Túnel do Tempo – O Outro Planeta.


Suspensão da Williams

Inauguramos hoje a sessão Túnel do Tempo. E pra inaugurar o bate-papo, Motta fará as honras da casa.

Em 1991, a Williams F1 tinha um carro competitivo. Era um carro capaz de ganhar corridas, mas não era nada “de outro planeta”, era um carro de Fórmula 1. Mas a década de 90 já tinhamos muitas ferramentas eletrônicas que poderiam ser levadas para os carros, só que ninguém tinha feito isso funcionar direito em um carro de corrida, ora por falta de dinheiro, ora por falta de desenvolvimento. Todos corriam para desenvolver suas transmissões semi-automáticas, que reduziam o tempo de troca de marchas mas ainda quebravam muito. E não adianta dizer que dá pra trocar de marcha mais rápido manualmente, pois em um carro de rua isso pode ser verdade, mas em um carro de corrida as marchas são trocadas em um décimo de segundo. Nem Senna, nem Schumacher, nem Fangio eram tão rapidos.

Mas em 1992 a Williams fez algo diferente. Uma suspensão completamente eletrônica, que não usava molas nem amortecedores que precisam de milhares de ajustes e testes de pista. O carro podia se ajustar em tempo real para cada centimetro de pista de acordo com seu mapeamento feito via satélite e sensores no bico – tudo isso feito automaticamente. Era algo diferente, mas não era novo. A própria Williams e a Lotus em 87 fizeram uma suspensão ativa, não tão avançada quanto a de 1992, mas o projeto foi congelado no fim desse ano pelo custo extremamente alto dos chips computadorizados usados na época.

O carro da Williams de 92 era tão superior que as demais equipes tentaram copiar sua suspensão, mas não ninguém conseguia fazer uma suspensão tão perfeita. O mesmo se repetiu em 1993 – os carros da Williams eram realmente de outro planeta.

Enquanto isso, em 1993, a Williams já testava um nova peça que iria fazer seus carros ainda mais imbatíveis. Era algo completamente novo na F1, mas que existia desde 1958. Como sempre, era algo tão difícil de se fazer, que ninguém jamais tinha cogitado colocar isso na F1. Assim era o câmbio CVT. Um câmbio continuamente variável (da sigla em inglês), que eliminava as trocas de marchas e fazia o motor operar sempre em sua faixa de potência máxima(era o câmbio que se regulava em tempo real e acelerava o carro).  Era tão matador de concorrência quanto a suspensão ativa e também abusava da eletrônica.

O problema era fazer esse câmbio durar uma corrida inteira. Por ter que transmitir potência via uma correia metálica, o atrito era tão imenso que era necessário fazer um tipo de óleo novo só para essa transmissão. Mas a Williams já estava em estágio avançado de desenvolvimento e investia bastante dinheiro nisso. Os demais pilotos estavam prestes a ser derrotados pela tecnologia. E Senna se referia apenas à suspensão ativa quando dizia que as Williams eram carros de outro planeta. Mas os carros eram mesmo, ninguém conseguiu fazer melhor.

Se a F1 era o topo da tecnologia, a Williams era a tecnologia.

Mas isso não agradou a FIA, que estava começando a ver que os carros estavam ficando muito mais importantes que os pilotos e a gota d’água foi o acidente de Gerhard Berger, causado por um erro de programação.

Assim o destino foi selado. Os carros não poderiam mais ter transmissões automáticas, nem ajudas eletrônicas. O carro do outro planeta foi mandado de volta para onde veio. E ele está lá, aguardando pacientemente seu retorno, que pode nunca acontecer.

PS:  Imaginem se essas tecnologias tivessem sido tão desenvolvidas quanto o câmbio borboleta, a ponto de chegar nos carros de rua ainda nos anos 90…

Aqui segue um vídeo animado do funcionamento de um câmbio CVT da Dodge:

Agradeço ao Eduardo Casola Filho por ter postado o link do Jalopnik sobre esse câmbio, que me fez descobrir essa história sensacional e me fez buscar tudo que pude aprender sobre ela.

por Denis Motta Urbanavicius

Publicado em abril 5, 2011, em Automobilismo, F1, Tunel do Tempo e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 40 Comentários.

  1. Ainda no Lancenet!, eu fiz uma pesquisa sobre o Kers e acabei tendo que incluir a evolução do câmbio CVT para poder embasar melhor o assunto. Acabouvirando mais um tijolão à la eu mesmo e ninguém deve ter lido o coment além do Mike. Você conseguiu ir direto ao ponto, falando sobre o que realmente interessa desse assunto tão fascinante. Parabéns pelo post, Denis! Aqueles carros da Williams eram realmente de outro planeta!

  2. Me lembro muito bem dessa época . Os anos de 92 e93 foram os anos de Ouro da Williams, eram outra categoria de automobilismo, me lembro do Mansel colocando 2 segundos na classificação para a segunda melhor equipe. Em 93 a história se repetiu com Prost e esperávamos que se repetisse em 94 com Senna. O resto já sabemos…O engraçado foi me lembrar agora do Galvão passando o ano inteiro dizendo que a Maclarem estava desenvolvendo seu proprio sistema de suspensão ativa e que seria uma Williams pinatada de vermelho e branco. Quando a peça da MAclarem saio o carro ficou pior do que o que estava e Senna acabou voltando para o carro antigo.

    • Sou só eu que acho que o galvão falava merda com menos frequência antigamente?

      • Elel sempre falou! só que antes Tinhamos caras como Senna e Piquet que fazia comq ue ele não tivesse que mentir e inventar muito.

        • Na época eu tinha 12 /13 anos e achava massa o que ele falava ! realmente acreditava. Eu me lemrbo que um pouco antes 89/90/91, tinha umas charges que os caras faziam antes das corridas mostrando Senna como Super Senna e o Prost como O malvado vilão Professor Narigudo. Ilárioooooo! Procurei e nãoa chei na net quem sabe alguém acha !!!!

        • Quem fazia as narrações das charges era o Fernando Vanucci!!!

  3. João Vinicius

    Oi pessoal,

    essa Williams era incrivel mesmo, pergunta…

    Alguém sabe que foi que projetou todos os detalhes dessa suspenção na temporada ? Mas quero saber de quem cuidou dos aspectos tecnicos mesmo, quem meteu a mão na massa

    Abração a todos

  4. Repararam no barulho do carro? Sem o barulho da troca de marchas…

    Coisa de louco…

  5. Carrin era violento msm!!! Melhor sistema de suspensão da f1 até hj.

    Queria um desse no meu santanão!!!!

  6. Curti muito essas imagens, era “felomenal”

  7. Olha essa google entrie;
    o artigo 5ºda constituição brasileira da discriminação racial inafiançável e imprescritivel

  8. Dicas para mamães e papais de 1ª viagem;
    http://wp.me/pP7KO-4w

  9. Dez Critérios utilizados pelo pobre na escolha do nome dos filhos.
    1 Combinações -Geralmente pega-se o nome do pai, avô e mãe. Fica uma coisa mais ou menos assim: Claudemarioneide.
    2 Geografia – De Uáchinton a Sidiney, o Mapa Mundi é um celeiro de inspirações.
    3 Show Business – Os nomes mais populares do cinema e da música, reunidos numa unica certidão de nascimento: Maicow Jéquisson Chuarzineguer Disney dos Santos.
    4 Nomes Compostos – O pobre sempre sofreu com a falta de recursos. Portanto, acha que aumentando o número de nomes pode dar uma vida feliz ao filho. Caso de Jeniffer Luiza Raquel Caroline Oliveira da Silva, 31 anos diarista.
    5 Y – Tem Y no nome, é 85% de chances de ser pobre.
    6 Homenagens – De remédio a atacante do Flamengo: pobre adora uma homenagenzinha.
    7 Marcas – Eu mesmo já falei com um Philips e outro das antigas chamado Syncachambor.
    8 Eventos – O pobre não pode ter vivido algo marcante na sua vida que já quer compartilhar com o filho. Exemplo: Udistoque, Rarley (o cometa) e o pior de todos Tsunami.
    9 Confusões – Isso explica um conhecido, que se chama Pracedino. No dia, o tabelião perguntou: “Qual o nome”, ao passo que o pai respondeu: “Óia é pra cê Dino”.
    10 Religiosidade – “O nome do meu filho vai ser a primeira coisa que eu ler na Bíblia”. Adivinha como ficou o nome do garoto? Sumário.

    Agradeço a um grande amigo pela colaboração na pesquisa acima, Itamar Franco escrevente de Cartório de Registro Civil de pessoas naturais:mrgreen:

    Tenho uma lista enorme de nomes ridiculos, quem quiser me avise hehehe!

  10. Ainda no clima do post de Casola, publicidade bacana da Pirelli.

  11. Eduardo Casola Filho

    Novamente estou lisonjeado por ter meu nome citado pelo post, mas nada sairia se não fosse pelo apoio da turma. Como disse ontem: Nós somos fodáticos!!!:mrgreen:

    E essa invenção seria a cereja do bolo das maravilhas tecnológicas do Newey se a FIA não tivesse vetado. Ia ser demais!

  12. Piada de ultima hora!!!

    Para quem não sabe ainda como fazer…vai aí a receita….!
    Ingredientes: 04 olhos
    04 pernas
    04 braços
    02 pacotes de leite
    02 ovos
    01 tigela
    01 banana
    Instruções:
    1. Olhe dentro dos olhos;
    2. com os braços, abrir as pernas;
    3. aperte e massageie os pacotes de leite delicadamente;
    4. coloque suavemente a banana na tigela, retirando-a logo em
    seguida. Repita o procedimento até adquirir consistência cremosa;
    Obs. para melhores resultados, continuar massageando os pacotes de leite.
    5. ao elevar-se a temperatura, mergulhe a banana profundamente
    na tigela, cubra com o s ovos e deixe-a umedecer preferencialmente (NÃO pernoitar);
    O bolo estará pronto quando a banana amolecer. Caso isso não
    ocorra, repita os passos de 3 a 5 ou troque de tigela.
    Observações:
    – se você se encontra em uma cozinha que lhe é estranha, lave
    bem os utensílios antes e após o uso;
    – não lamba a tigela depois de usada;
    – caso o bolo cresça, fuja….

  13. Que honra ter um post aqui =)

    Essa época foi tensa mesmo… A FIA teve que fazer alguma coisa, os carros estavam muito insuperáveis.

    Logo logo tem mais… Mas provavelmente não vai ser do túnel do tempo.

  14. O carro de 94 era instável pois foi tirada toda a parafernália eletrônica e Senna quando teve a oportunidade de ir pra willians já era tarde o carro de outro planeta so sobrou o chassi adaptado a uma suspensão comum!!!!!!

  15. Estou sendo perseguido aqui no blog…
    No post anterior so foi eu falar que Gilles foi um grande piloto na chuva que fui metralhado por criticas!!!
    O engraçado é que tambem mencionei o Jacky Ickx como um dos reis da chuva, mas dele ninguem falou uma linhan nem questionaram se eu vi correr ou não, se a minha idade é 34 mesmo… Mas do Barrichello e do Gilles…
    Eu hein…

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