Momentos Históricos – Grande Prêmio da Alemanha de 2000

Fala, pessoal! Estou aqui a relembrar mais uma corrida histórica. No dia 30 de julho de 2000, um piloto que era motivo apenas de piadas na sua terra natal calou a boca de muita gente e adquiriu o respeito do circo da Fórmula 1.

rubinho

O choro da vitória

A história começa a se desenhar no dia anterior. Na classificação, os rumos mudaram completamente. Rubens Barrichello foi um piloto que se deu muito mal. No início da sessão, a sua Ferrari #4 acabou parando com problemas de câmbio e Michael Schumacher havia batido seu carro na sexta-feira, o alemão já estava com o carro reserva.

Barrichello teve que esperar a equipe arrumar o bólido que seria do alemão para tentar uma volta. E para piorar, a chuva começou a cair na região do circuito de Hockenheim, justo quando quase todos já tinham marcado seu tempo em pista seca (Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, teve sua volta impugnada por ter vazado uma das chincanes do antigo traçado da floresta).

Correndo o risco de sequer se classificar, por não ter o tempo mínimo dentro dos 107%, o brasileiro foi para a pista quase no fim da sessão e conseguiu o 18º tempo, exatamente atrás de Frentzen. Não era muito, mas dava para pensar numa boa estratégia para chegar nos pontos (vale lembrar que naquele ano, apenas os seis primeiros pontuavam). Parecia ser mais um fim de semana de “Pé-de-Chinelo” para o finalista.

Porém o domingo reservou grandes surpresas. Quando acordei para assistir a corrida, já estávamos na segunda volta e as posições do grid já tinham mudado totalmente. Os dois primeiros do grid, David Coulthard, da McLaren, e Schumacher largaram mal. Mika Hakkinen, também da equipe de Woking, era o líder.

O alemão, aliás, já nem estava na corrida. Logo na primeira curva, trancou o caminho da Benetton de Giancarlo Fisichella e ambos saíram da pista em direção aos pneus. Tudo por conta de uma sina que incomodava Schumi. Já contei esta história por aqui.

As duas McLaren já disparavam na frente, enquanto algumas equipes apareciam para surpreender, como a Jordan de Jarno Trulli e a Arrows, com Pedro de la Rosa, que vinham na sequência.

Barrichello, o único com um carro capaz de bater as flechas de prata, já tinha ganho dez posições nas duas primeiras voltas. E o brasileiro partia para o tudo ou nada, mesmo tendo de parar uma vez a mais nos boxes que os demais.

Logo, foi engolindo os adversários a sua frente um a um: as Arrows de Jos Verstappen e de De La Rosa, as Jaguar de Eddie Irvine e Johnny Herbert e a Jordan de Trulli, já atingindo terceiro posto antes da primeira torca de pneus e reabastecimento.

O máximo que dava para chegar era um pódio, pois não dava para alcançar os carros prata com potentes motores Mercedes, que estavam muito longe, cerca de 20 segundos e não daria tempo para tirar esta desvantagem, com uma parada a mais.

Mas o Sobrenatural de Almeida estava presente em Hockenheim naquele dia. Além dele, um sujeito chamado Robert Sehli estava em Hockenheimring esperando uma chance de aparecer ao mundo. A explicação: Sehli fora demitido pela Mercedes poucos dias antes e ele queria protestar contra a montadora da Estugarda.

maluco

TIRA ESSE MALUCO DAÍ!!!! (ou não?)

Na volta 25, o sujeito invade a primeira grande reta do circuito alemão mesmo com carros passando a mais de 300 quilômetros por hora. Enquanto todo mundo está atônito vendo àquela cena, a direção de prova chama o Safety Car. Sehli não teve muito tempo mais para aparecer, pois fora detido pelos fiscais de pista.

Nesta altura, muitos pilotos aproveitam para entrar nos boxes e completar o tanque a fim de terminar a corrida. Como as diferenças entre os pilotos desapareceram, a roda da fortuna começou a girar.

O Safety Car saiu, mas logo voltou. A Prost-Peugeot de Jean Alesi encontrou a Sauber do herdeiro do Grupo Pão de Açúcar e do atual pacato fazendeiro Pedro Paulo Diniz para bater forte e rodopiar lançando as rodas pelo caminho. Só o susto ficou para ambos.

Com essas confusões, um novo drama começou a atingir os pilotos. A chuva que esteve no fim de semana inteiro finalmente deu o ar da graça. Ela só caía na parte do Estádio do longo circuito alemão, enquanto a parte da Floresta Negra ainda tinha pista seca.

Alguns rodaram, (Alexander Wurz, da Benetton, e Jacques Villeneuve, da BAR) outros foram para os boxes colocar pneu de chuva, liderados por Hakkinen. Barrichello, Coulthard, Frentzen e Ricardo Zonta (da BAR) ficaram na pista e foram para o arrisca-tudo.

O escocês desistiu ao sentir que não dava mais, o alemão abandonou com problemas de câmbio e o brasileiro da BAR acabou batendo. Apenas Barrichello manteve-se naquela loucura.

Mas Barrichello levava vantagem em uma coisa que Hakkinen: o talento na chuva. O brasileiro conseguia neutralizar qualquer vantagem que o finlandês pudesse ter nessas condições.

Aos poucos, o mundo do automobilismo mobilizou-se por aquele que estava para ser um momento memorável. Um brasileiro que entrou na F1 e logo quis assumir uma função de “messias” após a morte de Ayrton Senna, que sofreu sete anos da carreira em equipes médias e que finalmente tinha um carro de ponta nas mãos.

Até aquele dia, Rubens Gonçalves Barrichello era apenas um motivo de piada no paddock. Ninguém o levava a sério, pelo menos aqui no Brasil. Eu sempre fui um dos que mais zoava aquele piloto. Nunca fui fã dele, digo conscientemente.

barrica

Ele chegou lá!

Mas digo conscientemente também que dei o braço a torcer naquele dia. Torci como nunca para ele quebrasse um tabu de sete anos sem vitórias de pilotos da Pindorama. Emocionei-me, como muitos ao ver o ferrarista perto de alcançar o olimpo na categoria máxima do automobilismo.

Pode parecer ofensivo os últimos parágrafos, mas este era um pensamento de quem não tinha o acesso de todas as informações sobre a carreira de Barrichello, que não conhecia as suas lutas e os seus sacrifícios.

Quinze anos depois, ainda rio das piadas sobre o piloto e não nego que as faço, mas não esquecerei que ele foi grandioso em sua passagem na Fórmula 1, a que durou mais entre todos os pilotos que passaram pelo grid em todos os tempos. Por onze vezes, Barrichello alcançou o Olimpo. Sendo a primeira bastante especial.

Todo o circo da Fórmula 1 sentiu a importância daquele feito e não houve ninguém que estivesse emocionado, ou ao menos sensibilizado com o ocorrido. A narração de Galvão Bueno é perfeita com o cenário desta vitória.

Esta vitória eternizou Rubens Barrichello como um grande nome da história da Fórmula 1. E assim, este dia entrou para a história do automobilismo mundial. Um momento histórico!

Barman da Velocidade – Ep. 8 – GP da Hungria

É isso aí, pessoal, hora de mais um episódio do nosso programa. Aqui tem alguns pitacos sobre o excelente GP da Hungria.

Tópicos do vídeo

• GP da Hungria: o melhor do ano (e a queda de um mito)

• Cascas de banana
o Mercedes (fora do pódio pela primeira vez desde o GP Brasil 2013)
o Lewis Hamilton (estourou a cota de lambanças para uma corrida)
o Felipe Massa (punido por alinhar errado, levou passão de todo mundo)
o Felipe Nasr (levou vareio do companheiro de equipe)
o Pastor Maldonado (três punições na mesma corrida: toque com o Perez ultrapassagem em SC, excesso de velocidade nos pits)
o Force India (suspensão = capotada de Sergio Perez/asa dianteira = Nico Hulkenberg sem controle na reta)
o Problemas de Kimi sem fim (fazia boa corrida)

• Estrelas da corrida
o Sebastian Vettel (largada magistral, iguala Senna em vitórias, homenagem a Bianchi, recorde de pontos)
o Danil Kvyat (primeiro pódio)
o Daniel Ricciardo (Boa apresentação, batida com Rosberg(lance de corrida para mim), também no pódio)
o Max Verstappen (escapou das rebarbas, teve punição, mas andou bem)
o McLaren (carroça no sábado, com Alonso empurrando o carro, no domingo, um quinto e um nono)
o Marcus Ericcson (melhor que Nasr nas últimas corridas)

____________________________________________________

gettyimages-482017074

Imagem: Globoesporte.com

Assinem o canal no Youtube
Curtam a página no Facebook

_______________________________________________________________

Imagens: Globoesporte.com, Grande Prêmio, Motorsport.com

Músicas:

Music “DollHeads” by Ivan Chew
Available at ccMixter.org http://dig.ccmixter.org/files/ramblinglibrarian/25202
Under CC BY license http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Music “Drive” by Alex Berosa featuring cdk & Darryl J
Available at ccMixter.org http://dig.ccmixter.org/files/AlexBeroza/43098
Under CC BY license http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Music “Hidden Blues” by Pitx featuring rocavaco
Available at ccMixter.org http://dig.ccmixter.org/files/Pitx/27007
Under CC BY license http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Music “Kokokur” by Pitx
Available at ccMixter.org http://dig.ccmixter.org/files/Pitx/15328
Under CC BY license http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Music “Zest” by Basematic featuring Urmymuse
Available at ccMixter.org http://dig.ccmixter.org/files/basematic/34457
Under CC BY license http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Music “Seeker” by Gurdonark
Available at ccMixter.org http://dig.ccmixter.org/files/gurdonark/27196
Under CC BY license http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Jules Bianchi

Apenas deixo aqui a lembrança do principal feito da carreira de Jules Bianchi (os pontos que conquistara com a Marussia em Mônaco). Poderia ser o primeiro de muitos, mas quisera o destino que o desfecho fosse trágico.

Jules foi mais um garoto que sonhava alto, estava perto de chegar lá. Assim como tantos que sonham desde o kart, passando por várias categorias, até a Fórmula 1.

O esporte ainda é cruel e perigoso. Por mais medidas que se tomem, não há como deter o risco de uma modalidade cujo charme é justamente encarar os riscos.

Jules lutou bravamente durante a vida pelo sucesso e após o acidente pela própria vida. Resistiu nove meses, com muito sofrimento para ele e para sua família.

A estrada da vida ficou mais curta para Jules, assim como ficara para sua colega de equipe, Maria de Villota, assim como outros 46 homens que perderam a vida em corridas e/ou eventos ligados à F1.

Jules Bianchi junta-se a nomes como Alberto Ascari, Jim Clark, Bruce McLaren, Jochen Rindt, François Cévert, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Riccardo Paletti, Elio de Angelis, Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, entre outros.

Todos faziam o que mais gostavam e deixaram este plano para serem imortalizados ao longo da história deste esporte que cobra preços altos pelo reconhecimento.

O destino fora cruel, mas a sua marca está registrada Jules. Tenha certeza disso.

Pintando o sete: Carro vencedor, piloto nem tanto

Verstappen não sente a pressão de estar na F-1 (Foto: Getty images)

Logo ao adentrar à rede mundial de computadores no dia de hoje, dou de cara com uma declaração bem capciosa de Max Verstappen, guri que corre na Toro Rosso nesta temporada, ao responder uma pergunta do jornalista Lívio Oricchio

Você, com o carro de Lewis Hamilton ou Nico Rosberg, Mercedes W06 Hybrid, lutaria pelas vitórias já amanhã?

Com certeza, 100% seguro que sim. Acho que a geração mais nova chega muito motivada na F-1, muito interessada em ganhar corridas, logo, e chega também bem mais preparada. Se eu tivesse uma chance dessas, não acredito que teria problemas para aproveitá-la.

O holandês mostra-se bastante autoconfiante nesta nova jornada na Fórmula 1. E, diante do cenário da categoria, não dá para imaginar um cenário diferente. Boa parte dos pilotos do grid fariam miséria diante W06 Hybrid, teoricamente, por mais que Lewis Hamilton e Nico Rosberg tenham suas qualidades.

Não apenas hoje, mas em toda a história da F1, os pilotos vencedores sempre tiveram carros no mínimo bons. No entanto, nem sempre um super bólido pode transformar um piloto em um supervencedor. Muitas vezes, pilotos têm em mãos carros excelentes, mas acabam decepcionando.

A lista em questão mostra sete pilotos que foram companheiros do campeão mundial daquele ano, mas ainda assim fizeram temporadas bem fracas. Até tem vencedores na lista, mas o que ficou na lembrança foi o fiasco.

Heinz-Harald Frentzen (1997)

Imagem. F1 Network

Quem olha a classificação final da temporada de 1997 pode questionar a indicação do alemão que hoje trabalha dirigindo carro funerário da empresa de sua família. No entanto, quando Frentzen chegou à Williams naquele ano em substituição a Damon Hill, a expectativa em cima dele era a maior possível.

Vindo da escola de pilotos da Mercedes, da mesma turma de Michael Schumacher e Karl Wendingler, Heinz Harald Frentzen fez boas corridas pela Sauber desde sua estreia em 1994. Não foram poucos que apontavam o germânico como o grande nome da Williams em 1997, ao invés de Jacques Villeneuve.

Porém, a temporada não começou fácil: Uma rodada perto do fim do GP da Austrália, uma corrida pífia no Brasil e um abandono na Argentina mostraram que não seria fácil brigar pelo título, ainda mais com Villeneuve ganhando duas das três primeiras provas.

A sorte parecia que ia mudar em Ímola, já que Frentzen conseguiu sua primeira vitória na carreira e na etapa de Mônaco fez a pole-position. Só que isso foi um fogo de palha: Nas primeiras onze corridas, foram apenas 19 pontos e três corridas nos pontos. Villeneuve estava brigando ponto a ponto com Schumacher pelo campeonato. Era muito ponto até neste parágrafo, mais do que alemão da Williams tinha conseguido até aqui…

O alemão melhorou na reta final do campeonato e terminou em terceiro (o que virou um vice-campeonato, com a desclassificação de Schumacher), mas Frentzen fez apenas 42 pontos, contra 81 de Villeneuve. Um massacre.

Frentzen teve outro ano sofrido na Williams em 1998, mas conseguiu melhorar somente depois de migrar para a Jordan, onde teve a melhor temporada da carreira.

Heikki Kovalainen (2008)

Imagem: Ziimbo

A McLaren teve um 2007 dolorido. Apesar de ter o melhor carro do ano, a equipe ficou sem o título de pilotos, que ficou com o ferrarista Kimi Raikkonen, e o de construtores, já que o time inglês foi desclassificado pelo escândalo de espionagem.

Fernando Alonso não se deu bem naquele ambiente e se mandou para a Renault. Para achar um companheiro de equipe que não incomodasse Lewis Hamilton. O melhor nome disponível no mercado era do finlandês Heikki Kovalainen. Não foi difícil de acertar as coisas.

Kova era tido nas categorias de base como uma grande sensação. Campeão da World Series by Renault em 2004 e vice da primeira temporada da GP2 em 2005, o finlandês era apontado por muitos como um futuro campeão extremamente talentoso. No entanto, a sua carreira não começou bem, com um desempenho bem medíocre na decadente Renault em 2007.

Não que ninguém esperasse que Kovalainen pudesse encarar Hamilton de frente, mas que pelo menos ajudasse o inglês a ser campeão do mundo e a McLaren a ganhar o título de construtores, coisa que não acontecia há dez anos.

Mas nem para isso Kova foi capaz. Levando uma lavada em classificações, o finlandês não chegou nem perto de ameaçar uma disputa de título. As únicas exceções foram a pole em Silverstone sob chuva e uma vitória fortuita em Hungaroring por causa de um pneu furado de Hamilton e de um motor estourado de Felipe Massa.

No fim, terminou o ano em sétimo, atrás não só do inglês e da dupla da Ferrari, mas também da dupla da BMW Sauber (Kubica e Heidfeld) e de Alonso, com a mesma Renault da onde veio. Claro que a Macca não conseguiu o título de construtores e o tabu segue até hoje. Não a toa, o apelido de “Kovalento” seguiu por toda sua carreira…

Jochen Mass (1976)

Imagem: site da McLaren

O piloto alemão tem uma carreira respeitável no automobilismo, com uma vitória na Fórmula 1 e alguns resultados de valor por equipes menores, além de ser um vencedor das 24 Horas de Le Mans pela Sauber-Mercedes em 1989.

Mass chegou à McLaren em 1975 e conseguiu a única vitória da carreira no fatídico GP da Espanha em Montjuic. O alemão ficou na equipe para o ano seguinte enquanto Emerson Fittipaldi ia atrás do seu sonho com a Copersucar, abrindo o espaço para o bon vivant James Hunt assumir o carro principal da equipe inglesa

A história daquele ano quase todo mundo conhece bem, com livro, filme e tudo. Enquanto Hunt superava Niki Lauda em um duelo épico, cheio de reviravoltas, Mass foi um coadjuvante que passou despercebido até nas obras de ficção.

O germânico teve até um começo mais constante, terminando cinco das seis primeiras provas (todas nos pontos), enquanto o britânico tinha apenas duas corridas completadas. Só Hunt já estava na frente do companheiro no campeonato com uma vitória e 15 pontos contra 10 de Mass.

Ao longo do ano, a aposta mclarista mostrou-se certeira com o crescimento de Hunt no campeonato, especialmente no período sem Lauda no páreo. Enquanto isso, Mass teve como melhor resultado no ano todo dois terceiros lugares.

Hunt fechou o ano celebrando o título com 69 pontos. enquanto Mass somou míseros 19, terminando em nono lugar, atrás de pilotos com carros inferiores como Mario Andretti (Lotus), John Watson (Penske) e Jacques Laffite (Ligier).

Tudo bem que Mass não fosse um craque das pistas, mas dava para fazer melhor com o M23.

Keke Rosberg (1986)

Imagem: ESPN F1

O pai de Nico Rosberg sem dúvida foi um piloto de imensa categoria. Apesar de não ter muitas vitórias, era um piloto bem regular e que sabia aproveitar suas oportunidades. Assim Keijo Erik Rosberg, o Keke, foi campeão do mundo em 1982.

Após vários anos de Williams, Keke desembarcou em Woking para substituir o aposentado Niki Lauda e assumir a equipe ao lado do então campeão, Alain Prost. A mídia na época apontava o finlandês como um nome forte para desbancar Le Professeur.

A McLaren era a equipe dominante dos dois últimos anos com seu MP4/2, que usaria a sua versão C em 1986, mas desta vez teria a concorrência da Williams, com seu FW11 motor Honda que tinha Nelson Piquet ao lado de Nigel Mansell e ainda teria a Lotus preta de Ayrton Senna no caminho.

Enquanto Piquet, Mansell, Prost e Senna se digladiavam o ano inteiro, Rosberg tentava se adaptar ao carro, mas não conseguia andar no mesmo ritmo dos ponteiros, além de sofrer com muitos problemas mecânicos. O melhor que o velho Keke conseguiu no ano todo foi um segundo lugar em Mônaco, o último pódio da carreira.

Já sentindo que estava difícil seguir em alto nível na Fórmula 1, Keke Rosberg anunciou sua aposentadoria no fim da temporada.

O finlandês teve ainda uma última grande exibição na prova de despedida, em Adelaide, onde liderou boa parte da prova até abandonar com o pneu estourado, deflagrando o problema dos compostos da Goodyear naquela prova. O seu desempenho, de certa forma, ajudou Prost a montar a melhor estratégia que permitiu o bicampeonato do francês.

No entanto, o desfecho da temporada do Rosberg pai acabou sendo decepcionante para sua carreira. Além de terminar o campeonato como o pior do “clube dos cinco”, com 22 pontos, ainda completou o ano em sexto, atrás de Stefan Johansson em uma problemática Ferrari.

Riccardo Patrese (1983)

Imagem: Blog Rodrigo Mattar

O italiano também poderia ser indicado por 1992, pelo vice-campeonato com “um carro de outro mundo”, sem esboçar nenhuma ameaça a Mansell, mas a temporada de 1983 consegue ser mais terrível para o italiano.

A Brabham tinha tirado o ano de 1982 para testar o novo motor BMW e pagou com uma temporada decepcionante, mas no ano seguinte, com um novo regulamento aerodinâmico, Piquet aproveitou-se bem e brigou ponto a ponto pelo título, que viria em Kyalami, no fim da temporada.

Enquanto isso, Patrese teve um ano sofrível, com muitos abandonos. O italiano teve uma grande chance de vitória em Ímola, mas acabou secado pelos tifosi que queriam uma conquista ferrarista, que veio com cortesia de Patrick Tambay.

O italiano ainda teve um terceiro lugar em Hockenheim e foi o único resultado pontuável até a última corrida, na África do Sul. A vitória veio na corrida do segundo título do brasileiro, com alguma cortesia de Piquet.

O resultado positivo no fim do ano amenizou um pouco, mas não escondeu o massacre. Enquanto Piquet fechou o ano com 59 pontos, Patrese terminou com 13, sendo nove da última etapa. O italiano foi nono, terminando atrás até mesmo do piloto da Alfa Romeo, o nosso Mito Andrea de Cesaris! Sem mais, excelência!

Héctor Rebaque (1981)

Imagem: F1 al dia

Os dois últimos desta lista são nomes que não são tão familiares e não dá para imaginar que estes tenham sido companheiros de campeões do mundo.

O primeiro é o do mexicano Héctor Rebaque, piloto mexicano que foi um insistente. Fez algumas corridas pela Hesketh antes de fundar sua própria equipe e correr com carros comprados da Lotus e da Penske, até desistir dessa empreitada no fim de 1979.

O piloto da terra de Chesperito teve uma nova chance ao substituir o inexpressivo argentino Ricardo Zunino para ser companheiro de Piquet na Brabham a partir do fim de 1980, traendo os cobres da petroleira PEMEX.

Durante o ano, Rebaque não incomodou ninguém e nem pôde fazer muito para ajudar Piquet no campeonato. Sorte que não foi necessário. O brasileiro levou seu primeiro título com 50 pontos em uma disputa extremamente apertada com as Williams de Carlos Reuttemann e Alan Jones.

Já Rebaque teve a melhor temporada da carreira somando 11 dos 13 pontos que conquistou ao longo de sua jornada. Foi o décimo colocado, desbancando Didier Pironi (Ferrari) por exemplo. Ainda assim. Era nítido que o mexicano estava bem abaixo do nível dos pilotos de ponta da categoria e ele nunca mais competiu na F1 novamente.

Dave Walker (1972)

Imagem: Richads F1

David (ou Dave) Walker (não confundir com o ex-cantor britânico que fez parte do Black Sabbath) foi um piloto australiano tudo como um super talento do começo da década de 1970 antes de chegar à Fórmula 1. A sua carreira foi queimada da forma bastante cruel como veremos a seguir.

Walker detonou a concorrência em 1971, vencendo 25 das 32 corridas que participou em diversas categorias. O desempenho chamou a atenção de diversos chefes de equipes da Fórmula 1, especialmente de Colin Chapman, que o chamou para correr em um de seus carros da Lotus a partir de 1972. Antes, chegou a disputar uma prova em 1971 na Holanda, mas não completou.

Ano novo e a chance de correr na F1, com uma equipe tradicional, num lindo carro preto e dourado. O que poderia dar errado?

Tudo! Na primeira corrida, foi desclassificado por utilizar ajuda externa da equipe. Depois foram vários abandonos, erros e quebras e a paciência de Chapman ia se esgotando…

Para complicar ainda mais, Walker deu uma escapulida para testar o carro de uma equipe da Fórmula 2. sem avisar ninguém da Lotus. Como castigo, foram duas corridas de suspensão da equipe, na parte final do campeonato, na Itália e no Canadá. O australiano retornou nos Estados Unidos, em Watkins Glein, mas também não terminou.

Foram 10 corridas disputadas e ZERO pontos. Nada. Necas de pitibiriba. Se servia de consolo, o substituto dele, o sueco Reine Wisell, não pontuou também. Assim como nomes bem conceituados, que tiveram poucas chances, como Niki Lauda, Patrick Depailler, Henri Pescarolo e Jody Scheckter. A diferença é que os nomes citados não correram integralmente e/ou não correram em equipes de ponta, ao contrário de Walker.

“Mas… Por que o nome dele aparece neste pintando o sete?” Você deve estar se perguntando agora. isso se você não desistiu de ler pelo tamanho do texto. Isso porque, o seu companheiro de equipe, ninguém menos que Emerson Fittipaldi, sagrou-se CAMPEÃO DO MUNDO em 1972.

E o mais impressionante: mesmo com um piloto pontuando apenas, a Lotus foi campeã de construtores com os 61 pontos conquistados pelo brasileiro!

Mas afinal o que aconteceu com o australiano: Dave Walker acusou a Lotus de lhe dar equipamento muito inferior ao de Emerson e disse que os mecânicos só davam atenção àquele brasileiro costeletudo.

A Lotus, por sua vez, não poupou seu ex-piloto: as acusações eram de que ele tinha técnica de direção inadequada, forma física pior que a do Juan Pablo Montoya e inaptidão para entender tecnicamente como funciona um carro de corridas. Sem dúvida, Walker não ficou para a festinha de amigo secreto no fim do ano.

O australiano bem que tentou seguir com a carreira na Fórmula 2 no ano seguinte, mas dois acidentes acabaram prematuramente com sua carreira. Atualmente, vive em sua terra natal com uma empresa de frete de barcos.

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Obviamente temos outros nomes que poderiam entrar nesta lista, mas a regra específica foi a de ser companheiro de um campeão mundial, o que lhe daria as condições de buscar uma vitória. O que não seria nada fácil, né Verstappen?

Abraço!

Momentos históricos – GP do Brasil de 1983

Olá pessoal, eis um quadro que retorna a este humilde blog, relembrando corridas épicas do passado.

A diferença é que neste ano, farei uma abordagem diferente. Acredito que uma imagem vale mais do que mil palavras e os registros que encontrei são mais claros para ilustrar o que foi aquele grande prêmio do que contar com um milhão de palavras.

Imagem: Blog A Mil Por Hora - Rodrigo Mattar

Basta ver nos vídeos como era a Fórmula 1 daquele começo de 1983 nos preparativos do finado Jacarepaguá naqueles dias.

Embora ainda goste (e muito) de Fórmula 1 até os dias e hoje e não mudarei nisso, reconheço que sinto certa inveja de quem conviveu com aquele ambiente. E lamento que isso nunca mais acontecerá de novo da mesma forma e no mesmo lugar.

Algumas coisas são muito interessantes, como as pronúncias dos repórteres, as estatísticas sobre o GP, o calor, a rotina de quem estava dentro e fora do paddock, a festa antes do início das atividades, as polêmicas no decorrer da semana etc.

Detalhe para a entrevista de Nelson Piquet aos 7:11 no vídeo.

Na sequência, o vídeo da corrida, com momentos não menos épicos.

Alguém tem outra observação a acrescentar? Os comentários estão abertos!

Abraço!

P.S. Os vídeos em questão, no grupo do Facebook F1 Lado B.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 542 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: