar isso mas, nos EUA existe a pena de morte e esse tipo de crime já aconteceu varias vezes por lá, a principal desculpa desses assassinos e o tal Bullyng, esses caras não são cristãos, não são muçulmanos, não são xiitas, não são terroristas, não são politicos, não são filiados a algum orgão de esquerda ou direita… Em resumo são cidadãos aparentemente comuns como eu, você, o Trapi, o Mike…é impossivel saber quando isso pode acontecer, não tem como prever uma coisa dessas, na minha opinião essas são as pessoas mais perigosas que existem, tão perigosas quanto homens bomba, eles não tem medo de nada, não tem medo da morte, eles sabem o que vai acontecer e sabem muito bem como agir, eles não são desesperados como os ladrões de mercadinho das vilas, ou batedores de carteira, essas pessoas são frias, calculistas, inteligentes e perigosas ao extremo, para eles não é matar ou morrer, eles vão matar e vão morrer, isso eles sabem e muito bem, é impossivel saber o que pessoas assim são capazes de fazer, infelizmente acho que isso é nosso, do ser humano, ou alguem já viu um macaco matar quinze macacos??? Ou um leão matar quinze leões???

    Infelizmente não vai ser a primeira nem a ultima vez que isso vai acontecer nesse mundo, enquanto existir o ser humano as coisas vão ser assim, resta a nós pessoas de bem nos esquivarmos de tudo isso, tocar a vida e doutrinarmos nossos filhos, afinal nós inventamos tudo isso, as armas de fogo, a pena de morte, a prisão perpetua… e depois disso temos os direitos humanos, pedimos paz em todo o mundo e pedimos para que as armas sejam todas destruidas… Ser humano é um animal muito louco não é???

    • Grande Ed. O fato é que a pena de morte nos EUA é pouco utilizada mesmo, como cita Grisham em seu romance através do personagem Jake Brigance. E da forma como tentei passar no artigo, antigamente esses assassinos não possuíam poder de extermínio. Hoje é diferente.
      Concordo que eles não tem medo da morte. Mas todo animal tem medo da dor física. A tortura pública desses animais é, no meu modo de ver, a única maneira de coibir crimes hediondos. Sei que é pesado dizer isso, mas acredito que estamos numa época de transição de eras. Nada de Era de Aquario, paz e amor e outras baboseiras. O homem refinou sua brutalidade com o requinte da evolução tecnológica. Quando os pensadores do século XIX promoveram a mudança na forma de castigar os criminosos, deixando de lado os castigos físicos para simplesmente privar da liberdade, a humanidade precisava dessa mudança para ‘desbestializar’ os indivíduos e tal bestialidade era fruto do que se vivia na época, principalmente se analisamos a importância da falta de informação que imperava para a maioria das populações de 150 anos atrás ou mais.
      Hoje é diferente. A informação, que um dia foi luz, pode ser considerada escuridão, dependendo do caso. Da mesma forma, com o mesmo requinte, com a mesma intensidade do crime deve ser a punição para o criminoso. Veja bem, crimes contra propriedades são crimes menores. Falo de crimes contra a vida humana. Não falo de enforcar ladrões de cavalo, falo de queimar em praça pública assassinos como Wellington Menezes de Oliveira.

  4. Meu nobre amigo Bidart.
    Não sou pai, mas entendo seu ponto de vista. E se um dia chegar a ser pai, defenderei o meu filho ou filha até de deus se ele inventar de fazer qualquer coisa com eles. Mas não vou entrar nesse mérito.
    O fato é que o caso Wellington foi, mais uma vez, usado para alavancar audiência e, para piorar, foi extremamente deturpado.
    Foi um fato isolado que pode deixar de sê-lo por influência dessa imprensa sebosa que acaba fomentando novas ações como essa. Mas vamos aos fatos.
    Por várias vezes, ainda que de forma discreta, vários especialistas consultados pela imprensa disseram que esse caso, antes de ser de crueldade gratuita, era um caso patológico. Tudo leva a crer que Wellignton sofria de esquizofrenia e não recebia o devido tratamento. Quem já leu um pouco sobre a doença, sabe o que acontece quando o camarada não se trata.
    Muito se falou de bullyng, e é o que ficou na mente das pessoas, graças a vil imprensa.
    Adjetivos como quieto, introvertido, estranho foram dirigidos ao sujeito em questão por colegas, familiares e professores. É aí onde realmente a coisa pega.
    Não sei como são as coisas nos Estados Unidos da América, mas esse caso sequer pode ser comparado com os massacres que ocorrem por lá.
    O fato é que, ao que tudo indica (nunca saberemos a verdade), Wellington sofria de uma patologia e a família, os amigos e o Estado foram completamente omissos. Não foi um caso de Bullyng que transformou o rapaz em um monstro, como querem fazer crer.
    Quero deixar claro que não estou aqui para defender Wellington. Existem pessoas cruéis no mundo. Pessoas que fazem o mal pelo simples prazer de fazê-lo. Mas, ao que parece, não foi o caso.
    É uma discussão filosófica que daria uma boa tese de doutorado.
    No decorrer da discussão, postarei mais alguns pontos de vista.
    A única coisa que discordo veementemente é o combate da barbarie com a barbarie. Combater a violência com o espetáculo.
    Matar 12 crianças a sangue frio com uma arma é chocante. Abala a opinião pública. Mas não esqueçamos que também temos responsáveis por muitas mortes vestidos de terno e gravata. Esses nunca seriam queimados em praça pública.

    • Cristiano Estolano

      Bidart, novamente excelente texto!

      Torcedor, eu levaria o raciocínio até um outro ponto: sé o Wellington fosse filho de um de nós, será que a gente não relutaria em aceitá-lo “schizo”? Eu já adianto que seria um baque muito forte se eu percebesse que meu filho (assim como vc, ainda não o tenho) sofre de um desequilíbrio mental, uma área obscura e vazia na mente pronta para ser preenchida por “idéias de jerico”…

      Não sei…

      Só acho que as pessoas que impedem a família de se aproximar do IML por querer descontar neles o crime, ou aqueles que picharam o muro e quebraram o portão da casa estão se nivelando ao que o Wellington fez…

      Sei que muitos vão me apedrejar aqui, mas eu vejo o Wellington mais como vítima do descaso (como o Torcedor mencionou), do que como algoz cruel.

  5. É mais ou menos isso, Cristiano. Wellington também é vítima.
    Entendo a aflição de qualquer pai ou mãe que perde um filho daquela maneira.
    Acredito que se fosse um filho meu, não seria diferente. Ficaria revoltado. Talvez até mudaria meu discurso.

    E antes que apareça alguém e diga: mais aí todo mundo vai alegar que é doente para cometer uma atrocidade dessas, uso as palavras do nobre Ed!!! – ele saiu para matar e morrer. Não saiu para fazer uma maldade e voltar para casa para se deliciar com o que fez, como o psicopata que anda atuando em Santos.
    Wellington está sendo utilizado para se desviar o foco da responsabilidade do Estado no combate ao tráfico e vendas ilegais de armas; a omissão do Estado (personificado nas escolas e em seus educadores) com relação aos seus estudantes. Repito: uma professora disse que Wellington não fazia mal a ninguém. Ficava na dele, isolado. Ela percebeu isso. E cadê o Estado, na pessoa da professora, que deveria ter orientado uma ajuda psicológica para saber o motivo desse isolamento. Será que o Estado disponibiliza às escolas e, respectivamente aos seus alunos, esse tipo de acompanhamento psicológico?
    O importante é não cegar diante de um choque. Estão tentando trazer a tona, uma vez mais, um plebiscito para o desarmamento. Primeiro uma observação – foi feito um plebiscito em 2005 e o mesmo foi negado. Onde está a legitimidade da decisão popular? Segundo, perguntas: Será que alguém vai querer ficar desarmado quando sabemos que a bandidagem consegue armas de forma ilícita? Isso não fomentará o comércio ilegal? O Estado não deveria começar a investir em inteligência e coercitividade, ao invés de ficar buscando paleativos?
    Aproveito para enfatizar: Barbarie não se combate com Barbarie. A história já nos provou que a lei de talião não é a que resolve. Estuprador, quando é pego, vira boneca na cadeia. Por acaso deixaram de estuprar?

  6. Amigos, Patrick e Cristiano: vou direto ao ponto. Sou a favor da discussão filosófica de muitas questões. No caso do crime, penso que a discussão deve permanecer na natureza do ato praticado. Podemos utilizar a lógica filosófica para classificar os tipos de crimes devidamente julgados e provados, aplicando uma sentença para cada.
    Acredito que devemos julgar o ato cometido e contra o que esse ato fora cometido de forma direta, jamais indireta. Se o ato fora proposital, premeditado, planejado e com requintes de crueldade, seja ele esquizofrênico, anêmico, pandêmico, endêmico, flêmico, neurastênico, nicodêmico ou dericodêmico, deve ser fritado, cozido, flambado, desossado, castrado, marinado e assado em praça pública, com o laudo do psiquiatra e o abaixo assinado pelo seu perdão como combustível para a fogueira.
    Não há meio termo para crimes do tipo que Wellington, Unabomber ou Pac Man cometeram. Aqui o que se discute é o crime, o ato, e não a motivação ou causa. Ou nos mantemos dentro dos parâmetros que determinam o que é humano, ou sairemos por aí prendendo presidente e ministros porque o coitadinho do assassino de crianças não teve a chance de deitar no divão do psicanalista e tomar seus psicotrópicos. Se podemos sacrificar um cão raivoso sem culpa, podemos fritar um assassino sanguinário no domingo de manhã e ir comer um frango à passarinho com a família ao meio-dia. Não possuo números aqui (vou catar), mas duvido que 0,001% dos esquizofrênicos sejam capazes de fazer o que o pobrezinho do injustiçado do Wellington fez. Nesse caso até a merda da imprensa brasileira está perdoada.

  7. Mentes perturbadas, loucos de nascença, loucos pelo tempo, sei lá o que é tudo isso. compartilho o mesmo sentimento do Bidart, pois também sou pai e minha filha quando está comigo, só dorme se eu for levá-la até sua cama e dar um beijo de boa noite e um forte abraço, pois tenho certeza que isso deve dar uma segurança a ela que somente ela sente.
    Temos que deixar nossas certezas de lado e sentir as certezas dos outros, tentar sempre se colocar no lugar dos outros, pois o que aconteceu no RJ não foi a primeira e nem será a ultima loucura neste Brasilzão e muito menos com a mesma razão ou falta dela, sei lá.

    Abaixo um pensamento interessante sobre a vida:

    Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus” !
    Roberto Shinyashiki responde: “A sociedade quer definir o que é certo.
    São quatro as Loucuras da Sociedade.

    A primeira é: Instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

    A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.

    A terceira é:Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo.

    Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo.
    Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

    Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.
    Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora
    da morte. Maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz”. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada.
    Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

    “Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional”.

    E essa é minha opinião que tenho certeza ser a de boa parte neste boteco.

  8. “Penso que a visão do terror materializado na carne de um assassino de índole irrecuperável penetrará profundamente nos cinco sentidos de elementos que planejam atos como os que o matador do Realengo realizou com sucesso. ”

    A paz pelo medo? Será mesmo que funcionaria Bidart?

  9. Olha… Estou de boquiaberto com o texto! É de uma intensidade tão grande, que choca! Quanta informação, quanta cultura (fala de períodos, grandes escritores, etc.). Coisa de gente extremamente culta, ou pelo menos, bem mais que eu!

    Sobre o tema, hoje mesmo um cara de 18 anos foi preso aqui no estado por, pasmem, estuprar e matar sua enteada… DE 7 MESES!!! E mais: a enteada, era filha de… SEU SOGRO!! A mãe, uma menina de 16 anos vinha sofrendo abusos do pai. É, é desse mundo cão que trata o texto, excelente texto do Bidart. Não vou entrar no mérito de mais essa brutalidade, mas vou expor meu pensamento.

    Como todos sabem, e alguns tiveram a oportunidade de acompanhar “em tempo real”, sou pai do Lethalzinho e além deste, sou pai da pequena Lu, uma linda morena de cabelos longos e pretos – ou seriam negros? Sei lá, esse lance de politicamente correto ta muito chato. Como pai, levo as vezes os dois pra cama, no colo, acompanho seus sonos… Fico pensando que, se algo acontecesse a um deles, acredito que eu retornaria ao estado mais primitivo do ser humano. Afora o sofrimento causado a um dos pequenos e sentido pela família, a sede de sangue talvez fosse grande demais para ser “enganada” por uma justiça, que recolhe, mas que dá indulto de natal para que esses possam voltar às ruas e continuar matando. Só quem é pai, como eu, como o Bidart, sabe e entende o que estou falando, do sentimento de desespero, que nos toma só de imaginar algo com nossos pequenos.

    Sou a favor da pena de morte sim, e que essa fosse incondicional para estupradores, porque, por mais terrível que um crime seja, você ainda pode encontrar uma explicação, mesmo que não seja coerente: religião, política, fome… Mas o que justifica uma violência sexual? Assisto estarrecido a explosão de casos aqui no estado. O que fazer?

    Talvez esteja na hora de “deserotizar” nossa sociedade. Talvez, seja o momento das crianças voltarem a brincar na rua, descalças, correr, cairem, brigarem, chorarem e se levantarem. Sair do enclausuramento das casas fortificadas. Aprender como é a vida aqui fora. Quantos de nós já não fomos sacaneados a exaustão no ensino fundamental? Quantos já não levaram croques dos alunos da sétima série? Hoje isso tem nome, é bullyng! Armam uma redoma em volta dos pequenos de forma que eles não crescem preparados para enfrentar as desilusões de um mundo desigual. Que fique claro que não sou a favor do bullyng, de forma alguma, mas reagir é preciso! Hoje, você pode chamar um homem de viado, de bicha… Mas se chamar um gay, aliás homossexual, por esses nomes, você está sendo homofóbico. Utilize uma camisa preta com letras garrafais: “100% BRANCO” – você provavelmente será taxado de racista!

    Basta de hipocrísia!

    Lethal é negro, flamenguista, favelado, analista de sistemas, fã de esportes em geral, principalmente futebol e automibillismo e não foge de uma polêmica.

    • Então, nobre Lethal, reação é o ponto. Não podemos ser meramente reacionários, mas também não podemos ser estupidamente mansos. Punir violência com violência, no âmbito de uma nova e dura lei, talvez seja a única forma de revolução contra este novo inimigo que se avizinha: a tolerância excessiva.
      Como cidadão eu tenho direito a vida. Meus amigos e familiares também tem. Portanto também tenho direito de tentar mudar alguma coisa da melhor maneira que puder para me proteger e proteger àqueles que amo. Qual a definição específica para os atos que se supõe que sejam praticados exclusivamente por seres humanos? Não seria o caso de rever a Carta de Direitos, documento antigo e desatualizado plagado de verdades construídas numa época diferente, com problemas diferentes e realidades longínquas. Quando a Carta fora escrita, se alguém dissesse que você utilizaria um amontoado de peças eletrônicas que cabe na palma de sua mão para se comunicar com qualquer parte do mundo em tempo real, vendo a pessoa com que se está falando e ela vendo você, diriam que você é louco. Porque não podemos rever toda a nossa filosofia de forma revolucionária adaptada a realidade que temos hoje? Porque devemos continuar embasando nosso modo de pensar e agir pela cabeça de homens e mulheres que, em maioria, já morreram e nada sabem da vida como é hoje?
      A verdadeira revolução do século XXI vai começar no pensamento dos homens, revendo conceitos, quebrando paradigmas e, enfim, não há revolução sem sangue.

  10. Patrick, você se contradiz na questão das armas. Culpa o Estado de não fiscalizar o tráfico, porém é contra o desarmamento somente porque a Globo insiste na tecla?
    Também se contradiz quando sugere que tudo é diferente nos EUA, embora sugira veladamente estar a favor de termos cidadãos armados, solução adotada pelos americanos para combater o crime.
    Não podemos desviar sempre o foco e por conseguinte as fresponsabilidades de tudo o que acontece de ruim para a imprensa e o Estado. Não podemos tratar assassinos como vítimas e ainda dar a entender que uma professora honesta pode ser co-responsável pelos atos desse assassino já que não o encaminhou para a um psiquiatra, serviço que nem ela mesma deva ter acesso pelo que ganha. E se ainda contra-argumentar que o Estado é mais responsável ainda pelo crime por pagar pouco a professora que identificou o silêncio do inocente, então essa rosca não terá mais fim.
    Devemos parar com essa história de ser humanistas de cuecas e entender que existem coisas que não podem ser mudadas, plantas que nascem com ferrugem, paus que nascem tortos, maças que apodreçem e seres humanos que nascem com uma tendência inevitável para a crueldade e a loucura. Não podemos continuar culpando o governo de tudo que acontece de errado. Coloco no mesmo balaio assassinos de aluguel e pagantes, caso continuemos com essa velha história de que somente os pobres é que pagam o pato. Essa mania de considerar o assassino vítima é que faz com que a lei brasileira seja uma das que menos pune todo tipo de crimes.
    Deixemos de pretender ser intelectualóides de tuíter e tentemos colocar a realidade do nosso lado, caminhar de mãos dadas com ela e assim tentar mudar seu rumo.
    A ditadura acabou, o comunismo metamorfoseou, o capitalismo está tentando ficar verde e a Igreja Católica pediu perdão pelos crimes do passado. Vamos dar uma chance ao Estado de amadurecer para poder colher boas frutas maduras no futuro. As frutas podres, infelizmente, devem ser destruídas.

    • Meu bom e velho amigo fronteiriço, um dia da caça, outro do caçador.

      Em discussão anterior, você disse para eu ser menos legalista. Agora quem o diz isso sou eu!🙂
      Defender punições em praça pública nos remete ao tribunal de inquisição, ao períodos de ditadura e repressão. Nos remete à forma de se praticar justiça no Irã de Ahmadinejad e ao Iraque do finado Sadam.
      É realmente esse o espetáculo que você vem aqui defender?
      Não sou contra políticas de desarmamento. Porém me reservo ao direito de dizer NÃO ao plebiscito do desarmamento, como fiz da primeira vez, quando o Estado não garante a mínima segurança. Nunca peguei em um revólver e nunca pretenderei fazê-lo. É o que posso chamar de voto de protesto.

      Sábia foi a pergunta do nosso companheiro João Gabriel: a paz pelo medo?

      Quando citei a professora como exemplo, coloquei de forma tácita que a sociedade também é culpada. Sociedade omissa é sociedade culpada. Governo omisso é governo culpado.
      Vai parecer piada, mas não é. Tio Ben morreu por uma omissão de Peter Parker quando, para se vingar de seu agente na luta livre, deixou um ladrão que acabara de roubar a bilheteria fugir. É a ficção imitando a vida.

      Voltando ao caso concreto, obviamente baseado em conjecturas – já que ninguém nunca vai descobrir se o sujeito em questão era esquizofrênico ou um sádico, numa simples pesquisa no google você descobrirá que nem aqui, nem nos Estados Unidos e em nenhum país desenvolvido onde prevalece o Estado Democrático de Direito (para não incorrer no risco de alguém qualificar a China como país desenvolvido), uma pessoa em surto psicológico extremo é considerado inimputável (inimputabilidade temporária – ler sobre legaly insane).

      Continuo com a minha opinião de que Wellington é uma vítima. Continuo com minha opinião que espetacularizar punições é se igualar a qualquer assassino sanguinário.

      • Olha, meu bom Patrick, a coisa é bem mais profunda que defender a promoção de espetáculos de horrores. A questão da ‘praça pública’ é uma metáfora referente a forma como pode ser exposto o castigo para que possa servir de exemplo (vejam a execução de Saddam Hussein, por exemplo), não obstante, para entender o ponto de vista que defendo é preciso voltar no tempo e entender a mudança de épocas que alavancou a mudança na filosofia de aplicação das punições. Seriam os criminosos, até o século XIX, menos humanos que os de hoje?
        Você pode achar um tanto quanto rasa a minha colocação, embora aqui não há como mergulhar em citações excessivas por corrermos o risco de estar ‘falando’ sozinhos’ no final da vigésima quinta ‘lauda’ de texto. Contudo, me arrisco em escrever sobre alguns pontos:
        Há casos especiais, crimes hediondos que, pelo próprio fato de terem sido capazes de serem cometidos, são em si mesmos, enquanto ações, divisores de águas, são limites que, não importando de quem seja a culpa, constituem uma barreira intransponível, um muro tão alto que jmais poderá ser escalado e bem lá no alto, lá no cume, ficou a humanidade de quem o cometeu. Pense sobre isso e depois continuamos.

  11. Como eu gosto desse boteco … Apesar de quase nunca comentar eu sempre visito.

    A forma como as pessoas discutem aqui é fenomenal.

  12. Galera,

    Notícia importante pra todo mundo que tem conta no WordPress:

    http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/04/servico-de-blog-gratuito-wordpress-sofre-invasao-de-hackers.html

    O blog está recomendando a troca da senha.

  13. Quem e’ pai sabe como e’ possivel moldar uma criança para ser exatamente como queremos que ela seja. A criança nao tem noçao do que e’ certo ou errado, ela fara’ o que os pais disserem, obvio.

    Morei em Washington DC por 2 anos. Naquela epoca, apareceu um atirador que tava matando todo mundo e ninguem sabia de onde vinha (basta procurar no google “dc sniper”). A coisa foi seria, durou semanas e matou 10 pessoas. Sabem quem era? Um cara que dirigia enqto um garoto de uns 13 anos atirava do porta-malas, por um buraco feito na carroceria do carro…

    Sua mae era ilegal nos EUA e se mandou, deixando o garoto com o cara. O cara foi fazendo a cabeça do garoto ate’ chegar nesse ponto. Quando preso, o garoto nao tinha ideia do quanto mal ele tinha feito, afinal era como um video-game, mirar e atirar. Do outro lado, era so’ uma sombra que caia, mas na verdade era uma vida que se ia, uma familia que perdia alguem, um pai, uma mae…Ele nao tinha noçao…

    No caso do Wellington, ele foi somente um produto do seu meio, tal qual o garoto de DC. Quem aqui sabe o quanto doente e’ ou era a mae do Wellington?

    Outro exemplo e’ o ex vice-presidente dos EUA, Dick Chaney. Infancia pobre, o pai nunca estava em casa….quando estava so’ falava de dinheiro, dinheiro….Resultado? O filho cresceu e so’ pensa em…..dinheiro, claro! Dinheiro e poder.

    Quando chegamos em casa cansados e putos com o nosso chefe babaca, nao devemos nos externar nesse sentido, os filhos estao SEMPRE ouvindo tudo. Se vc so’ fala em grana, e’ isso que o teu filho vai entender que e’ o mais importante, etc…

    Wellington so’ devia ouvir essa ladainha de igreja evangelica, “a carne” etc…Agora imagina a infacia dos pais do Wellington! Tb so’ deviam ouvir essas coisas, claro. Eram as coisas importantes para eles.

    O detalhe e’ que o Wellington nao tera’ filhos! Nao propagara’ essa “maluquice” ou doença, chamem como quiserem.

    Seu suicidio foi, no final, triste por ele nao ter culpa de nada, era apenas fruto do seu meio-ambiente. Mas ele interrompeu uma sequencia, ele nao tera’ filhos.

    Aos vivos, resta’ repensar como e’ que nos deixamos isso acontecer, e isso cabe a quem educou (ou botou no mundo) o Wellington. FAIL, diria-se em ingles. Imagina se um dos nossos filhos comete tal brutalidade, quem e’ o verdadeiro culpado? Quando temos 15 filhos, somos capazes de dar amor e exemplo pros 15? Ou so’ pra 7, os outros aprendem na rua? Sim, pq criança, como eu disse acima, e’ uma esponja, sempre sugando informacao, boa ou ma’

    Trapizomba e’ branquelo, tricolor, exilado e se amarra numa corrida online e nos Lakers.

  14. Não apregoo sair por aí desmembrando supostos assassinos. Quero que ensaiemos uma mudança verdadeira na essência da nossa sociedade. Uma coisa é um garoto de 13 anos atirando em sombras dentro de um porta-malas, guiado por um adulto. Outra coisa é um atirador de 24 anos que planeja seu crime há anos. No começo do artigo sugeri uma possível falha nos planos de suicídio do elemento. Ele poderia ter sido simplesmente desarmado e trancafiado 30 anos numa cela individual, sem contato com outros presos. Poderia ter sobrevivido a esses 30 anos de cadeia e estar livre com 54 anos. Poderia elaborar um crime mil vezes pior do que fez há uma semana.
    Meu questionamento e minha indignação é contra essa lei brasileira que sabe ser mais hedionda até que o próprio crime que cataloga. O fato que motivou esta discussão trata desses dois pontos: crime e lei. Nos EUA eles têm sua lei estadual para punir seus criminosos, bem mais dura que a nossa. E se lá, onde muitos estados tem pena de morte e a grande maioria tem prisão perpétua, eles não conseguem impedir esse tipo de crime, que será do Brasil se essa onda pega? Aí concordo com o Patrick quando afirma que a imprensa desvituou tudo e talvez até estimule outros crimes similares com seu posicionamento. Mas a imprensa não tem poder de julgamento ou condenação, apenas de especulação. O Estado, e aí ele é mesmo responsável, é quem falha na organização política, porém, essa falha se deve a falta de maturidade democrática que se encarrega de lotar a Câmara dos Deputados de maus criadores de leis, e o Poder Judicial não pode fazer outra coisa além de aplicar essas leis brandas criadas para dirimir perseguiçoes políticas que fazem parte de uma passado cada vez mais distante. (Depois continuo pois vou fazer cocô)

  15. Primeiramente Matar o o louco de realengo em praça publica ele iria gostar da ideia pois queria que tudo fosse grandioso!!!!!!! então isso não o assustaria em minha opinião!!!!
    A sociedade tem que entender que existem pessoas que nascem com defeitos de fabrica irreversiveis!!!!!!! Era o caso de wellington de realengo a mãe do cara era louco e ele erdou isso genéticamente!!!!!!! Matar ele seria o suficiente pois é um defeito que não tem cura pra quer deixar vivo!!!!!! sofrimento antes da morte so ajudaria a ele querer fazer oque fez pois iria se sentir vitima duas vezes quando decidiu fazer o ato e quando seria punido em praça publica entendem minha opinião:????????
    O problema de nossa sociedade as vezes é a religião pois acredita-se que deus irá curar um infeliz como este cara!!!!! E infelizmente o cara não tem conserto!!!!!! Era louco e ponto final!!!!! esquizofrênico!!!!!!!! Pronto simples assim eu acredito que a maioria dos problemas de saude principalmente mentais são geneticos o meio ajuda mas ele sozinho sem ajuda da genetica não faz nada !!!!!!!!!! Sobre fazerem um novo plebiscito sou contra pois fizeram um a pouco tempo se querem fazer outro esperem uns 30 anos no mínimo!!!!!! Pois se não virá bagunça alguem se lembra quando ouve uma especie de plebiscito para saber se o brasil seria monarquia ou este sistema atual ou outro sistema que nao recordo eu era criança lembro deste plebiscito!!!! e ninguem falou que deveria haver outro pq com o caso do desarmamento tem que haver outro plebiscito!!!!!! Sendo que o problema nosso em questão de armas é o trafico e a questão cultural pois pra tudo neste pais usamos o jeitinnho brasileiro concordo que tem que haver controle sobre a venda de armas legais mas pq taxas tao caras pra ser ter uma arma legal???????? os exames psicotecnicos tem que haver mas pq sao tao caros:??? Isso incetiva ao cidadão que quer uma arma a todo custo pra se sentir seguro a comprar no mercado negro!!!!!!!!!

  16. Pensei, repensei e cheguei a seguinte conclusão;
    Se algum maluco fizesse algo a minha filha, eu arrancaria pedaço por pedaço dele, torturando-o até o insuportavel.😛

    Maldades a parte sou a favor sim da pena de Morte.

    • esta’ vendo? Basta uma coisinha para nos transformarmos em assassinos…Eu faria a mesma coisa.

      • A maioria que fala que faz não faz nada eu trabalhei armado durante 7 anos fui militar e a apenas uma vez precisei carregar a arma nunca deu um tiro fora do estande de tiro porque não houve necessidade!!! Agora existe uma grande diferença entre falar e fazer os amigos fufeiro estão igual a politico que faz e acontece apenas verbalmente!!!!!!!!

  17. Hmmmm, papo brabo esse. Jamais imaginaria ler um texto desses num blog de Formula-1. Por isso, a comuniade Fufa é diferente mesmo. No fundo, eu compartilho com um pouco de cada idéia. Isso, to completamente em cima do muro nesse assunto. Não, não do PSDB (talvez o maior grupo de encimadomoristas desse país), mas confesso que fico com um meio termo. Ao mesmo q considero o atirador como vítima, tb acredito em sua culpa. Mas acho que esse tipo de criminoso não é uma ameaça tão grande por aqui. Digo, quando irá acontecer um caso parecido? Daqui 20 anos? Ou até mais. A não ser que a exposição na mídia desncadeie uma série, acho pouco provável um outro wellington por ai… Existem sim pessoas mais ameaçadoras que suposto esquizofrênicos. Traficantes, por exemplo. Hoje um amigo falou que ele leu em algum lugar, não sei onde, sobre um assalto a um carro forte. Antes, os bandidos avisaram a polícia, mas deixaram claro para que os policiais não fossem lá por eles estavam com armamento pesado, pra derrubar avião, que seria um massacre. Onde esses caras conseguiram essas armas? Tem gente “grande” por trás disso, gente que não aparece. Esses sim deveriam ser punidos. Criar pena de morte para punir os “peixes pequenos” não resolve. Mas será que a pena chegaria a juízes, delegados ou políticos corrúptos??? Não né…

    Rebelc – branco, jornalista, curintiano, roqueiro, músico tabajara, separado, pai de dois filhos e pobre, mas honesto… Texto escrito ao som de Steppenwolf, “The Pusher”….

  18. Eduardo Casola Filho

    post pesado, mas realmente o Bidart fez outro trabalho genial. O nível permanece o mesmo do FUK.

    E outra coisa lamentável: O time feminino do Volei Futuro teve um acidente de ônibus antes da partida contra o Osasco, tanto que a líbero americana tá mal. E a Rede Globo pressiona a CBV para que o jogo seja feito logo para não comprometer sua grade…. Isso já é demais!

    http://blogdobrunovoloch.blogosfera.uol.com.br/2011/04/14/indignada-com-a-cbv-joycinha-desabafa-a-tv-esta-pressionando-mas-somos-seres-humanos/

  19. (1) – “Penso que a visão do terror materializado na carne de um assassino de índole irrecuperável penetrará profundamente nos cinco sentidos de elementos que planejam atos como os que o matador do Realengo realizou com sucesso. ”A paz pelo medo? Será mesmo que funcionaria Bidart?(João Gabriel)
    (2) – Primeiramente, matar o louco de Realengo em praça pública ele iria gostar da idéia pois queria que tudo fosse grandioso!!!!!!! Então, isso não o assustaria em minha opinião!!!!(patrick)
    (3) – Voltando ao caso concreto, obviamente baseado em conjecturas – já que ninguém nunca vai descobrir se o sujeito em questão era esquizofrênico ou um sádico, numa simples pesquisa no google você descobrirá que nem aqui, nem nos Estados Unidos e em nenhum país desenvolvido onde prevalece o Estado Democrático de Direito (para não incorrer no risco de alguém qualificar a China como país desenvolvido), uma pessoa em surto psicológico extremo é considerado inimputável (inimputabilidade temporária – ler sobre legaly insane).
    Continuo com a minha opinião de que Wellington é uma vítima. Continuo com minha opinião que espetacularizar punições é se igualar a qualquer assassino sanguinário. (Patrick Lima)

    Aproveito o ensejo para responder aos três amigos. No caso do bom Torcedor -Patrick Lima, será a continuação da proposta que lhe fiz anteriormente:
    Há casos especiais, crimes hediondos que, pelo próprio fato de terem sido capazes de serem cometidos, são em si mesmos, enquanto ações, divisores de águas, são limites que, não importando de quem seja a culpa, constituem uma barreira intransponível, um muro tão alto que jmais poderá ser escalado e bem lá no alto, lá no cume, ficou a humanidade de quem o cometeu. Pense sobre isso e depois continuamos.

    (1),(2),(3) – Então, amigos, a punição exemplar não assustaria Wellington e nem outros tantos fanáticos religiosos pelas promessas de eternidade espiritual em que acreditam. O castigo ‘morte’ seria, neste caso e como você mesmo diz, uma honra para ele. Contudo, 90% das igrejas evangélicas que pregam a ‘Teologia da Prosperidade’. Esse dogma é típico de seitas e boa parte dos fiéis procuram pastores pit bull que prometem cura para suas dores físicas. Meus amigos, por mais que a alma seja o foco dos nov0s evangélicos, é pela dor física dos fiéis que as igrejas estão cada vez mais lotadas. Maluco ou não, a visão de uma execução sumária, sem glória nem pompa poderia abalar a convicção predatória do assassino-vítima do Realengo.
    Em contraposição, seu suicídio pode servir de estímulo para novos malucos de plantão devido ‘ao romantismo’ do cara que foi disposto a se matar pelo que acreditava, morrendo com a honra dos samurais em seu harakiri. E ainda no caso do matador de crianças – diferentemente dos samurais, que se matavam após serem derrotados numa batalha -, seu objetivo foi alcançado; nem poderia ser considerado um derrotado.
    Na verdade, tentando resumir um pouco, derrotados somos todos nós que nada fazemos para proteger nossas crianças desses monstros. Pelo contrário, nos desfazemos tentando encontrar justificativas para seus crimes perpetuando sem querer seu legado, fazendo deles mártires de um mal que nós mesmos supostamente lhes causamos. A cada desculpa esfarrapada que encontramos para resgatar a humanidade de que já a perdeu, aproximamos mais e mais as balas justiceiras desses paladinos da injustiça social das cabeças dos nossos filhos, amigos, parentes, esposas, de nós mesmos!
    Tenhamos, então, a coragem de dar-lhes o mesmo medo, o mesmo sangue, o mesmo espetáculo de horrores que eles se encarregam de planejar e executar com a maestria de um esquizofrênico, de um filho de esquizofrênico, de um neto de esquizofrênico.
    Arquemos, então, com as consequências de taxar cada honesto e humano doente mental ou portador de necessidades especiais de assassino em potencial, definido pela tabela macabra que esses não-humanos nos apresentam a cada novo crime inexplicável.
    Amigos, enquanto insistamos em fazer ”pezinho’ para que estes não-humanos tentem catar sua humanidade do alto do muro das lamentações das vítimas da sua loucura, mais perto estaremos de perder esta guerra que, queiram ou não, estamos metidos até o pescoço.
    Vamos deixar de alimentar os monstros que moram conosco, pois não os criamos. Eles são a parte escura da condição humana.

    • Bidart a morte por si so é o suficiente cara não precisa fazer mais nada se ele não se matasse iriam matar ele ( derrepente é isso que aconteceu e agente nem sabe!!!!!!) Matou acabou!!!!!!! Pagina virada isso sempre vai acontecer em qualquer pais no mundo salvo engano pessoas normais boas e ruins e loucos bons e ruins sempre irá existir!!!!!!!!!!!!!1

    • Bidart, lê um pouco sobre RDD e depois responde essa pergunta: Fernandinho Beira-Mar amansou por conta dele? O resto dos traficantes se assustaram com isso?

      É sabido de todos o que acontece com estupradores na cadeia. O índice de estupros baixou?

      Crueldade com a bandidagem já existe, meu bom amigo. E digo que não resolve.

      • ‘Fraga’, quem disse que a Constituição brasileira não possui leis desatualizadas, em desacordo com a realidade do país e feitas ainda sob a influência do temor de um possível retorno da ditadura militar e para a proteção de eventuais presos políticos? Creio que o Brasil já superou esse estágio e seu exército não têm interesse, estrutura e nem a mínima vontade de assumir de novo a ‘bronca’ de governar. Nem que façam um clone do Cheguevara e o elejam presidente.
        Agora você retorna ao legalismo. Se somente com base em leis passageiras fossem construídos os pilares do nosso convívio social onde, então, encontraríamos a origem de cada suposto preceito ‘legal’?
        Te respondo: na evolução dos costumes; no pensamento crítico cujo poder natural pode mudar o ‘estabilishment’; na reviravolta espontânea das idéias impelida pela simples mudança do modo de vida das pessoas através dos séculos; na possibilidade de estarmos equivocados com respeito a tudo que acreditamos ser certo ontem e hoje, porém pode ser a receita errada para sobreviver amanhã.
        A partir desse ‘modus operandi’ que nada mais é que a vida enquanto estrada e não enquanto ideologia é que surgem, entre outras coisas, as leis que formam o nosso tão amado ‘Estado de Direito’, que ainda possui um formato válido por entre 150 e 100 anos, mas cujo prazo de validade pode estar prestes a expirar, por muitos motivos dentre os quais, um deles pode ser a imperfeição humana que gerou leis imperfeitas, tendenciosas, contaminadas, além do vício dos operadores do Direito, dos juízes, das polícias, etc…
        O papo é longo, mas agradeço a todos os que participaram. Comecei este artigo com uma idéia, mas graças a contribuição de vocês descobri que posso estar exagerando em alguns pontos. Não sou perfeito e nada do que penso hoje quer necessariamente dizer que será o que penso amanhã. O debate que vocês propiciaram aqui foi, para mim, um prazer imenso.
        Abraços a todos e obrigado!
        (Patrick, cabra, você é o cara)

  20. concordo com vc bidart, a preimeira coisa q disse foi “merda o cara conseguiu morrer sem sofrimento”. agora o q mais me surpeendeu neste episodio foi a banalizaçao da violencia, como pode um assunto tao triste tomar tanto tempo em tantos canais de tv, quero dizer dias insistindo, insistindo, insistindo no mesmo assunto, aqui em casa teve até problemas pq toda vez q tocava neste assunto eu trocava de canal, minha esposa queria assistir, e eu nao.

  21. Cavaleiro que diz NI!

    Man, eu não ia formar minha opinião sobre isso,pois eu acho que foi uma fatalidade imensa. Esse Wellington era um completamente louco, não sofria apenas de esquizofrenia, deveria ter sido tratado, e se não morresse deveria ser tratado e isolado para resto da vida. Não sou especialista, mas já senti na pele o que é conviver com uma pessoa que sofre de alucinações: não gosto de falar sobre isso, minha mãe já teve ataques esquizofrênicos, e sofri muito porque eu não sabia o que era. Levei ao psiquiatra e com medicações modernas ela voltou ao normal, ou quase normal, pois ela não leva mais a vida que levava. Imagina, a esquizofrenia é como se duas pessoas estivessem lutando pelo controle dentro de uma mente. Assitam este filme aqui e vocês vão ver o que aconteceu com minha mãe. Mas somente a esquizofrenia não causaria tanto mal como o Washinton causou:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_Mente_Brilhante_(filme)

  22. 1- Nada que fizermos com esse cara diminuiria, muito menos compensaria o mal que ele causou;
    2- Foi bom que morreu, assim ele não sai da cadeia no natal;
    3- Nossa sociedade é incapaz de prender esse tipo de assasino;
    4- Todos os próximos que viram que ele não era normal não acionaram as autoridades;
    5- Se alguém tivesse acionado as autoridades, ele não poderia ser preso, pois até então não tinha cometido nenhum crime, não poderia ser internado, pois isso só pode ser feito com o consentimento do paciente;
    6- Ele abandonou o acompanhamento psicológico por vontade própria;
    7- Se ele não tivesse uma arma, iria usar facas ou o que tivesse a seu alcance. Exterminar todas armas de fogo do país não o faria “menos” assassino.

    Pra corrigir isso, só reconstruindo a humanidade.

  23. Ah! Meu amigo Bidart, vulgo bicha fresca (thanx GDemo)… só você mesmo para me fazer parar um pouquinho… Brilhante seu texto, sou seu fã, te juro, mais que aquele dito que nos abandonou! Você me obriga a pensar. Olha que não é uma coisa muito fácil não…:mrgreen:

    Mas “peralá”: Dostoiéviski? Roskolnikov? (tem alguma coisa a ver com rosca?) 😈

    “doença do corpo, a doença que nasceu na alma…” Acho que minha alma é culpada! Sempre pensei isso sobre este corpinho que não me pertence, braços curtos inclusive , thanx perspicazes e obscuros admiradores…!

    FOUCAULT? “A TIME TO KILL”?? UAU!!!!!

    Erasmo de Roterdã… Putz meu Bom (thax “barbeiro”). Logo eu, que sempre convivi com a loucura, seja lá, seja cá, depois de sua explanação, acho que posso estar com “câncer”… Hum, é ruim heim?

    Amigo, de boa: “Vive Le France” ABAIXO A BURCA! Viva o raciocínio desprovido de fanatismo! BRILHANTE e escorreita sua argumentação, mas não, não os execute.

    Dizia Dante Aleghieri em seu famoso e não menos douto romance: “Pobres mortais, deixai de fora todas vossas esperanças!” Não, não mate, tire suas esperanças… Como, não ouso dizer… Mas, é possível! Abraços! Você é especial!

    • Cavaleiro que diz NI!

      “Pobres mortais, deixai de fora todas vossas esperanças!”: eu escreví isso no quadro negro da escola, antes de uma aula chata de matemática.

  24. Anos de evolução fizeram que o homem saísse da caverna… não quero voltar… estou feliz aqui do lado de fora.

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